Noivas de Guerra

Em tempos houve as noivas de guerra, agora há ou vai passar a haver, com a bênção da ILGA, “@s noiv@s” da luta LGBT. Parece que os casamentos “gay” vão ser a atracção principal do Arraial Pride, em Junho, e para que não faltem noiv@s para a luta, a ILGA oferece tudo a quem queira sacrificar-se pelo esforço de guerra. “Queres casar? Casa no arraial. Com ele, com ela, com o que (sic) tu quiseres. Oferecemos-te tudo para que te cases”, promete a associação. Eu sou uma liberal, e acho que cada um deve poder sacrificar-se pelas causas que defende, mas receio que estes casamentos arregimentados, apesar de patuscos, possam levar algum@s noiv@s ao engano, e em vez da libertação prometida, venham a encontrar a mesma exploração sexista que a instituição do casamento reproduz há séculos: enquanto os soldados lutam na frente de batalha, lá em casa el@s entretêm-se com “as olimpíadas do croché e da agulha” e “o duelo das manicures“.

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1 Response to Noivas de Guerra

  1. fernando rosa diz:

    A brincar, a brincar. Mas espera-se agora pelo mediatismo dos casamentos. Qual globos de ouro, ou festival da canção. Os programas da manhã e da tarde não demorarão muito a começar a mostrar o 1.º casal, o 2.º casal, o 10º casal, o outro casal porque é actor, o outro porque é jornalista, o outro porque é militar, e o outro porque casou antes de conehcer o noiv@, tudo será motivo para aparecer, e mostrado como algo “exótico”, será a fase do primeiro estranha-se, depois entranha-se. Entramos então numa nova era do movimento LGBT, ultrapassada a fase do Estado Novo em 1974, e a crise da Sida nos anos 90. Eis agora a época pós-casamento. Só espero que não tenhamos de esperar, como nas anteriores épocas de mudança por um grande periodo de transição. E que o festim não atrapalhe a conquista de vários outros direitos que estão para vir, ou desviem a atenção dos mesmos, mas antes sim seja usado como reinvidicação, e visibilidade de uma igualdade que ainda tem muitos passos para andar.

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