
Há mais de uma semana que o meu irmão tenta alertar-me, mas só ontem percebi a gravidade do problema. O equipamento do Benfica, que este ano reproduz a camisola dos anos 60, aggiornata, com que o clube ganhou a primeira taça dos campeões europeus, foi desfigurado pela publicidade da TMN, que terá insistido em manter o azul do logo. Felizmente os benfiquistas não dormem, e ergueu-se logo um coro de indignados no Facebook para defender o integrismo encarnado. Estes bravos militantes conseguiram ontem, a fazer fé no jornal O Jogo, levar o Benfica e a TMN à mesa das negociações, tendo as partes prometido restaurar a cor autêntica das camisolas. O feito é da inteira responsabilidade dos movimentos cívicos no FB, que são vários. Basicamente, há dois grupos anti-azul: o “Eu quero limpar o azul da camisola do Benfica” e o “Não queremos o azul a estragar a camisola do Benfica”, que têm, por junto, 12 mil membros e sintonia de objectivos, com um ou outro desvio ideológico; há ainda um terceiro grupo, mais conciliador mas com apenas duas centenas de membros, que propõe que a TMN mude o logo para dourado para combinar melhor com a águia, e a quem chamaremos, para o distinguir dos restantes movimentos de libertação cromática, “splitters”. A petição online, criada há uma semana, já vai em 2.500 assinaturas, e o vídeo no youtube que ilustra com o dramatismo que se impõe o perigo que o logo azul representa para “o manto sagrado” e para a democracia em geral já foi visto, à hora a que escrevo, por mais de 20 mil pessoas. Já não via o meu irmão tão empenhado numa causa desde a última marcha pela legalização da marijuana.
“Isto é mais importante do que parece”, garante-me ele no Gchat. “Sabes quem negociou os contratos?”
(pausa dramática)
“O Rui Pedro Soares”.
“Céus! Já nada é sagrado para o PS? Qualquer dia estão a tentar comprar a TVI.”
“Vê o vídeo. Ele na Comissão de Inquérito disse e redisse que amava o FC Porto”.
Fui ver: a confissão caía, longa e chata, chata e trívia. Poupo-vos o visionamento (penso sobretudo na Ana Cristina Leonardo, que não se pode enervar): o gajo, como se não bastasse tudo o resto, ainda é sócio do FéQuêPê, tal como os filhos, o pai e toda a ascendência em linha directa até Dom Néscio Cretino. Teria Rui Pedro Soares usado o poder que em má hora teve na PT para conspurcar o Benfica com aquele rectângulo azul bebé? É abominável, como é que o Tiago Mota Saraiva ainda não falou nisto?
“Houston, we may have a problem com a teoria conspirativa. O gajo diz que deixou de negociar os patrocínios (aos 2 minutos)”.
“Sim, mas acho que foram negociados por vários anos”.
“Hummm…”
“Achas que não temos fundamento para avançar com uma queixa-crime?”
“Acho que precisamos urgentemente de uma vida (e cigarros, também preciso de comprar cigarros)”.
Disclaimer: Apesar das pressões de que posso ou não ter sido vítima para escrever este post, julgo que podem lê-lo com a confiança que habitualmente depositam no meu discernimento e isenção. Grata pela atenção que queiram dispensar-lhe, aceitem por favor os meus melhores cumprimentos.




Penso que a marcha pela legalização de marijuana é mais saudável que ver o F.C. Porto em qualquer cor azul. Parece-me pois, também, menos prejudicial fumar marijuana do que ser esquizofrénico por futebol. Agora, teorias da conspiração sim!
Morgada, tenho solução para o teu problema familiar. Tenho aqui um equipamento à campeão com garantia nos últimos 20 anos.
Sweet. Olha aqui uma T-shirt para ti. Não sei se têm no teu tamanho (Extra Large Mouth).
Tens razão. Lembro-me até de um equipamento mais à Morgada .
Too girlie for my taste, a pessoa que desenhou esse equipamento devia receber este em troca.
E aqui está o que se pode chamar um duche gelado. Esta Morgada, tão exornada de qualidades transcendentais, vai- se a ver e o Benfica isto e o Benfica aquilo. No melhor pano cai a nódoa, mas precisamente o pano não fica igual. Agora, em aparecendo textos novos arregalarei um olho crítico.
Qualidades poucas, defeitos muitos, nem todos fotogénicos. Confio que o tempo e a sua habitual generosidade lhe façam perdoar as minhas derivas benfiquistas, e assim não sendo, volte na mesma, gosto sempre de o ver por aqui.