…os do costume, os de sempre, a léguas conhecidos pelo “cheiro”, tirem as mãos de Cuba, sff

O meu colega artista Pedro Pousada (um abraço daqui, caro amigo) repetiu aqui e agora o que eu venho dizendo acerca da democracia e direitos humanos – conceitos que fazem parte de um linguajar insuportável, o que eu num post lá mais para trás chamei mesmo de “linguagice democrática” fascizante, “pluralista”, “pluripartidária” e toda a tramposa linguagem fechada e dominante que apenas vicia os viciados. Diz o Pedro:

«a verdade verdadinha é que Cuba NÃO tem falsos positivos, valas comuns, soldados-crianças, generais narcotraficantes, feminicídios, grupos paramilitares que matam as suas vítimas com serras electricas, esquadrões da morte que assassinam menores abandonados (coisa que aliás não existe em Cuba), sicários que matam ambientalistas, favelas dominadas por gangues sanguinários e polícias de gatilho leve que matam e depois perguntam, políticos corruptos, latifundiários que são autenticos senhores feudais nas suas fazendas, donos de canais de televisão que praticam a liberdade de imprensa usando chavões racistas contra chefes de Estado e apelam mesmo ao seu homicídio, nem donos de supermercados que açambarcam bens de primeira necessidade para provocarem o pânico social e enriquecerem à custa da fome alheia, nem monopólios agro-alimentares que envenenam os trabalhadores rurais com pesticidas ou companhias petrolíferas que expropriam e expulsam populações indígenas e a lista podia continuar.

Cuba não é o eldorado e os cubanos incluindo o seu governo democrático e muito, mesmo muito, popular, são os primeiros a reconhecerem as dificuldades e as limitações mas se o quotidiano é difícil não é impossível como o é em muitos lugares vizinhos de Cuba que não sofrem as agruras do bloqueio norte-americano que até fio cirurgico e medicamentos para o tratamento de crianças com cancro não permite que sejam vendidos a Cuba. Sobre a liberdade e a democracia perguntem à família do professor hondurenho membro da Resistência cívica (e já tantos o foram e deles ninguém fala…) que ainda esta semana foi assassinado à porta de casa juntamente com um outro activista da Resistência por agentes do governo golpista, perguntem às famílias das dezenas de mulheres assassinadas nos ùltimos anos em Juarez no México, mulheres trabalhadoras violadas assassinadas e mutiladas por grupos paramilitares que instalam o medo e o terror no proletariado de Juarez (essencialmente constituído por mulheres), perguntem na Colômbia à família dos jovens pobres assassinados pelo exército e travestidos de guerrilheiros para que os oficias fosssem recompensados, à família dos activistas dos direitos humanos , aos líderes comunitários, aos sindicalistas, aos comunistas de que ninguém fala e todos os meses são ameaçados, agredidos e assassinados na “democracia” colombiana.»

Ora, os tarados que não largam Cuba e não param de chatear sem fundamento outro que não o de se autopromoverem que tirem de lá as suas mãos, sff. Já, certo?

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22 respostas a …os do costume, os de sempre, a léguas conhecidos pelo “cheiro”, tirem as mãos de Cuba, sff

  1. FR diz:

    Eu penso que é perfeitamente compatível aceitar tudo o que está escrito no post, e ainda assim defender a liberdade de expressão em Cuba – mesmo para as 6 pêgas de branco – e isso tem de incluir a possibilidade de se formarem tendências políticas que não as do PCC, bem como o seu acesso à imprensa, o que me parece que, de facto, não acontece hoje. Estou-me completamente a cagar para se o amigo Vidal acha que estou a soldo da CIA.

    É de admitir que os EUA contribuiriam certamente para financiar correntes políticas que iludissem as massas recorrendo a promessas como um aumento de bem-estar material, como por exemplo prometer i-pods e electrodomésticos, práticas essas correntes em países como o Brasil ou Portugal (alô Valentim Loureiro!)

    No entanto, é de admitir que as massas cubanas, incitadas por meio século de participação efectiva na democracia – ao contrário do que acontece no nosso país, devo frisar – acabariam por rejeitar uma transição para o capitalismo, devido – admitamo-lo – à imensa propaganda a que foram sujeitos e que aceitem com maior ou menor relutância. Não seria isto uma bofetada de luva mais branca no imperialismo do que a própria sobrevivência de Cuba? E digo isto não por achar que Cuba se deve vergar aos ultimatos do mundo democrático ocidental, mas por efectivamente entender o fenómeno da burocracia como apêndice do socialismo de partido único (outra expressão fascista, dirá o camarada Vidal).

    O hábito de não querer debater Cuba é um dos últimos resquícios estalinistas que facilmente não serão apagados da face da terra, e que afastam muitos dos que visitam este blog para descobrir o que significa derrubar o Capitalismo. Derrubar o Capitalismo não é apoiar Cuba. Cuba é um país que tem importância ZERO à escala global. Existe para que uns intelectualóides se sintam felizes: ao menos em Cuba existe qualquer coisa que não existe cá. Sejamos realistas e admitamos que o socialismo cubano – como aliás, o socialismo soviético em tempos – só é sustentável num quadro socialista global. (Carlos Vidal: socialismo num único país, também é uma expressão fascista?)

    Penso que contribuí um pouco para centrar o debate num nível acima do que os Chicos da Tasca o costumam arrastar, nomeadamente sobre Cuba. Debatam-se estas coisas à esquerda, sff.

  2. Miguel Lopes diz:

    Os erros dos outros justificam os nossos, ou mesmo “o nosso” se fosse o caso;
    Two wrongs make a right. Demasiado básico, mas pelos vistos colhe.

    Por exemplo, neste postal, eu até me esforço para tentar levar a discussão até ao fim:

    Eu: será correcto não existir direito de associação política e só haver um partido legalmente constituído, ainda que não eleitoral?

    Leo: A pertença a um partido não é condição para a participação política, nem sequer para concorrer.

    Eu: Não é necessário para a participação eleitoral, mas para a participação política, isto é, a organização das massas em torno de um projecto.. aí dá um jeitão dos diabos!

    …fim da discussão…

    Notas:
    1. Pelos vistos não são só os “reformistas” a reduzir a política às eleições.
    2. Em Cuba não há nenhum sistema mais directo e horizontal que o nosso. O sistema representativo parlamentar, retirando a propaganda, é o mesmo. Com duas diferenças: os partidos são substituídos por caciques locais (winner takes it all, menor proporcionalidade); só pode haver uma “força dirigente e superior da sociedade e do Estado” (ver Constituição), o glorioso Partido Comunista.

    Alguém que não veja aqui um problema faça o favor de replicar e levar o debate até ao fim.

  3. ezequiel diz:

    Sr prof.

    nunca concordei consigo, politicamente falando.
    mas devo dizer que desta feita o sr acertou em cheio.
    cuba está, de facto, a léguas da colombia e do méxico.

    preferiria, de longe, viver em cuba do que em qualquer outro país sul americano.
    nem pensava duas vezes.

    é uma pena os yanks nunca terem percebido que a emancipação social e economica dos povos sul americanos é um dos mais importantes interesses estratégicos dos EUA.

    finalmente concordo consigo (politicamente falando)

    um bom dia para si, prof.
    🙂

  4. João Torgal diz:

    Estou de acordo com alguns dos fundamentos do texto. Todos nós sabemos da hipocrisia americana que, enquanto combatia ferozmente o comunismo na América do Sul, considerava Trujillo e Pinochet grandes aliados, companheiros e líderes políticos.

    Mas não posso concordar com uma coisa: “(…)cubanos incluindo o seu governo democrático”. Não, não é um governo democrático, por mais que tentem provar o contrário. Pode ser uma ditadora mais branda e não se aproximar sequer de certos regimes sanguinários, mas é um sistema de pensamento único, sem direito à diferença e à efectiva liberdade de opinião e isso não é, nem nunca será, uma democracia. Tal como, o facto de o salazarismo ter sido mais “soft” que o nazismo não o tornou, na linhagem fascista, um regime democrático. As coisas valem por si mesmas e não pelas comparações com terceiros.

  5. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal,
    Tudo correcto e pacífico, e para isso bastar-nos-ia ler o IDH da ONU! Nada me move contra Cuba, pelo contrário, muito me move a favor de todos os Povos que são e podem ser o que são e aspiram a sê-lo, profundamente, em independencia. Suportando os custos dos seus erros e percebendo os frutos do seu esforço.
    Mas escudar-se, à guisa de inocente em lamúria carpida, como se o outro houvesse que comerciar e apenas porque sim, em putativos bloqueios ou qualquer outra escusa é que não faz sentido. Servirá, verdadeiramente, para quê!? Para enobrecer o Povo de Cuba!? Para justificar a escassez!? Ora, não me consta que, à excepção de meia duziazinha de coisas, os vizinhos do norte tenham o exclusivo na produção e comercialização do escasso por terras de cuba e sendo a questão “trigo” há bem mais gente capaz de lhes lançar a crédito!!
    Mas neste mundo, como bem sabem os de Cuba, e saberá, certamente, o caro Vidal, os credores apenas o querem ser se o outro prestar o débito, devido, pois que também carecem de o devolver a quem o produziu, e isto, claro, falando da fungibilidade do trigo.
    De qualquer modo, e sempre, um bem haja para si,

  6. FR diz:

    Terá o trotsky-fascista Vidal censurado um comentário meu, ou terei de o reescrever?

  7. tu nao me digas que os imperialistas da terra prometida querem voltar. Outra vez casinos, bordeis, cana do açucar, tabaco e exploração vária.

  8. Justiniano diz:

    Bons tempos, caro jecta! E o juro era coisa que se via!!

  9. Olaio diz:

    Torgal, só pode dizer que em Cuba vigora um sistema de pensamento unico quem nunca passou por aquela ilha, nomeadamente pelas ruas de Havana e conversou com as pessoas.

  10. idi na hui diz:

    Estou siderado com o argumento democrático do comentador miguel lopes:democracia sim, mas com falsos positivos e exportação de droga em barda,aturdoa as massas populares e engorda os bancos.Concerteza q o sr. diz q a Venezuela é uma ditadura do caraças e,deixe-me q diga q o sr. deve ser um daqueles lambe-botas q não importa q com o seu ‘trabalho’ esteja a lixar toda uma sociedade desde q fature…Estamos conversados e, vá para o caralho que o foda pq já não tenho respeito por gente intelectualmente desonesta.Não keres ver,talvez um dia vejas….

    Democracia na minha pobre visão,não rima com miséria(versus riqueza acumulada em parasitas),donde se depreende q vivamos numa autentica Cleptocracia!

  11. idi na hui diz:

    Professor,(é só prós caganças dos reaças)estou 100% de acordo com você!

  12. Augusto diz:

    Generais narcotraficantes…..

    Há alguns anos em Angola não era a versão que corria, mas enfim…..

    Cuba realmente é o paraiso, pena que para muitos cubanos seja tambem o inferno

  13. Miguel Lopes diz:

    idi na hui, é memo assim boy! 😉

    Olaio,

    “só pode dizer que em Cuba vigora um sistema de pensamento unico quem nunca passou por aquela ilha, nomeadamente pelas ruas de Havana e conversou com as pessoas.”

    O que é que a opinião das pessoas tem a ver com o sistema político concreto e as formas da sua representação?
    O que interessa são as regras. Leiam também este post para se perceber todo o logro.

  14. Olaio diz:

    Miguel Lopes, vou explicar-lhe: Um sistema destinado a produzir chouriços, produz chouriços, um sistema para produzir nabos produz nabos e por ai a fora.
    Um sistema destinado a produzir pensamento unico, produz gente com pensamentos iguais, formatados, percebe?
    Ora em Cuba, falando com as pessoas percebe-se duas coisas.
    1º as pessoas estão muito bem informadas sobre o que se passa no país e no mundo.
    2- As pessoas têm opinião e muito diversa, acerca do regime e do mundo e exprimem-na publicamente.

    É claro que há sempre a hipótese de o sistema funcionar mal, por exemplo, em Portugal e na Europa os sistemas são muito “democráticos”, mas cada vez mais produzem pessoas que repetem as mesmas e unicas coisas (então em relação a Cuba é mato), discursos formatados. Logo pode tambem acontecer que o sistema na ilha funcione mal e produza gente livre.
    Quem sabe?

  15. acho que sim, acho que sim caro Justiniano, é que o Fulgêncio foi aqui meu vizinho do quintal a trás e não me parecia nada em apuros. Já os da prometida casinaria tornaram-se ainda mais autónomos e iguais ao mesmo tempo em Miami. Contava ele. Juros altos, portanto. Assim como assim e como na Albânia, também já estou como hei-de ir.
    Carlos, segundo os últimos relatórios o vendaval foi um sucesso tempestuoso livre e conteudesco.

  16. Carlos Vidal diz:

    ezequiel,
    Ainda bem que concordamos: a vida política, económica e cultural cubana é infinitamente superior à de praticamente todos os seus vizinhos de fala espanhola e portuguesa.

    FR,
    Como pode ver, não censurei nada, não sei do que fala.

    caro João Torgal,
    Não considero que, em Portugal, eu possa dizer que vivo em democracia, ou mesmo na Europa, muito longe disse. Já escrevi inúmeros textos/posts por aqui, onde tal justifico. Se a sociedade cubana é tendencialmente igualitária e de direitos avançados (que o é) – da saúde à educação – então Cuba é um candidato mais nobre que Portugal ao classificativo “democrático”.
    O multipartidarismo é o critério mais insignificante.
    É, como digo, um não-critério, linguagice.

    O chamado “pensamento único” em Cuba é uma visão colectiva de uma sociedade socialista.
    Como se diria em muitos casos, o comunismo é uma invariante humana, não é matéria de opinião.

  17. Miguel Lopes diz:

    Olaio,

    Eu não estava a falar de chouriços. Estava a falar das regras e pedir a alguém que me explique porque razão concorda com elas, ou se, ao invés, há uma crítica a ser feita.

    “Se a sociedade cubana é tendencialmente igualitária e de direitos avançados (que o é) – da saúde à educação – então Cuba é um candidato mais nobre que Portugal ao classificativo “democrático”.
    O multipartidarismo é o critério mais insignificante.”

    Falsa escolha: outra falácia a juntar à primeira.
    A democracia económica e social complementa a democracia política, não a substitui. Mantendo tudo o resto constante, Cuba é menos democrática por não estender a todos o direito de associação política e ter uma numenklatura que se auto-elege. A lei eleitoral cubana é um patético engodo, cheia de filtros, válvulas de segurança, representantes de representantes de representantes.. em suma, uma charlatanice pior que o parlamentarismo burguês (que supostamente visa criticar).
    Um cidadão primeiro tem que ser eleito delegado de base numa votação de braço no ar. Depois candidata-se a candidato (!!!) junto de uns órgãos chamados ‘Comissões de candidatura’ compostos por órgãos do Conselho de Estado (Comités de Defensa de la Revolución, de la Federación de Mujeres Cubanas, de la Asociación Nacional de Agricultores Pequeños, etc.) que só têm a obrigação de incluir 50% dos delegados eleitos numa circunscrição, podendo excluir qualquer candidatura de forma arbitrária e seleccionando com base no “mérito” e biografias que nem o próprio candidato a candidato pode elaborar.
    A mesma trapalhada repete-se a nível provincial e nacional, onde então chegamos às chamadas “eleições”, onde há 614 candidatos para disputar 614 lugares. Catita.

  18. FR diz:

    A história da burocracia é, até certo ponto, a história da URSS (basta querer lê-la): os arrivistas, as teias de interesses, o controlo dos sindicatos pelo Partido, a falta de democracia nos locais de trabalho ao contrário do previsto, as decisões tomadas por decreto e emanadas pela imprensa do Partido (aliás a única, depois de dissolvidos os partidos e correntes existentes que promoveram uma época de excepcional debate, desde o começo da revolução até ao triunfo de Estaline), os favores, a criação de empregos para amigos. Não é um exclusivo do sistema de partido único (tudo isto acontece no democrático Portugal), mas evidentemente o fenómeno da burocracia é assustador, e é o calcanhar de aquiles do socialismo. Repito pela enésima vez: Tenho liberdade, enquanto cidadão cubano, de organizar uma corrente de opinião política, fora do PCC, com acesso a imprensa? É evidente que não, e é no mínimo FASCISTA não o admitir. Sob algumas circunstâncias (os primeiros anos da revolução russa, por exemplo) essa era uma medida que não seria, de todo, descabida para impedir a contra-revolução, mas meio século depois da revolução cubana isso faz qualquer sentido?

    São as (poucas) questões que deixo em aberto.

    Saudações trotsky-fascistas.

  19. Justiniano diz:

    Ezequiel, não estarás a exagerar nas preferencias!!?? Sem qualquer desprimor para com os Cubanos! Mas olha que o Chile e a Argentina são na América do Sul…

  20. Carlos Vidal diz:

    Meu caro FR,
    Permita-me que lhe diga: deixe de me chamar trotsky-fascista.
    Desde os meus 10 anos (anos de 75) que eu aprendi a compreender, respeitar e admirar José Estaline e Zedong.
    E não me vejo hoje muito diferente.

  21. FR diz:

    “Trotsky-fascista” foi o meu cumprimento. Era o que os que simpatizavam com Estaline e Zedong chamavam aos que escapavam ao pensamento único , ou lá como chama a essa “visão colectiva”. Portanto, às dúvidas – muito pertinentes – levantadas pelo Miguel Lopes, nem uma palavrinha… Às minhas palavras só responde à parte da saudação. Estamos conversados. Ainda bem que diferimos na nossa visão colectiva.

  22. Carlos Vidal diz:

    Caro FR, eu não tenho nada de responder a Miguel Lopes. Ele descreve um sistema eleitoral com o qual não concorda.
    Eu também por cá, pela Europa, não concordo com os famigerados círculos uninominais, que os principais beneficiários querem trazer para Portugal, por razões óbvias.
    De resto, uma democracia não se pode reduzir à maior ou menor perfeição do sistema eleitoral. Não se deve confundir vida quotidiana com acto eleitoral.
    Na “sociedade do espectáculo”, a vida quotidiana é miserável.

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