La isla bonita ou Das incoerências de um processo mediático


Nos ultimos meses, tenho ficado perplexo com a quantidade de informação que nos chega desde Cuba. A partir do momento-charneira que foi a triste morte de Orlando Zapata por greve de fome nos presidios caribenhos, uma avalanche de noticias, factos, boatos e rumores têm vindo a inundar os orgãos de comunicação social de todo o mundo. Assisti com tristeza até, algumas (bastantes) pessoas que respeito, considero e estimo, entre os quais muitos auto-titulados socialistas revolucionários assumirem uma posiçao confrangedora perante uma (a sua) cultura histórica de desconfiança e constante inquietaçao perante as informações veiculadas pelos meios de comunicaçao mainstream.

De um momento para outro, vejo trotskistas e a extrema-direita de braços dados acusando o governo cubano de sanguinário, opressor e totalitário. De um momento para outro, vi Malcolm X, Noam Chomsky, Jean Paul Sartre, Frei Betto, Boaventura Sousa Santos, Foucault entre muitos outros com a sua linha de pensamento diferencial e radicalmente provocadora serem atirados para um caixote do lixo que pretende salvaguardar a imagem publica duma pretensa esquerda radical, não arriscando nenhum tipo de aventura contra-corrente, nenhum questionamento da verdade que estava a ser escrita nestes dias. Se aparece na televisão, se a imprensa assim o relata, é porque deve ser verdade parece ter sido a palavra de ordem. Debord deve estar a dar voltas na tumba.

Mas recados à parte, o que me surpreendeu é como uma ditadura tão férrea e sanguinária como a cubana foi capaz de permitir um sem-numero de entrevistas, declarações, pontos de vistas, marchas contra a ordem social “imposta” (sic). Como os auto-denominados “dissidentes” se queixavam a viva voz da falta de espaço para debater, para propôr, para poder mudar o rumo politico do País. E como o faziam a partir de casa, das ruas de Havana, dos seus blogs pessoais, dos hotéis para todo o mundo. Espaço para as vozes da Revoluçao? Contam-se pelos dedos da mao de um amputado. Perdão, houve espaço nos meios de comunicação social para o musico Silvio Rodriguez quando este pediu mudanças para Cuba, a imparcialidade costumeira também ficou demonstrada pela não-divulgação ou passagem para um segundo plano das declarações do mesmo em que dizia confiar mais na Revolução que nos seus detractores. Parece que é a liberdade de alguma imprensa…

E na rede, neste espaço virtual em que opino e vejo opinar, onde há sempre alguém com quem concordar ou discordar, vieram os relatos do racismo, da homofobia, da perseguição politica, dos fusilamentos, do unanimismo reinante na população, da corrupçao de altos dirigentes do estado, eu sei lá…tem sido um a-ver-se-te-avias sobre os defeitos da Revolução Cubana.

Depois de muito reflectir, de ler bastante, de cruzar informaçoes, de ir directamente às fontes (na medida do possível – nao fui a Cuba), creio que existem alguns pontos que gostava de referir, sem certezas, sem dogmatismos, como opinião que tenta ser informada e objectiva, sem esconder a admiração pelo Povo Cubano e pela sua Luta, sem esconder a paixao que Cuba me desperta, uma opinião.

Da internet e da ciber-dissidência
É uma critica constante ao Governo Cubano a dificuldade de acesso à internet e até as acusações constantes de censura na rede. A “ciber-dissidente” Yoani Sanchez é conhecida internacionalmente pelas suas acusações ao Governo Cubano e levada em ombros por grande parte da blogosfera e da comunicação social internacional, pela assunção de um papel de paladina das liberdades em Cuba e pelo seu alinhamento com as visões mais conservadoras da auto-intitulada “oposição” cubana (dentro e fora da ilha). Em sentido diametralmente oposto encontrei um artigo de Rosa Miriam Elizalde, jornalista cubana, que contra-argumenta de forma clara e sistematizada o discurso da censura cibernética cubana. De forma sintética, alguns pontos que deixo à consideração:

1) À data do artigo (confesso que nao verifiquei da sua actualidade) eram os EUA que censuravam a internet cubana. Ao estar classificado pelas agências norte-americanas como estado-terrorista, os ips cubanos quando tentavam aceder a serviços tão comuns como hotmail, google earth, software gratuito da Microsoft, deparavam-se com a seguinte mensagem: “usted no puede receber este servicio porque vive en un pais considerado terrorista por los estados unidos”.

2) O Bloqueio norte-americano (em toda a sua moldura legislativa) coloca graves restriçoes ao acesso à internet. Cada megabyte vendido tem de ser autorizado pelo departamento de Tesouro norte-americano e apenas é feito por via satélite, apesar de haver um cabo que passa a 15 km da ilha. O Governo cubano nao conformado com a situaçao contratualizou a ligaçao ao país-amigo Venezuela, fazendo com que uma ligaçao possivel de 15 km passe a 500 km, tornando, como é obvio, o custo mais dificil de suportar e de concretizar. A acrescer a isto, a velocidade de upload e de download de toda a ilha é de 302/ 180 Mb. Não por acaso, e isso eu confirmo pela minha navegação pessoal, muitos sites alojados em servidores cubanos sao inacessiveis durante largos períodos de tempo.

3) Cuba preparou-se para uma revolução tecnológica. Todas as escolas primárias têm laboratórios de computação, mesmo as perdidas no monte que apenas têm um aluno. Deu-se formação a 2 milhões de cubanos na àrea informática (Cuba tem 11 milhões de habitantes). Existiu uma resolução governamental de disponibilizar nas estações de correio postos de acesso à internet (não sei se já concretizada ou não).

A partir daqui, tirem as vossas conclusões.

Ainda dentro da mesma temática, quero destacar a recente entrevista a Yoani Sanchéz por Salim Lamrani, jornalista e professor da Sorbonne, (aqui e aqui) onde na sua introdução este estranha o numero de prémios atribuidos a esta “activista” internauta em tão curto espaço de tempo. A saber, depois de criar o seu blog em 2007, recebe ” premio de Periodismo Ortega y Gasset (2008), el premio Bitacoras.com (2008), el premio The Bob’s (2008), el premio Maria Moors Cabot (2008) de la prestigiosa universidad estadounidense de Columbia.” Seleccionada como uma das 100 figuras mais influentes do mundo em 2008 pela revista TIMES, o seu blog um dos 25 melhores do mundo pela CNN e pela TIMES em 2008, uma das 10 figuras hispano-americanas mais influentes do mundo pelo El País (2008) e, pasme-se, um dos 10 mais importantes intelectuais do ano pela revista Foreign Policy. O próprio presidente Obama, no final do ano passado encontrou tempo (encontrou?) para responder a uma série de perguntas amáveis que esta colocava. Tanta menção, dá no minimo, para desconfiar. Isso sem contar que o seu blog é traduzido em 18 linguas…

Das greves de fome e das condiçoes carcelárias


Videos tu.tv

A morte de Orlando Zapata foi um acontecimento trágico. Digo-o sem cinismo, sem arrepios, sem peros. A morte de um ser humano é sempre condenável, no entanto as condiçoes da sua morte são, no minimo, questionáveis. Os oficialistas do costume, com a condenação sempre presa na ponta da lingua não tiveram problemas em passar por cima do noticiado então. As descriçoes sao assustadoras e inumanas, mas infelizmente, tambem o são por impossibilidade da sua existência.

1) o facto de ter sido noticiado que tinha morrido devido ao facto de ter passado 18 dias em isolamento sem àgua. Pelo que li, o tempo médio que alguem pode sobreviver sem àgua sao 4 ou 5 dias, em condiçoes ideais (nao como nos calabouços descritos) pode chegar a pouco mais de uma semana.

2) Como é que alguem pode ser torturado, mantido em isolamento, não ter nenhum tipo de assistência médica e ainda assim resistir a 85 dias de greve de fome? Não nos esqueçamos de Aminetu Haidar que passou 56 dias creio, sem comer apenas, e todos temiam pela sua vida.

3) A grande maioria dos meios de comunicação social noticiaram que não lhe foi prestado auxilio, o Publico espanhol no 75º dia de greve noticia que Zapata foi transferido para instalaçoes medicas a fim de ser tratado e alimentado por via intravenosa (segundo o Publico à força, segundo a tv cubana de forma voluntaria)

4) A comunicação social deu a informação que nada disto foi noticiado em Cuba. A rádio cubana e a tv cubana (eu tive oportunidade de ver logo nos dias seguintes um debate dobre este tema via Cubavisión internacional) noticiaram o que se passou, dando a versão oficial dos factos.

Fariñas aparentemente é o novo mártir (como ele próprio se autodenominou), sendo um veterano nas greves de fome, quero destacar uma das que realizou -pelo acesso livre à internet- que pelo motivos expostos no ponto anterior me parece de um cinismo absoluto, ainda mais quando está livre, em sua casa e tem todo o tipo de apoio médico de Cuba, assim como toda a atenção mediática, ao contrário dos 7000 palestinianos que iniciaram greve de fome a partir das prisoes israelitas, recentemente.

As prisoes cubanas normalmente são retratadas como umas covas onde se praticam todo o tipo de barabariedades e arbitrariedades. Sem me querer alongar muito e sem entrar no extremo quase ridiculo de não haver nenhum tipo de denuncia por parte da Amnistia Internacional no seu Global Report de 2009 (o mesmo que classifica Zapata de preso de consciência) e de o mesmo relatório mostrar-se preocupado com as condiçoes carcelárias em grande parte dos países ocidentais (tratamento humilhante e degradante assim como tortura nos EUA e 4000 denuncias de tortura em 5 anos em Espanha, para dar dois exemplos), recomendo a leitura de “Hablemos de las prisiones y el régimen carcelario en Cuba” em que se decrevem, entre outros, a experiencia que o Governo Cubano está  a desenvolver no sentido de reabilitar através do Ensino transformando prisões em modelos escolares, chegando ao extremo de no Centro Penitenciário de S. Francisco de Paulo esta experiência estar a ser levada a cabo como a ideia de escola sem grades, sem cadeados. Uma prisão sem muros.

Para reforçar esta ideia, em 2004, jornalistas de todo o mundo visitaram dois hospitais presidios em Cuba e puderam constatar pelos seus olhos as condiçoes dos que aí residiam, terminando uma reportagem da BBC dizendo que “sem lugar para duvidas, a visita serviu para esclarecer muitas das acusaçoes sobre as condiçoes dos presos em geral”, lamentando-se de seguida o jornalista de nao ter esclarecido nada sobre as condiçoes de vida dos “dissidentes” detidos.

Da democracia, da liberdade de expressão, dos direitos humanos e da comunicaçao social cubana

Costuma-se dizer que o socialismo em Cuba é um socialismo muito suis generis. Depois de ler a lei 72 da Republica de Cuba que define a forma de nomeação de candidatos e a forma de participação popular nesta mesma nomeação e respectiva eleição, fiquei convencido que, a lei cubana é maior garante da democracia directa, da democracia exercida pelo Povo que qualquer outra lei eleitoral dum país ocidental. O sistema eleitoral cubano prevê que intervenham nele as organizações de massas (sindicatos, federação de mulheres, federação de jovens, etc), o Povo directamente na nomeação de candidatos aos vários niveis da organização do Estado e obriga ainda a que haja sempre e em qualquer circunstância um numero superior de candidatos do que o numero de lugares a ocupar, além do facto de qualquer deputado à Assembleia Popular, às Assembleias Provinciais ou às Assembleias Municipais ter sempre e em qualquer circunstância de ter 50%+1 dos votos expressos. As urnas são custodiadas por crianças, é possível reclamar de qualquer incidente e tanto a votação como as contagens de votos são publicas e abertas a todos e todas que queiram assistir, seja cubano ou não-cubano. [é de estranhar que nunca nenhum meio de comunicação social tenha feito uma cobertura destes actos eleitorais, não é?]. O voto não é obrigatório, mas desde  a Revolução, quando se celebraram as primeiras eleições livres em 1976, os índices de participação têm sido sempre superiores a 95%. Os actos eleitorais decorrem com normalidade e com uma regularidade sem nenhum tipo de sobressaltos.
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Nunca, em nenhum momento, vi, li ou ouvi objecções, comentários ou criticas fundamentadas a eventuais irregularidades, a votantes forçados ou a qualquer tipo de fraude. Nunca, em nenhum momento, vi, li ou ouvi na Comunicação Social algo que não fosse o cepticismo, a descrença não-fundamentada, o cinismo e, indo mais longe, o chauvinismo neo-colonialista imperialista e paternalista em relação aos processos eleitorais em Cuba.
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É clarificador, ainda, que no actual clima de denuncia internacional contra Cuba, nem um unico orgão de comunicação social internacional tenha referido qualquer tipo de incidente, represália ou coerção sobre qualquer eleitor que tenha exercido o seu direito ao voto em Cuba no passado dia 25 de Abril.
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Recomendo a leitura de “Disidentes cubanos en campaña electoral”, uma noticia sobre o processo elitoral cubano, in loco, por um jornalista da BBC.
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A acrescer a este amplo processo de participação e decisão democrática e popular, encontra-se um outro facto a montante, mas que não é de menor importância. A constituição cubana é o resultado de um anteprojecto que foi submetido a consulta publica em 1975 onde foram consultadas mais de 2 milhões de pessoas, que resultaram em 60 alterações à mesma. Posteriormente, foi referendada (em fevereiro de 1976) tendo sido votada por 98% dos cidadãos com capacidade eleitoral e aprovada por 97,7% dos mesmos. Tendo sido alterada por várias vezes pela Assembleia Popular (que tem os poderes constitucionais para tal) foi submetida a novo referendo, por iniciativa da Assembleia Popular e sem que tal fosse obrigatório, a novo referendo em 2002, com níveis de participação e aprovação semelhantes.
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Fazendo a ponte para os direitos humanos, convém recordar o Universal Periodic Review da ONU de 2009, assim como os relatórios da Amnistia Internacional já citados anteriormente. Neste ultimo, e no relatório regional (América), Cuba é citada apenas como bom exemplo do seu investimento na saúde (6,9% do PIB) superado pelos EUA (7,2%), mas com a preocupação afirmada de centenas de milhares de pessoas sem acesso a cuidados minimos de saúde. Os EUA são também destacados nesta região pelo seu numero de condenações à morte (3000) e pelo destacar de forma implicita a falta de acesso à justiça e a uma defesa  legal isenta e parcial, quando afirma que a grande maioria dos presos no corredor da morte não têm posses para pagarem uma defesa escolhida por si. É de salientar que este é o argumento utilizado quando se trata de agredir o sistema judicial cubano, visto que é considerado que os advogados por serem funcionários do Estado têm a sua isenção comprometida. Se tal fosse eventualmente verdade, esta critica teria de ser ampliada a todos os países do mundo ocidental, visto que as defesas oficiosas para quem não tem recursos financeiros nunca são uma escolha dos próprios. Tendo a agravante, que os acusados são descriminados pela sua condição económica e esse é um facto inegável nos países ocidentais e uma realidade que não existe na ilha caribenha.
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No capítulo dos direitos humanos, Cuba será um dos primeiros países a atingir os 8 objectivos do milénio das Nações Unidas, tendo já atingido 5.
Endereçou convite ao Relator especial sobre a questão da tortura da Comissão dos Direitos Humanos da ONU a visitar Cuba e as suas prisões;
Alfabetizou 100% da sua população de forma gratuita da mesma forma que o é o acesso à saúde;
Tem as mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo;
Erradicou a fome;
Conseguiu o pleno emprego;
Em 2008 assinou dois pactos internacionais sobre direitos humanos;
82% dos presos em Cuba saem antes do termo da sua pena;
Tem desenvolvido um conjunto assinalável de acções contra a homofobia delegando uma série de responsabilidades, nomeadamente da educação sexual nas escolas no CENESEX, tendo em 2009 promovido o Dia contra a Homofobia;
Tem feito crescer em todos os niveis do Estado (empresarial e politico) o numero de mulheres e de negros e mulatos;
Tem reconhecida a liberdade de credo para mais de 400 religiões;
100% das crianças com necessidades educativas especiais têm o apoio necessário e gratuito;
85% das familias cubanas são donas da sua casa;
Acolheram a recomendação da Comissão de Direitos Humanos da ONU para dar formação amplificada em direitos humanos a todos os funcionários estatais envolvidos com a justiça, desde policia a juizes, passando por advogados e funcionários judiciais, etc, etc, etc…
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Toda esta informação, para quem tenha interesse pode ser consultada no site do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos do Homem e a grande maioria da informação é confirmada ou não desmentida por uma série de organizações internacionais, entre as quais a Amnistia Internacional.
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Relativamente à liberdade de expressão, creio que os numeros falam por si: 76 emissoras radiofónicas, 4 televisões de ambito nacional e 15 estudios provinciais, 577 publicações periodicas entre jornais, revistas e publicações cientifico-técnicas, quase 2400 ONGs tendo 33 sido criadas em 2008 e se restasse alguma duvida sobre a capacidade de critica e a liberdade que é outorgada a essa mesma critica nesta pequena ilha, basta ler as Cartas à Direcção do Granma, onde cidadãos comuns assinam com o seu nome criticas à burocracia, ao facilitismo, à corrupção, às falhas do sistema, mas onde também fazem sugestões, apontam caminhos, elogiam. Passei cerca de 3 horas a perdido nestas cartas e nas suas respostas. Em nenhum momento encontrei hesitações, medos ou auto-censuras. Convido-os a fazer o mesmo, assim como a seguirem algumas das publicações on-line de revistas e jornais cubanos que podem facilmente ser encontrados com uma busca no google, uma pequena amostra do debate vivo e descomplexado que existe em Cuba…
Recomendo a leitura de: Democracia en Cuba, El Sistema electoral cubano assim como vários textos patentes no site da Assembleia Nacional do Poder Popular.
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Do bloqueio e da guerra entre Cuba e os EUA
«Não existe uma oposição política efectiva em Cuba; portanto, o único meio previsível que temos hoje para alienar o apoio interno à Revolução é através do desencantamento e do desânimo, baseados na insatisfação e nas dificuldades económicas. Deve utilizar-se prontamente qualquer meio concebível para debilitar a vida económica de Cuba. Negar dinheiro e abastecimentos a Cuba, para diminuir os salários reais e monetários, a fim de causar fome, desespero e a derrocada do governo».
Lester Dewitt Mallory
em memorando a John Kennedy sobre a necessidade do bloqueio, via o Diario
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A cronologia dos ataques dos EUA a Cuba é terrivelmente cansativa. Não a exporei aqui, nem falarei de todas as vozes que por mais de 50 anos têm condenado de forma sistemática o bloqueio nas Nações Unidas, practicamente por unanimidade, excepção feita pelos próprios EUA e dois paíes mais. Em qualquer sitio da internet podem encontrar essa informação, mas gostava de salientar dois ou três casos que a mim me assustaram verdadeiramente:


O primeiro, chamado Operação Peter Pan foi uma operação desenvolvida pela CIA e outras agências de inteligência norte-americanas no inicio da Revolução. Consistiu em difundir rumores, chegando a ser transmitido via rádio, a mentira de que os revolucionários cubanos iriam retirar as crianças às suas familias a partir do momento que fizessem 5 anos, para adoutriná-las e socializá-las (no sentido de socialista e não de sociabilização).
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Muitos pais, assustados enviaram os seus filhos para Miami, tendo obtido os vistos por parte dos EUA. 14 000 crianças. Catorze mil crianças foram recebidas nos EUA com filmes propagandisticos da CIA (The Lost Apple) em que se culpava a separação dos seus pais o Governo Revolucionário de Fidel Castro. Poucos meses depois, dá-se a malograda invasão da Baía dos Porcos, as crianças são distribuidas por acampamentos, orfanatos, familias de acolhimento, tratadas como o desperdicio, os restos, a merda que sobrava de um conflito ideológico-militar. A grande maioria não reencontrou os seus pais e este episódio da história devia ser lembrado sempre que se fala do caso de Elian Gonzalez para entender a reacção emotiva e apaixonada de um Povo inteiro a reclamar a devolução de uma criança ao seu pai…
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O segundo, a Operação Condor foi uma operação negra dos EUA em esforço de cooperação com as intelegências das ditaduras fascistas dos países sul americanos, através da criação de esquadrões da morte destinados a executar militantes de esquerda, sindicalistas, padres progressistas e dirigentes comunsitas. Calcula-se a morte e desaparecimento de 100 000 pessoas. 400 000 foram afectadas pela violência dos estados patrocinados pelos EUA. Ainda hoje, na Columbia e nas Honduras, por exemplo, continua-se a assistir ao assassinato de activistas politicos a larga escala, segundo denunciam várias organizações dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional. No inicio deste ano, foi encontrada uma vala comum com cerca de 2000 cadáveres. Quantas linhas da comunicação social esta noticia ocupou? Não falamos de crimes ocorridos há 20 ou 40 anos. Os cadáveres mais antigos eram de 2005…
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E ainda, falar-vos de Luis Posada Carriles, responsável por vários atentados contra Cuba, entre os quais um que vitimou 73 pessoas que iam a bordo de um avião. Foi treinado pela CIA e embora tenha sido detido de forma provisória nos EUA este ano, é considerado pelo exilio cubano de Miami como um herói e tendo sido já libertado, apesar dos pedidos de extradição de Cuba e da Venezuela, apareceu amparado na manifestação de apoio às Damas de Branco, organizada pela cantora Gloria Estefan. Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és, não é assim que diz o ditado?
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Por ultimo, mencionar a estranheza com que me deparo com a atenção mediática e politica que incide sobre os pretensos “dissidentes”. Sobre a criação de não-noticias de forma sistemática sobre 20 ou 30 mulheres, por exemplo, que se denominam as Damas de Branco numa tentativa de colagem às Mães da Praça de Maio, de tal forma que uma das lideres deste movimento argentino de direitos humanos, Hebe de Bonafini declarou que: “las llamadas Damas de Blanco defienden el terrorismo de Estados Unidos y las Madres de la Plaza de Mayo simbolizamos el amor a nuestros hijos asesinados por tiranos impuestos por Estados Unidos“.
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E a estranheza também me assalta com a presença constante de diplomatas da secção de interesses dos EUA em Havana, assim como de outros países ocidentais, nestas manifestações.Que fazem eles aí? Não nos sentiríamos minimamente indignados se diplomatas estrangeiros participassem e acompanhassem manifestações contra os nossos sistemas de governação de forma sistemática?
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Não estaríamos revoltados se soubéssemos que existiam programas financeiros para alterar a nossa ordem constitucional como acontece na  América Latina?
A saber, para que não se pense que esta é uma medida exclusiva dos falcões de Bush, o orçamento da USAID governamental definia para 2010, 20 milhões de dolares para a “transição para a democracia” em Cuba, dum bolo de 447, 7 milhões de dólares para “promover a democracia” na América Latina. La guerra contra Cuba: nuevos presupuestos y la misma permisa”, artigo de José Pertierra, advogado venezuelano radicado nos EUA, explica bastante bem as fontes e os destinos do financiamento norte-americano à “dissidência” cubana.
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Poderia ainda falar da dificuldade de acesso a muita medicação, inclusivé retrovirais para a estabilização de doentes seropositivos, equipamento médico, comida, artigos de higiene como um simples sabonete, assim como outros bens de primeira necessidade. Um bloqueio estupido, teimoso e ingerente que pretende vergar um Povo. Recomendo a leitura destes artigos para perceberem a dimensão que o bloqueio tem nos dias de hoje, do sofrimento, da censura politica, financeira e cultural que 11 milhões de seres humanos são alvo todos os dias apenas porque decidiram de livre consciência enveredar por uma democracia diferente.
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Da solidariedade internacionalista


Para terminar este post, que já vai longo e para quem tenha tido paciência de aqui chegar, gostava de explicar-vos a minha admiração por Cuba e pelo Povo Cubano. Para além da minha filiação ideológica e politico-partidária (mas que não me obriga a ser solidário com nenhum regime, não me obriga a prescindir da minha visão critica do mundo), Cuba é um exemplo para a humanidade.
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O exemplo cubano inspirou a luta de praticamente todos os movimentos de libertação nacional de todo o Mundo desde o final dos anos 50. O imperialismo, o colonialismo e o neo-colonialismo, o racismo e a xenofobia encontraram em Cuba e no seu Povo, o mais terrível adversário.
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Um Povo que conseguiu livrar-se do jugo do opressor, que está a uns meros kms de distância, que resiste a uma Guerra declarada pela maior potência do Mundo há 50 anos e que, ainda assim, consegue os progressos sociais e politicos que Cuba conseguiu.
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Um Povo que se tornou orgulhoso da sua existência, da sua condição, de que todas as suas crianças sejam tratadas como uma criança deve ser tratada, com honra, com dignidade, com respeito, com carinho e com amor.
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Um Povo que consegiu mostrar ao Mundo que é possível uma vida melhor, uma sociedade solidária onde Homens e Mulheres podem ser livres do terrível jugo do mercado, da sobrevivência  cruel, da descriminação, da homofobia, do racismo.
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Um Povo que durante 15 anos lutou contra o Apartheid sul-africano militarmente quando mais ninguém o fazia e quando o governo norte-americano o apoiava os afrikaners contra o MPLA, que apoiou as lutas de forma efectiva do Povo Angolano, Congolês, namibio e vietnamita, entre outros. Que prestou e presta formação médica a centenas de milhares de jovens oriundos dos mais diversos países (em 2009 estudavam Medicina em Cuba cerca de 3000 jovens oriundos de mais de 120 países), que criou brigadas de médicos e socorristas que enviou para os quatro cantos do mundo para situações de catástrofe ou simplesmente para zonas necessitadas (chegando ao nosso Portugal, inclusivé), que exportou o ensino e a alfabetização para um sem-numero de países com programas de tão grande qualidade (yo, si puedo) que superam os programas da UNESCO e estando a ser utilizados não apenas na América Latina, mas também no Ocidente, nomeadamente na nossa vizinha Espanha.
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Um Povo que, quando os seus professores destacados na Nicarágua foram assassinados pelos mercenários norte-americanos, respondeu de forma voluntária e imediata, com a disponibilização de mais 5000 professores disponiveis para irem para a selva levar a educação às crianças. Um Povo que foi capaz de dar o seu sangue (no sentido real) para ajudar as vitimas de catástrofes naturais em campanhas voluntárias.
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Por tudo isto e por muito que ficou por dizer, recordo as palavras de Che Guevara, no seu discurso de 1964 às Nações Unidas:

No hay enemigo pequeño ni fuerza desdeñable, porque ya no hay pueblos aislados. Como establece la Segunda Declaración de La Habana: «Ningún pueblo de América Latina es débil, porque forma parte de una familia de doscientos millones de hermanos que padecen las mismas miserias, albergan los mismos sentimientos, tienen el mismo enemigo, sueñan todos un mismo mejor destino y cuentan con la solidaridad de todos los hombres y mujeres honrados del mundo.
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Esta epopeya que tenemos delante la van a escribir las masas hambrientas de indios, de campesinos sin tierra, de obreros explotados; la van a escribir las masas progresistas, los intelectuales honestos y brillantes que tanto abundan en nuestras sufridas tierras de América Latina. Lucha en masas y de ideas, epopeya que llevarán adelante nuestros pueblos maltratados y despreciados por el imperialismo, nuestros pueblos desconocidos hasta hoy, que ya empiezan a quitarle el sueño. Nos consideraban rebaño impotente y sumiso y ya se empieza a asustar de ese rebaño, rebaño gigante de doscientos millones de latinoamericanos en los que advierte ya sus sepultureros el capital monopolista yanqui.
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La hora de su reivindicación, la hora que ella misma se ha elegido, la vienen señalando con precisión también de un extremo a otro del Continente. Ahora esta masa anónima, esta América de color, sombría, taciturna, que canta en todo el Continente con una misma tristeza y desengaño, ahora esta masa es la que empieza a entrar definitivamente en su propia historia, la empieza a escribir con su sangre, la empieza a sufrir y a morir, porque ahora los campos y las montañas de América, por las faldas de sus sierras, por sus llanuras y sus selvas, entre la soledad o el tráfico de las ciudades, en las costas de los grandes océanos y ríos, se empieza a estremecer este mundo lleno de corazones con los puños calientes de deseos de morir por lo suyo, de conquistar sus derechos casi quinientos años burlados por unos y por otros.
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Ahora sí la historia tendrá que contar con los pobres de América, con los explotados y vilipendiados, que han decidido empezar a escribir ellos mismos, para siempre, su historia. Ya se los ve por los caminos un día y otro, a pie, en marchas sin término de cientos de kilómetros, para llegar hasta los «olimpos» gobernantes a recabar sus derechos. Ya se les ve, armados de piedras, de palos, de machetes, en un lado y otro, cada día, ocupando las tierras, afincando sus garfios en las tierras que les pertenecen y defendiéndolas con sus vidas; se les ve, llevando sus cartelones, sus banderas, sus consignas; haciéndolas correr en el viento, por entre las montañas o a lo largo de los llanos. Y esa ola de estremecido rencor, de justicia reclamada, de derecho pisoteado, que se empieza a levantar por entre las tierras de Latinoamérica, esa ola ya no parará más. Esa ola irá creciendo cada día que pase. Porque esa ola la forman los más, los mayoritarios en todos los aspectos, los que acumulan con su trabajo las riquezas, crean los valores, hacen andar las ruedas de la historia y que ahora despiertan del largo sueño embrutecedor a que los sometieron.”


publicado originalmente aqui e aqui.







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24 respostas a La isla bonita ou Das incoerências de um processo mediático

  1. psd da boa-fé diz:

    Carlos,
    Obrigado por tanta informacao nao mediada-deformada pelos mass media. A sua desconfianca pelos mass media é louvável: demonstra que a verdade, uma raridade nos tempos que correm, lhe interessa.
    Um reparo minúsculo: Debord só nao dá voltas na tumba porque o seu corpo foi queimado e as cinzas atiradas ao Sena.

  2. psd da boa-fé diz:

    Rafael, perdoe-me o lapso quando lhe chamei Carlos (estaria a pensar no seu colega Vidal?)

  3. sergio diz:

    o bobby sands esteve 66 dias em greve de fome eu lembro-me bem
    por isso essa questão 66 vs 75 é uma questão de merda a fugir ao que importa….
    quanto ao regime cubano, porque não permite outros partidos?

    não sei que idade o rafael tem mas a morte do BS foi marcante para mim porqe o gov do Uk não respeitava os direitos humanos de um homem que apenas lutava pela independencia da irlanda do norte
    qual a diferença com zapata ?
    não a encontro

  4. rafael diz:

    Provavelmente, PSD, provavelmente e agradeço-lhe a informaçao

  5. Rafael Fortes diz:

    Caro Sergio, o ponto que refere é uma agulha comparada com as outras incoerencias que encontrei. Quanto ao regime cubano permitir outros partidos, devolvo-lhe a pergunta e porque haveria de permitir?

    Creio que a minha idade nao é importante para fazer uma avaliaçao ponderada do q sao direitos humanos e de quem os repeita e de quem nao os respeita…

  6. Augusto diz:

    Talvez se o Rafael Fortes tivesse vivido a ditadura de Salazar e de Marcelo Caetano, não teria a lata de escrever o que escreveu
    Assim…..

  7. Rafael Fortes diz:

    Augusto, leia o texto especialmente no que se refere ao processo eleitoral cubano…

  8. Libertario diz:

    Rafael não pare de escrever informação com esta qualidade. Faz-me muita falta e a todos os trabalhadores que têm consciência de classe, mas que por interesse do sistema em que vivemos é-nos negada.
    Deixo aqui uma pergunta às opiniões dissonantes. A Arábia Saudita o Egipto a Turquia, (para mencionar apenas estes) respeitam os direitos humanos? Porque razão os omitem? Talvêz por não serem badalados pela informação burguesa?
    Obrigado a si Rafael, vou imprimir os seus artigos.

  9. sergio diz:

    caro Rafael
    mas a idade é importante como o augusto disse para se ter a ideia do que é viver em ditadura, ter medo de falar num café….
    agora quantoa aos partidos politicos porque é que os cidadãos de um pais não se podem organizar em movimentos politicos?
    como em Portugal
    de que servem eleições com candidatos pré escolhidos, sabendo que não há diferenças substanciais do ponto de vista ideologico entre eles

    por ultimo camara proletário e libertario a falta de respeito dos direitos humanos na arabia saudita não desculpa cuba nem vice versa

    • Eu vivo em Portugal, sou português, tenho 64 anos e sempre vivi em ditadura., ou seja, no tempo de Salazar havia a PIDE, hoje não há PIDE mas a verdade é que são sempre os mesmos a mandar e os escandalos ec onómicos/financeiros são sempre praticados pelos mesmos.
      Todavia, é para CUBA que vão portugueses tratarem-se, é de CUBA que vem médicos cubanos tratarem dos portugueses, é CUBA que ensina métodos cientificos como acabar com o analfabetismo, que lá não sabem o que é isso, enfim …
      CUBA tem um povo alegre e feliz, PORTUGAL tem um povo tristonho e infeliz. Toda a vida ouvi falar de dificuldades, de fome, de miséria, de sem-abrigo, de desemprego, de analfabetismo, de crianças desnutridas, de pessoas sem direitos …
      neste nosso País, o que é isto?

  10. harness diz:

    espectacular texto, formidável.

  11. anonimo diz:

    Um texto digno do Diário da Manhã – de uma qualquer manhã de 1967.

  12. Pingback: Leituras para hoje, June 2, 2010 – hora absurda 7

  13. hernani diz:

    Há de facto muita confusão quanto ao sistema eleitoral cubano. Mal se fala em Cuba vem logo a ausação de que só há um partido político. Mas o Partido Comunista Cubano não é um partido eleitoral! Não pode apresentar nem propor candidatos, não pode apoiar, fazer campanha ou, sequer, dar indicação pública de voto em algum candidato, qualquer que seja o tipo de eleição. É da Lei cubana e, quanto a isto, a prática é irrepreensível.

  14. Leo diz:

    O Sérgio diz “o gov do Uk não respeitava os direitos humanos de um homem que apenas lutava pela independencia da irlanda do norte”.

    Pois do mesmo site donde sacou a informação da duração da greve de fome do Bobby Sands também podia sacar as razões para essas greves de fome. Traduzido à letra, lá consta:

    A greve de fome envolveu cinco exigências:

    1.o direito de não usar o uniforme prisional;

    2.o direito de não fazer trabalho prisional;

    3.o direito de associação livre com outros presos e de organizar eventos educacionais e recreativos;

    4.o direito a uma visita, uma carta e uma encomenda por semana;

    5.restauração completa de direitos perdidos ao longo do protesto.

    As razões da greve de fome visavam o objectivo de serem declarados presos políticos (ou presos de guerra) e não serem classificados como criminosos. O Washington Post contudo, noticiou que o objectivo principal da greve de fome foi gerar publicidade internacional.

  15. Sarrabulho diz:

    Excelente texto, está cá tudo. Só lamento que aqueles que opinam sobre este tema com base em noticias made in holywood e cnn não tenham capacidade de o compreender. Para estes que colocam a questão do partido único. A constituição cubana foi referendada em 1976 e com ela ficou definido o papel do PCC na sociedade cubana. Quem está informado sabe que em Cuba os candidatos são as pessoas e não o partido. Mas se por acaso em Cuba houvesse 2 partidos, como nos EUA por exemplo, mas que por casualidade fossem os 2 de matriz marxista-leninista, será que ficariam satisfeitos com a pluralidade ou não ?

  16. Rafael Fortes diz:

    E mesmo em Cuba, Sarrabulho, discute-se essa mesma questao como no texto aqui linkado: http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/03/27/los-recursos-de-la-oposicion/ que é publicado na página cubadebate.cu, visivel a todos os cubanos e administrada por jornalistas desse país…

  17. Marco Pinto diz:

    Sr.Rafael consulte um médico urgentemente!Tudo o que escreveu é verdade,mas porque é que os cubanos colocam todos os dias a sua vida em perigo tentando chegar a Miami em autênticas jangadas?
    Marco Pinto,Coimbra

    • Rafael Fortes diz:

      Marco

      isso é uma pura mentira. Existem cubanos que emigram de forma legal e ilegal como em todos os países do mundo, mas em nenhum momento se pode dizer que existe uma debandada geral e continuada dos cubanos da sua pátria. Mais ainda, aconselho-o a procurar no blog de yoani sanchez a descriçao que ela propria faz da sua surpresa ao ver o grande numero de cubanos que regressavam ao seu país…

      Talvez afinal que precise de médico é o Marco, parece que padece de gravidez pelos ouvidos…

    • anonimo diz:

      F…-SE O AMIGO É MESMO ESTUPIDO

  18. Caro Rafael:

    A para com as suas interessantes leituras (digo-o sem ironia), sugiro-lhe a leitura deste relatório da Human Rights Watch, de Novembro de 2009. Deixo-lhe um cheirinho:

    “(…) Everyday Forms of Repression

    Dissenters are punished daily in nearly every aspect of their lives. The Cuban government routinely uses short-term arrests to harass dissidents or prevent them from participating in groups or activities considered “counterrevolutionary.” Dissidents are beaten, publicly humiliated, and threatened by security officers and groups of civilians tied to the state. They are denied work, fired from jobs, and fined, placing significant financial strain on their families. They are prevented from exercising their right to travel within and outside of the island. And they are subjected to invasive surveillance, which violates their privacy and gathers information that can later be used to imprison them. These tactics of repression are consistently visited on the families of dissenters as well…”

    http://www.hrw.org/en/node/86549/section/2

    Mais um exemplo de media neo-colonialista burguês ou… a verdade?

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