A “inocência” judaica, o “humanismo” americano e a “democracia” iraniana…

1. O ataque aos navios turcos confirma mais uma vez o perfil diabólico da causa sionista, sem qualquer tipo de escrúpulos ou respeito pelas leis internacionais, não hesitando em exterminar um povo, se isso for necessário na defesa dos seus interesses.

2.  Mesmo com o carácter mais apaziguador de Obama, a fidelidade manifestada neste caso ao seu grande aliado judaico mostra que, em termos internacionais, não há contudo diferenças assim tão substanciais, no que se refere à política externa da administração americana. O que aconteceria se uma comitiva árabe atacasse um barco em águas internacionais, alegasse ter razão e não cedesse às pressões internacionais para que se efectuasse uma investigação do caso (parece que vai ceder finalmente, em resultado da pressão ou porque já deve ter manietado as coisas a seu favor), como fez Israel? A condenação americana seria seguramente apenas uma das medidas mais pequenas levadas a cabo. Está na hora de finalmente se perceber que os americanos não são os guardiões humanistas do Mundo (apesar de cinicamente se assumirem enquanto tal) , mas sim uma das suas maiores ameaças. Da América Latina ao Médio Oriente, da África à Europa, não faltam casos de ditaduras sanguinárias ignoradas ou apoiadas pelos E.U.A.  por motivos geoestratégicos e económicos, não revelando qualquer preocupação com as populações (muitas vezes escamoteando a própria realidade).

3. Por questões de justiça mundial, sou naturalmente defensor da causa palestiniana, da construção de uma palestina livre e LAICA e forte crítico de toda o terrorismo organizado judaico (tal como dos talibãs islâmicos), protegido na comunidade ocidental pelo manto da “retaliação”. Mas será possível uma palestina livre e LAICA com a predominância na região das sociedades islâmicas mais conservadoras e sanguinárias? Neste contexto, cada vez mais me irrita uma certa esquerda que protege ou desvaloriza os regimes fundamentalistas islâmicos, castradores de liberdades individuais, de expressão, de escolha religiosa ou direitos das mulheres (como é que certos feministas defendem estas sociedade, é algo que simplesmente não percebo). Quando não se alega, de modo surreal, que estes regimes são democráticos, o argumento muitas vezes apresentado é de que era bom que a resistência na região fosse progressista, mas que não sendo, há que defender a que existe. A questão essencial é que não é só o bem-estar das populações da região que está em causa (o que, para mim, já seria motivo suficiente para a condenação veemente destes modelos de sociedade), mas também o contexto geopolítico mundial. O que aconteceria se estes regimes de extrema-direita teocráticos tivessem um poder proporcionalmente muito maior do que têm hoje? Teríamos nós (o Mundo na sua globalidade)  uma realidade mais segura e pacífica do que com o domínio do imperialismo americano?

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36 Responses to A “inocência” judaica, o “humanismo” americano e a “democracia” iraniana…

  1. miguel serras pereira diz:

    Excelente post, caro João Torgal.
    Sublinho: “Quando não se alega, de modo surreal, que estes regimes são democráticos, o argumento muitas vezes apresentado é de que era bom que a resistência na região fosse progressista, mas que não sendo, há que defender a que existe”. Porque o sofisma, guardadas todas as proporções, é mais ou menos como o que entre nós dissesse: “É pena que a direcção do PS não seja socialista nem democrática, mas é a que há e temos de a defender tal como existe se queremos defender o socialismo e a democracia”.

    Cordiais saudações laicas e democráticas

    msp

  2. Leo diz:

    Este texto do João Torgal encaixa perfeitamente nos talkings points delineados pelas autoridades israelitas para os media melhor “venderem” a sua operação militar contra a frota com ajuda a Gaza. Relembro que os temas recomendados eram “armas”, “linchamento”, “batalha” e “ratoeira”. E o objectivo da narrativa destinava-se a alargar a percepção de que os comandos israelitas, vítimas passivas e inocentes da conspiração hostil foram obrigados a abrir fogo, para se defenderem do ataque brutal da grande armada turca!

    O João Torgal limita-se a alargar os talkings points à análise da guerra permanente (desde há mais de seis décadas) que Israel (e os USA) desenvolvem no Médio Oriente, para se “defenderem” não da grande armada turca (afinal a Turquia é da NATO), mas da grande armada iraniana.

    O João Torgal limita-se a defender o status quo e tenta assustar-nos com a justa luta do povo palestiniano pela edificação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com Capital em Jerusalém.

  3. João Torgal diz:

    Leo:

    Definitivamente, ou não leu o meu texto, ou o fanatismo só lhe permitiu captar uma ou duas frases…

  4. Zé Miguel diz:

    João,

    Excelente post!

  5. Leo diz:

    Ora essa João, li o texto todo e entendi as suas conclusões que apresenta como supostas interrogações:

    – “Será possível uma palestina livre e LAICA com a predominância na região das sociedades islâmicas mais conservadoras e sanguinárias?

    – O que aconteceria se estes regimes de extrema-direita teocráticos tivessem um poder proporcionalmente muito maior do que têm hoje?

    – Teríamos nós (o Mundo na sua globalidade)  uma realidade mais segura e pacífica do que com o domínio do imperialismo americano?”

    Em parte alguma o vi a condenar o criminoso massacre perpetrado pelas forças militares israelitas contra a missão de ajuda humanitária que se dirigia à Palestina;

    Nem o vi a condenar o assalto a uma frota que se dirigia à Palestina com cerca de dez mil toneladas de bens de primeira necessidade para fazer frente à calamitosa situação humanitária na Faixa de Gaza resultante do ilegal bloqueio mantido contra este território e o seu povo.

    Muito menos o vi a condenar a chocante violação das mais elementares regras do direito internacional, que foi este acto de pirataria, mais uma prova da política de terrorismo de um Estado que tem contado com a conivência e o apoio dos EUA e da União Europeia.

    Também não o vi a exigir do governo português uma clara e pronta posição de condenação de mais este crime de Israel.

  6. Luís Teixeira Neves diz:

    Mas Israel dá-se bem com certos regimes não democráticos da região… E por outro lado outros países e partidos ditos islámicos também não se têm assim revelado tão pouco democráticos… Desconfio que o problema não anda por aqui…
    Também o facto de não gostar do modo como em certas sociedades as mulheres são tratadas não me leva a aceitar para as mesmas uma qualquer “solução final”. Constato também que o que nessas sociedades se vê hoje, algumas décadas atrás não se via e faço votos que brevemente deixe de se ver de novo.
    Tomo tudo isto como um fenómeno meramente reactivo e passageiro. Israel é o grande factor do radicalismo árabe e islâmico.
    Diz-se que quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte e a verdade é que eu me sinto já um pouco cansado com todos estes artistas da arte de fazer médias em que o meio está sempre puxado um bocadinho para um dos lados…

  7. Leo diz:

    Porventura o João entende que o apoio inequívoco à luta do povo palestiniano pela edificação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com capital em Jerusalém, será “fanatismo”. Mas é o meu entendimento, o entendimento da maioria dos povos do mundo, o entendimento dos povos da região e principalmente o entendimento dos palestinianos.

  8. antonio diz:

    O meu falecido pai andou por lá, eu não.

    Tenho dúvidas que os palestinos (palestinianos ?) sejam capazes de se entender para ‘construir’ seja o que fôr.

    🙁

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Tem toda a razão. Os palestinianos não sabem construir. Só servem para estarem em campos, sob as ordens de uma raça superior, de preferência sob a inscrição עבודה עושה לך בחינם(o trabalho liberta). Onde é que eu já ouvi isto? Não lhe parece que fez um comentário racista?

  10. antonio diz:

    Não.
    O que me parece é que os fulanos do Hamas e da OLP (e das outras facções que possa haver…) se vão guerrear até à morte, com ou sem uma eventual “ajudinha” dos judeus num lado ou noutro.

    ‘Tá a ver ?

  11. Leo:

    Definitivamente só leu as últimas frases, o que é pena, pois ajuda a ficar com uma ideia distorcida. Mas para não ter de ler o texto todo, eu indico-lhe algumas passagens do meu texto:

    “O ataque aos navios turcos confirma mais uma vez o perfil diabólico da causa sionista, sem qualquer tipo de escrúpulos ou respeito pelas leis internacionais…”

    “Por questões de justiça mundial, sou naturalmente defensor da causa palestiniana, da construção de uma palestina livre e LAICA e forte crítico de toda o terrorismo organizado judaico (tal como dos talibãs islâmicos), protegido na comunidade ocidental pelo manto da “retaliação””

    Quanto à questão da posição portuguesa, aí sim tem razão. De facto, não referi e devia tê-lo feito. Parece-me estranho que não haja sequer uma proposta no parlamento de condenação do ataque. Da esquerda à direita, ninguém o fez…

  12. Manuel Monteiro diz:

    Está bem, também eu procuro essa vanguarda arabe, progressista e revolucionária. Mas, onde está ela? Os povos árabes têm que se defender das forças imperialistas e sionistas. São os fundamentalistas de direita que conduzem essa luta? Pois lá terá que ser. Todos aqueles, árabes e outros cidadãos do mundo, que defendem ideias progressistas o que têm a fazer é:
    1-Defender a resistência popular
    2-Lutar, pelas ideias e pela prática- se possível de armas na mão- para imprimir ao movimento popular caracteristicas progressistas e revolucionárias, disputando, dentro da resistência popular, a liderança aos fundamentalistas de direita.
    Fora disto é chover no molhado e, objectivamente, ficar do lado das forças opressoras.
    Manuel Monteiro

  13. João Torgal diz:

    “…para imprimir ao movimento popular características progressistas e revolucionárias, disputando, dentro da resistência popular, a liderança aos fundamentalistas de direita”

    De acordo. Raras vezes vejo esta ideia expressa desta maneira.

  14. antonio diz:

    Manuel Monteiro para haver uma “vanguarda árabe era preciso ressuscitar uma data de gente que está morta há muito tempo.

    Agora são um montão de inqualificáveis que lá estão, e se alguém discorda deles e o diz, acontecem-lhes coisas más…

    🙁

  15. Abílio Rosa diz:

    Não esquecer que o Estado de Israel foi um colaboracionista e um fornecedor do regime de «apartheid» na África do Sul.

    O «apartheid» foi uma das páginas mais negras e odiosas da história do sec.XX, e os judeus, através do Estado pária que criaram, nunca se fizeram rogados em colaborar com aquele ex-estado racista e criminoso.

    Indiferentes à sorte do seu próprio povo – que morreram à míngua às mãos do regime nazi – não se fizeram rogados em colaborar igualmente com um regime racista e que desrespeitava os direitos humanos.

    Até do ponto de vista religioso,este «Estado» está à margem da Lei de Deus e da Moral.

    A comunidade internacional tem que acabar de vez com este cancro!

  16. Leo diz:

    Ao contrário do que insiste, li mesmo o texto todo, mas reservei-me o direito de contrariar o que me pareceu mais importante.

    Essa expressão “perfil diabólico da causa sionista” foi uma das que me chamou a atenção mas sobre a qual resolvi não investir, mas já que está tão orgulhoso dela… invisto agora. Nem repara que essa expressão branqueia as autoridades israelitas? Pois branqueia, na minha opinião é muito mais rigoroso e mais corajoso dar o nome aos bois. A responsabilidade da operação militar e da violação do direito internacional é única e exclusivamente do governo do país.

    E mais uma vez re-afirmo que apoio a luta do povo palestiniano pela edificação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com Capital em Jerusalém. Penso que qualquer pessoa minimamente informada, minimamente decente apoia essa luta, pela simples razão que é isso que os próprios palestinianos consensualizaram. Quanto às características do Estado palestiniano esse é um assunto que apenas diz direito aos palestinianos. E de interferência estrangeira nas suas questões internas devem eles estar fartos até aos cabelos. Respeitemos o direito dos palestinianos de decidirem sobre os seus assuntos.

    Por fim, deixo-lhe o link da decisão tomada pelo PCP logo no dia 1 de Junho.

    http://www.pcp.pt/palestina-pcp-chama-ministro-ao-parlamento-e-apela-%C3%A0-manifesta%C3%A7%C3%A3o

  17. miguel serras pereira diz:

    Abílio Rosa,
    quando você escreve: “O «apartheid» foi uma das páginas mais negras e odiosas da história do sec.XX, e os judeus, através do Estado pária que criaram, nunca se fizeram rogados em colaborar com aquele ex-estado racista e criminoso”, porque é que, se culpa OS JUDEUS, e não o governo de Israel, de colaboração com o ex-regime de Pretória, não culpa igualmente os sul-afriacnos pelo apartheid? E porque é que acha que não foi preciso acabar com o direito à existência da África do Sul para acabar com o “cancro” do apartheid, mas é preciso acabar com o “cancro” de Israel, e não só com o seu regime de discriminação e opressão, para garantir os direitos dos palestinianos?

    Leo,
    dizer que o post do João Torgal branqueia o governo israelita é uma deturpação particularmente tortuosa e uma expressão de má-fé. E talvez do desespero que lhe causa não haver argumentos racionais que possa invocar em defesa da sua posição.

    msp

  18. Abílio Rosa diz:

    Sr. Miguel Serras Pereira:

    Falo especificamente dos sionistas do Estado de Israel que por acaso são todos judeus, pois há muito tempo há uma grande desculpabilização em «branqueamento» em relação à politica terrorista do Estado de Israel nos territórios ocupados e em relação a toda aquela zona geográfica, com o argumento subreptício que os «judeus» sofreram muito na II guerra Mundial, bla-blá, blá…

    Indiferentes ao sofrimento do seu próprio povo, os sionistas do Estado de Israel nunca tiveram escrúpulos em colaborar com os regimes mais odiosos, fascistas e diatatoriais do Mundo, como foi o caso do regime do «apartheid» na ex-RAS, que tratavam os sul-africanos negros como animais.

    Um regime que colaborou com este regime, que credibilidade ou que moralidade tem em vir para os palcos mediáticos e armarem-se em vítimas disto e daquilo?

    Eu sei que sou inconveniente para os ex-esquerdistas, convertidos às delícias do neo-connismo judaico-americano…

    Sorry…

  19. Renato Teixeira diz:

    M.Monteiro, sempre ao melhor nível. Diz tudo o que disseste outra vez a ver que alguns ouvidos deixam de ouvir apenas aquilo que a doutrina deixa.

  20. antonio diz:

    Axo que me esqueci no meio disto tudo de mencionar/homenagear o comanante Abdullah Tell, um militar notável e compassivo, not a butcher/carniceiro.

  21. Leo diz:

    Relei-a o que escrevi, MSP, e seja objectivo. Aqui está o que escrevi:

    “Essa expressão “perfil diabólico da causa sionista” foi uma das que me chamou a atenção mas sobre a qual resolvi não investir, mas já que está tão orgulhoso dela… invisto agora. Nem repara que essa expressão branqueia as autoridades israelitas? Pois branqueia, na minha opinião é muito mais rigoroso e mais corajoso dar o nome aos bois. A responsabilidade da operação militar e da violação do direito internacional é única e exclusivamente do governo do país.”

  22. miguel serras pereira diz:

    Abílio Rosa,
    à única objecção que lhe ponho, você não responde.
    O resto é chover no molhado, porque não condeno menos – faço-o até mais, creio – do que você a política dos sucessivos governos israelitas, e defendo a liberdade para os palestinianos. Efectivamente, o cancro, como você diz, exige uma transformação de fundo do regime de Telavive, na qual, de resto, há muitos judeus que, em Israel ou por esse mundo fora, continuam a bater-se: desobediência civil contra o bloqueio assumida por sobreviventes dos campos de extermínio, organização de manifestações e acções conjuntas com os palestinianos, campanhas de informação sobre os actos terroristas do governo, etc. Leia, por exemplo, esta entrevista com um ex-soldado israelita que denuncia a opressão e discriminação dos palestinianos (http://www.elpais.com/articulo/ultima/lucho/solo/palestinos/hago/Israel/elpepuult/20100605elpepiult_2/Tes), e logo verá que nem todos os judeus de Israel são inimigos a abater – ou visite o site da Jewish Voice for Peace, dezenas de outros, e talvez compreenda que há quem, dos dois lados, está a travar um combate comum que passa por cima das fronteiras do “interesse nacional”, ou subordina este à vontade de democracia.
    Salam/Schalom!

    msp

  23. miguel serras pereira diz:

    Leo,
    não distorça as coisas com preciosismos argumentativos. A afirmação do João Torgal sobre o sionismo não exclui minimamente a responsabilidade do governo israelita, que você reitera. E se quer que lhe diga não compreendo em onde você quer chegar nem em nome de quê. O que importa é contribuir para um processo de paz que assegure a israelitas e palestinianos iguais direitos e igual cidadania. A melhor maneira de o fazer pode e deve ser discutida sem sacrilégio, não pode? À partida, a minha preferência iria para uma hipótese que, no imediato, parece de difícil concretização: uma república binacional, laica e cuja constituição consagrasse a participação igualitária e activa dos cidadãos, pondo entre parênteses s suas identidades nacionais, confessionais ou étnicas, no exercício do poder. Mas a existência duas repúblicas laicas, em paz e assegurando os direitos fundamentais dos cidadãos a ambas as populações, pode ser uma via que também abra caminho a um processo de democratização cujos efeitos benéficos se façam sentir e alastrem na região e no plano global. Claro que há condições prévias a impor a Israel: o fim do bloqueio, da construção de novos colonatos, da legislação discriminatória, e por aí fora. Qual é a dúvida?

    msp

  24. Leo diz:

    Mais uma vez re-afirmo que apoio a luta do povo palestiniano pela edificação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com Capital em Jerusalém. E apoio essa luta como qualquer pessoa minimamente informada, minimamente decente a apoia, pela simples razão que é isso que os próprios palestinianos consensualizaram.

    Quanto às características do Estado palestiniano esse é um assunto que apenas diz direito aos palestinianos e a rigorosamente mais ninguém.

    Está na hora de se acabar com todas as interferência estrangeira nas questões internas dos palestinianos e de se respeitar o direito dos palestinianos de decidirem sobre os seus assuntos.

    Coisa que pelos vistos nem o João nem o Miguel entendem, preferindo interferir. É um direito que lhes assiste, exactamente como me assiste o direito de discordar com essa vossa visão neo-colonialista.

  25. “Está na hora de se acabar com todas as interferência estrangeira nas questões internas dos palestinianos e de se respeitar o direito dos palestinianos de decidirem sobre os seus assuntos”

    Num dia pede-se armas para a resistência palestiniana, no outro apela-se a que não haja interferência internacional, seja de que meio for. É conforme as conveniências.

    Leo, preferia sinceramente que não tivesse lido o meu texto. O problema está em achar que qualquer pessoa que não defenda a 100% o lado ISLÂMICO (e não só a questão palestiniana, que não defenda os regimes sanguinários, fascistas e teocráticos da região), é o mesmo que estar do lado israelita. Fazer interpretações francamente falaciosas é pura desonestidade intelectual…

  26. Leo diz:

    “Num dia pede-se armas para a resistência palestiniana, no outro apela-se a que não haja interferência internacional, seja de que meio for. É conforme as conveniências.”

    Essa não é para mim, com toda a certeza. Muito menos a de defender a 100% seja que lado for.

    Fui muito claro: apoio a a luta do povo palestiniano pela edificação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com Capital em Jerusalém, porque foi isso que os próprios palestinianos consensualizaram.

    Nisto, que é o ponto fulcral nem o João nem o Miguel são claros. Pelo contrário, são clarissimos a defender a interferência num assunto que apenas diz direito aos palestinianos e a rigorosamente mais ninguém. Essa é mesmo uma visão neo-colonialista.

  27. Luís Teixeira Neves diz:

    O seu texto, João Torgal, tem três partes. A primeira para dizer “SIM!”, a segunda para dizer “CLARO!” e a terceira para dizer “MAS…”. As duas primeiras partes são… bastava uma para dizer “ESTOU DE ACORDO CONVOSCO” antes do “MAS…”. Na verdade passava-se bem se ambas, podia-se saltar ainda por cima do “MAS…” e íamos logo ao que interessava. O seu não é um texto para iniciar um grade debate. Resume-se bem com uma frase que alguém proferiu um dia a propósito de um certo latino-americano: “Ele é um filho-da-puta, mas é o nosso filho-da-puta!”
    Percebe-se… Quando você diz “SIM!” e depois diz “CLARO!” está somente a colar-se aos seus interlocutores para os incluir neste “NÓS” de quem o dito filho-da-puta é. “Eles estão-nos a defender e embora não gostemos dos métodos que usam devemos fechar os olhos aos mesmos.” É isto que você diz. E para chegar aqui, além de nos tentar meter muito medo (com os fundamentalistas islâmicos) faz uma coisa desonesta que é colocar os movimentos islamistas no mesmo patamar dos EUA como se de facto eles se preparassem para lhe tomar o lugar na cena mundial…
    Você aproveita-se de um facto da actualidade que deu escândalo, salta sobre o motivo subjacente imediato do sucedido, o bloqueio a Gaza, idem o conflito israelo-palestiniano e… Já sabemos que há sempre um “SE” qualquer… e se não há inventa-se porque é preciso que haja…
    Tenha paciência! É o que se dizia aos pobres e pedintes…

  28. miguel serras pereira diz:

    Leo,
    deixe-se provocações, por favor. Ou então, dê a cara e arrisque qq. coisinha.
    Dito isto vejamos os seus rudimentos de argumentação:
    1- As fronteiras anteriores a 1967, ou outro traçado, pode ser negociado se os interessados virem bom motivo para tanto. O que devemos é ter presente e exigir que as conversações entre as partes se realizem em condições de equilíbrio – incluindo, por exemplo, a presença e participação de mediadores acordados pelas partes em conflito. A minha posição é esta e é clara q.b.
    2- É também claro q.b. o você escreve: “Quanto às características do Estado palestiniano esse é um assunto que apenas diz direito aos palestinianos”, ou mesmo: “e rigorosamente a mais ninguém”. Segundo a mesma ordem de ideias, a natureza do regime das Honduras diz apenas respeito à sua população, e é um abuso imperialista exigir contra Estados de cujas características faz parte o serem ditatoriais, praticarem a pena de morte e/ou a tortura, perseguirem a liberdade de consciência ou adoptarem formas confessionais, proibirem a associação sindical, etc., etc., que as liberdades políticas e os direitos fundamentais sejam respeitados e garantidos a outros povos, exercendo pressões nesse sentido.

    msp

  29. Leo diz:

    Acho extraordinária a sua fuga para a frente (ou melhor para a América Central) quando estamos a falar do conflito israelo-palestiniano onde um dos Estados continua a ocupar o outro, a construir colónias no outro, a construir um muro do apartheid em terras do outro, continua com um bloqueio por terra, ar e mar sobre o outro, continua a manter mais de 11.000 cidadãos do outro nas suas cadeias (incluindo muitas crianças) sendo que a maioria nem sequer foram levados perante um juiz, nunca tiveram acesso a advogados nem a visitas familiares. E, continua a praticar diariamente execuções extra-judiciais, demolição de casas, roubo de terras e águas, destruição de terras de cultivo e derrubo de oliveiras, palmeiras e laranjeiras.

    E perante esta situação, tem ainda o topete de falar em “condições de equilíbrio”? Seja sério.

  30. Luís Teixeira Neves diz:

    Uma terra, um homem, um voto e não se fala mais no assunto!

  31. antonio diz:

    Não vai ser fácil. Eles são parecidos entre si (como people) e rivais há muito tempo. Uns reclamam “direitos históricos”, os outros dizem “pois mas quem estava aqui nos últimos dois mil anos éramos nós”.

    Vai continuar a dar raia…

    🙁

  32. Abílio Rosa diz:

    Sr.Miguel Serras Pereira:

    Esperar alguma mudança politica em Telavive ou que os judeus mudem de opinião em relação à geo-etno-politica do Médio Oriente, será a mesma coisa esperar do Papa que um dia aceite o aborto….

  33. Leo diz:

    O Abílio tem razão. Já houve governos de todos os estilos para todos os gostos e os resultados foram sempre os mesmos. Por isso a ocupação, colonização e bloqueio continuam. A única maneira da coisa se resolver pacificamente seria os USA acabarem com o cheque anual dos mais de três mil milhões e a cumplicidade diplomática a Israel. Só assim se poderia ver a luz ao fundo do túnel desta humilhante desgraça palestiniana. A outra maneira é a continuação da luta.

  34. miguel serras pereira diz:

    Leo

    a discussão, parece-me, já não adiante muito.
    No entanto, não me parece que o internacionalismo e a solidariedade democrática valham na América Latina, mas não no Médio Oriente.
    Quanto às “condições de equilíbrio” em negociações no quadro de um processo de paz, reconheço que, precisamente por não haver equilíbrio de forças actual, poderá ser necessário garanti-lo através de uma mediação.
    Sabe uma coisa? Para que da discussão resulte alguma coisa que valha a pena, torna-se necessário não distorcermos o que os outros dizem. Se quando alguém fala no “perfil diabólico do sionismo”, você diz que isso significa desculpar a política do governo de Israel; se quando alguém diz que as questões de regime, ou tipo de poder político, NÃO SÃO única e exclusivamente da competência das autoridades nacionais, você responde que a situação é diferente no Médio Oriente e na América Latina, etc. etc. – acho que não chegaremos a lado nenhum. Daqui a nada, está a chamar-me anti-palestiniano, ou anticomunista, e eu a responder-lhe que não entendo essas palavras da mesma maneira, para o ouvir dizer a seguir que, se não as entendo da mesma maneira, é porque sou anticomunista, uma vez que, se o fosse, não ignoraria não sei que link do Avante! que já disse o que havia a dizer a esse respeito, etc., etc.
    Por mim, inclino-me a ficar por aqui.
    Boa noite

    msp

  35. Luís Teixeira Neves:

    Na parte do “SIM”, do “CLARO” e do “MAS” até concordo. Mas não com a do “NÓS” e de “Ele é um filho-da-puta, mas é o nosso filho-da-puta!”. Se é coisa que acho perfeitamente redutor e que por norma diminui bastante este tipo de discussões, é que se ache que, em relação a este conflito só há duas posições possíveis, que há os “NÓS” e os “ELES” e por aí fora. É bem mais complexo e menos panfeltário que isso…

  36. Leo:

    No que me diz respeito, finalizo a conversa desta maneira: como o meu texto demonstra facilmente, a minha opinião está muito mais (muito mais, mesmo) próxima da sua do que de qualquer acérrimo defensor israelita. Mas, olhando para os seus comentários e deduções adulteradas, parece que não. Parece que há vontade sua (e de muitas gente, em comentários a outros posts) de colar qualquer visão menos panfletária e radical sobre o conflito israelo-palestiniano (mesmo que defendendo genericamente o “lado” palestiniano) à defesa encapotada da opressão sionista. Nao percebo o objectivo, confesso que não…

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