De pé, contra o “kitsch” revolucionário, sempre! É tempo de mandarmos às urtigas o folclorismo “anti-capitalista” dos bushistas do costume


Hermann Broch

Os factos são:

Está convocado, paralelamente (contrária, no fundo) à manifestação da CGTP (uma manif que, para os “laura-bushistas” doentinhos do costume é uma manif “do PCP”), paralelamente à da CGTP, dizia eu, está convocado um encontrozeco intitulado “Concentração anti-capitalista: A crise dos poderosos é a festa dos oprimidos” (um título desde logo deveras ESTÚPIDO e insensível: os oprimidos não têm nenhum motivo para fazer festas!! Nem antes nem agora, isso é, sim é, para os pequeno-burgueses do costume). Esta autodenominada “Concentração anti-capitalista …” está marcada para o mesmo lugar da manifestação da CGTP, Marquês de Pombal, próximo 29 de Maio, mas ridiculamente antecipada em relação a esta em meia-hora (30 minutos!!!) – bom, muito bom, nada de confusões. E conta com slogans de génio, a imitar 68 (e não é por acaso que estes pobres IMITAM, imitam o passado, o passado referencial) deste género: “A crise dos poderosos é a festa dos oprimidos” (repito: festa?? festa??); “patrões de todo o mundo, tenham muito medo” (note-se como nesta frase é o patrão o protagonista – duplamente estúpida, a frase, por não referir quem sofre!!); “porque exigimos a rua como nossa” (aqui imita-se Maio 68, despudoradamente e sem imaginação). Ou seja, segundo esta última frase, a rua não é da CGTP, é “nossa”, porque os senhores vão lá estar meia-hora antes – e nesse período vão ser donos do Marquês, paz às suas almas.

Reparemos de novo nestas pérolas desta contramanifestação. Parecem pérolas revolucionárias, não é? Mas não são. E o que são? São KITSCH puro, do mais puro, grotesco e ignorante que é possível imaginar. Eu explico.

Em 1950, definia assim Hermann Broch a trampa do Kitsch:

A essência do Kitsch consiste numa troca da categoria ética pela categoria estética.

Dizer “a rua nossa” é exactamente isto: esteticizar a manifestação, o combate árduo e de risco.

Continua Broch: no kitsch, “o artista não possui um valioso trabalho de arte, mas antes um ‘Belo’ trabalho de arte, o que aqui conta é somente o efeito, o belo efeito. E isto significa que a novela kitsch, mesmo quando usa linguagem naturalista [ou, digamos, realista], isto é, o vocabulário da realidade, descreve o mundo não como ele realmente é, mas como seria esperado que fosse ou temido como tal”.

O kitsch tende a empregar aquilo que já deu provas (repete como eu disse slogans tipo Maio 68). Portanto:

O que pertence ao passado e está comprovado aparece sempre e reaparece no kitsch, por outras palavras (…) o kitsch está sempre sujeito a uma dogmática influência do passado – nunca constrói o seu vocabulário a partir da realidade nem do mundo directamente, mas aplica-se a repisar o vocabulário pré-usado, quer logo transforma em cliché (…)

Genial Broch, em 1950. Meditemos nisto. Por acaso, Theodor Adorno e Max Horckeimer, em 1944, no seu clássico Dialektikal der Aufklärung, no capítulo “A indústria cultural: o iluminismo como mistificação das massas” falam-nos de algo que igualmente nos interessa para avaliar esta pseudo-concentração pseudo-anti-capitalista: para eles, lucidamente, na indústria cultural e do pensamento (ver isto em paralelo com o kitsch) a resistência crítica apenas pode funcionar desde que integrada: “Quem resiste só pode sobreviver integrando-se”. Porque a indústria do capital absorve tudo, desde o realismo crítico à reforma agrária, se tudo se deixar carnavalizar. E é aqui que entra um conhecido alerta: a manifestação carnavalesca mais não faz do que lubrificar o sistema. A multiplicação das diferenças mais não faz do que iludir-nos com uma falsa desterritorialização (que reterritorializa sempre!!). Por isso é que a patética “concentração das 14.30”, “autonomista” e “laura-bushista” é contrária à manifestação organizada da CGTP. Dizem os tipos da “concentração” que negam a concepção de “vanguarda” (o partido, por exemplo). Ora era precisamente por aqui que Clement Greenberg, já nos anos 30, definia o kitsch: o kitsch é sempre académico e contrário à vanguarda.

E se fossem chatear a Laura Bush?


Reformistas

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39 respostas a De pé, contra o “kitsch” revolucionário, sempre! É tempo de mandarmos às urtigas o folclorismo “anti-capitalista” dos bushistas do costume

  1. João Valente Aguiar diz:

    Excelente post! Entretanto, o slogan utilizado por essa gente “a crise dos poderosos é a festa dos oprimidos” tem um sem-número de equívocos (propositados?) para desviar o que realmente interessa. Em primeiro lugar, esse slogan faz crer que os ditos poderosos estão em crise, logo em recuo e em dificuldades, o que não é de todo verdade. É evidente que estamos a viver uma crise estrutural do capitalismo, mas a burguesia, a classe dominante, não deixa de continuar a determinar a ofensiva no plano da luta de classes. Uma coisa, é a crise económica em torno da acumulação de capital, outra é uma pretensa crise da dominação da burguesia. Quer dizer, o próprio PEC é a demonstração viva que a burguesia quer resolver os custos da crise actual sobre as costas (a carne, os corpos, os sentimentos) dos trabalhadores e, no final, sair reforçada em termos da sua posição social e económica.

    Em segundo lugar, o que é isso de poderosos? As classes não se alicerçam em torno do poder mas de relações económicas. Claro que daí advêm relações de poder, mas insistir apenas nestas e esquecer as formas de expropriação da riqueza colectiva produzida pelos trabalhadores e aproprada pela burguesia é ajudar à, essa sim, festa (e grande) do grande capital. Sem identificarmos o inimigo correctamente não há luta que tenha consequência digna desse nome.

    Em terceiro lugar, porquê festa e não luta dos oprimidos e trabalhadores? A luta implica momentos e episódios de festa. O contrário não é verdade. No fundo, o que essa gente quer é festa e palco, e não a luta efectiva e tenaz contra o capital.

    Abraço!

  2. António Figueira diz:

    Verdades como punhos!

  3. O slogan é infeliz (e imaturo) e revela os atavismos de outras esquerdas (BE e afins). Não é só o PCP que tem atavismos, é bom não cair nessa ilusão.
    Receio bem é que, com esta cultura de guetos, a esquerda vá de vitória em vitória até à derrota final.

  4. Rui Duarte diz:

    Caro Carlos,
    ou não sabe ler, o que mais de uma vez se tem provado pelos seus posts no 5dias, ou é desonesto.
    Porque acha que se trata de uma contramanifestação?
    Apela-se à participação de um sector que não se revê na esquerda parlamentar ou na cgtp num protesto geral (assim o define a cgtp que o convoca) mas que naturalmente quer estar em conjunto com os trabalhadores, sindicalizados ou não, que vão estar nesse dia a desfilar e isso no vocabulário chama-se “contramanifestação”?????
    Normalmente, o hábito é criticar estes grupos por se fecharem, desta vez propõem-se a dar a cara, e em conjunto com outras forças, num claro acto de desectarismo, e o que Carlos vê é só isto que escreve?
    Sobre o horário. Marca-se para as duas e meia como ponto de encontro para depois desfilar, tal como muitos outros grupos, sejam afectos a sindicatos ou não, estão a fazer.
    E já agora, Kitsch revolucionário ser uma crítica sua é mesmo demasiado para ser verdade… Quem é o bloguer das fotos non-sense, quem é o bloguer que defende um “fascismo comunista” só porque provoca imenso e chama a atenção e é giro. Paciência!
    Já agora um conselho, aliste-se voluntariamente no serviço de ordem da cgtp ou na PSP (tanto faz – escolha a farda que mais gostar) e venha tentar barrar a nossa presença no desfile, e depois faça um post a dizer que nós é que somos os sectários.
    Passe mal.

  5. Carlos Vidal diz:

    Rui Duarte, camaradíssimo R Duarte

    O kitsch é uma das aberrações abjectas do século.

    Vá chatear a Laura Bush.

  6. Maria diz:

    o melhor argumento não é sequer um argumento: as 14h30! (ou a meia hora do carlos)

    http://www.stml.pt/comunicados/10-comunicados-2010/97-manif-29-maio-2010.html

    http://www.precariosinflexiveis.org/

  7. miguel diz:

    Luís Marvão, este confronto entre marxistas e anarquistas tem mais de 130 anos. Não será na manifestação em Lisboa no dia 29 de Maio de 2010 que vai ficar resolvido. A história do movimento operário é também a história deste confronto.

  8. Bruno Peixe diz:

    Ola Rui,

    Olha, o que eu gostava mesmo de saber é porque é que, quem não se revê na CGTP e na esquerda parlamentar, faz questão de ir a uma manifestação convocada pela mesma central sindical e que é apoiada pelo PCP? Dizes que querem, NATURALMENTE, querem estar em conjunto com os outros trabalhadores, os tais que se identificam com os partidos de esquerda e com os sindicatos. Mas olha, eu, quando me dizem “naturalmente”, saco logo dos meus livros de teoria.

    Não quero estar a por intenções nos outros, mas parece-me que essa será a única maneira de participarem num movimento de massas, não é? Mesmo que a esmagadora maioria doa que nesse dia marcham não se identifique com as vossas palavras de ordem, nem com o comité invisível, nem com a festa dos comprimidos, nem com o Maio de 68. Como não querem passar ao lado, convocam uma outra manifestação, à mesma hora e ao mesmo lugar, para estar lá, estando noutra coisa. Uma coisa menos burocrática, não é? Mais festiva, mais celebratória das diferenças, mais esteticizante, como aponta, e bem, o Carlos. « Quanto tudo é estético, porque é que a política não há-de ser? » perguntou-me um dia alguém que vai estar nessa manif outra.

    Fica com um abraço,

    Bruno Peixe Dias

  9. “…este confronto entre marxistas e anarquistas tem mais de 130 anos.”

    Sim, mas repetir o passado assim nada mais é do que mero simulacro. E como vivemos tempos difíceis, arrisca-se a ser um confronto condenado à irrelevância, esse, entre “marxistas” e “anarquistas”. Parece coisa mais coisa de seitas.

    PS. Atenção, eu defendo convergências, mas não a diluição das diferenças; mas isso é uma coisa, outra, bem distinta, é dar livre curso à pulsões identitárias.

  10. António Figueira diz:

    Bruno,
    não saberia escrever um comentário tão acertado como o teu; sim, também me parece que a principal razão para parasitar as manifestações alheias será o cheiro a massas que elas exalam – e, desde pelo menos Proust, conhecem-se as poderosas implicações que o olfacto pode ter.

  11. Aniceto Azevedo diz:

    Ah, Carlos, é por isso que eles não o gramam, amigo. Dizer a verdade, falar claro, mostrar o conteúdo profundo das posições políticas “radicais” dos “democratas” de Miami, é por eles considerado um verdadeiro insulto, uma violência inaceitável, um ataque «fulanizado».
    Excelente post, Carlos, acertou em cheio. Que a preocupação dos fulanos de Miami é estetizar o político, princípio eminentemente fascista, prova-se pelas várias referências que um deles, constante e incansavelmente, faz à «estética ultrapassada» da CGTP, ao «estilo» inapropriado das manifestações, às coreografias mortas que nelas pontificam, e coisas afins. A luta é reduzida a isto, e eles querem fazer «melhor». «Melhor», e não mais, como grita um desses tais fulanos. E por isso se lançam à feitura de um cartaz kitsch e do carnaval subsequente, assim como do muitíssimo democrático comité invisível, onde ninguém lhes faz frente, onde ninguém lhes aponta as reaccionarices que defendem, onde não têm sequer que ouvir, sentir e conhecer as perspectivas dos trabalhadores. Onde são, à sua vontade e como tanto gostam de clamar, uns grandes e valentões “democratas”.
    Uma certeza fica e com um louro ficarão também, esses anti-comunistas ferozes: eles são efectivamente “esteticamente interessantes”, como gostam de dizer. Mais exactamente, novembristas reaccionários “esteticamente interessantes”.

    Um abraço, Carlos.

  12. anon diz:

    Contramanifestação? É pá, menos…

  13. Rui Duarte diz:

    Bruno,
    Antes de mais, contigo dá para falar.. Quando os precários inflexíveis vão à manif, ou o mayday vai ao 1º de maio da cgtp tens esse tipo de reflexão? não me parece. Reacção pavloviana, talvez.
    aqui o que se tenta é ter como interlocutores os trabalhadores e não as cúpulas sindicais. o que se quer é estar num “protesto geral” a desfilar nesse protesto e não num alternativo.
    o preço destas unidades é sempre a manutenção das identidades. ninguém as quer perder. a possível unidade faz-se nessa diversidade ou não se faz. só vou a essa manifestação se puder dizer o que me une e o que me separa de quem a organiza.
    ouvi um carro de som da cgtp a apelar à ida à manifestação a seguinte frase “vamos unir nesta dia de luta todos os protestos”. Houve quem aceitasse o convite, assumindo as suas diferenças, e há quem seja mais papista que o papa e esteja a analisar a legitimidade do grupo x ou y estar presente.

    aquele abraço

  14. Justiniano diz:

    Caro A. Figueira,
    Punhos de verdade!!

  15. p.heinz diz:

    Ui, ui, grandes comunistas por aqui…

  16. miguel diz:

    Rui Duarte: “ouvi um carro de som da cgtp a apelar à ida à manifestação a seguinte frase “vamos unir nesta dia de luta todos os protestos”

    E vai daí pensaram: excelente oportunidade para juntarmos o nosso protesto contra os “sindicatos” e a “esquerda reformista”.

  17. zé neves diz:

    bruno,

    quem parasita o quê? por acaso achas que o tipo de posições que o carlos vidal defende, ou tu, é minimamente representativo do que seja a CGTP ou sequer o PCP? A vossa reiterada crítica ao culto da diferença tanto pode ser dirigida a maio de 68 como ao movimento comunista mais ortodoxo. Muito antes de maio de 68, já os intelectuais comuinistas andavam a tecer loas às diferentes culturas dos diferentes povos e por aí em diante.

    De qualquer dos modos, se efeito positivo teve a tal concentração anticapitalista, foi colocar os tipos mais ortodoxos do PCP (embora eu ache que o PCP enjeite considerá-los “seus”) a defender a CGTP. Não tarda ainda propõem a renovação do contrato ao Manuel Carvalho da Silva.

  18. Semeador de Favas diz:

    Esta polémica identitarista não passa de um monte de tretas que apenas servem para nos desviar do essencial: os propósitos e os objectivos da luta que, podem crer meus caros, são tantos quantos os homens e mulheres que nela queiram participar. Mais digo, estou-me bem a cagar para quem, e porquê, a começou. Juro pela minha alma anarco-comunista-marxista-kropotkiniana que se sábado ocorrem distúrbios entre facções escolho um de cada e prego-lhes um valente murro nas ventas: sozinho, porque não papo cá grupos. Unidade, caralho!

  19. Bruno Peixe diz:

    Rui,

    Diria do may day e da sua participação no 1º de maio exactamente a mesma coisa. e se calhar os trabalhadores não vêm o que tu chamas as “cúpulas” como “cúpulas”, mas como fazendo todos parte de uma unidade. Podemos até discutir o idealismo de todas as posições deste género – e se calhar até concordamos mais do pode parecer. E é justamente a vontade de marcar, não diria a diferença, mas o afastamento, que encontro no vosso texto. Daí que me pareça abusiva a tal unidade na diferença de que falas. Vou dar um exemplo para que se perceba melhor a minha perplexidade: a questão do voto. Alguns dos que vão estar nessa manif outra preferem não votar, por manifesta desconfiança na capacidade transformadora do poder de voto – desconfiança que partilho, diga-se. Ora, o que me deixa espantado é que, se acham que os sindicatos e partidos de esquerda fazem parte do problema e não da solução, porque é que fazem questão de estar presentes numa manif convocada pelos sindicatos e partidos de esquerda? Muito simples, porque sentem que, não estando presentes numa manif de massas, o « real » lhes passa ao lado, como não passa numas eleições. Justamente porque essa luta e esse movimento de contestação de massas tomam-no vocês, em última análise, como atestado de autenticidade, de participação no movimento da história. É o que o Badiou chamou a paixão do real.
    Ou estou a operar num equívoco? Se calhar estou e é por isso que vale a pena irmos falando.
    Um abraço,
    Bruno

  20. Bruno Peixe diz:

    Zé,

    quem falou em parasitar? se leres com atenção o que eu disse, não falo em parasitar. está em jogo, creio, mais ao nível da pulsão do que da estratégia, de que relevaria qualquer parasitagem. há que estar com as massas na luta e no movimento, no fundo, há que estar com o número, mesmo que essas massas e esses lutadores passem ao lado dos desejos e das reivindicações dos que convocam a manif-outra. e há de haver sempre alguém que depois diga que esses é que fizeram a verdadeira luta, como os que fizeram a verdadeira luta no maio de 68 foram os que a fizeram à margem da CGT (o nosso amigo Vigna).
    E o que importa aqui não é o quem. Não estou aqui a defender o PCP ou a CGTP. Como já sabes, a necessidade de crítica ao culto da diferença, ou melhor, da singularidade, no maio de 68, é a extensão lógica da crítica das especificidades culturais ou nacionais nos comunistas mais terceirointernacionalistas. o que conta, o que é importante, o que nos deve unir é a mesmidade, e não as diferenças.
    mas enfim, se achas positivo é que os ortodoxos do PCP defendam a CGTP, então só posso depreender que fazes uma apreciação positiva da CGTP e do seu secretário-geral. e se assim é, não te identificas claramente com o texto da concentração anticapitalista.
    é bom sabe-lo. eu também não me identifico puto com aquilo.

  21. Manuel Monteiro diz:

    Semeador de Favas
    Estou contigo, caralho.
    Eu que trabalho intimamente com a CGTP no Tribunal Mundial sobre o Iraque serei sempre um operário radical, daqueles que se caga para a economia nacional defendida pelo PCP – e aquela treta de apoiar as pequenas e médias empresas do pc e be.
    Quanto ao resto: todos juntos, plurais nas ideias, com um inimigo comum.
    Quando fui deputado revolucionário tive uma longa conversa com a Zita Seabra sobre a revolução.Ela disse-me que o meu radicalismo fortalecia a reacção. Ela acabou no PSD, eu continuo nas manifes da CGTP, embora criticando a orientação reformista da mesma
    E assim vamos andando…
    Manuel Monteiro

  22. apesar da unidade na acção, desta feita não me vai apetecer aguentar com as vistas esteticamente interessantes dos facies da clique do neo-reformismo de fachada socialista em vã glória de corroborar o sonambulismo .
    O que caracterisa o Kitsch é a ideia hedonisticamente inadequada do que é artístico ou maravilhoso, fruição sem esforço, é o elemento do mal no valor do sistema de arte. Trabalhem bem!

  23. Pingback: cinco dias » Mas afinal é a CGTP ou a poesia que vai descer à rua?

  24. Dallas diz:

    Bruno,

    O que me faz participar na manifestação da CGTP é o simples facto de ter objectivos em comum com a CGTP (denúncia do pec, do aumento do desemprego, da precarização, etc). Se eu quisesse demonstrar a minha «paixão pelo real» tinha ido ver o papa. Massas não faltavam.

    Ter objectivos em comum com uma organização não me impede contudo de lhe tecer críticas, de apontar o que não está a funcionar ou o que poderia estar a funcionar melhor. Tal como espero que se faça exactamente o mesmo em relação à concentração anti-capitalista.

    Mas lá está. Acho que o múltiplo tem mais força do que o uno.

  25. Carlos Vidal diz:

    O Bruno e eu partilhamos de um princípio inalienável, que diz respeito ao “direito à igualdade” e não o “direito à diferença”. Este esteticiza a “diferença”, mantém-na como tal, discrimina. Quem percebe, percebe, quem não percebe, peça explicações ao “spectrum”, o blogue das “diferenças” e da “desterritorialização”.
    Ah, e bom proveito.

    Aniceto Azevedo, abraço retribuído, evidentemente.

    Quanto a um tal de Rui Duarte, cito isto:
    “Bruno,
    Antes de mais, contigo dá para falar…”

    Realmente, esta frase é todo um programa e certeiro.
    Espero não dialogar nem ter de dialogar com o senhor em causa.
    De facto, comigo não dá para falar.
    Não sou nem tolerante, nem dialogante, nem democrata, nem nada afim de tal linguagice.

  26. João Dias diz:

    Esses maydays são mais sectários do que possam parecer à primeira vista. São umas espécie de CDS da esquerda: dividem por gosto.

  27. António Fonseca diz:

    O PCB tem uma frase que caracteriza estas (estas e outras como mobilizar para uma manifestação unitária chamando para o seu bloco como está a fazer o BE, depois o PCP é que é dirigista) manifestações de radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista: “a mão esquerda da direita”

  28. Caro António Fonseca, excelente retrato, “a mão esquerda da direita”.
    Com menos subtileza, e talvez menos eficácia, eu diria “a canalhice infantilóide”.
    O resto já o disse no meu post.
    Abraço.

  29. zé neves diz:

    bruno,

    acho que tens que começar a compreender o contexto político das tuas intervenções. o que fizeste foi tomar partido num debate entre duas convocatórias a partir da questão da “diferença”. Ora não existe nenhuma coisa qeu a esse respeito distinga uma e outra convocatória. Se querem levar a sério a crítica da “diferença” (que não é apenas uma questão de identidade; nem sequer é esse o sentido dominante que a ideia minoria tem no Deleuze, pelo que sei), um bom sítio para começarem a fazer é a criticar o patriotismo do PCP, da CGTP, do Alegre e do Nobre. Ou então o obreirismo. E se queres fazer uma crítica de como o capitalismo carnavaliza e recupera as coisas, então uma boa ideia é começar por analisar a evolução do mercado consumo (e a integração do poder de compra dos operários) na segunda metade do século XX. É que muito antes de andar a vender identidades a gays e pretos e mulheres, o capitalismo já fazia isso a operários.
    abç

  30. Dallas diz:

    “O Bruno e eu partilhamos de um princípio inalienável”. Carlos Vidal, um sincero bem haja por esta frase (e acredite, sem quaisquer ironias).

  31. Cita o Carlos Vidal:

    “A essência do Kitsch consiste numa troca da categoria ética pela categoria estética.”

    Sendo assim, porque é que o Carlos Vidal tem como mentor o pai Estaline, mestre do tratamento de imagem e portanto da estética sobre a ética da picareta e afins? Uma autêntica mão direita (e bem ensanguentada) da esquerda. Um coveiro. E dizê-lo de “esquerda” só mesmo com aspas…

    Esse seu tipo de prosa sectária não é Kitsh não. É naif…

    Desuni-vos trabalhadores de todo o Portugal, pois nessa classe só cabe Carlos Vidal!

    Já sei. Vou chatear outro… Mas nada me chateia mais que o sectarismo que controleiros como vocemecê corporizam!

  32. miguel diz:

    Já que se fala em festas… a Festa do «Avante!» é nos dias 3, 4 e 5 de Setembro na Atalaia.Amora.Seixal, a “bela cidade da luta, das culturas, da amizade, da democracia, da força e da esperança“.

  33. Ricardo Noronha diz:

    Na verdade acho que partilham um princípio alienado. Carlos, encontrei o teu vídeo aqui e acho que vais muito bem. http://www.youtube.com/watch?v=DbYtqAWDF2U

  34. Semeador de Favas diz:

    Apropriando-me abusivamente da provocação gratuita do Ricardo Noronha (ao Carlos Vidal), para aplicar um desvio à obra guntheriana -de resto sem dúvida mais importante que a de Deleuze -, queria propor aos diversos comités centrais -visíveis e invisíveis- beligerantes, a utilização das seguintes palavras de ordem na manif de sábado: “-Capitalists, Governments and Bourgeois, tuch our tralalas, our ding ding dongs!”
    É preciso combater e liquidar rapidamente – para além da economia e da especialização intelectual, é claro – as categorias artificialmente antitéticas de kitsch e vanguarda, ética e estética; para produzir-mos desde já -a partir dos destroços do velho mundo de onde todas elas brotaram, canções do Gunther e textos do Deleuze e do Adorno incluídos – o Novo.

    Aguardando a vossa aprovação,
    Semeador de Favas (desempregado)

  35. Viseu Esquerda,
    Diz acima citar o Carlos Vidal.

    Errado.
    Cita Hermann Broch (vá ler o post com os olhos).

    Ó sr. Noronha, queres que eu te dê atenção, é?
    Olha que não tarda, eu desligo. Depois sofres, pá, sr. Noronha.

  36. Carlos Vidal,

    se não quer responder, está no seu direito. Mantenha é uma certa dignidade. Leio com os olhos, mas você interpreta com a total cegueira com que escreve. Feito o pré-juízo, qual M. Rebelo de Sousa, faz uma leitura diagonal só para confirmar a sentença. Tal como nos julgamentos soviéticos, corre-lhe mal.

    Peguei na frase de Broch que você citou e disse isto:

    «Cita o Carlos Vidal:

    “A essência do Kitsch consiste numa troca da categoria ética pela categoria estética.”»

    Não o cito a si, você é que cita. Enfim, acalme-se e guarde a sua raiva para amanhã. Não se engane é no alvo…

    E com esse tipo de respostas a quem perde tempo a lê-lo, mais faz lembrar Sócrates e as ladainhas com que foge sempre à argumentação.

  37. Gualter diz:

    Fico com pena de ver o Carlos Vidal fazer aqui uma tentativa de divisão de movimentos que tentam unir-se sob uma mesma causa, mas debaixo de diferentes bandeiras (ou nenhuma bandeira). Toda a gente tem o direito a estar presente e a manif de amanhã não é o espaço para o confronto ideológico. Ninguém vai tirar o espaço ao PCP, ao BE ou à CGTP. Vamos sim, em solidariedade, engrossar o movimento e, com as nossas maneiras de expressão – carnavalescas, teatrais, ou o que sejam – transmitir a mensagem de que estamos prontos para agir, em conjunto como parte de uma grande e diversa massa de trabalhadores, desempregados, burgueses, proletários, camponeses.

    Talvez seja agora o momento de repensar as divisões históricas da esquerda nos últimos 130 anos e montar uma frente comum de combate ao ataque das elites financeiras capitalistas. Noutros países isso já se faz (Grécia, Alemanha, França…). Porque não em Portugal também, somos mais cabeças duras e inflexíveis do que os outros?

  38. MANIFESTANTE ENCORNADO diz:

    GENIAL O BROCHE.TAMBÉM PARTICIPA NA MANIF.?CHEGOU A LISBOA VINDO DE MADRID NO TGV?OU AINDA ESTÁ À ESPERA NO POCEIRÃO?

  39. A urgência puritana do imperativo actual, ao peito, está baseada em ocultos resíduos fraccionistas de estruturas míticas que comportam a intensidade da promessa divina, a profecia das luzes e côres, ou decolores.

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