Duas correcções, um esclarecimento e um apelo

Este meu post, marcado pelo sentimento de urgência e pela indignação que me suscita a forma como são tratados, nas últimas décadas, os militares de Abril, requer a correcção de dois lapsos, e suscita-me um esclarecimento e um apelo.

 As correcções:

 1. Houve blogs “de esquerda” que se referiram ao falecimento de Rosa Coutinho. O meu pedido de desculpas ao Vítor Dias, e a outros que não tenha ainda detectado. Em termos gerais, continua contudo a ser um nível de silêncio que me custa a entender.

 2. Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves não foram, obviamente, os únicos oficiais com patente superior a Major ou a Capitão-Tenente a participar na preparação e concretização do 25 de Abril.

Embora não tenha comigo os meus arquivos acerca do assunto, pude encontrar aqui num ficheiro mais alguns que estiveram envolvidos ou foram, pelo menos coniventes. Assim, Garcia dos Santos, Fisher Lopes Pires, Franco Charais, Sacramento Marques, Carlos Azeredo, Dias de Lima e Correia de Campos foram membros do movimento, com funções operacionais no próprio dia. Banazol e Almeida Bruno participaram no movimento e, o segundo, no “Golpe das Caldas”. Jasmins de Freitas e Caldas Duarte foram convidados, na própria madrugada, a juntar-se aos revoltosos e continuarem a comandar as suas unidades, tendo aceite. Fausto Marques, comandante dos pára-quedistas, não aceitou participar mas comprometeu-se a não agir contra, quando fosse dado o golpe. Abrantes da Silva não pertencia ao movimento, mas ofereceu-se para negociar a rendição de Marcelo Caetano.

Embora minoritários, outros existirão. Peço-lhes desculpa por não os ter podido incluir nesta lista que considero particularmente honrosa.

 O esclarecimento:

 As intervenções de Rosa Coutinho para evitar que a fragata Almirante Gago Coutinho abrisse fogo contra Salgueiro Maia foram-me relatadas em separado, já há vários anos, por 3 pessoas directa ou indirectamente envolvidas no incidente. Não tenho razões para duvidar de sua palavra nem de que, em conjunto com os vários outros factores envolvidos, essas intervenções tenham sido relevantes para o desenlace pacífico do caso.

 O apelo:

 Conforme refere Duran Clemente, num comentário ao post, Rosa Coutinho era (tal como são ou eram os seus camaradas de armas abrilistas) “muito mais” do que aquilo que cabe em pequenas homenagens de quem não viveu de perto, com eles, os acontecimentos.

Talvez seja já altura de os próprios protagonistas tomarem em suas mãos a história e relato da dimensão humana destes homens, vivos ou já falecidos, a quem tanto devemos.

Daqui apelo a que o façam.

E daqui me ponho à disposição para os apoiar, dentro das minhas capacidades e se assim o desejarem.

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6 Responses to Duas correcções, um esclarecimento e um apelo

  1. augusto diz:

    Continua a falar em 3 fontes, sobre a participação de Rosa Coutinho, no episódio da Fragata , no 25 de Abril.

    Porque não indica os seus nomes?

    Será que já não se lembra?

    Como já disse uma vez , o pai de Francisco Louçã ainda é vivo, o seu testemunho pode ser util.

    E o dessas 3 fontes , se se souber quem são, pode ajudar a clarificar esse episódio.

    • paulogranjo diz:

      Caro Augusto:

      Eu não mando na identificação das pessoas que comigo vão falando ao longo do tempo. Se alguém se quiser identificar, que o faça; se alguém considerar que eu o devo fazer, que me autorize.

      No entanto, isto não é a revelação de um segredo (e muito menos, claro, pecaminoso).
      Tanto quanto me posso aperceber, é um dado razoavelmente conhecido nessa geração de oficiais e sargentos da Armada, e a que nem sequer é atribuída uma particular importância. Será uma coisa vista como natural.

      Também não sei se o Comandante Seixas Louçã foi directamente contactado (uma das pessoas pensava que sim, mas era apenas uma dedução) e, a tê-lo sido, se quererá falar do assunto.
      As pessoas, mesmo se estiveram envolvidas em acontecimentos históricos, não são obrigadas a falar daquilo que nos levanta curiosidade ou interesse, sabe?

  2. Carlos Fernandes diz:

    Bem, eu como democrata e não sendo uma pessoa de esquerda nem direita mas do centro, apoio o 25 Abril na medida em que nos libertou de uma ditadura, da mesma forma que apoio o 25 Novembro que nos evitou que caíssemos noutra de sinal contrário…

    Em relação ao pai do Francisco Louça li numa entrevista dele há uns anos (não recordo bem onde, sei que foi num jornal ou revista de expansão nacional, pelo que deve constar nalgum arquivo de jornais) em que dizia (cito de memória) que não tinha obedecido e dado a ordem para disparar porque tinha visto muitos populares junto às tropas do Salgueiro Maia, incluindo um míudo da idade do filho dele e que por acaso tinha vestida uma camisola igual à do filho.

    Esse disparo, como é obvio, fez e faria toda a diferença, pois daria cabo das tropas do Salgueiro Maia, sem hipóteses nenhumas para este.
    Mas se o senhor é vivo e está lúcido, esperemos que esclareça melhor este dia importante da história de Portugal.

  3. antonio diz:

    Não contem muito com isso. O meu falecido pai também era assim e eu também, há coisas que se sabem mas ficam connosco.

    🙂

  4. Vítor Dias diz:

    Caro Paulo:

    Não era necessário nenhum pedido de desculpas, primeiro porque ninguém tem obrigação de fazer pesquisas exaustivas e segundo porque a minha nota sobre a morte de Rosa Coutinho estava na faixa lateral direita do blogue que não é apanhada pelos sistemas de pesquisa.
    Um abraço.

  5. Obrigado, Vitor.
    Um abraço de volta.

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