A ideologia espontânea das massas

Disse-me o barbeiro esta manhã: Tem de usar o champô X. Achei o maior topete, uso desde há muitos anos o champô Y, que o médico me receitou. Respondi-lhe: Uso o champô Y, que se vende na farmácia (e achei que esta invocação da farmácia, coisa assim paracientífica, tinha autoridade suficiente para o calar). Insistiu: Pois está à vista que não faz bom serviço, deve comprar o champô X no supermercado. (Engels: a prova do pudim está em comê-lo, o meu barbeiro de Valpaços é um comunista sem o saber, como mais não sei quantos milhões de portugueses).

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SEXTA | António Figueira
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3 Responses to A ideologia espontânea das massas

  1. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Careca,
    Presumo que o do supermercado seja o X, de outra maneira a coisa não tem lógica.

  2. António Figueira diz:

    Claro, já corrigi, era só para ver se estavas atento.

  3. JMG diz:

    Lembra-se do médico do qual fala não sei se Eça se Ramalho, que dizia: Mas dói-lhe a barriga ou não lhe dói a barriga? Pois eu estou na mesma, caríssimo António Figueira, e posso mesmo dizer que estou em pulgas: O problema é caspa ou queda de cabelo? Se for o primeiro console-se com a ideia de que será resolvido pelo segundo. Eu sei – já por lá passei.

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