Patrões de todo o mundo, tenham medo, tenham muito medo.
Dos motins de 2001 na Argélia e na Argentina, ao incêndio dos subúrbios de Paris, à revolta generalizada na Grécia, uma história secreta tem percorrido estes anos: a guerra social regressou. Algo novo tem marcado esta primeira década do século: a revolta popular, tão inesperada como descontrolada, que afronta o Poder. Afinal a história não acabou. A guerra e as suas barricadas, até há poucos anos limitadas às periferias do império, vêm brotando nas grandes metrópoles do capitalismo supostamente rico, democrata e feliz.
Da nossa barricada – a dos explorados e despojados – surgem de novo belas perguntas: Como ocupar a rua de forma persistente e o que fazer dela? Como auto-organizar as nossas vidas? Como bloquear a economia para começar a viver? Do outro lado estão polícias, governos, patrões e exércitos. E todos dependem dos trabalhadores para manter a máquina a funcionar.
Pressentimos tudo isto quando vemos a Acrópole, como aconteceu a 5 de Maio na greve geral grega, envolta por uma declaração simples e sensata: PEOPLES OF EUROPE, RISE UP.
O internacionalismo está de volta e recomenda-se. É preciso sair do isolamento e demolir todas as fronteiras, estabelecer afinidades, reinventar a luta. A Grécia é mesmo aqui ao lado. A Grécia está em todo o lado.
Aqui, nesta zona do território europeu subjugada pela crise, as lutas têm sido reféns da obsessão legalista da esquerda parlamentar e dos sindicatos, de uma solidariedade vaga e que raramente se manifesta. No presente estado de coisas, toda a inteligência será pouca. Inteligência para comunicar e organizar, bloquear e sabotar, ferir o poder dos poderosos.
PORQUE A ÚNICA RESPOSTA À CRISE É O COMBATE
PORQUE ESSE COMBATE NÃO SE TRAVA COM AS MEDIDAS PONTUAIS EXIGIDAS PELOS SINDICATOS E PELA ESQUERDA REFORMISTA
PORQUE TEM DE SE ELEVAR O TOM DA LUTA
PORQUE ESTAMOS FARTOS DE MENDIGAR POR MAIS TRABALHO
PORQUE EXIGIMOS A RUA COMO NOSSA





“Como bloquear a economia para começar a viver?”,
eis a grande questao!
Abriu a época da verborreia revolucionária, das palavras de ordem pomposamente vazias e extemporâneas, do desnorte da pequena burguesia diante da aparente imobilidade da classe operária.
Nos 5 “porques” qual é o alvo enunciado? A política de direita? A grande burguesia? o grande capital? os monopólios? a oligarquia financeira? O imperialismo? Não. São os “sindicatos” e a “esquerda reformista” cujas “medidas pontuais” são insuficientes para quem exige a “RUA COMO NOSSA”.
Miguel,
Nada me move contra os sindicatos nem contra os partidos da Esquerda parlamentar. Mas tenho para mim, em consciência, que é tempo de fazer algo mais. Os sindicatos e os partidos nada conseguirão se não forem apoiados num amplo movimento de massas.
De resto, limitei-me a divulgar a iniciativa. Acho que todos os esforços para levar as pessoas à manifestação do próximo sábado são válidos. Todos!
Pingback: cinco dias » Dos defensores das liberdadezinhas
Acho bem os “anticapitalistas”, assim como os barbeiros, as donas de casa e os futebolistas desempregados e outras camadas sociais várias, participem na manifestação dos sindicatos. Estou de alma e coração com aqueles que dizem que para além dos objectivos desta manif ,que concordo, é preciso derrotar o capitalismo. Isso, no entanto, parece-me bastante diferente de convocar uma manifestação atacando os sindicatos que a convocam. A duvida é reforçada quando leio o Vias de Facto. Parece que, para alguns, mais do que combater os causadores desta crise (governo, patronato, união europeia, especuladores, capitalistas, o vulcão islandês, os marcianos, o que quiserem…), o que ambicionam os “Vias” João Tunes e Miguel Serras Pereira é acabar com estes sindicatos e se possível proibir o PCP de apoiar manifestações. É tudo um pouco confuso. Isto é uma manifestação ou uma contramanifestação? Decidam-se.
Eu não decido nada, pá! Mas estando marcada para a mesma hora e local presumo que não seja «contra».
De resto, parece-me que falta um «apenas» numa das frases do texto («Porque esse combate não se trava APENAS com as medidas pontuais exigidas pelos sindicatos e pela esquerda reformista»). Assim estaria, a meu ver, mais correcto mas, como disse acima, apenas me limitei a divulgar a coisa.
Carlos,
Sim. Falo apenas dessa frase do texto. Mas parece-me contraditória com a presença numa manif convocada PELOS sindicatos. A tua formulação parece-me correcta. Lendo os posts do Vias, as coisas ainda mais confusas me parecem. Mas admito ter lido mal.
Para além de que não conheço este novo conceito de estarem marcadas duas manifestações para o mesmo espaço e trajecto. Quer-me parecer que houve falta de clareza: mais valia dizerem que estão a convocar para a manif da CGTP, sem estarem obrigatoriamente de estar de acordo com os convocantes em todos os assuntos da vida, para além desta manif.
NRA, fico sem perceber se a objecção é relativamente ao conteúdo do texto do panfleto ou à oportunidade e local da concentração. Decida-se.
Se ler outra vez percebe.
Carlos Guedes: “Acho que todos os esforços para levar as pessoas à manifestação do próximo sábado são válidos. Todos!”
Pois eu considero que a táctica do “vale tudo” é bastante prejudicial a curto e a médio prazo para o objectivo que, creio, é comum: o fim da sociedade de classes. Por exemplo, acho que não vale deixar de ser sério, consequente e com os pés assentes na terra na selecção dos objectivos da luta e das palavras de ordem; não vale enveredar pelo oportunismo da frase ocultando as opções políticas que se tomam durante os restantes 364 dias do ano; não vale esconder a incapacidade de análise do momento político e as debilidades óbvias no contacto com as massas por baixo da calúnia àqueles que lutam do mesmo lado da barricada.
Bem sei que as palavras de ordem variam consoante a classe social daqueles que as gritam, que reflectem os interesses de classe mais ou menos imediatos. Mas apelar a uma manifestação paralela à manifestação convocada pela CGTP é puro divisionismo. Para cúmulo do oportunismo, invocam uma palavra de ordem de um dos partidos da “esquerda reformista”: “PEOPLES OF EUROPE, RISE UP.”
Não, Carlos Guedes, acho que “não vale tudo”, até porque a táctica do “vale tudo” é o caminho certo para a fragilização do movimento de massas, para a atomização, para o individualismo e a radicalização “espontânea”, para a confusão de objectivos e de formas de luta no exacto momento em que a unidade na acção, a mobilização comum e o esclarecimento são os passos mais necessários diante de tamanha ofensiva imperialista contra os povos de todo o mundo.
O slogan “peoples of europe rise up” foi usado pelo KKE na faixa que pendurou na acropole.
Tem a certeza de que leu bem o panfleto? É que se não entende que é precisamente por tudo o que aí se diz, seja sobre a crise, seja sobre os partidos e os sindicatos, que esta oportunidade e local fazem todo o sentido, olhe… ficamos assim.
Ninguém fala em manifestação, mas sim em concentração. Nem se trata de ataque, mas sim de crítica. E, da maneira que interpreto, o objectivo é claramente marchar lado a lado, não com a CGTP, mas com o que dá riqueza às «manifestações da CGTP»: as pessoas, sindicalizadas e não sindicalizadas, fartas de uma situação que há muito perdura. E que tem de acabar.
P. Heinz,
Estas conversas só têm sentido se falarmos acerca do que o outro fala. Divergindo, eventualmente, mas lendo. Eu digo que me parece contraditório ir a uma manifestação dos sindicatos criticando os sindicatos e não assumindo as razões desta manifestação. Aderir a esta manif não significa ser da CGTP ou estar de acordo com tudo o que fazem os sindicatos. Não significa abdicar de ter uma opinião própria sobre a crise e a sua resolução. APENAS SIGNIFICA QUE QUANDO SE VAI A UMA MANIF CONVOCADA POR OUTROS É PORQUE SE CONCORDA COM OS OBJECTIVOS DA MANIFESTAÇÃO.
Dai não perceber o texto e a convocatória. E como não há manifestações paralelas com o mesmo local e trajecto, a minha pergunta mantém-se: é uma convocatória para participar na manifestação da CGTP?
NRA,
Sim, é claro que é uma convocatória para participar na manifestação da cgtp. Mas uma convocatória que não abdica do direito à crítica. Simples, não?
P.S. “Não assumindo as razões desta manifestação” Mas isso vem de onde?
P Heinz,
Aqui: “PORQUE ESSE COMBATE NÃO SE TRAVA COM AS MEDIDAS PONTUAIS EXIGIDAS PELOS SINDICATOS E PELA ESQUERDA REFORMISTA”.
A manifestação que eu saiba é uma forma de combate desses mesmos sindicatos que, segundo este texto, não travam esse combate. Manifestação essa que os anticapitalistas se preparam, segundo dizes, para apoiar. Embora digam que o combate dos sindicatos, como a manifestação, não serve para nada. Difícil? De facto, quando se apoia sem apoiar e se tenta fazer a quadratura do círculo, tudo se torna incoerente.
De resto, gosto da palavra de ordem do KKE.
NRA,
Não sabia que a adesão a esta ou a qualquer outra manifestação implicava subscrever as medidas que, em concreto, os convocantes da manifestação têm a propor. O NRA acha mesmo isso?
Diz o panfleto: “PORQUE ESSE COMBATE NÃO SE TRAVA COM AS MEDIDAS PONTUAIS EXIGIDAS PELOS SINDICATOS E PELA ESQUERDA REFORMISTA”.
Diz o NRA a propósito dessa frase: “A manifestação que eu saiba é uma forma de combate desses mesmos sindicatos que, segundo este texto, não travam esse combate.”
Mas uma manifestação agora é uma “medida”? Tem a certeza que foi isto que quis dizer?
P Heinz,
Já voltamos a desconversar. Ir a uma manifestação convocada por outros, significa concordar com ela. Só isso.
Já agora a convocatória da manif está aqui: http://www.cgtp.pt/images/stories/imagens/2010/05/manif20100529tarja2.pdf . Valia a pena saberem qual a manif que integram, já que a apoiam.
NRA,
Tudo o que não seja concordar consigo é desconversar. Pois bem, por aqui me fico, não sem antes lhe dizer que a condescendência que nos (me) dedica é dispensável. E não lhe fica bem.
NRA,
estás a cavalgar numa posição, independentemente da justiça ou não da crítica aos sindicatos, que te coloca a pouco dias da manifestação de 29 numa posição perigosa e dúbia. Aqui já várias pessoas te explicaram que os “anticapitalistas” estarão inseridos no protesto geral marcado pelo cgtp mas sem abdicar de uma posição crítica. Simples.
Sabes, saberás, que sair à rua não tem sido fácil, que a repressão em Portugal tem poucos pruridos; que os movimentos desalinhados, claramente antagonistas, do gueto aos anarquistas, dos espaços sociais aos ecologistas, têm sido muito pressionados pelos media e polícia no sentido de criar um isolamento e criminalização; que 29 haverá muita polícia na rua e um serviço de ordem da cgtp no mínimo peculiar; e ainda que esta manif poderá ser o início de um grande movimento de repudio deste governo e das solução capitalistas para a crise.
queres mesmo manter essa posição?
vai com calma
Para além de estar de acordo com o que o Nuno R. Almeida já aqui escreveu, eu só quero deixar um alerta para os que, a meu ver, irresponsavel e destrambelhadamente, deram agora em radicais divulgando uma iniciativa destas: pois, pois, dêem-lhe gás mediático-blogosférico e depois não se queixem se esse pessoal, para ganhar os telejornais (matando o resto) não desarrinca umas «violências» (obviamente, muito “revolucionárias”) ou se não arranja algum conflito com os legítimos serviços de ordem da entidade que convoca a manifestação. Porra, o Guedes já tem experiência e idade para ter
aprendido alguma coisa.
Sendo certo que prefiro a CGTP à UGT (nem se trata de preferir, mas não me apetece perder muito mais tempo com a escolha do termo certo), não acho que aquela esteja acima de qualquer crítica. Não está. Tem quadros excelentes e outros que nem por isso. Mas mais importante do que o papel desempenhado por homens e mulheres na sua actividade sindical é o papel da própria estrutura.
NRA, acho que sabes tão bem o que se passa no seio da CGTP e até partilharás comigo algumas opiniões sobre a mesma.
É natural, portanto, que haja pessoas que, estando motivadas para a luta não o estejam para uma luta conduzida e/ou determinada pela CGTP. Principalmente quando sabemos que não é, muitas vezes, a própria CGTP a marcar o calendário das suas iniciativas.
Repito (e não gosto de me repetir) que apenas divulguei um apelo que me chegou à caixa de correio electrónico. Não emiti qualquer juízo sobre o mesmo. Concordo com muito do que está escrito no apelo e já aqui referi o que alteraria.
Uma nota final para dizer o seguinte: se é inegável que a CGTP e os sindicatos que representa desempenham um papel fundamental na nossa sociedade, também o é que o que aconteceu com a malta do May Day, que no 1º de Maio se pretendia juntar à manifestação, em nada ajuda à união de esforços. E coisas como essa ajudam, e de que maneira, a que alguma malta comece a ficar farta dos tiques de «dono da luta» de alguns senhores que por aí andam.
” Como bloquear a Economia para Começar a Viver ? “. Isto é sublime, puro e revolucionário, meus caros. Que cada um se assuma, pois! E quem não tem pedalada, não pode ou não quer, fica em casa a ver passar as novelas…Niet
Maria,
Espero claro que os “anticapitalistas” não tenham problemas com a polícia, nem com o serviço de ordem da CGTP. De resto, mantenho o que disse em relação ao texto.
Carlos Guedes,
Acho muito bem que divulgues tudo o que achares por bem. Tenho todas as críticas e mais umas a muita gente. É a vantagem de não estar em lado nenhum. Mas só vou a manifs quando estou de acordo com a convocatória.
Abraço
P. Heinz,
Peço-lhe desculpa, não era essa a minha intenção.
Não estou a perceber muito bem a natureza das tuas objecções Nuno. No interior da própria CGTP há várias concepções do sindicalismo e do que é a luta de classes, sendo que essas divergências não impedem as pessoas de marchar lado a lado. Não indo muito mais longe, o mayday participou na manif do 1º de Maio e não tem propriamente o mesmo discurso que a CGTP, ainda que se tenham evitado muitos comentários críticos relativos ao sindicato, por razões que sendo respeitáveis, não são soberanas.
Como está, parece-me claro que a concentração se destina a engrossar a manifestação e não a dividi-la. Mas esse dado – fundamentalmente positivo – não poderia nunca equivaler a abdicar de sustentar um ponto de vista diverso daquele que a mesa nacional da CGTP considera ser o melhor. Aliás, eu concordo com o «não» da CGTP, o mais complicado é mesmo o «sim». Naturalmente, não me passa pela cabeça que esta componente da manifestação prefira lançar palavras de ordem contra os sindicatos em vez de o fazer contra os patrões e o governo. Tenho para mim que se limitará a gritar palavras de ordem distintas das que vêm naquelas folhinhas com slogans previamente decididos e que os trabalhadores são convidados a repetir ao ritmo do megafone.
Diria eu que no fundamental, quem acha que o PEC e estas medidas são injustas e inaceitáveis deve ir à manifestação, mesmo se não concorde com cada um dos pontos da convocatória. Ou achas mesmo que «um combate sem tréguas» e a melhor «alternativa» para os trabalhadores corresponde a taxar os dividendos do capital e das grandes fortunas em 30%?
Já agora, o jogo de palavras sobre os anticapitalistas e os barbeiros é um pouco arriscado e resvala facilmente para uma concepção corporativa deste tipo de coisas. Ou seja, se marchasse cada um arrumadinho no respectivo sector profissional não haveria problemas, mas como se está a desenhar um sector específico no interior da manifestação já é um problema e uma manobra divisionista. Enfim. Espero que não seja esse o teu entendimento da questão. Até Sábado.
Nuno Ramos de Almeida,
totalmente de acordo consigo: com as suas reservas quanto a este apelo, com os motivos que invoca e com as discordâncias em relação ao vias de facto que tem deixado expressas nas caixas de comentários (aqui e lá). Citando uma ideia sua de memória: era bom que, entre debates intermináveis (e um pouco delirantes , acrescento eu) e em circuito fechado na blogosfera acerca da emancipação, da “revolução”, das suas possibilidades de irrupção e das formas de governo alternativo que ela deve propor, no intervalo dessas conversas retóricas disfarçadas de política e filosofia (quando não o são, em última análise, apenas e só “opiniões” veiculadas apressadamente e que nem sequer se dão ao trabalho de se questionarem a si próprias e respectivos pressupostos de formulação, retórica plástica da crítica mais inoperante) – que nos entretantos nos dessemos ao trabalho de ir, apoiar, marcar, convocar uma manifestação ou uma qualquer acção concreta de combate e luta política minimamente eficaz e objectiva.
cumprimentos.
Ricardo,
Chegaste tarde à conversa. Estou farto de me repetir. Certamente que leste o que eu disse. Acho o manifesto da vossa convocatória confuso. Escrevem que vão a uma manif convocada por uns tipos de quem afirmam que a sua luta é parte do problema. O Dalas escreveu até que: “o objectivo é claramente marchar lado a lado, não com a CGTP”.
Lendo a vossa discussão no Vias de Facto, blogue que sigo com atenção, parece que, para alguns, mais importante do que contestar o capital e este governo é fazer a folha aos sindicatos e ao PCP. Não sou do PCP, não faço parte de uma direcção sindical da CGTP, mas acho esse anti-comunismo primário destrutivo. Fora isso, como sabes, quanto mais gente estiver na manifestação melhor. Até sábado.
Mas dizer que as medidas são parciais (e portanto insuficientes), ou que a obsessão pela legalidade é uma parte do problema, equivale a um ataque? Onde, como e quando? A manifestação é convocada para que nela participem todos os trabalhadores que estão contra esta política. Não é um plebiscito de rua à mesa nacional da CGTP. Gosto muito quando se fala nos debates intermináveis em oposição aos métodos de luta eficazes. Têm sido realmente muito eficazes…
A CGTP não existe, o 5dias não existe, o Spectrum não existe. Existem pessoas. Ou seja, por trás de uma organização, paralelamente a uma organização, estão pessoas. Era a isso que eu me referia. E poderia estar explícito, caso tivesses citado o resto da frase: “não com a CGTP, mas com o que dá riqueza às «manifestações da CGTP»: as pessoas, sindicalizadas e não sindicalizadas, fartas de uma situação que há muito perdura. E que tem de acabar”.
Ricardo,
Bom post o teu. post o teu.Parece-me bastante mais claro que o outro documento. Sobre a ineficácia da luta, quero querer que estamos todos envolvidos. Não vi ainda nenhuma que fosse eficaz. E já participei em algumas, até contigo.
Dallas, parece-me que tu consegues fazer o miliagre de fazer opor a CGTP às pessoas que participam nas manifestações da CGTP.
A conversa é interminável. Já percebi que a vossa posição é diferente do documento que “subscreveram” e que como diz, o Carlos Guedes, teria ficado bastante mais de acordo com gente que participa numa manif da CGTP tendo posições próprias e críticas várias, com uma formulação deste tipo: “Porque esse combate não se trava APENAS com as medidas pontuais exigidas pelos sindicatos”. Eu cá mandava a esquerda reformista à merda.
Boa manif e até sábado.
Caro Niet,
aqui que ninguém, mas ninguém mesmo, nos ouve (no meio desta interminável confusao), devo confessar-lhe que bloquear a economia tem sido o meu passatempo predilecto desde que saí do armário capitalista (passe a metáfora, à la P. J. Vieira).
Viver!!, eis o programa que TODOS os partidos políticos abandonaram (o Bloco faz marchas pelo trabalho; e pela vida, por definicao a antítese do trabalho, quem marcha?)
Marchemos os dois, num prado florido, debaixo de uma orquestra de melros e rouxinóis, esperando que alguém nos acompanhe…
Haja muitos mais loucos como nós (que de ‘responsáveis’ estao o inferno e o parlamento cheios).
Desculpe se me enganei,
saúde.
1. Este texto é exterior ao 5dias, está sem link, julgo que não é de Carlos Guedes.
2. Não me cheira bem este post, é no mínimo suspeito, tão acarinhado que está a ser pelos “vias de afcto”, os psicopatologicamente anticomunistas Serras Pereira e R. Noronha.
3. Se querem brincar ao anticapitalismo, porquê dia 29 e no Marquês??
Lisboa não é assim tão pequena.
Porque não na Alameda de tão boa memória?
4. No final de “Organs Without Bodies: On Deleuze and Consequences”, Slavoj Zizek aponta-nos importantes argumentos contra textos destes, fazendo uma pergunta: como realizar uma crítica séria do capitalismo que não caia numa qualquer carnavalização, numa mera reclamação de multiculturalidade e pós-etnicidade, ou numa outra coisa pseudo-espontânea?
5. Ou seja, se tudo é carnavalizável, se tudo o capitalismo consome como carnavalização, não será a crítica que parte de um ponto de vista e lugar estável (neste caso, a CGTP) a única excepção à carnavalização?
6. Não foi essa uma das lições de Mao Tse-Tung, a de não permitir a ritualização da transgressão (o que este texto me parece não ser mais, pois a tal me parece confinar-se)??
7. Repito, porque não vão para a Alameda??
Carlos Vidal,
Por favor. O Carlos Guedes coloca as convocatórias que mt bem entender. Eu farto-me de colocar textos exteriores à casa. Alguns bons, como dos ladrões e este do João Gonçalves e alguns geniais, como o do Blasfémias. É a vida.
Sempre almoçamos no dia da manif?
Abraço
Lá terei que ser chato.
Eu almoço, sim, mas do lado do Marquês, não do lado da Alameda.
Do lado da CGTP, e não do lado do carnaval.
(Depois combinamos.)
Podemos almoçar a meio caminho… O importante é que almocemos! E podemos lutar de maneiras diferentes. Sendo que o importante é que lutemos. Enquanto o Carlos e outros não entenderem isso é muito provável que continuem a lutar sozinhos. Sendo igualmente certo que pelo menos para almoçar têm companhia. Até sábado!
Caríssimo, almoço então.
Mas, uma coisa é lutar sozinho (qual é o problema? Pode-se isoladamente escrever um livro, um artigo, fazer uma obra de arte, etc., tudo isso sozinho e só para 10 pessoas, qual é o problema?), outra é lutar contra quem parece estar do mesmo lado (e não está).
O texto citado no post tem apenas um alvo: o PCP.
Não é verdade, Carlos. Os alvos serão as formas de luta tradicionais. As manifestações em que todos e todas vão em carreirinha a repetir as palavras de ordem sopradas pelos carros de som. Serão também os sindicatos. A forma como se organizam e como preparam a luta. Talvez. É apenas a minha interpretação. E serão ainda alvos os partidos da esquerda reformista. E aqui eu incluo como alvo o próprio BE. Não apenas o PCP. É preciso entender que há muita gente de esquerda que não está nem num nem no outro. E esses também contam. Para mim, pelo menos!
Caro Carlos Guedes, repito e por aqui me fico:
4. No final de “Organs Without Bodies: On Deleuze and Consequences”, Slavoj Zizek aponta-nos importantes argumentos contra textos destes, fazendo uma pergunta: como realizar uma crítica séria do capitalismo que não caia numa qualquer carnavalização, numa mera reclamação de multiculturalidade e pós-etnicidade, ou numa outra coisa pseudo-espontânea?
5. Ou seja, se tudo é carnavalizável, se tudo o capitalismo consome como carnavalização, não será a crítica que parte de um ponto de vista e lugar estável (neste caso, a CGTP) a única excepção à carnavalização?
Carlos Guedes,
Se “todos e todas vão em carreirinha a repetir as palavras de ordem sopradas pelos carros de som.”, não sei o que vão os anti-capitalistas lá fazer. Como diz o Carlos Vidal, podem os anti-capitalistas organizar uma tremendamente excelente, original e revolucionária manifestação no dia e local que te aprouver, sem que tenham que se misturar com essa maralha “que segue em carreirinha”. Para quê esse incómodo? Dêem lá esse exemplo e façam uma manifestação à maneira!
A manifestação da CGTP foi curiosamente convocada pela… CGTP. Sim, sim, essa aborrecida e reformista organização. Vai ser então uma grande manifestação mas cheia de coisas sem gosto, como palavras de ordem sem métrica. Para quê ir lá ensinar a carneiros como é que se faz? Proponho desde já, no fim-de-semana seguinte, uma grandiosa manifestação dos anti-capitalistas que, qual bofetada de luva branca, além de dinâmica e muito participada, culminará no milagre da retumbante revolução. Não há nada como dar o exemplo por sua própria conta, esforço e risco, antes de dar lições.
Aliás, quanto a anti-capitalismo, depois do empréstimo à Grécia, estamos conversados.
Ricardo Noronha,
uma vez que me citaste no teu comentário, já agora respondo. Nada contra os “debates” embora me pareça que estas conversas em rede virtual, no tumulto e no ruido inoperativo das opiniões em que na esmagadora maioria das vezes se cai na blogosfera (que é exacto oposto de uma tentativa de criação de uma toria crítica e especulativa, ou não, da realidade política, económica, social, whatever) são realmente ineficazes porque nem conseguem produzir trabalho teórico nem aderem e intervem efectivamente no real ou contribuem para a sua transformação (a grande obsessão da esquerda voluntarista que aparece nestes espaços). Podemos discutir interminavelmente (e repetir até à exaustão, como faz Miguel Serras Pereira, as efabulações e ficções do auto-governo e da cidadania governante, ou reafirmar todos os slogans do “poder na rua”, no povo e nas massas. Admiro, sinceramente, as louváveis boas-intenções de todas estas pessoas – o que não me impede de achar, também, que estas reinvindicações e lutas estão ossificadas e não são mais do que o último estertor de uma época histórica que conheceu, cognitiva e politicamente, o seu fim. Se quisermos analisar estas proclamções vagas de um recicladas do socialismo ou de um anarquismo libertário de um ponto de vista político, elas são apenas anacrónicas e inofensivas; do ponto de vista teórico e crítico,serão, na minha opinião, inúteis e inoperantes.
O combate e a luta social são, ainda assim, importantes do ponto de vista da reinvindicação de formas equilibradas e justas de organização social. E nesse sentido, sim, ao contrário do que afirmas, uma manifestação sindical como esta tem uma eficácia específica – e precisamente porque se vincula a lógicas e dinâmicas estabilizadas de confronto social e identificáveis do ponto de vista das relações de poder vigentes. Já o vosso apelo, tentando colar-se a uma concepção política mais vanguardista à la comite invisible e utilizando uma retórica pós-moderna (auto-referencial e metapolitica), denuncia sua própria marginalidade e auto-exclusão. Por isso é que acho desonesto fazeres todas essas proclamações vagas de uma solidariedade para com os restantes participantes da manifestação – este é efectivamente um movimento divisionista – o que não é minimamente condenável (ou melhor, torna-se condenável a partir do momentos em que negas a pulsão fracturante que estás por detrás dele). Não será eficaz pela simples razão de que terá, como tu sabes, uns trinta ou quarenta activistas se tanto que desejariam estar antes de cocktails molotov na mão e lenços a cobrir o rosto em confrontos com a polícia, levar umas cacetadas e depois voltar para casa para fazerem denúncias trepidantes e comoventes da repressão policial – e finalmente, irem para cama para no dia a seguir irem para os seus institutos e gabinetes universitários trabalhar um pouco na tese de doutoramento – muito apropriadamente sobre os movimentos anarco-sindicalistas na itália dos anos 40. A isto o Sloterdijk chama a “maquis mental” da esquerda neocansada e burguesa da europa do século XX. Se querem a marginalidade e a vanguarda da trincheira e da invisibilidade ao menos levem essa escolha às suas últimas consequências e de forma radical – o silêncio total, a recusa absoluta das condições instituidas de luta, a negação dos pressupostos correntes de formulação de uma crítica incisiva do real – silence, exile and cunning, como diria o Joyce (ou “the good artist should be quiet invisible or dead”). Para o folclore (ainda assim necessário) da “luta” política de massas já temos a CGTP – que, conseguindo reunir um pouco mais do que trinta ou quarenta pessoas numa manifestação, é um bocadinho mais eficaz do que a vossa, de facto, “contra-manifestação.
cumprimentos.
ah, e já agora: para versão em segunda mão e panfletária do l’ insurrection convenhamos que falta alguma inspiração e assertividade literária: aquele “patrões de todo o mundo tenham medo” é tão auto-caricatural que se torna cómico – como diz o Carlos Vidal, sintoma de carnavalização.
Nuno, não se trata de opor a CGTP às pessoas que participam nas manifestações organizadas pela CGTP. Por e simplesmente, porque a CGTP é uma organização demasiado complexa, inclusivamente com elementos contraditórios. Deste ponto de vista, afirmar que a CGTP constitui um movimento social é tão falso quanto afirmar que a CGTP corresponde a um bando de burocratas. É da CGTP tanto o sindicalista profissional, quanto o militante de base que impede que o patrão retire as máquinas da fábrica.
A referência às medidas pontuais é realizada enquanto objectivo, não enquanto estratégia que PODE e DEVE incluir a reivindicação de medidas específicas. Encarando-as como algo que «liberta» espaço e tempo necessários a uma intensificação das lutas.
Agora, eleger essas metas como objectivo final é, recordando Zizek, assumir a postura do camponês que assiste à violação da mulher por parte do patrão e que encara como vitória o não lhe ter limpo os testículos. Vemo-nos sábado.
as revoluções nunca foram obra de maiorias, mas sim de minorias que conseguem passar a mensagem teórica da solução certa para as maiorias – por sua vez estas devolvem o consenso comum de legitimação para que a necessária minoria governante aplique a sintese como lei aceite pela generalidade. Mas não é isso que + me preocupa neste momento, mas estas três pistas para o almoço do Nuno com o Vidal:
Gambrinus? Ribadouro? Frangos do Bonjardim?
João Vilaça, tomaste-me a pinta toda. «Formas equilibradas e justas de organização social» merece o prémio “violino lamechas do ano”. Quando te vejo fazer referências às “lógicas e dinâmicas estabilizadas de confronto social” noto qualquer coisa de João Galamba nas tuas palavras. Daqui a nada estarás a escrever que com sindicatos mais razoáveis e responsáveis o país não estaria numa crise destas… Não percebo como identificas tão claramente os «verdadeiros» desejos e anseios dos que estarão no sábado em frente ao DN. Diria eu que essas pessoas dizem ao que vão e o que dizem está mesmo ali em cima.
Quanto ao que escreve o Carlos Vidal sobre a carnavalização, vindo de quem vem, merece o sorriso irónico do costume. O meu anticomunismo, como se sabe, tem as costas largas. Já o Zizek é conhecido pela grave seriedade que emprega sempre que deseja levar a cabo transgressões.
Pedro Penilo, de todos, o teu comentário é seriamente o mais desconcertante. Tem qualquer coisa de «love it or leave it» que caminha na pior das direcções. Naturalmente, como nos queremos juntar à manif da CGTP somos divisionistas. Se fizéssemos a nossa própria manif seríamos coerentes. Porque não convidar-nos a desaparecer do mundo, assim mesmo, desmaterializando-nos? A justa medida do teu argumento é o facto de parafraseares o Carlos Vidal. Como dizia o outro, cuidado com as companhias…
E, já agora, alguém explica a estes maluquinhos qual é a medida da «eficácia» da CGTP?
Dallas,
Sempre achei que algumas parábolas do Zizek são só para dar um colorido e epater le bourgeois. Esta é das que eu mais abomino. Não há bela sem senão.
Ricardo Noronha, parece-me que estás equivocado em muitos aspectos. Achas que “formas equilibradas e justas de organização social” é um violino lamechas, uma degenerescência social-democrata e yuppie porque o que tu queres é a revolução, uma alta cena, uma explosão de revolta – primeira perplexidade: com quem? para quê? em função de que objectivo? (nnguém sabe). Por mim desde que me paguem mil euros por mês sem arrancarem cabelos está tudo bem, a minha emancipação eu trato dela sozinho, obrigado. Também achas que “lógicas estabilizadas” de seja lá o que for é conversa de João Galamba (que não sei, honestmente quem é, mas deve ser boa pessoas): eu, por mim, prefiro manifestações e jornadas “de luta” que as pessoas (os trabalhadores) reconheçam como representativas dos seus interesses e, sim, eficazes (porque dorectamente envolvidas em processos de negociação laboral, defesa jurídica em casos disciplinares e despedimentos, essas coisas aborrecidas que não convem à causa da luta) ao “activismo” folclórico que não representa, basicamente, ninguém e que ainda por cima se reclama de um vanguardismo formal para depois, repetir incessantemente os mesmo anacronismos programaticos da mesma esquerda da qual se demarcam por ser antiquada e “dirigista”.
EU não me interesso por manifestações nem vou a esta manifestação – é-me indiferente. Mas as questões do vanguardismo são-me mais caras e detesto ver a suposta vanguarda a errar tanto o alvo. E quanto ao Zizek, estás muito equivocado: o zizek escreve livros, não faz “política” nem é activista nem muito menos escreve panfletos e apelos a manifestações.
cumprimentos.