Curtas memórias, curtas gratidões

Só soube esta noite, através de um jornal chungoso disponível num sítio onde parei, do falecimento de Rosa Coutinho.

Para quem não sabe, foi o único oficial com patente acima de Major, para além de Vasco Gonçalves, a estar empenhado na preparação do 25 de Abril.

Se nesse dia as tropas de Salgueiro Maia não foram destroçadas no Terreiro do Paço, por uma fragata flutuando no Tejo, devem-no à sua intervenção. E, portanto, todos lhe devemos, como a muitos outros que rotineiramente esquecemos, a liberdade que, com as suas limitações, hoje vivemos.

Mandado para Angola em substituição de um general fascistoide metido à pressa na Junta de Salvação Nacional, favoreceu claramente o MPLA. Hoje em dia, talvez até nem tivesse feito bem. Na altura, sendo a FNLA uma inexistência apaparicada no Zaire e a UNITA uma força que Costa Gomes, enquanto eficiente chefe militar, tinha transformado em aliada do exército português, fez tudo o que fazia sentido.

Em Novembro de 1975, com tudo claramente já perdido em termos políticos e com o grande chefe que suscitou esse dia 25 a abandonar os seguidores indo dormir incomunicável para casa, não deu ordem para os Fuzileiros saírem em defesa desse chefe ausente.

Não digo que tenha evitado uma guerra civil perdida à partida. Porque duvido que as condições da altura a isso chegassem. Mas evitou, certamente (tal como Melo Antunes, com a intervenção televisiva que o “queimou”), que o golpe de Eanes e da direita, no interior do golpe do Grupo dos Nove, levasse ao banho de sangue sobre a esquerda à esquerda do PS. E a um Portugal muitodiferente daquele que conhecemos, sobretudo para quem se dá ao trabalho de ler este blog.

De uma forma ou de outra, todos devemos muitíssimo a Rosa Coutinho, mesmo aqueles que, por um ou vários motivos, achem ter razões para o vilipendiar, como muito lhe aconteceu em vida. Independentemente das razões que tenham para achar que, no seu lugar, teriam procedido de forma diferente.

Mas, face ao inacreditável silêncio geral, incluindo nos blogs “de esquerda” que pude consultar, aqui fica o meu agradecimento.

E a minha sentida homenagem.

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42 Responses to Curtas memórias, curtas gratidões

  1. fernando antolin diz:

    Não sei se a fragata(comandada pelo pai do Louçã,parece) se absteve por causa do Rosa Coutinho ou mais pelas peças de artilharia que a cavalaria de Estremoz entretanto colocou junto ao Cristo Rei…

    de resto e sobre o sujeito em causa,cada um enaltece o que quer.

  2. Carlos Fernandes diz:

    Sim sim, foram de facto Rosa Coutinho e outros que tais que lutaram pela democracia, evitando que de uma ditadura se passasse a outra, desta feita comandada, via PCP, pela então URSS… Pois, ora nem mais, um democrata, portanto. Quanto ao terreiro do Paço, informe.se melhor, quem evitou os tais disparos da fragata foi o pai do António Louça do Bloco Esquerda, e a razão de não disparar nem foi de cariz estritamente político, foi porque àquela hora já havia muitos populares no terreiro do paço junto ás tropas do Salgueiro Maia, donde um disparo geraria uma mortandade de civis.

    Eu no 25 Abril tinha 7 anos e estava no vale dos lençois com uma gripe…
    Mas ainda hoje não percebi quem realmente mandou fazer o 25 Abril…

  3. Manuel duran Clemente diz:

    Há aqui algumas faltas de rigor.Mas no essencial…dá um traço ,ainda que breve,de verdades indesmentíveis!!!Rosa Coutinho foi muito mais que isto!Abraço.
    Duran Clemente

  4. Leo diz:

    “Mas, face ao inacreditável silêncio geral, incluindo nos blogs “de esquerda” que pude consultar, aqui fica o meu agradecimento.”

    Mais uma vez a falta de rigor. O silêncio não foi geral. Não consultou o Tempo das Cerejas?

  5. Quando no rigor da batalha
    me vi envolto em chamas,
    tu estavas lá, de pé.
    Quando num momento de refluxo
    das mais puras ilusões,
    olhei em volta de mim,
    tu estavas lá, de pé!

  6. MFerrer diz:

    Excelente post.
    O seu a seu dono.
    Cumps.

  7. antonio diz:

    Obituary…

    I was Army, and you know that there’s that rivalry between us… and I was never a communist.
    However, when the grim reaper comes it kind of brings us together. I’ll be there, of course. Like you were for my father.
    Be well admiral, wherever you are.

    ;(

    sorry, babelfish , more or less…

    Admiral António Alva Rosa Coutinho, one of the most controversial military of the 25 of April 1974 , died today Wednesday, 84 years, cancer victim.

    The body of Rosa Coutinho is in burning hot chamber in the Chapel of St. Roque, in the installations of the Navy.

    In the reserve since November of 1975, he was notabilized in after-25 of April of 1974, having been known as “red admiral” for its ideological proximity with the communists here.

    After the 1974 coup’d’état he integrated National Salvation and in October of 1974 Commissioner in Angola was High assigned person until a signature of the Agreement of Alvor in January of 1975. (Angola’s independence from us)

    In the period after-revolutionary, he co-ordinated the Service of Extinguishing of the PIDE-DGS (that was the political police, s.o.b’s…) and the Portuguese Legion (these were only old fascists, gettin’ money, doin’ nothin’, not really dangerous…)

    In the Navy,he passed great part of its career embarked and was captured in the years 1960 in a patrolling mission and research in the river Zaire.

    In the 25 of April of 1974, he was commander and he was one of the elements of the Navy assigned to integrate the Board of National Salvation.

    He was a very reasonable oceanographer too.
    I suppose politics kind of got in his way.

    Last edited by Tony; Yesterday at 02:35 AM.

    Eu estava no Terreiro do Paço, contra a vontade do meu falecido Pai que estava de cama com um ataque cardíaco. Akilo não foi abaixo quando o ministro da Marinha (nem me lembro de quem era o f.d.p.) mandou o pai do “Chico Loiça” disparar a partir da fragata porque os sargentos e cabos ‘tavam na mão do Vítor “Copos” e recusaram-se a fazê-lo.

    Da mesma maneira que depois do pai da Teresa F. e o Pato se terem rendido, os sargentos e cabos de Cavalaria 7 se recusaram a disparar dos tanques para cima das ‘porcarias’ (muito leves) que o Maia tinha.

    ‘Tá bom ?

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  9. Escrito o post num impulso (e sob a desconfortável sensação de que, qualquer dia, os homens de Abril ainda acabam sepultados às escondidas), detectei agora uma falta de rigor que ninguém levantou: acima de Major, não foram só ele e o Vasco Gonçalves. Estou agora a lembrar-me por exemplo do Banazol, e talvez haja outros (teria que ir ver aos arquivos) mas muito poucos.

    O caso Terreiro do Paço foi-me transmitido há bastantes anos, separadamente, por três pessoas directa ou indirectamente envolvidas. Não tenho razões para questionar o que me disseram, nem que esse factor, em conjunto com outros, tenha sido relevante para o desenlace dos acontecimentos.

    Duran Clemente: foi certamente muito mais do que isso.
    Agora, passadas décadas e saradas muitas feridas (até por todos os abrilistas, sejam vencedores ou vencidos de Novembro, terem sido tratados miseravelmente pelo poder político que permitiram viesse a existir), não será já altura de os próprios fazerem a sua história e a dos seus camaradas falecidos?
    Não serão os mais habilitados a mostrar o “muito mais do que isso” que eles são e foram?

    Leo: Obrigado pela referência. E as minhas desculpas ao Vitor Dias.
    Tinha ido procurar nos blogs “de esquerda” das gerações mais próximas de mim (o pessoal dos 30s e dos 40s anos).

    Creio, entretanto, que estas correcções e aquilo que deixei escrito ao Duran Clemente merecem um outro post. Escrevê-lo-ei logo que possa.

  10. Pisca diz:

    Caro Paulo
    Já contei o que assisti por alguns lados, mas vou repetir
    Na noite de 25 para 26 de Novembro, a Base do Alfeite estava em polvorosa, havia ao que se dizia uma fragata municiada e pronta a largar, e os fuzileiros estavam prontos a “saltar”.
    A meio da noite, já bem tarde, chegaram o Almirante Rosa Coutinho, Martins Guerreiro, Almada Contreiras e Rosário Dias (também já falecido), entre outros.
    Na sala do Comando do Palácio do Alfeite a abarrotar de gente, lembro-me das palavras de Rosa Coutinho, agradecendo o esforço de toda a gente e indicando claramente que a solução da crise era unicamente politica e nunca por nunca ser militar.
    Apesar de alguns “já”, aqui e ali, o Almirante impôs-se e nesse momento estava a fazer-se história, a sua atitude pôs travão a uma possível guerra civíl já que a informação, contra-informação e provocações eram mais que muitas.
    Já li por aí que tudo está perfeitamente documentado num processo sobre o 25 de Novembro, mas que tem sido “convenientemente” escondido
    A primeira envergonhada referência que li sobre este acontecimento foi do Vasco Lourenço há muito pouco tempo

    • paulogranjo diz:

      Obrigado pelo depoimento vivido na primeira pessoa, Pisca.
      Embora, como diz, isso fosse durante muito tempo ocultado em termos públicos, esse papel é-lhe há muito reconhecido pelos seus opositores e correlegionários da altura – mesmo se alguns destes últimos, pelo menos há alguns anos atrás, tivessem preferido que ele tivesse lançado os Fuzos.
      Não tenho a certeza se disso resultaria uma guerra civil (nunca podemos ter, não é?). Há que defenda que se chegaria a um impasse operacional e a uma nova renegociação de poderes. O que também me deixa dúvidas pois, a julgar pela forma como decorreu o ataque à PE e por diversas outras atitudes observadas naquele dia, o “outro lado” não estava já disposto a renegociar nada.
      Estou mais certo que, de forma clara, nada passava já, nequela altura, por soluções militares.
      E que, também nesse caso, todos lhe devemos bastante.

  11. Abílio Rosa diz:

    Rosa Coutinho foi um grande oficial.
    Não rasgou a farda nem andou por Castela a conspirar contra os portugueses.
    Fez bem em auxiliar o MPLA – o único verdadeiro movimento com pés e cabeça – e que foi através dele que a lingua portuguesa foi defendida naquele país irmão.

    Fez bem em não entregar o poder ao gorila canibalesco do Savimbi, um traidor da sua própria raça e informador da PIDE, nem ao Holden Roberto, um vulgar criminoso, armado pelos americanos e que na década de sessenta mandou assassinar e cortar à catana dezenas de colonos portugueses, incluindo crianças.

    Para esse Holden e para esse macaco Savimbi o meu mais veemente desprezo e que o fogo dos infernos os consumam até ao osso MAIS duro.

    Traidores são todos aqueles que puseram Portugal no fundo e colocaram a soberania de Portugal nas mãos do directório de Bruxelas e de Frankfurt e nas mãos dos especuladores de bolsa.

    Para esses, PQPS!

  12. antonio diz:

    Já não vejo o Banazol há séculos, mas tenho ideia que ele andou comigo na Ìndia e no C.M.

    🙂

  13. Paulo Ribeiro diz:

    Foi apenas a morte de mais um canalha. No bom sentido, claro.

  14. A figura de Rosa Coutinho é curiosa, logo pela sua aparência, sem cabelo, diferente dos demais, para a época. (é ver as fotografias da Junta de Salvação Nacional)
    A sua actuação tem-se mantido sempre no campo das paixões. Falta objectividade e rigor ao personagem. Falta história.
    De antes do 25 de Abril – a sua participação na organização do movimento – na sua actuação a bordo da “tal fragata” que estava em frente ao Terreiro do Paço, da sua participação no 25 de Novembro ( onde me parece que as dúvidas são menores, pois a maior parte das testemunhas lhe reconhecem o mérito de não ter ordenado qualquer intervenção militar) e por último a sua actuação enquanto “descolonizador” e responsável pelo processo de transição de Angola.
    Tem razão o ex-capitão Duran Clemente: Rosa Coutinho foi muito mais do que aquilo que dele se diz e se sabe.
    Mas quem está interessado em esclarecer a história?
    O processo angola não terá sido fácil. Mas como justificar os agradecimentos do PCP que transformou Rosa Coutinho na sua estrela do internacionalismo?
    A entrega de Angola ao MPLA foi deliberada ou a única possivel?
    Se o processo que conduziu aos acordos de Alvor, tivessem tomado rumos diferentes a guerra civil angolana não teria existido? As conjecturas levam-nos a lado nenhum.
    Porque os diversos intervenientes não têm esclarecido os pontos escuros de uma actuação politica? Dizer que a descolinização foi exemplar é demagogia e falta de ética, mas talvez tenha sido, apenas, a descolonização possivel face aos antecedentes e às condicionantes. Mas isto tem de ser dito e ainda não o foi.

  15. antonio diz:

    Abílio Rosa olhe que o directório d e Bruxelas ‘tá carregadinho de ‘tugalhada’, incluindo o ‘chefe da coisa’, ex FEML (Federação dos Estudantes… pois claro, eram só gajús de Direito…)

    😉

  16. Abílio Rosa diz:

    Claro, foram esses maioistas do MRPP e da FEC-ML , que são as estrêlas da Europa e convertidos ao neo-connismo americano, que rebetaram com Portugal e nos puseram a pão e água.

    O Copcon nunca devia ter libertado aqueles betinhos da mamã e do papá, uns burguesinhos de merda que queriam era fugir à tropa e pinchar tudo o que era parede.

    Deviam ter sidos julgados em tribunal marcial.

    Hoje são amanuenses do capital internacional.

    E ainda há uma cáfila da direita mais estúpida que há no mundo (a portuguesa!) que insensam esses abutres da história.

  17. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Abílio Rosa,
    Tanto o José Manuel Fernandes como a Helena Matos e a Esther foram do PCR.
    Conheço mais uns tantos assim.

    Abraço

  18. LAM diz:

    Abílio Rosa,
    misturar aí o MRPP com a FEC é uma grande confusão de grelos. Ainda por cima “estrelas da europa”…humm.

  19. Carlos Arinto:
    Creio que é dito por muitas pessoas que a descolonização foi a possível, dadas as circunstâncias. Até se vê por vezes discutido que circunstâncias eram essas. Mas, certamente, menos do que se justificaria, para também acertarmos as nossas contas com essa parte importante do passado do país.
    Entretanto, não se é “ex-capitão” quando se passa à reserva e à reforma. O título mantém-se, como o de “embaixador”, “Dr.” ou “Professor Doutor”

  20. Abílio Rosa diz:

    Para mim MRPP, FEC-ML, PCP (R) , PC de P (ML), AOC, trotsquistas e toda uma panóplia de grupúsculos criados e financiados pela CIA e pela China maoista e pol-potista, é tudo farinha do mesmo saco.

    Hoje essa gente está na politica, na justiça, na educação, nas embaixadas, até alguns estão no Ministério da Defesa(!!!!), nas empresas públicas, no parlamento, na Europa, na Unesco, na Onu, são CEOs num país miserável,etc.

    Rebentaram com o país, ajudaram objectivamente a contra-revolução e o regresso das desigualdades a instituição de novas injustiças e desigualdades.

    Eis no seu esplendor a nata do «sucialismo» tuga e ainda muitos têm o descaramento de virem para a praça pública afirmarem que a situação económica de Portugal ainda se deve às «nacionalizações» (35 anos!)
    quando foram eles que as destruiram, entregaram aos amigos e «geriram» em seu belo proveito.

    O país está na bancarrota mas esses «sucialistas» não.

    Um caso para ser investigado….

  21. antonio diz:

    Pois é, vamos a pôr um módico de ordem nisto:

    Os ML vêm da diferença entre o Mao (que era um ‘ganda c#$%&o e o seria o Kruchev ou o Brezhnev, que eram apenas imbecis). Depois o CC do PCP (5 gajús pr’raí) desentenderam-se por conta disto e o Cunhal corre com o Chico Martins (que morreu no outro dia) dali. Aí o gajú vai e com os manos Epiney eo João Pulido Valente (médico, se calhar foi por isso que nunca falou na PIDE, mas voltou desfigurado…) fundam a FAP (Frente de Acção Popular) e o CMLP (Comitê Marxista-Leninista Poretuguês). Depois “executam” um PIDE qualquer em Belas, e claro a PIDE cai-lhes em cima. Os que não foram dentro mudaram-se para os Jardins do Luxemburgo (Paris) e foram-se desentendendo, que é aquilo que um gajo faz quando está longe e tem pouco que fazer.

    A FEC-ML era uma espécie de “secção estudantil” da OCMLP (Organização Comunista Marxista etc.) que era propriedadede um gajú do Puarto que agora está no PS, um tal de Pedro Baptista.

    A FEML era propriedade do MR e foi fundada pelos gajús de Direito Lisboa, nomeadamente por um tipo que era meu amigo e já morreu e era jornalista no Expresso.

    Depois, como havia mais macacos que galhos apareceram mais uma ou duas coisas (o Joaquim Vieira, jornalista, ex-Técnico) foi duma delas, tudo terminado em ml. A Tê Machado, assistente de Matemática, Técnico era dona de outra.

    Risível… mas éramos crianças.

    E que fique entendido, nunca fui de nenhuma dessas ‘coisas’.

  22. Augusto diz:

    A FEC foi uma organização surgida no pós 25 de Abril sobretudo no Porto e com alguma influência na Madeira, nada tem a ver com o MRPP e nem percebo a misturada .

    Caro Nuno Ramos de Almeida no PCP( R) e na UDP estiveram muitos homens e mulheres , que hoje continuam a ser de esquerda , e a lutar pelas suas ideias.

    Em todos os partidos de esquerda a começar pelo PCP, houve muitos que viraram o bico ao prego, e que hoje fazem pela vidinha.

    Conheci o José Manuel Fernandes como o João Carlos Espada ainda nos tempo da Voz do Povo assim como o actual ministro Mariano Gago, no PREC e no periodo a seguir ao 25 de Novembro, combatiam por ideiais hoje combatem pelo tacho .

    Da Helena Matos não me lembro…

    Quanto á Ester ou Esther se preferir, conhecia-a antes do 25 de Abril quando ela militava em Paris, numa organização ML, e era a alma de um Comité de Apoio a Desertores e Refractarios da Guerra Colonial , na Rue St. Maur.

    A Ester de então , nada tinha de religiosa, ou de defesa cega dos sionistas de Israel, aliás nem ela nem a irmã, que hoje habita em Israel… penso…

    Depois do 25 de Abril esteve ligada ao jornal a Verdade, e só depois do 25 de Novembro aderiu penso que por pouco tempo á UDP e ao PCP ( R) .

    É claro que isto nada tem a ver com o Almirante Rosa Coutinho, mas como o aassunto descambou……

    Já agora como o pai do Francisco Louçã ainda é vivo, porque não se lhe pedem a sua versão do que se passou no 25 de Abril….

    Para escrever a historia , sempre que isso fôr possivel , há que ouvir os seus intervenientes enquanto estão vivos, e confrontar testemunhos.

  23. Augusto diz:

    Abilio Rosa houve muita gente na esquerda revolucionaria que deu o melhor de si quer antes quer depois do 25 de Abril, e deveria merecer um minimo de respeito de certos comentadores de sofá, que se calhar nunca arriscaram o coiro….

    Quanto a essa conversa de agentes da CIA , ela era sobretudo usada pelos agentes do KGB….

  24. antonio diz:

    A China maoísta sim, a CIA não, esses gajús aki estavam assim tipo ‘oh tio, oh tio, o qu’é que se se está a passar ali ? ‘

    Tontos.

    🙂

  25. LAM diz:

    Abílio,
    “Para mim MRPP, FEC-ML, PCP (R) , PC de P (ML), AOC, trotsquistas e toda uma panóplia de grupúsculos criados e financiados pela CIA e pela China maoista e pol-potista, é tudo farinha do mesmo saco.”

    ah, então é para si. Ok, estamos conversados. Se quiser até pode chamar à pila um assobio, esteja à vontade.

    Augusto,
    A FEC era o Grito do Povo/OCMLP. Existia desde 69. Só tomou essa designação para concorrer à constituinte. Anos mais tarde a OCMLP fundir-se-ia com o PCPr. (salvo alguns militantes, mas isso é outra história).

  26. antonio diz:

    E já agora (estou inocente, nunca fix parte da coisa, mas a gente conhecia-se todos) o MR começou como EDE (Esquerda Democrática Estudantil, fundada pelo João Isidro, o Ribeiro Santos, o Palhinha e outros gajús de Direito-Lxª) na base do que era a Students for a Democratic Society, americanos, mas depois quando chegou o Arnaldo Matos (Direito) , o irmão Danilo (Técnico), e a mulher Violante (a filha do Saramago, Ciências) aquilo degenerou para MRPP. Uma pena.

    🙂

  27. Embora só tenha estado duas vezes com o Rosa Coutinho, creio que ele se divertiria à brava por estar na origem deste descambanço.

    E quanto a este último, pessoal 20 anos mais longe do que eu do fim do prazo de validade, imaginem como seria 1975, se 2010 é assim!

    Apenas uma nota de reportagem a uma coisa que li mais acima: não sugeri que Rosa Coutinho estivesse na fragata ao largo do Terreiro do Paço.
    O que me foi dito é que ele desenvolveu contactos diversos (uns usando as solidariedades de Academia, outros usando os galões e outros, com quem não os tinha, usando outras solidariedades) para tentar assegurar que a fragata não fizesse fogo.
    That’s all. Mas é muito.

  28. Leo diz:

    “Embora só tenha estado duas vezes com o Rosa Coutinho, creio que ele se divertiria à brava por estar na origem deste descambanço.”

    Por uma vez, estou de acordo com o Paulo Granjo, pois o Sr. Almirante era um senhor.

  29. antonio diz:

    Creio que não foi tanto o Rosa Coutinho mas antes o Vítor Crespo, mas é discutível (nesse assunto da fragata que era comandada pelo pai do Chico Louçã). Ele há-de saber…

    Em todo o caso, como já disse o outro pormenor decisivo foi a rendição do tenente-coronel Ferrand de Almeida, do major Pato Anselmo e da recusa dos sargentos e cabos de Cavalaria 7 em dispararem as armas pesadas dos tanques que tinham na rua do Arsenal.
    🙂

  30. antonio diz:

    E já agora havia outro acima de major que tenho ideia que já não está cá também: o Fisher Lopes Pires.

  31. Ao fim destes anos todos ainda andamos enredados naquilo que se terá passado efectivamente em Angola em 74/5/6 e por aí fora. Quais as responsabilidades de Portugal e dos seus politicos e operacionais. Quais as responsabilidades dos diversos movimentos e forças no terreno, em Luando a na mata. Quais as responsabilidades das potencias exteriores.
    É um naco da nossa história muito rica que continua a ser nublosa para muitos: para os que a viveram à distãncia ( como é o meu caso) para os que a sofreram ( os chamados retornados) e para os que hoje têm vinte/trinta anos.

    Aceito e agradeço o esclarecimento de que não existe a figura de ex-capitão, embora discorde da terminologia que se utiliza, mas isso são outras histórias…

  32. antonio diz:

    Nunca estive em Angola, mas sei de alguma coisa, porque o meu falecido pai era amigo do Ferreira da Cunha (ainda estará vivo ?) que era adjunto do ‘Chico Cortiça’ ou se preferirem o general Costa Gomes que esteve lá e deu cabo dos ‘turras’ quase todos.
    Depois do 25 houve coisas estranhas: os gajos do MPLA da facção Agostinho Neto deram cabo dos tipos dos Comitês Amílcar Cabral (uma espécie de UDP’s lá do place) e dos Comitês Hoji Ya Henda (uma espécie de MR’s) e depois da Sita Valles (que era de Medicina, Lxª , PêCê mas uma excelente pessoa… 😉

    Os que sobraram fugiram para cá e contaram a história…

  33. Augusto diz:

    Antonio não foi só a Sita Valles foi tambem o Nito Alves e mais umas figuras de proa do MPLA, que segundo o que se dizia, tentaram um golpe para correr com o Neto, e a coisa correu mal, pois os cubanos que era suposto ajudar não se mexeram.

    Diziam tambem que o PCP teve algo a ver com a historia, e por isso o Cunhal foi passado pouco tempo a Angola dizer de viva voz que apoiava o Agostinho Neto…

  34. Augusto diz:

    Lam aquilo que eu disse foi que a F EC tinha surgido no pós 25 de Abril, o que é exacto.

    Não estava a falar de onde tinha surgido, pois teria de falar dos comités Maria Albertina e do Tino Flores.

  35. antonio diz:

    Augusto claro que sim, mas esees gajús do Porto eram entre meia dúzia e uma dúzia, Medicina, FEUP e Economia…
    Ou julgava que a gente cá em baixo não sabia ?

    😉

  36. justiçaeliberdade diz:

    Basta dizer isto

    Existe uma carta (bastante divulgada pela internet) dos tempos em que ele era alto-corsário de Angola, em que incita o pessoal do mpla a aterrorizar (de todas as formas possiveis) os colonos brancos. Que a terra lhe seja bem pesada, e que esse pirata arda eternamente no inferno.

    • paulogranjo diz:

      justiçaeliberdade:
      É há muito sabido que essa carta é apócrifa e uma mera tentativa canhestra de ataque pessoal.

  37. antonio diz:

    Eu nunca lá estive, mas o que me contavam (os que lá estavam…) era que aquilo era uma bruta confusão, montes de gajús à garganta uns dos outros, e a tropa tuga sem saber muito bem o que fazer.

    Na minha desvalida opinião o Rosa ‘Coitadinho’ fex o que foi possível, não gostaria de ter estado no lugar dele…
    🙂

  38. LAM diz:

    Augusto,
    o nome sim, só surgiu esse nome em 75 para a constituinte. E ao contrário do q diz o António, não eram meia dúzia. No Porto estiveram à beira de eleger deputado e eram a organização de esquerda no Porto que mais gente mobilizava nas lutas de rua da época.

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  40. Manuel Castro Nunes diz:

    Colando isto tudo, fica uma boa ”malha”, uma história muito bem contada…
    No meu bairro, também as comadres contam cada uma a história da morte da Chica à sua maneira…
    E assim se vai escrevendo a epopeia. Isto começa a parecer ”Os Lusíadas”, com os cantos todos desafinados.
    Aonde ficou a Ilha dos Amores? Com ninfas e tudo?
    Eu não estive em Angola. Só ouvi contar…

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