Dos defensores das liberdadezinhas

Um dos arautos das liberdadezinhas que vagueia pela blogosfera nacional, entusiasma-se com o apelo à concentração anti-capitalista que o Carlos aqui divulga. Perante a possibilidade de se repetirem os confrontos da Grécia, o estadista, prepara-se para, com pululante indignação, defender que um qualquer garzón determine o espancamento dos “violentos” nos calabouços do regime e a ilegalização da actividade política dos que combatem o sistema.
Mas desengane-se. A luta nunca será tão violenta como a ofensiva do capital.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

10 Responses to Dos defensores das liberdadezinhas

  1. miguel serras pereira says:

    Tiago, assim não vale.
    O seu texto afirma que: “Um dos arautos das liberdadezinhas que vagueia pela blogosfera nacional, entusiasma-se com o apelo à concentração anti-capitalista que o Carlos [Guedes] aqui divulga”. Ora, o post visado pelo João Tunes não é esse – é um, muito diferente (e bastante tonto, em meu entender) do Renato Teixeira: http://5dias.net/2010/05/25/como-transformar-o-pec-num-prec-atenas/
    É verdade que o João Tunes referiu primeiro, e discutiu depois com o Ricardo Noronha e comigo, certos aspectos do modo como a manifestação foi preparada, criticando duramente as concepções de sindicalismo do PCP e a sua preponderância nos meios dirigentes da CGTP. No entanto, se escreveu, por exemplo: “o actual comportamento do PCP para com o sindicalismo, particularmente em relação à CGTP, é típico do voluntarismo sem horizontes que transmuta um partido político historicamente ligado à emancipação dos trabalhadores numa agremiação sindical extremista e com uma incontrolada pulsão hegemónica e unicista”, também escreveu o seguinte: “Em termos sociais, sobretudo pelas opções governamentais quanto à distribuição da “austeridade”, a ‘coligação do tango’ PS/PSD e os burocratas de Bruxelas merecem levar nas ventas não só com uma grande manifestação no próximo 29 como o que se lhe possa seguir, incluindo uma greve geral, ou mais se necessárias” (http://viasfacto.blogspot.com/2010/05/post-carta-para-um-camarada-entusiasta.html#comments).
    Daí que as previsões que o Tiago faz quanto ao juízo político do João Tunes, perante “o espancamento dos ‘violentos’ nos calabouços do regime e a ilegalização da actividade política dos que combatem o sistema”, recorrem a métodos de luta e confronto ideológicos que seria de esperar que repudiasse, como tem feito noutros casos. E que seria desejável que, reconsiderando, repudiasse a propósito deste. Para seu próprio e nosso bem comum. E para bem das perspectivas de ruptura democrática com os aparelhos de Estado e económicos que nos governam, sacrificando de um modo ou de outro ao seu funcionamento a vida de todos os dias da grande maioria dos cidadãos.

    Seu leitor atento

    msp

  2. Nuno Ramos de Almeida says:

    Miguel Serras Pereira,
    O texto Renato é tonto, os textos do Tunes são lindos. Como argumentação é fantástica. O Renato não pode desejar uma explosão de revolta, o Noronha pode querer uma explosão de revolta. Porque os textos do Renato são tontos, os textos do Noronha, embora não tão lindos como os do Tunes, são lindos. A tua argumentação parece-me próxima da Cartilha do General e da Cartilha contra o General do conto “O Sósia do General” do Mário-Henrique Leiria.

    Abraço

  3. Ricardo Noronha says:

    Todos desejamos uma explosão de revolta. Todos escrevemos textos lindos. Todos à manifestação do próximo Sábado, da qual sairemos tontos de lutar.
    Camaradas, as coisas estão demasiado sérias para perdermos tempo com mal-entendidos. Debater a partir das divergências efectivas nunca será uma perda de tempo, mas sinceramente não me parece ser esse o caso. Uns mais na radio moscovo, outros mais na radio miami, e outros ainda na radio alice, acho que poderemos ouvir a música uns dos outros de vez em quando, não?

  4. miguel serras pereira says:

    Nuno,
    nem as tuas invejáveis inteligência e competência argumentativa são suficientes neste caso. Dizer que o J.Tunes defende o espancamento nos calabouços ou sequer é um apoiante do Bloco Central pelas razões que o Tiago – cujos posts, juntamente com os teus e alguns daqueles que tenho lido dos novos elementos do 5dias, me fazem leitor fiel deste blogue – invoca, bem, é como dizer que tu próprio és um apoiante de Sócrates, porque gabas algumas vezes os posts dos Ladrões de Bicicletas, quando esse blogue é, como se sabe, um bastião alegrista, ou seja dos elementos mais reaccionários do PS, essa “ala esquerda do fascismo”, e ainda mais perniciosa do que o fascismo propriamente dito, que esse ao menos diz ao que vem…
    Quanto à manifestação do dia 29, subscrevo as suas palavras de ordem, entendendo até
    que a última – “porque exigimos a rua como nossa” – é um pouco curta, podendo ter-se-lhe acrescentado, por outras palavras mais sucintas, qualquer coisa como: “Porque a única democracia é o autogoverno colectivo dos governados”, “Porque o poder dos representantes é a resignação dos representados”, “Porque onde o poder desta economia governa não pode haver democracia”.
    Mas, tal como tu, procuro não ceder às consolações místicas do “tudo ou nada”, e creio que – se queremos um pouco mais do que ser uma força de pressão da rua que a oligarquia governante tenha de ter em conta -, então, quem quer o mais quer o menos, pelo que começarmos por ser uma força que limite e mine o poder da hierarquia estatal e económica é já alguma coisa e abre caminho a mais.
    Anti-sectário e anti-frenético abraço

    msp

  5. Nuno Ramos de Almeida says:

    Miguel,
    Leio muita gente interessante e preferencialmente com opiniões diferentes das minhas. Aprende-se muito mais com pessoas que nos desafiam do que com pessoas que dizem o mesmo. Dai, ler com interesse a ti e às pessoas do Vias de Facto.
    Não creio, portanto, estar a ser injusto ao dizer que ao mesmo tempo que garantia esfuziante ter sido este Primeiro de Maio o menos participado de sempre, o teu colega Tunes manifestava-se preocupado com a participação na manif de dia 29, pq isso seria reforçar o PC e a CGTP.
    Cada um escolhe os seus inimigos, os meus não são o PC e a CGTP.
    Como sabes, quando me refiro a alguém dou-lhe nome. Não gosto particularmente de gente que insulta as outras chamando-lhes, passo a citar, lupen-blogosférico e brigada Brejnev da internet, sem terem a hombridade de identificar os visados.

    Abraço

  6. Tiago Mota Saraiva says:

    miguel serras pereira, quando me refiro a alguém, seja na vida seja na blogosfera, dirijo-me directamente à pessoa (na blogosfera coloco o link).
    A minha opinião é que a João Tunes daria muito jeito que a manifestação descambasse em cenas de pancadaria, pelas quais culparia o PCP. A todo o texto não é alheio a sua continuada idolatração de Garzón, responsável pela prisão de vários independentistas bascos torturados nos calabouços das prisões espanholas.
    Tunes pode escrever textos lindos, mas nada me impede de o considerar um anti-comunista e garzonista.
    Não estará, certamente, do meu lado da barricada – para utilizar uma expressão que lhe é cara.

  7. Tiago Mota Saraiva says:

    Ricardo, concordo contigo embora ache que, neste momento, clarificar fronteiras é fundamental.

  8. miguel serras pereira says:

    Tiago,
    eu não sabia que ser garzonista – o adjectivo é seu e a aplicação do mesmo ao João Tunes, também – era ser anti-comunista.
    Não me diga que acha que o JT publicou este post de apoio sem reservas à manifestação do dia 29: – cf. http://viasfacto.blogspot.com/2010/05/sem-pendurar-repolhos-e-couves.html – tendo em vista “cenas de pancadaria” para delas incriminar o PCP?
    Por outro lado, não compreendo como é que apoiar Garzón contra a “justiça” franquista e pela República significa aprovar a tortura nos calabouços da monarquia Bourbon, ainda que praticada, não sobre “independistas bascos” em geral, mas sobre os membros da ETA, sabido que é não desdenharem, estes últimos, métodos igualmente criminosos, que o Tiago, se não quiser deixar-se cegar pelo ardor polémico, só poderá repudiar.
    Quanto ao resto, subscrevo o comentário que o Ricardo deixou aqui em cima.
    Até sábado!

    msp

  9. Tiago Mota Saraiva says:

    msp, eu não digo que ser garzonista é ser anti-comunista.
    A idolatração de Garzón, realizada a partir de uma situação específica em que concordo com o juiz em causa, pretende ocultar o seu passado de perseguição dos independentistas bascos (não foram só os Etarras… Garzón tem vindo a ilegalizar toda e qualquer associação política independentista basca, que não seja de direita) ou, por exemplo, as suas diatribes contra o sub-comandante Marcos.
    Garzón é arrogante e vaidoso. Politicamente não está do meu lado da barricada. Não me sinto motivado a prestar-lhe solidariedade.

    P.s. – recordo a ironia do 7º ponto da Carta de Marcos a Garzón:

    SEPTIMO. Si el señor Fernando Baltasar Garzón Real derrota en buena lid al Subcomandante Insurgente Marcos, tiene derecho a desencapucharlo una vez delante de quien le venga en gana. Además, el Subcomandante Insurgente Marcos le pedirá disculpas públicamente y se someterá a la acción de la justicia española para que lo torturen (justo como torturan a los vascos cuando son detenidos) y responda a las acusaciones en las que abunda la carta del señor Garzón Real, fechada el 3 de abril de 2003

  10. miguel serras pereira says:

    OK, Tiago. Tenho pena que não responda acerca do João Tunes, mas não vou insistir nisso agora.
    Talvez um dia discutamos melhor a questão do Garzón: pelo meu lado, não mitifico a figura do juiz, nem me identifico politicamente com ele – assim como assim, também prefiro o Subcomandante Insurgente. Mas não é por isso que a acusação de “prevaricação” que foi movida a Garzón deixa de merecer combate e denúncia – e também não me parece que a acusação de torcionário, que Marcos não lhe dirige, seja exacta. Discutiremos isso, se vier a propósito, noutra altura.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>