A minha solução preferida para Israel e a Palestina

Um Estadouma pessoaum voto

(Renato: imagina uma crítica de 5000 quilos a cair em cima da tua cabeça. Eu avisei: não gosto de resistências islâmicas; manias de gaja, certamente)

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26 respostas a A minha solução preferida para Israel e a Palestina

  1. Shalom/salaam, Mariana. Bem-vinda.

  2. Leo diz:

    Não Mariana: dois Estados, duas constituições, vários povos. E em cada Estado aí sim que para cada pessoa um voto e direitos iguais para todos os seus cidadãos,

  3. Ze_Lucas diz:

    Peço desculpa, mas acho que Salazar, Mussolini, Getúlio e outros que tal não deixariam de achar esta teorização fantástica. Conciliar Deus e o Diabo, oprimidos e opressores, conquistadores e conquistados, assassinos e assassinados, capital e trabalho e por aí fora. Que perca de tempo e energia. Liberdade não se dá, so se conquista. E tudo e tudo…

  4. Salah al Din diz:

    Exactamente a solução defendida pela resistência islâmica, Hamas, Irão, etc.

    A pretensa solução “dois estados” é um eufemismo para apartheid: um só estado com alguns bantustões exíguos e desmitalitarizados para a maioria do povo não eleito…
    Bem vinda ao clube.

  5. António Figueira diz:

    Saudações republicanas, Marianne: jus soli forever, um só estado para a Palestina, estou de acordo contigo.
    AF

  6. Renato Teixeira diz:

    É isso que quer dizer uma Palestina Laica e Livre. Eu só o digo de maneira mais bruta. Influência do Salah al Din e de os ter olhado (aos dois lados em confronto) olhos nos olhos, nada de mais.

    Beijão, bela posta, e bem-vinda! Continuo à espera das postas sobre a dimensão educativa dos pioneiros. 😉

  7. Tiago Mota Saraiva diz:

    Bem-vinda Mariana.

  8. Bem-vinda.
    Começas com a tese de Said, muito bem, um dos intelectuais que mais admiro (e há muito leio “religiosamente”). Mas Said sabia da necessidade, por vezes, de processos violentos (ele apreciou a personagem de Nasralah, a sua luta no sul do Líbano, como eu não poderia deixar de admirar sem o conhecer). A tese de Said é baseada na sua leitura da sociedade sul-africana, na correcta inflexibilidade de Mandela (não aceitar bantustões, presentes envenenados, Oslo, por exemplo). Amava a violência, a inteligência, o diálogo justo (que Israel nunca praticou). A tese é a única que pode pacificar a região. Mas atenção: Israel não a aceitará, porque no que considera a sua “terra” (e não é) ficaria em minoria, se aplicado o processo “um homem um voto”.
    Discussão em aberto. Mas o problema é este: Israel não é parceiro minimamente fiável.

  9. LMr diz:

    Amava a violência? O homem que escreveu isto? «In the contemporary contest between stable identity as it is rendered by such affirmative agencies as nationality, education, tradition, language and religion, on the one hand, and all sorts of marginal, alienated or, in Immanuel Wallerstein’s phrase, anti-systemic forces on the other, there remains an incipient and unresolved tension. One side gathers more dominance and centrality, the other is pushed further from the center, toward either violence or new forms of authenticity like fundamentalist religion. In any event, the tension produces a frightening consolidation of patriotism, assertions of cultural superiority mechanisms of control»…
    A violência e a religião fundamentalista como os tristes subprodutos da opressão. Não como ferramentas de resistência.

  10. Mariana Canotilho diz:

    Obrigada a todos pelas boas-vindas. 🙂

    Eu acho convictamente que só a solução de um Estado único pode resultar na Palestina. Um Estado palestiniano sem unidade territorial, sem dinheiro e permanentemente ameaçado por Israel nunca poderá crescer em paz. Já para não falar do problema da partilha das fontes de água e da eterna querela sobre Jerusalém. Além disso, um único Estado seria a garantia de um Estado laico e do fim do apartheid em que vive a minoria árabe em Israel.

    Renato, eu sei que, no fundo, as nossas opiniões não são muito diferentes. Também eu, em Gaza, espero que as vitórias militares sejam dos palestinianos, independentemente de quem lute por eles. Mas daí a fazer a exaltação da resistência islâmica vai uma distância que não quero cruzar. Primeiro, porque a resistência islâmica, por definição, não quer uma Palestina laica. Segundo, porque eu penso sempre como mulher, coisa que me tornou alérgica a fundamentalismos religiosos, sejam eles islâmicos ou católicos.

    Carlos Vidal, eu não tenho uma objecção de princípio aos processos violentos. Às vezes eles são necessários, outras vezes não. A inflexibilidade de Mandela revelou-se acertada na África do Sul. E parece-me que será necessária também na Palestina.

  11. Mariana Canotilho diz:

    LMr,

    não me parece que Said amasse a violência. Said tentou sempre processos de aproximação entre as partes em conflito, cultivou uma visão de humanização do “outro”, de procura de laços e elementos comuns, como ficou patente no fantástico projecto da West-Eastern Divan Orchestra que fundou com Barenboim. Mas compreendia a necessidade de uso da violência, em casos concretos, como aconteceu na África do Sul. São duas coisas muitos diferentes.

  12. LMr diz:

    Pois. Explique isso ao seu colega CV, pf.

  13. Leo diz:

    “Eu acho convictamente que só a solução de um Estado único pode resultar na Palestina”.

    Pois é Mariana. mas não é isso que os palestinianos acham e são eles que mandam na terra deles.

  14. Cara Mariana, podemos nós querer muita coisa a propósito dos destinos de Israel e da Palestina, mas como são tão tortuosos os caminhos quando deixamos ao destino que ele faça as sua escolhas. Sabe, ele, o destino, é muito mais que um fingidor, e se nos apanha num momento de distracção, cobardice virá, pois por sujeição voluntária e plena se dará à causa. Mas vamos nós não querer nada, e apoiar tudo aquilo que os cerdadeiramente interessados quiserem. Que acha?

  15. Leo diz:

    E já agora nem sequer foi isso que achou o Conselho de segurança da ONU esta madrugada e por unanimidade:

    ““The Security Council underscores that the only viable solution to Israeli-Palestinian conflict is an agreement negotiated between the parties and re-emphasizes that only a two-State solution, with an independent and viable Palestinian State living side by side in peace and security with Israel and its other neighbours, could bring peace to the region.”

    http://www.un.org/News/Press/docs//2010/sc9940.doc.htm

  16. Mariana Canotilho diz:

    Leo,

    O Conselho de Segurança da ONU não me serve de bitola para avaliar da justiça ou da viabilidade de qualquer solução política. A ONU tem sistematicamente evitado tomar verdadeiras posições de força contra Israel. Nunca defenderia agora uma solução que os israelitas não querem.

  17. Leo diz:

    Ao menos seguiu o link e leu a resolução? Se não o fez aconselho que o faça. Há-de reparar na quase unanimidade em relação à condenação do bloqueio a Gaza (Turquia, Grã-Bretanha, México, Brasil, Áustria, Japão, Nigéria, Rússia, China, França, Gabão, Bósnia, Uganda). Claramente Israel e os USA ficaram bastante isolados, mesmo assim a Resolução passou.

    As coisas – mais importante, a projecção das coisas – mudou bastante em dois ou três dias.

    Esta operação militar israelita em águas internacionais sobre barcos civis pode ser um ponto de viragem na luta dos palestinianos para se livrarem não apenas do bloqueio a Gaza mas… de toda a ocupação e entrarem no caminho para um Estado independente? Quem sabe.

    Certo, certo é que o bloqueio se tornou-se de repente num pesadelo que mina a postura internacional de Israel e prejudica as suas relações com a Turquia.

    Hoje, não há dúvida já se dá muita maior atenção aos problemas dos palestinianos de Gaza e ao efeito do bloqueio israelita sobre o milhão e meio que lá vivem.

    Será que o Marmara se pode tornar no Exodus palestiniano? Ou que o ataque ao Marmara se pode tornar no Sharpeville de Israel?

    Como é que os palestinianos irão projectar este ataque militar? Aproveitarão para pôr o foco no bloqueio a Gaza? Ou para repor o foco na ilegitimidade da continuação da ocupação?

    Não tenho respostas, mas que as coisas mudaram, mudaram. E a postura do Conselho de Segurança também mudou.

  18. Leo diz:

    “As coisas – mais importante, a projecção das coisas – mudaram bastante em dois ou três dias.”

  19. Ze_Lucas diz:

    Só quando não há mais nada a fazer, é que alguém aceita viver com o tumor dentro de sí. E dura pouco. No essencial, parece-me esta a proposta em causa. Qualquer comparação com o que se passou (passa) na África do Sul, não passa de uma tentativa de misturar alhos com bogalhos, discutir tudo para não discutir nada. Com que fins, não sei. Mais, parece-me que a táctica PP ( Pacheco Pereira ), quanto menos razoáveis os argumentos, mais rebuscada a converseta, está deslocada. O assunto não merece. Por vezes na vida, temos de deixar de lado aquela camadinha de verniz e ir direitos ao assunto. E o assunto aquí é, sem querer ser melodramático, genocídio, crime, limpeza étnica.

  20. Leo diz:

    Por acaso, Zé Lucas, o racismo em Israel atingiu requintes superiores aos do Apartheid na África do Sul. Só mesmo Israel construiu auto-estradas em territórios palestinianos ocupados exclusivamente para israelitas. E só mesmo Israel construiu um muro três vezes mais alto que o de Berlim e três vezes mais comprido que a fronteira. De 700 e tal km e mais de 8 mt de altura.

  21. Mariana Canotilho diz:

    Leo,

    Acho que temos que concordar em discordar. Li a resolução, sim. E espero, sinceramente, que este seja o Êxodus palestiniano. Eu li a história do Êxodus na adolescência e custou-me muito abandonar a minha simpatia pró-israelita, depois.

    A resolução do Conselho de Segurança é a típica. Lamenta os mortos, e tal, pede a Israel que liberte os detidos e os corpos e que deixe a ajuda humanitária chegar a Gaza, dizendo que a situação ali é insustentável. Mas não fala com veemência da violação flagrante do direito internacional (atacar militarmente barcos em águas internacionais) e ainda faz notar que Israel tinha avisado. Por fim, é óbvio que a ONU tem que instar ao cumprimento das suas próprias resoluções e dos acordos de Oslo, que se baseiam na solução dos dois Estados.

    Isto não me faz concordar com eles. Se esse for o caminho para a paz, será talvez um mal menor. Mas parece-me um presente envenenado. Aqueles povos estão condenados a partilhar uma terra e a partilha só será possível e viável numa base de igualdade e não de hegemonia israelita.

  22. Leo diz:

    “Mas não fala com veemência da violação flagrante do direito internacional”.

    Pois não e a Mariana percebeu que isso se deveu aos USA e que bastante fizeram os restantes membros do Conselho de Segurança, nomeadamente Turquia, Grã-Bretanha, México, Brasil, Áustria, Japão, Nigéria, Rússia, China, França, Gabão, Bósnia e Uganda para alterar essa posição mas que tiveram, 12 horas depois, de chegar a este compromisso.

    E ao contrário do que pensa não foi o acordo de Oslo que instituiu a solução dos dois Estados foi a Resolução 181 aprovada em 29 de Novembro de 1947 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, quase há 63 anos.

  23. Mariana Canotilho diz:

    Leo, eu sei que não foram os acordos de Oslo a instituir a solução dos dois Estados. Daí ter referido primeiro as resoluções da ONU: “é óbvio que a ONU tem que instar ao cumprimento das suas próprias resoluções”. Não sendo o tema a minha especialidade, não estou assim tão mal informada. Mas não acho que isso faça com que a solução seja boa. Mantenho a minha opinião. Há outra melhor: um Estado – uma pessoa – um voto.

  24. Leo diz:

    Mas não é essa a ideia dos palestinianos e compete a eles – e apenas a eles – a decisão. É bom que respeitemos a soberania do povo palestiniano de decidir o seu próprio futuro. Depois de 63 anos de luta ganharam esse direito.

  25. Mariana Canotilho diz:

    Certamente, Leo. Mais faltava. Só não tenho a certeza de que a ideia dos palestinianos seja a dos dois Estados. Aparentemente, não é a solução defendida por aqueles em quem votaram. Mas há bom remédio. É perguntar-lhes.

  26. Leo diz:

    Não é a solução dos dois Estados que separa os palestinianos, e a Mariana sabe disso.

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