Uma aula de Sionismo por João Bernardo e António Louçã

No debate sobre a questão palestiniana, constatam-se frequentes mistificações. Uma das mais recorrentes, com consequências dramáticas para a acção política na causa palestiniana, é a história e a natureza do sionismo, seja nas sua ligação ao nazismo e aos fascismos europeus do século XX, seja no projecto racial e colonial que alimenta. Para que não se fale de cor, a leitura do mais recente texto do João Bernardo “De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo” publicado no Passa Palavra e outro mais antigo de António Louçã “Gaza e o Guetto de Varsóvia – um inventário de analogias, publicado no Mudar de Vida, são excelentes contributos e constituem leitura obrigatória para ver além das palas impostas pela olhar distorcido dos meios de comunicação.

Paralelamente, e à boleia da importância de andar bem informado, deixo a ligação para a melhor fonte de informações sobre o que se passa na Palestina e em geral no médio-oriente. Tem igualmente bons trabalhos sobre a política internacional e não tem o mofo da propaganda do imperialismo ocidental: Press TV.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

12 Responses to Uma aula de Sionismo por João Bernardo e António Louçã

  1. Olhe que o link é o mesmo para os dois artigos…

  2. joão vilaça diz:

    renato, e porque nao um post sobre a ligação ao nazismo por parte dos movimentos arabes/islâmicos da Palestina com o nazismo (cf. Al-Qassam, que veio a dar o nome aos rockets do Hamas, e Amin al-Husayni -pode ficar-se só pela wikipedi, não é preciso esforçar-se demasiado). Isto para meros efeitos pedagógicos. cumprimentos.

  3. Renato, não colocaste o link do antónio louçã, repetiste o link do outro artigo.

  4. Pingback: Tweets that mention cinco dias » Uma aula de Sionismo por João Bernardo e António Louçã -- Topsy.com

  5. miguel serras pereira diz:

    Bom dia a todos,
    pergunto-me se o Renato Teixeira leu, de facto, o artigo do João Bernardo cuja leitura recomenda – recomendação que só merece o meu aplauso.
    Raramente um texto mostra tão claramente o reaccionarismo nacionalista e as tendências imperialistas daqueles movimentos e direcções políticas a que o Renato tem repetidamente chamado a “resistência islâmica”, apregoando o seu carácter “anti-imperialista”.
    Eis o que escreve, preto no branco, o João Bernardo sobre a matéria:

    “Não é exclusivo dos judeus o facto de entre os perseguidos se ter gerado uma reacção nacionalista que, encontrando oportunidades de desenvolvimento favoráveis, se converteu em imperialismo. Esta é a armadilha que todo o nacionalismo coloca às pessoas de esquerda, que apoiam o nacionalismo quando ele aparece como uma defesa de povos oprimidos, sem verem que, se conseguir efectivar-se na prática, esse nacionalismo inevitavelmente se desvendará como um imperialismo. O meu receio é que aquelas mesmas correntes ideológicas que ontem apoiavam o nacionalismo sionista dos judeus, com o argumento de que eles eram perseguidos pelos nazis, apoiem hoje o nacionalismo árabe, com o argumento de que os palestinianos são perseguidos por Israel − para apoiarem quem amanhã e com que argumento?”

    Saudações anti-nacionalistas

    miguel serras pereira

  6. Antonio Mira diz:

    Acho que o Renato não estará hoje pela tasca, assim que fiz eu a correcção do link ao artigo do Mudar de Vida.

    Pessoalmente lerei com calma o artigo de João Bernardo, já que é algo que parece que me vai dizer muito, tanto pela questão na Palestina como sobre o nacionalismo em geral.

    Suponho que, sendo um galego que quer a liberdade do seu povo (entre outras coisas), também sou um anti-nacionalista (espanhol).

    abraços.

  7. Pedro Pousada diz:

    Li o texto sugerido e não me surpreende o resultado da análise (a colaboração activa do sionismo com o III Reich na resolução da Questão Judaica, as ligações da direita sionista ao fascismo italiano). Concordo, mas com as devidas precauções, com as conclusões finais e por isso mesmo não posso deixar de observar o seguinte: os levantamentos nacionalistas contra um poder político e militar opressor, contra um ocupante, contra um sistema de crenças e de práticas que descrimina os direitos sociais e políticos de populações inteiras são parte integrante de qualquer processo de libertação e de emancipação, são etapas necessárias, não são um fim em si mesmo; a defesa do sentimento nacional, do direito a uma pátria livre e soberana são se quisermos a primeira fase desse processo e em muitos casos são elementos que coligam grupos políticos e sociais que em outras circunstâncias se manteriam divididos e inermes; é óbvio que há nacionalismos e nacionalismos assim como há ditaduras e ditaduras, democracias e democracias (estou a citar Moshe Lewin). Há até no mesmo povo diferentes correntes nacionalistas ou senão veja-se como se diferencia o sentimento nacional ucraniano entre os apoiantes de Stepan Bandera e os que defendem e se revêem na Ucrânia soviética. O nacionalismo que se baseia na alienação do outro, na transformação dos males e sofrimentos de um grupo nacional numa causalidade chauvinista tem como principais clientes os grupos sociais a quem não interessa de facto integrar a libertação nacional num processo mais vasto de transformação das relações económicas e sociais entre os povos (isto é, as forças conservadoras, a burguesia local, os grandes proprietários rurais, as chefias religiosas).
    Parece-me, contudo, exagerado senão incorrecto tentar colocar no mesmo saco as diferentes correntes da resistência, os activistas muçulmanos, os comunistas, os nacionalistas laicos, dos povos do Médio Oriente (em particular os da Palestina) ou representar como o embrião de uma futura estrutura imperialista uma estrutura político-militar que é essencialmente defensiva, que vive num permanente desgaste dos seus comandos políticos (assassinados, raptados, aprisionados pelas forças opressoras), que não possui os recursos ilimitados de um Estado (e dos Estados afins e respectivas Corporações que o protegem) mas os recursos muito limitados de populações empobrecidas e encurraladas (seja em Gaza, seja no sul do Líbano ou na grande Bagdad), que no seu esforço extremo de não soçobrar à opressão apresenta escassos ganhos territoriais ou materiais (toda a questão palestiniana permanece por resolver: oregresso às fronteirias de 1967, o regresso dos refugiados e a devolução de terras, o fim das expropriações e das punições colectivas, o fim dos colonatos) e vive de ganhos sobretudo simbólicos sendo o mais significativo, neste momento, o de continuar a importunar o ocupante mesmo debaixo de um chuva de bombas teleguiadas. Se quisermos falar de vítimas compare-se a diferença entre que tem sido a reacção desproporcionada, vingativa, os crimes de guerra e de paz de Israel e a capacidade mortífera da resistência palestiana ou mesmo do Hezbollhah (que como o fez Norman Finkelstein merece a nossa saudação pois defendeu de facto a soberania libanesa gostemos ou não da sua agenda política). Outro aspecto a salientar é que ao contrário do que se veicula sobre o caso específico do Hezbollhah este grupo corrigiu muito da sua postura anticomunista, aliás, a sua colaboração com sectores da esquerda libanesa tem sido um factor de preocupação para os grupos entreguistas e os aliados libaneses de Israel e dos EUA. A questão levantada sobre a metabolização ulterior imperialista-chauvinista de qualquer movimento nacionalista parece-me verosímil em determinados casos mas não pode ser generalizada ao real concreto;os caso do Líbano 2006 ou da Palestina em 2009 são paradigmas nesta clivagem entre nacionalismo e internacionalismo porque colocam ao indivíduo politizado que se revê numa agenda internacionalista uma pergunta essencial quem são os meus aliados no terreno da luta política e militar? Os que resistem ao ocupante, os que defendem a pátria ou os que negoceiam a rendição e a colaboração com o invasor? Criar mitos paroquais e pastorais sobre a nossa pátria é porta aberta à barbarização do outro, do estrangeiro, do vizinho mas ignorar a sua defesa, desprezá-la em momentos de crise, ódiá-la como uma estrutura obsoleta abre por sua vez a porta ao quê?

  8. anon diz:

    De notar que a imagem da bandeira é uma copia do esquema do simbolo tradicional da Acção Antifascista global, hoje em dia alguns grupos nazoides em certos paises tendem a tentar apropriar-se desse tipo de simbolos.

  9. Renato Teixeira diz:

    De facto não estarei pela tasca pelo que agradeço a correcção do link. Testei agora e está tudo no sítio certo. O facto de agradecer o favor não posso deixar de dar uma abraço ao António Mira, eu que contra Espanha também estou disposto a fazer unidade com o nacionalismo Galego. 😉

    Miguel Serras Pereira, eu deixei de o ler a si, não o João Bernardo. Como ele teve a gentileza de agradecer o link para o meu mail pessoal, faço questão de lhe retribuir a saudação. Ainda assim, digo por preocupação a quem lê o seu fel, que compreender o nacionalismo não é excluir unidades tácticas com ele. Enfim… vou seguir o conselho dos que me recomendam que não perca mais um segundo a discutir consigo. Devia fazer o mesmo.

    Anon, o símbolo é de um grupo neo-nazi de Israel, mas adequa-se bem à natureza do seu Estado.

    Pedro Pousada, uma vez mais obrigado pelo esforço argumentativo, e pelos factos que sempre consegue avançar de novo.

    João Vilaça, para o wikipedia basta o wikipedia. E para atacar o Hamas também não falta gente. Não ataco nenhuma corrente debaixo do ataque militar do imperialismo. Faça você mesmo que está visto que tem muita informação sobre o assunto para transmitir.

  10. joão vilaça diz:

    Renato, o meu comentário não quer atacar o Hamas mas antes criticar o uso de argumentos históricos para atacar factos presentes – ou seja, a ocupação militar imperialista de Israel tem tanto a ver com as ligação ao nazismo como o facto de os rokets usados pelo Hamas terem o nome de um líder islamico que era “admirado” por Hitler (e tente adivinhar porquê…). A cobertura que alguns sionistas deram ao plano de extermínio nazi não é a marca identitária de um povo (os judeus) nem se inscreve necessariamente (ou pelo menos sem problematizações históricas e políticas profundas) nos fundamentos ideológicos da fundação de Israel. Se quisermos explorar esse duplo regime de verdade que está associado à história recente dos judeus e do projecto sionista, e consequentemente de Israel, para censurar um Estado em concreto temos então de fazer o exercício contrário, confrontando o seu antagonista – a resistência islâmica. Não me parece, pura e simlesmente, que esse seja o melhor caminho, até poque todos sabemos que ambos os lados têm narrativas ocultas pouco recomendáveis e acho que devemos evitar a tentação do maniqueismo politico e intelectual – que aliás ficou evidente no seu último comentário, quando diz que não critica movimentos de luta contra sistemas de ocupação imperialista, e que surge recorrentemente nos seus posts (nos quais a realidade surge sempre a preto e branco, embora admita que isso possa ser apenas uma questão de estilo bloguistico.
    (para finalizar, a sua referência à wikipedia é ambigua por isso pergunto só para esclarecer: acha mesmo que a relação dos movimentos islâmicos com o nazismo é uma manipulação da verdade histórica?)
    cumprimentos.

  11. miguel serras pereira diz:

    Se o menino Renato fez voto de não me ler, peça a alguém que lhe diga o seguinte, poupando-lhe a leitura directa:
    Deixando de parte o seu carácter às vezes problemático, a distinção entre táctica e estratégia implica a subordinação da primeira à segunda. Assim, uma táctica que ponha em causa as razões organizadoras, os princípios gerais, etc. da estratégia, acaba por ser uma sabotagem e/ou um desmentido da estratégia que diz servir. Ou, por outras palavras, a “táctica” deve ser a actualização a cada momento, na forma da acção e nas razões políticas mobilizadas pela acção, da “estratégia” que invoca. Caso contrário, será uma mistificação.
    O comentário do João Vilaça e todos os parágrafos do ensaio do João Bernardo (aliás, TUDO o que o João Bernardo tem escrito e publicado no Passapalavra, a propósito do tema do post do menino Renato e a propósito de outros temas) dizem isto mesmo, embora por outras palavras. Na base destes considerandos ou de análises do tipo da que o Nuno Ramos de Almeida formulava há dias aqui no 5dias ((http://5dias.net/2010/06/01/os-falsos-amigos-dos-israelitas/), a conclusão imediata, ou “táctica”, a extrair – e outras terão de a completar, mas temos de começar por algum lado – não andará, portanto, muito longe disto:”Contra a fascização e a discriminação em Israel e contra os “falsos amigos” de judeus e palestinianos; pela criação de condições que permitam que os israelitas, os palestinianos e os membros dos outros povos da região possam viver como cidadãos iguais em territórios partilhados ou vizinhos, o combate é o mesmo que contra os que localmente não só combatem todas as tentativas de democratização da ordem política europeia, como visam reformar autoritariamente os actuais regimes europeus. E deve ser travado em simultâneo, através da coerência das intervenções nas várias frentes” (http://viasfacto.blogspot.com/2010/06/sobre-israelitas-palestinianos-extrema.html#comments).

    Peço a alguém o favor de dizer ao Renatinho, poupando-o à leitura de coisas que lhe fazem nervos, que, apesar de tudo, o felicito pela citação dos posts do João Bernardo e do António Louçã.
    Saudções democráticas gerais

    msp

  12. Ricciardi diz:

    “Uma Mentira. dá uma volta inteira ao Mundo antes mesmo de a Verdade ter oportunidade de se vestir. ” Winston Churchill

Os comentários estão fechados.