Os falsos amigos dos israelitas

Hoje é dia para aqueles que vêem em todos os gestos de Israel um contributo para o bem estar da humanidade exultarem. Pois não é que aqueles beneméritos, não fosse o diabo tecê-las, atiraram “preventivamente” sobre uns barcos fretados que iam levar material de guerra para Gaza, tal como cadeiras de rodas e comida, com o pretexto de se tratar de Untermensch pró-palestiano? A obsessão sionista de um Lebensraum justifica tudo a começar por um juízo unilateral do princípio da proporcionalidade, um acesso tipica e reiteradamente fascista. Livrai-nos, pois, de todos os que têm medo até do próprio medo e que julgam que só assim são “corajosos”, “patriotas” e se livram de traumas congénitos. Não sou pacifista nem ingénuo, mas a “causa” israelita, assente na desconfiança universal e na exigência de uma global curvatura perante suas excelências, causa-me mais náusea do que qualquer outra coisa. O raio que os parta.

Adenda: Este post de Do Médio Oriente e Afins. Já agora, e para evitar comentários a comentários, por que é que os domésticos sionistas friendly não trocam o conforto do “doce Portugal” pelo extraordinário bastião dos “valores” ocidentais que é Israel (e zonas limítrofes) em vez de apenas hastearem a bandeirinha no quentinho da casa deles?

Este excelente texto do João Gonçalves diz tudo sobre os imbecis que acham normal um Estado atacar navios de outros países em águas internacionais e matar 19 pessoas. Já sabemos que a maior parte da nossa direita é tão corajosa que está disponível para matar palestinianos até ao último israelita. Este falsos amigos do povo de Israel são herdeiros políticos daqueles que consideraram, a seu tempo, os campos de concentração nazis como propaganda soviética e que alimentaram todas as correntes anti-semitas. São gente que não percebe que só uma paz justa na região, que permita a autodeterminação do povo palestiniano, pode assegurar a existência em paz de Israel. O valor da argumentação desta cáfila é nulo. Estão sempre dispostos a fechar os olhos a todos os crimes do “seu lado”. Tentar apelar ao raciocínio deles é como esperar que as pedras falem. Apesar disso, vou tentar exemplificar com algo que eles eventualmente percebam: quando os portugueses foram até ao limite das águas territoriais de Timor com o navio Lusitânia Expresso para denunciar a ocupação indonésia, se as tropas de Djakarta tivessem tomado o barco, em águas internacionais, e morto 19 portugueses, o quê que qualquer pessoa normal diria? Condenaria esta grave violação do direito internacional ou daria razão ao Ali Alatas sobre o cozinheiro português que agrediu as tropas indonésias com o rolo da massa? Perceberam, ó bestas!

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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73 Responses to Os falsos amigos dos israelitas

  1. anon diz:

    Gaza – US activist loses eye after being shot in face with tear gas canister

    http:// palsolidarity.org/2010/05/12604/

  2. Renato Teixeira diz:

    “disponível para matar palestinianos até ao último israelita”. Brilhante.

  3. Algumas das manifestações deles mais parecem coisas de miúdos (discutem Israel como se do Benfica se tratasse). Há neles qualquer coisa de regressão infantil.
    O mundo deles divide-se entre os israelitas, incomensuravelmente bons, e os palestinianos, os terroristas, vulgo, personificação do mal. Até o pobre do José Manuel Fernandes se deixou do contaminar, basta ver o vergonhoso post dele no Blasfémias (com a imagem de um turco, ao que penso, com uma faca a ilustrar o post;)
    Sim, penso que talvez seja a forma deles exorcizarem o peso genético do anti-semitismo: há 50 anos atrás seriam quase todos anti-semitas; hoje abraçaram o sionismo e clamam aos sete ventos que, quem critica Israel, é anti-semita.

  4. Abílio Rosa diz:

    O post do João Gonçalves é demolidar para com essa corja que encontra sempre algum justificativo moral para as acções terroristas dos israelitas e sionistas.

    A comunidade internacional tem que arrestar as c̼pulas civis e militares do Estado de Israel Рum aut̻ntico abcesso no M̩dio Oriente Рpara um julgamento num tribunal internacional.

    Desde há sessenta anos que Israel rouba, mata, esfola e ainda goza com os americanos e os europeus.

  5. Júlio Raposo diz:

    uuuuu

  6. Manel Z diz:

    E sobre a corja que encontra sempre algum justificativo moral para as acções terroristas dos muçulmanos?

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Nunca me viu aprovar assassinatos de civis. Nem bombistas em mercados e autocarros. Cada acto vale por si. Agora, sem nenhuma justificação sem nenhuma compreensão em relação aos actos errados, uma coisa diferencia os dois lados: Israel ocupa os territórios palestinianos contra todas as resoluções da ONU, contra o direito de um povo à sua autodeterminação.

  8. Augusto diz:

    A NATO PEDE a Israel que liberte os refens presos.

    Em lugar de EXIGIR como se impunha… pede….

    Quanto aos pseudo amigos de Israel, ou melhor amigos do Governo do Bibbi, eles são neste momento os piores amigos do povo de Israel.

    As consequências desta acção em águas internacionais, isolará ainda mais Israel, e não haverá apelos a desesperados aos cidadãos de religião judaica, que lhes evite uma condenação generalizada.

  9. Leo diz:

    Uma boa notícia de última hora: o Egipto anunciou que vai abrir a fronteira com Gaza todos os dias das 9 am até às 5 pm por um período “ilimitado”.

    O Egipto tem aberto intermitentemente a fronteira de Rafah, sempre com a reacção rápida e indignada de Israel para a fechar, o que costuma fazer poucos dias depois. E anteriormente as autoridades egípcias prometeram que nunca a abririam de modo permanente sem a autorização de Israel…

    Parece que alguma coisa está a mudar no que respeita ao bloqueio de Gaza. É a Turquia a prometer escolta militar para os navios, é agora o Egipto a abrir a fronteira por um período “ilimitado”.

    Nunca Israel esteve tão isolada.

  10. Defender o estado de Iesael é que é um modo de ser anti-semita!

  11. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Defender a existência de Israel não é defender os seus crimes. É defender uma solução justa para o conflito que leve em conta o direito à autodeterminação dos povo palestiniano e a segurança dos israelitas. O assassinato de activistas e a captura de medicamentos, alimentos e cadeira de rodas não defende Estado de Israel nenhum.

  12. Defender o estado de Iesael é que é um modo de ser anti-semita
    … são frases destas que me dão sempre que pensar no anti-semitismo que se esconde por detrás da condenação de actos israelitas (a não ser que se defenda como um grupo de lunáticos fundamentalistas judeus que o messias não vem enquanto israel existir…) .
    sobre o assunto, fui clara aqui
    http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/06/faixa-de-gaza-porque-nao-sou.html

    … mas não deixa de ser curioso que quase sempre se esqueça que o Egipto, grande amigo dos palestinianos, também os deixa encurralados

  13. Leo diz:

    A Ana Cristina não sabe que depois de Israel o Egipto é o segundo maior receptor de ajuda norte-americana da região? Isso ajuda a perceber alguma coisa ou não? De qualquer modo é de saudar a decisão das autoridades egípcias de abrir a fronteira. Espero que esta decisão perdure.

  14. essas leituras simplistas deixam-me sempre de pé atrás: os americanos exigiram aos egípcios que fechassem a fronteira de gaza? quando, como, porquê?
    de qualquer modo, onde queria chegar era à hipocrisia do mundo árabe em relação aos palestinianos – talvez eles não se tivessem feito gostar (da jordãnia foram corridos), mas a verdade é que o mundo árabe se está nas tintas para o assunto, usando-os apenas como bandeira contra israel. na realidade, não estão interessados em resolver o assunto. e essa é uma grande tragédia!

  15. Esquecimento imperdoável: SEIS MILHÕES de judeus mortos…Vinte milhões de eslavos mortos…e de ciganos?
    E os mouros não foram expulsos da Espanha filipina…ah, pois, estes não são semitas.

  16. Alphonse, esses seus conhecimentos andam pela hora da morte… é que se por “mouros” entende árabes (suponho que sim, dado que os desgraçados dos berberes já tinham ido à vida nessa altura) então registe lá no seu livro de contabilidade que árabes e hebreus são ambos povos semitas

  17. AC Leonardo:
    Realmente…se o senso de humor não existisse, o que seria dos sionistas?

  18. Realmente…se o senso de humor não existisse, o que seria dos sionistas?

    tinham ido para angola?

  19. miguel serras pereira diz:

    Muito, muito bem, Nuno!

    Abraço

    Ana Cristina,
    claro que tem toda a razão contra as acusações boçais – e sem um argumento digno desse nome – dos sectários que aqui se manifestam e que são tão falsos amigos dos palestinianos, do povo palestiniano, como são falsos amigos de Israel aqueles que o Nuno aponta.
    São os mesmos que quando alguém publica um post a defender a candidatura do Carvalho da Silva à Presidência da República denunciam a proposta como uma manobra ou ataque contra as causas progressistas em geral e o PCP em particular.

    Cordialmente

    msp

  20. Olaio diz:

    Ana Cristina, a “hipocrisia do mundo árabe em relação aos palestinianos”, justifica o comportamento criminoso de um estado que tem assento da ONU?
    Faz sentido esse estado nivelar o seu comportamento pelo de grupos fundamentalistas?

  21. to diz:

    Aquilo que os muçulmanos querem fazer a Israel é o mesmo que querem fazer aos autores deste blog.
    É só uma questão de capacidade e de oportunidade.

  22. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Tozé,
    Devo-me ter esquecido da procuração que lhe passei para falar em meu nome.
    Não o sabia também autoridade para falar por todos os muçulmanos.
    Dois factos que pelos vistos não se lembra e que são interessantes para uma análise mais cuidada: 16,2 porcento dos habitantes de Israel são muçulmanos e quase 20 porcento árabes. O primeiro país do mundo a reconhecer Israel foi a União Soviética. Pense bem.

  23. “a hipocrisia do mundo árabe em relação aos palestinianos”, justifica o comportamento criminoso de um estado que tem assento da ONU?
    a hipocrisia do mundo árabe em relação aos palestinianos não justifica nada. só faz parte do problema. que não é pequeno nem simples

  24. Libertario diz:

    A questão é muito simples. Se Israel tem direito à existência como nação, não podem negar esse mesmo direito aos Palestinianos.
    Como também não devem ser os Palestinianos a pagar o passado tormentoso por que passaram os Judeus.
    Se quisermos medir a situação em termos de terrorismo, então vamos analisar a forma como foi fundado o Estado de Israel.
    Terrorismo e nada generoso, tanto contra os Ingleses como aos próprios irmãos Palestinianos. Quem foi Begin e o seu papel na organização Irgun? Também colocaram bombas em cinemas e mercados. Ou já não se lembram de Deir Yassin? E mais recentemente os massacres de Sabra e Shatilla?
    Com isto não estou a justificar que as acções terroristas se perpetuem. Quero apenas lembrar aos que aparentam estar distraídos, que os judeus também têm as mãos manchadas de sangue.
    Além disso também é bom questionar os incansáveis incriminadores dos actos praticados pelos Palestinianos quantas foram as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas Israel acatou?
    O problema do Médio Oriente está insoluvelmente ligado ao petróleo

  25. Leo diz:

    “essas leituras simplistas deixam-me sempre de pé atrás: os americanos exigiram aos egípcios que fechassem a fronteira de gaza? quando, como, porquê?”

    Não se faça desentendida, Ana Cristina, não arme em ingénua, finge não saber que é Israel quem decreta o que se deve ou não fazer nessa zona? E finge não ver que quem ataca, agride, ocupa, humilha, mata, rouba e coliniza é Israel?

    Continuo a desejar que o Egipto mantenha a fronteira aberta. De Israel nada espero de bom para os vizinhos.

  26. antonio diz:

    Nuno eu nunca pús os pés nessa terra, mas o meu falecido Pai (general aki das nossas ‘tropas’ sim…)

    Tenho ideia que eles se sentem cercados, que se os árabes tiverem uma oportunidade os empurram todos para o mar e portanto de quando em vez fazem enormes disparates.

    Eu não viveria nesse país nem que me pagassem, não me está a apetecer andar sempre armado e a olhar por cima do ombro.

    Ah, e aqueles gajús todos são básicamente da mesma raça, calhando é porisso que não se conseguem entender.

  27. antonio diz:

    Lembro-me que ‘back-in-the-day‘ havia um de nós (que agora é catedrático numa fac. por aí) que perguntava “mas aqueles gajús são um povo ou dois milhões de agentes da CIA ?”

    Claro que era para rir…

    😀

  28. “é Israel quem decreta o que se deve ou não fazer nessa zona”

    … essa de israel mandar no egipto nunca tinha ouvido; mas de facto já tinha ouvido dizer que os judeus mandavam no mundo

  29. Leo diz:

    Deve ser autista para nunca ter ouvido que de facto é Israel quem decreta o que se deve ou não fazer nessa zona.

    Mas para o peditório da vitimização dos brutos já dá.

    Estamos a falar de crimes praticados pelas autoridades de Israel não estamos a falar de seguidores de crenças religiosas, Ana Cristina. Cinja-se aos factos e seja objectiva.

  30. ezequiel diz:

    Este teu post é sobre bestas e para bestas.

    “Este excelente texto do João Gonçalves diz tudo sobre os imbecis que acham normal um Estado atacar navios de outros países em águas internacionais e matar 19 pessoas.”

    Tudo explicado. Um estado atacou navios de outros países e matou civis. Simples.
    Até uma besta compreende.

  31. Leo, essa do autismo tem graça por causa daquela coisa da assembleia de querer proibir a palavra… bom, mas eu não sou assim tão susceptível.
    quanto aos factos, não sei onde estarei a fugir a eles; mais objectiva parece-me impossível
    http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/06/faixa-de-gaza-porque-nao-sou.html

    … agora, quando se diz que o egipto tem a fronteira fechada com gaza por “ordem” dos israelitas ou dos americanos… Eu só sublinhei que isso não era resposta. os egípcios têm a fronteira fechada por causa do hamas, essa é que é essa. e porque, na realidade, o mundo árabe se está nas tintas para os palestinianos. Se afirmar isto faz de mim uma autista, com todo o prazer.

  32. antonio diz:

    Já agora…

    “Akilo” é uma ‘criação’ do fim da 2ª guerra mundial e da desnazificação da ‘coisa’, havia uma data de gente que não tinha lugar p’ra onde ir… aí foram p’ra lá.
    Uns judeus americanos com $$$ foram comprando terras por ali p’ra lhes dar a eles,e os ‘árabes’ que as vendiam era porque óbviamente viviam em Beirute ou na Arábia Saudita, e estavam-se nas tintas realmente para aquilo, eram apenas laranjais, desertos, e propriedade.

    Depois foi o que se sabe e o Nuno disse acima.

    🙁

  33. antonio diz:

    E já aque aqui estou… e acho que já disse, eu sou de ascendência árabe, mas nunca sonharia sequer em ir à face do R.T.

    Cegos por Israel

    Rui Tavares – 02-06-2010

    Tenho família israelita e familiares judeus ou de ascendência judaica que, caso o desejassem, poderiam obter cidadania israelita. Teoricamente, parece que até eu teria direito a morar numa daquelas aldeias que nunca visitei mas aonde não podem regressar os palestinianos que lá nasceram – as aldeias onde nasceram também os seus pais, avós, bisavós. O que para judeus de todo o mundo foi e é por vezes ainda uma esperança de justiça após séculos de perseguição, tem sido uma tragédia para os palestinianos.Tenho família israelita e familiares judeus ou de ascendência judaica que, caso o desejassem, poderiam obter cidadania israelita. Não há afinidades – ideológicas, familiares, ou meramente caprichosas – que possam calar esta verdade.

    Ao contrário do que sugerem fanáticos de toda a espécie, dentro e fora da região, o mundo sabe como resolver o conflito israelo-palestiniano. Mais pormenor, menos pormenor, a solução passa por dois Estados lado a lado segundo as fronteiras de 1967, com trocas pontuais de terreno numa base 1:1; Jerusalém como capital partilhada de ambos esses Estados, porventura preservada sob tutela internacional; e reparações financeiras e morais para os refugiados palestinianos, com possibilidade de viverem no seu Estado independente e, em alguns casos negociados, poderem regressar às suas terras de origem. Outra solução, minoritária mas também apoiada por muita gente que quer a paz, passaria por um único Estado com direitos iguais para todas as religiões e povos que vivam no seu território. Como qualquer não-fanático, não sou esquisito nos pormenores. O que desejo é isto. Desejo para os palestinianos dignidade e autodeterminação iguais às de qualquer outro povo no mundo.

    Ao mesmo tempo, respeito o Estado e a cidadania dos meus primos israelitas. O que não posso é respeitar as ações deste Governo israelita, porque este Governo não tem respeitado qualquer limite da decência, honestidade ou legalidade internacional. Nem os seus próprios compromissos têm respeitado, havendo razões para duvidar que faça esses compromissos de boa fé. É um Governo pária que deve ser tratado como qualquer Governo pária.

    Para alguns fanáticos, ser “amigo de Israel” parece implicar duas coisas: que tudo o que um Governo israelita faça, por mais brutal e desumano, seja sempre legítimo; que as normas internacionais não se apliquem da mesma forma a Israel e a outros países.

    Por extraordinário que pareça, estes fanáticos por Israel conseguem justificar tudo, até a recente razia e sequestro a uma reduzida frota de barcos desarmados em águas internacionais, causando a morte de uma dezena de pessoas.

    Enquanto um barco está em águas internacionais poderá ser interpelado, porventura vigiado ou no máximo escoltado. Não pode certamente ser atacado e os seus passageiros não podem ser assassinados, sob pena de este ser um ato de pirataria. Nem sequer o putativo “estado de guerra” a que alguns comentadores lançaram mão permite justificar isto: Israel não declarou guerra à Turquia (em águas internacionais, atacar um barco significa atacar o território da sua bandeira) e, mesmo que o tivesse feito, a guerra tem regras a que os Estados se obrigam assinando convenções – e, mesmo quando não o fazem, os crimes de guerra continuam a existir. Decidam-se então: o que aconteceu foi pirataria, ato terrorista, ou crime de guerra. Justificável, nunca.

    Diz-se que os fanáticos são os piores inimigos de Israel. É verdade. Os fanáticos muçulmanos. Os fanáticos pseudo-amigos de Israel no Ocidente. E, cada vez mais, os fanáticos no próprio Governo israelita.

    Historiador e deputado independente ao Parlamento Europeu pelo BE.

  34. miguel serras pereira diz:

    Ezequiel,
    quem são as bestas sobre as quais é o post do Nuno, por favor, e porquê? Quem são as bestas para quem é, em teu entender, o mesmo post, por favor, e porquê?
    Tem sido, até aqui, um gosto e proveito para mim discutir contigo. A tal ponto que, sem nos conhecermos em carne e osso, diria que nos tornámos amigos. Mas não compreendo o teu comentário – daí o meu repetido “Porquê?”.
    Aqui tens as razões que, “para bestas” ou não, gostaria que considerasses antes de apontar a arma – que mais não seja para não disparares ao engano. Constam deste texto – http://jornal.publico.pt/noticia/02-06-2010/cegos-por-israel-19528881.htm – do Rui Tavares que, no essencial, subscrevo:
    “Para alguns fanáticos, ser “amigo de Israel” parece implicar duas coisas: que tudo o que um Governo israelita faça, por mais brutal e desumano, seja sempre legítimo; que as normas internacionais não se apliquem da mesma forma a Israel e a outros países.
    Por extraordinário que pareça, estes fanáticos por Israel conseguem justificar tudo, até a recente razia e sequestro a uma reduzida frota de barcos desarmados em águas internacionais, causando a morte de uma dezena de pessoas. Enquanto um barco está em águas internacionais poderá ser interpelado, porventura vigiado ou no máximo escoltado. Não pode certamente ser atacado e os seus passageiros não podem ser assassinados, sob pena de este ser um ato de pirataria. Nem sequer o putativo “estado de guerra” a que alguns comentadores lançaram mão permite justificar isto: Israel não declarou guerra à Turquia (em águas internacionais, atacar um barco significa atacar o território da sua bandeira) e, mesmo que o tivesse feito, a guerra tem regras a que os Estados se obrigam assinando convenções – e, mesmo quando não o fazem, os crimes de guerra continuam a existir. Decidam-se então: o que aconteceu foi pirataria, ato terrorista, ou crime de guerra. Justificável, nunca”.

    Como subscrevo, na mesma medida, este – http://viasfacto.blogspot.com/2010/05/nao.html#comments – do João Tunes: “A desproporção dos meios (um ataque de unidades de elite de Israel contra cidadãos indefesos) e as vítimas causadas é, além do mais, um acto que envergonha os defensores do direito à soberania do Estado de Israel. Mesmo que o “combóio náutico” comportasse, além do humanitarismo, doses de provocação e desafio, utilizando “escudos humanos” que se consideravam eficazes. A indignação internacional causada por este acto injustificável e miserável, mostra para onde aponta a escalada dos “falcões israelitas”: o isolamento de Israel e o crescimento em apoios propagandísticos dos amigos dos fanáticos islâmicos do Hamas, mais prosaicamente do fascismo terrorista islâmico, espalhados por todos os sítios onde o antisemitismo medrou, bebendo nas paranóias da Inquisição, dos “progroms”, de Hitler ou de Estaline. Portanto, o que aconteceu foi um crime de Israel contra Israel, a Palestina e contra a comunidade internacional. Ou seja, uma estupidez manchada de sangue”.

    Abraço

    miguel serras pereira

  35. Justiniano diz:

    Nuno R. A., “Já sabemos que a maior parte da nossa direita é tão corajosa que está disponível para matar palestinianos até ao último israelita” especialmente a parte da “nossa direita”, está perfeitamente a mais!!!
    Estará o Nuno a falar da sua direita, a dos filmes lá de casa!!??

  36. ezequiel diz:

    caro Miguel,

    já leu o paper do kohlmann que coloquei no post do andré (abaixo) a partir da página 10. leia-o, s.f.f.

    a minha resposta à sua pergunta (a do porquê) é muito simples: O rui, o nuno e pelos vistos tb o miguel reduzem o evento Mavi Marmara a 1 dos seus aspectos (violação do direito internacional). é uma visão simplista, própria para bestas. foi isto que eu escrevi. as bestas gostam de simplismos destes. entenda isto como uma crítica epistemológica. 😉

    cumps
    ezequiel

  37. Leo diz:

    “mais objectiva parece-me impossível” ???

    Vejamos a sua objectividade, Ana Cristina. Considera:

    1- o ataque ao navio “um crime e um desastre moral para Israel”
    2- o bloqueio a Gaza “uma tragédia.”

    Ora são crimes:
    1. a ocupação
    2. o bloqueio
    3. o ataque a navios em águas internacionais

    Tudo isto são crimes: a ocupação, os bloqueios e ataques (em águas internacionais, noutros países como recentemente do Dubai e antes Jordânia, Líbano, Gaza, Cisjordânia). A mãe de todos os crimes é a ocupação, obviamente. De que nunca fala.

    E a sua preocupação são os “comentários anti-semitas” confessando que “a propósito destes acontecimentos provoca-me asco”. Para desviar atenções, a Ana Cristina tenta relativizar o crime e o criminoso trazendo outros à liça, mas outros que nem ocupam, nem bloqueiam nem atacam. Não há qualquer equivalência entre o ocupante (Israel) e o Egipto que não ocupa nem um milímetro da terra palestiniana.

    Em vez de lhe ter chamado autista, devia com mais propriedade ter-lhe chamado manipuladora, desinformadora, branqueadora. Ou propagandeadora.

  38. Leo diz:

    Disse ontem o MNE da Turquia, no Conselho de Segurança da ONU:

    (…) Os navios transportam bens de conforto e instalações tais como brinquedos que recordariam às crianças a sua condição de crianças. Eles transportavam necessidades muito básicas como medicações para cancro e leite em pó para fortalecer o crescimento e a saúde das crianças na ausência de leite adequado.

    A comunidade internacional tem sido testemunha desta tragédia humanitária durante anos, deixando de actuar. E hoje é onde nos encontramos.

    Hoje observámos através da cobertura ao vivo um acto de barbárie em que a provisão de ajuda humanitária foi punida através da agressão em alto mar, a 72 milhas das águas internacionais.

    Hoje muitos trabalhadores da ajuda humanitária regressam em sacos para cadáveres. E Israel tem sangue nas suas mãos. Isto não foi ao largo da costa da Somália ou nos arquipélagos do Extremo Oriente onde a pirataria ainda acontece. Isto foi no Mediterrâneo onde tais actos não são a norma. Isto foi onde precisamos de bom senso. Isto foi onde a civilização emergiu e floresceu e onde as religiões abrâmicas ganharam raízes. Estas são religiões que pregam a paz e ensinam-nos a estender a nossas mãos quando outras estão em estado de necessidade.

    A utilização da força foi não só inapropriada como também desproporcionada. O direito internacional dita que mesmo em tempo de guerra, civis não devem ser atacados ou feridos. A doutrina da auto-defesa não serve de modo algum para justificar as acções tomadas pelas forças israelenses. A liberdade em alto mar constitui um dos mais básicos direitos sob a lei internacional do mar, incluindo o direito internacional costumeiro. A liberdade de navegação é uma das mais antigas formas das normas internacionais, datando de há muitos séculos.

    Nenhum navio pode ser travado ou abordado sem o consentimento do capitão ou do Estado bandeira. (…) Qualquer suspeita de violação da lei por parte do vaso e da sua tripulação em alto mar não absolve o Estado interveniente dos seus deveres e responsabilidades sob a lei internacional aplicável.

    Tratar a entrega de ajuda humanitária como um acto hostil e tratar os trabalhadores da ajuda como combatentes é um reflexo de um perigoso estado mental, com efeitos deletérios para a paz regional e global. Portanto, as acções israelenses não podem ser consideradas legais ou legítimas. Qualquer tentativa de legitimar o ataque é fútil. (…)”

    http://resistir.info/palestina/min_turquia_cs_01jun10.html

  39. Este caso (refiro-me à reacção dos acólitos de Israel entre nós; tb é válido para os que fazem do ódio a Israel a sua razão de existência) seria cómico se não fosse trágico. Enfim…a blogosfera tb é o lugar onde podemos regressar/recordar a infância.
    Mas o texto do Nuno diz (quase) tudo. E é duma grande clareza.

  40. Leo
    Em vez de lhe ter chamado autista, devia com mais propriedade ter-lhe chamado manipuladora, desinformadora, branqueadora. Ou propagandeadora.

    vai desculpar-me mas, assim como assim, prefiro autista.
    porém, se com o seu naipe alargado de adjectivos estiver a querer dizer que o estado de israel não tem direito a existir, sim, nesse caso, discordamos. só não pensei que fosse esse o assunto.

  41. antonio diz:

    E depois é preciso meter lá a a cara e a coragem.

    Os meus ídolos lá (estão mortos…) eram Yitzhak Rabin e John Glubb Pasha, adversários que aposto que se respeitavam.

    🙂

  42. antonio diz:

    E era mais o que faltava que Israel não tivesse direito a existir…

  43. miguel serras pereira diz:

    Ezequiel,
    li o texto que recomendas e a minha posição não mudou. O RT diz bem porquê: “Enquanto um barco está em águas internacionais poderá ser interpelado, porventura vigiado ou no máximo escoltado. Não pode certamente ser atacado e os seus passageiros não podem ser assassinados, sob pena de este ser um ato de pirataria. Nem sequer o putativo “estado de guerra” a que alguns comentadores lançaram mão permite justificar isto: Israel não declarou guerra à Turquia (em águas internacionais, atacar um barco significa atacar o território da sua bandeira) e, mesmo que o tivesse feito, a guerra tem regras a que os Estados se obrigam assinando convenções – e, mesmo quando não o fazem, os crimes de guerra continuam a existir”.
    Mas o que me preocupa e consterna mais nisto é que não vejas o que João Tunes diz em termos claros como a água: “o que aconteceu foi um crime de Israel contra Israel, a Palestina e contra a comunidade internacional. Ou seja, uma estupidez manchada de sangue”. Agentes duplos não fariam melhor.

    Abraço (se o aceitas da besta a que “epistemologicamente” me promoveste)

    miguel

  44. Leo diz:

    “se com o seu naipe alargado de adjectivos estiver a querer dizer que o estado de israel não tem direito a existir, sim, nesse caso, discordamos. só não pensei que fosse esse o assunto.”

    Não podia faltar a bomba atómica. São sempre tão previsíveis os israelitas e seus amigos que enjoam…

  45. ezequiel diz:

    Caro Miguel,

    Vamos por partes.

    a IHH organizou a flotilla. o que é a IHH? o direito internacional, como sabe, n

    contempla a possibilidade de NGO’s de “beneficência” agirem como entidades q

    prestam apoio a actividades jihadi. as muitas lacunas do direito internacional neste

    domínio beneficiam estas NGO’s. o envolvimento da IHH com a jihadi global é um

    facto amplamente documentado, em diversos países, incluindo a própria Turquia.

    o direito internacional permite a punição de entidades terroristas camufladas como

    NGO’s? não permite, como deve saber. muito pelo contrário. aliás, o estado de

    direito/direito internacional tem sido continuamente pervertido e usurpado por este

    tipo de organização, particularmente na Europa. sim, não haja dúvida: o direito

    internacional e as leis nacionais devem ser alteradas, ou melhor, qualificadas de

    forma a abrangerem estas organizações e as suas estratégias, como o uso de

    escudos civis. Israel, como estado, é abrangido pelo direito internacional (que

    assenta no pressuposto essencial de que os actores da política internacional são os

    Estados)

    Sim, a decisão Israelita foi politicamente calamitosa e ilegítima

    à luz do direito internacional. nem questiono isto. todavia, para Israel, seria muito

    pior assistir impávido e sereno à consolidação política e logística de um entidade da

    jihad global em Gaza. os israelitas, como sempre, deram primazia a considerações

    de estratégia militar e de segurança. por boas razões, a meu ver.

    devo relembrar-lhe os seguintes factos: Israel já permitiu a passagem de outras

    flotillas. neste caso, Israel assumiu o controle de 5 dos 6 barcos, sem ferir qualquer

    activista. o mavi marma, no qual viajavam a maior parte dos membros da IHH,

    resistiu. não foi um mero acaso. A Turquia n declarou guerra a Israel mas permitiu

    q uma organização q ela própria designou como “terrorista” organizasse uma flotilla

    de “beneficência” a partir do seu território.

    Fosse em águas da AP ou em águas internacionais, Israel tinha que agir. permitir

    que a IHH continue a organizar flotillas para Gaza seria um precedente

    simplesmente intolerável. daqui a pouco, Israel teria que se confrontar com dezenas

    de NGO’s cujos objectivos pouco ou nada tem q ver com a beneficência. não podia

    acontecer. de forma alguma. compreendo perfeitamente.

    a meu ver, israel seria sensato se permitisse a entrada de todas as flotillas

    organizadas por NGO’s genuínas, sem qualquer ligação a movimentos jihadi. já o

    fez.

    meu caro, ainda há uns tempos atrás, conversando acerca de outro tema,

    concluímos que a política precede o direito. este foi um caso típico desta

    precedência. Israel violou o direito internacional, sem qq dúvida. A IHH n faz outra

    coisa há anos. NGO’s como estas n se combatem com o actual direito internacional.

    até lá, suspeito que Israel continuará a violar o direito internacional sempre que as

    NGO’s que o usurpam tentarem por em causa a sua segurança.

    cumps
    ezequiel

  46. ezequiel diz:

    situação análoga nos contextos nacionais. (NGO’s com fachadas ao serviço do totalitarismo islamita)

  47. ezequiel diz:

    Nuno,

    a tua analogia é que é perfeitamente imbecil. Timor nunca atacou a Indonésia e sempre reconheceu o direito de existência da Indonésia. Nunca existiram grupos terroristas em Timor que ameaçavam a segurança da Indonésia ou que proclamavam o seu derradeiro fim como objectivo estratégico. sloppy, Nuno, very sloppy. A comparação seria apropriada se: 1) a organização que organizou o Lusitânia Expresso tivesse sido, por exemplo, a Jemahh Islamiyah Indonésia. Israel já permitiu a passagem de flotillas que foram organizadas por NGO’s genuínas.

  48. ezequiel diz:

    Submeti + 1 comentário q n aparece.
    abraço
    z

  49. ezequiel diz:

    onde respondia ao MSP.

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