Hoje é Dia Mundial da Criança

Portugal tem, no que respeita à infância, resultados muito bons em indicadores básicos, como a mortalidade infantil (mortalidade de crianças até 1 ano de idade) ou a mortalidade até aos 5 anos. Segundo o relatório da Unicef, cujos números são de 2007/2008, estamos entre os primeiros (os melhores) países do mundo no que respeita a este último indicador, a par da Alemanha, da Áustria, da França, da Espanha ou da Noruega. Os milionários EUA estão mais atrás, atrás de nós, de Cuba e da Malásia, o que mostra que tão ou mais importante do que o dinheiro dos países é o que se faz com ele. O nosso país teve, no que aos indicadores de saúde diz respeito, especialmente os relacionados com saúde materno-infantil, um progresso verdadeiramente espectacular no pós 25 de Abril. Devemos a vida das nossas crianças à democracia, à Constituição que consagrou o direito à saúde como fundamental e, acima de tudo, ao SNS. Por isso, quando assistimos aos ataques que este sofre a cada dia, aos cortes de verbas, aos discursos catastrofistas sobre a sua insustentabilidade, deveríamos pensar no que éramos antes da sua existência. Não devemos, não podemos voltar atrás.

No entanto, no que respeita a outro tipo de políticas, a prestação portuguesa é bastante miserável. O estudo da Comissão Europeia sobre pobreza infantil (cujos números são de 2005, não reflectindo a crise económica, que veio certamente piorar muito o quadro) mostra que Portugal tem níveis significativos de pobreza infantil, mesmo depois das transferências sociais. Também chama a atenção para o facto de a maioria das crianças em risco de pobreza viver em lares em que pelo menos um dos adultos trabalha, devido aos baixos salários. O nível e eficiência dos gastos sociais são igualmente muito baixos quando comparados com outros países da UE. Basicamente, diz o relatório, mitigar os efeitos da pobreza das crianças é tarefa deixada às famílias. Combater esta situação não tem grandes segredos. A própria Comissão Europeia, que não é exactamente uma instituição empenhada em assegurar direitos sociais, afirma que há que actuar em várias frentes, nomeadamente através de subsídios universais à infância e políticas que facilitem o acesso dos pais ao mercado de trabalho, compatibilizando a vida pessoal com a familiar e assegurando o acesso a serviços de educação e saúde de qualidade.

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6 Responses to Hoje é Dia Mundial da Criança

  1. antonio diz:

    Vou ser políticanente incorecto.
    Odeio criancinhas.
    Felizmente o meu único filho já é mais que adulto, eng. ISQ

    Ah, e entre nós todos os “irmões” cumprimos a nossa obrigação dá à volta de dois vírgula um em filhotes…

    🙂

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  3. Mariana Canotilho diz:

    Eu gosto muito de crianças. Em especial das minhas. Mas isso não é relevante para o caso. A forma como um país trata as suas crianças – se têm saúde, se estão bem alimentadas, se vão à escola, se são mantidas longe do trabalho infantil e da pobreza – diz muito acerca das suas políticas sociais e da sua justiça fiscal. Mesmo que não se goste de criancinhas, estas coisas importam. E, na minha opinião, as crianças são demasiado invisíveis na política portuguesa.

  4. antonio diz:

    Mariana Canotilho a asenhora tem toda a razão. Para mim o problema não é intelectual, é mais sentimental.

    E aái já não há nada a fazer, cadaum sabe de si…

    🙂

  5. Mariana Canotilho diz:

    Ó António, por quem é. Eu não sou uma sopeira indignada com quem não gosta de criancinhas. Até percebo muito bem que alguns não tenham paciência para elas. Por mim, desde que vote a favor de políticas que as protejam, está tudo bem. 🙂

  6. antonio diz:

    Mariana se calhar eu estava a exagerar…

    🙁

    Acho muito bem que ‘don’t suffer the children’.

    No meu caso particular não tenho é condições para as receber aqui em casa, destroem-me as coisas de que eu gosto… e isso não é bom p’ra mim.

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