Parece-me que sim, que já batemos no fundo do fundo: “Ninguém sabe onde param os gravadores tirados à Sábado”

Mais de três semanas depois de o deputado socialista Ricardo Rodrigues se ter apropriado de dois gravadores durante uma entrevista à revista Sábado, os jornalistas Maria Henrique Espada (proprietária dos objectos) e Fernando Esteves continuam a desconhecer o paradeiro dos equipamentos, que contêm diverso material de trabalho. Neles estão gravadas, por exemplo, entrevistas a políticos do maior partido da oposição e outro material considerado pela jornalista como bastante delicado.

Resumindo o estado das coisas. O sr. Rodrigues interpôs à “Sábado”, a 3 de Maio, uma providência cautelar, mas a entrevista, ou o que dela restou, acabou por ser publicada a 6 deste mesmo mês na revista citada, uma vez que tinha sido também videogravada. Ora, junto à providência cautelar foram apensos os gravadores. Como???

Material roubado já pode agora ser prova do que quer que seja???

Parece-me entretanto que o hipócrita-mor da bancada do sr. Rodrigues (e da “política” em Portugal), um tal de M. Vale de Almeida, autêntico estadista, terá escrito qualquer coisa insinuando que compreendia o sucedido, secundado ou antecipado pelo ex-líder da mesma associação política, o sr. Mário Soares.

Em que outro país ou lugar do mundo isto seria possível?

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10 Responses to Parece-me que sim, que já batemos no fundo do fundo: “Ninguém sabe onde param os gravadores tirados à Sábado”

  1. psd da boa-fé diz:

    No Botswana, quando aí governou o inenarrável Lufa Kuala Chichamanhosa, entre 1952 e 1956.

  2. Carlos Vidal diz:

    O saudoso Lufa Kuala, que comparado com estes indivíduos era um estadista, sim senhor.

  3. Provavelmente já foram vendidos na Feira da(s) Ladra(s). E dos ladrões.

  4. pedro diz:

    Mas que geração de políticos é esta? Isto sempre foi assim, só agora é que se sabe, ou é só desta “apanha”?

  5. Carlos Vidal diz:

    Caro pedro,
    À medida que avançamos no tempo, parece de facto que as levas e as apanhas pioram e pioram, a caminho de um “apocalipse alegre” (Hermann Broch): Soares presidente muito pior que o ex-candidato, e justamente denominado “sem medo” Humberto Delgado, Vale de Almeida pior que Soares. Mas, que digo eu, Vale de Almeida “pior”??
    Não, este não é pior nem melhor, não existe, ao contrário do que julga, e apesar de fazer muitos e muitos requerimentos “como deputado”, nas suas palavras (ena pá!!).
    Mas não sei, no fundo, se pioramos, se pioramos sempre. Posso estar enganado com uma velha ideia de “Idade de Ouro” que nunca existiu.
    Seja como for, o nosso apocalipse não será “alegre”.

  6. psd da boa-fé diz:

    Sr. Vidal,
    O fundo do fundo continuará a ter fundo?

  7. Carlos Vidal diz:

    Ora aí está, meu caro psd da boa-fé,
    Segundo Shakespeare, sempre que dizemos ter batido no fundo é porque ainda não lá chegámos.
    Portanto, o fundo do fundo nunca tem fundo.
    E por aí caminhamos.
    É só olhar à volta. Não tem escapatória possível.
    Os vales pululam e multiplicam-se.

  8. Niet diz:

    C.Vidal: Para quê fulanizar as críticas em A,b ou C? Foi o sistema , o imaginário, a hubris dominante da classe no poder que criou este estado de coisas. Remédios? Uma só solução…Mas a coisa é medonha porque somos uma gota de água nos 400 e tal milhões da UE. E os ritmos e assimetrias económico-sociais são muito diferentes e desiguais, como sabe. Agora que, na bacia do Mediterrâneo, a coisa
    pode ser exemplar na luta e na transformação política, lá isso, pode: Depende da nossa coragem, lucidez e força de vontade . E de sermos radicais, isto é, de recusarmos falsas questões e ataques pessoais. Claro, o MV de Almeida passou-se…Niet

  9. Carlos Vidal diz:

    Amigo Niet, eu admito e compreendo que queira colocar as questões sempre num plano, digamos, superestrutural.
    Mas também me custa uma sistemática desvalorização da exemplificação.
    Meu caro, nenhum pensador da transformação/emancipação abandonou a exemplificação. Nem Marx, nem Bakunine, nem Debord, nem Badiou …….

  10. Carlos Vidal diz:

    Quanto a Soares: nunca existiu para nada que tivesse a ver com “esquerda”. Tenhamos o sentido da realidade (por isso é que a exemplificação também é útil).
    Vale de Almeida, nada a ver com a esquerda, claro. Como líder reivindicativo da comunidade LGBT, que seja pensado e repensado o seu papel. Além disso, esse sr. senta-se na bancada do Código do Trabalho, do PEC, e tudo muito bem. Tem uma única causa. Já agora, que transformação social daí se pode operar??

    Também para estes raciocínios serve a exemplificação.

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