Crónica do jornalismo patronal

Há uma velha anedota em que um leproso come em família e a meio da refeição cai-lhe o nariz para dentro da sopa. O pai irritado grita: “chiça que para além de leproso é porco”.
É o mesmo caso das peças do Público sobre a manifestação. Para além de serem sabujas são ignorantes. Toda a reportagem do Público é construída para provar que a manifestação da CGTP foi um fracasso. Nuno Sá Lourenço e  o ditirâmbico biografo de Passos Coelho, que fez dele um bom melão, partiram para a reportagem com uma incumbência: a manifestação tinha que ser um falhanço. Conseguiram uma ex-sindicalista da CGTP e um professor do ISCTE que lhes repetissem o que queriam e lá voltaram contentes para o seio da redacção. A direcção editorial do jornal apoiada pelos diligentes escribas lá escreveu um “sobe e desce”, em que a grandiciosidade da manifestação aparece entre aspas, e um editorial em que se afirma que foi vendo a falta de força da manifestação que Carvalho da Silva terá recuado na ideia de marcar a greve geral. Estava justificado o editorial pretendido. Há apenas um pequeno “mas”: a direcção editorial do jornal da Sonae parece ignorar que uma greve geral não se marca ou desmarca por acto de vontade do secretário-geral da CGTP. Esse momento máximo da contestação tem que ser uma decisão do conselho nacional da central ouvido o plenário dos sindicatos. Na melhor manipulação cai a nódoa.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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10 Responses to Crónica do jornalismo patronal

  1. Antónimo diz:

    finalmente um jornalista que diz a outro jornalista o que acha do lixo de trabalho dele

  2. E nem foi das piores coberturas. Não percebo é a crítica tão cerrada ao Paulo Moura, do qual apenas conheço as suas crónicas e algumas reportagens, e que juntamente com as de A. Lucas Coelho, são das melhores daquele jornal, e quiçá entre as melhores do país.

    E digo-o ignorando por completo as suas famílias políticas.

  3. Viseu de esquerda,
    Gosto da maioria das reportagens do Paulo Moura. Às vezes são perfeitinhas de mais. Não gosto do perfíl do Passos Coelho. E nada desta reportagem. E estou-me borrifando para a família política do jornalista. Há excelentes jornalistas de direita e de esquerda, tal como há péssimos em todos os campos políticos.

  4. Niet diz:

    Caro Viseu Esquerda: Suponho que é da capital do Cavaquistão, a capital da Beira Alta. Ou é ” esquema ” coimbrão para irritar os viseenses ? É que Viseu nunca foi de Esquerda, justamente! Cidade do ” cão-sim-homem-não “, e sobre a qual o grande Aquilino Ribeiro escreveu-” que nunca se tem saudades de Viseu…”. Tenho amigos em Viseu,mas nunca consegui perceber, no entanto, como é que a capital da Região Vitivinícola do Dão serve vinho a copo tão manipulado…Ao contrário da baixa coimbrã, com tasquinhas tão profissionais e académicas… Niet

  5. Pronto, Nuno! Lá me obrigaste a meter um post…

  6. Niet, quando alguém se limita ao Pravda nem vale a pena. É porque só quer desconversar…

  7. N. Ramos de Almeida, no entanto e apesar de gostar da maioria das suas reportagens, utilizou a do Passos Coelho para o caracterizar. Li, e pelo estilo, não suponho que o estilo fosse diferente com os outros líderes políticos, ressalvando obviamente aquilo que os distingue.

    Afinal, era uma biografia, não um obituário.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Viseu de esquerda,
    Como lhe disse há algumas reportagens do Paulo Moura que gostei muito, outras que gostei muito pouco. Um perfil jornalístico não é uma hagiografia. Deve ser esta passagem com que se identifica, parece dedicada ao grande timoneiro da Albânia: “O espírito analítico e a teimosia fizeram com que Passos escrevesse um livro (Mudar, editado pela Quetzal), antes de se candidatar à liderança do partido. Demorou meses a redigi-lo, nas horas vagas, em casa ou nos tempos mortos da Fomentinvest, reflectindo, informando-se com especialistas de diferentes áreas. Agora tem nas mãos um documento claro e consistente sobre as suas propostas.”.

  9. Antónimo diz:

    Por acaso tenho dúvidas de que Moura tenha feito um broche a Passos Coelho, embora resulte nisso. Tenho visto perfis e mais perfis hagiográficos, por tudo que é imprensa, e a coisa deve mais a um estilo de não ferir que os jornais adoptaram sabe-se lá porquê e que não me parecer ter apenas motivos ideológicos (a entrevista dura da sábado – uma revista que até não se destaca pela inteligência e por fazer pensar, bem muito pelo contrário – é um estilo pouco valorizado em Portugal e depois dá em roubo de gravadores). Será preciso que o melão chegue ao poder para alguns inimigos aceitarem testemunhar em seu desabono de forma clara. Para já recolhem os corninhos. O Sá Lourenço faz mais uma peça ao estilo cultivado na casa pela boa e velha São José Almeida e marcado pelo ódio a um partido (no caso do lourenço, acho que a coisa alraga a outro), desonestidade intelectual e preconceitos. Claro que escrevem bem, mas isso não faz um jornalista, talvez tentar ser objectivo e procurar a verdade dê muito trabalho e faça perder muitas notícias.

  10. Ricardo Noronha diz:

    «Nos tempos mortos da Fomentinvest» é uma pérola. Dizem-nos fundamentalmente que Ângelo Correia lhe pagou para escrever um livro sentado no escritório. Ainda bem que este senhor se prepara para pôr por portugueses todos a trabalha.

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