Uma apresentação e uma estreia… gastronómica

É um lugar comum, mas não deixo de considerar uma cordialidade necessária agradecer o convite para escrever nesta “tasca”.

Segue-se a apresentação: o meu nome é João Torgal, sou da geração dos vinte e tais e formei-me em Coimbra (onde fui criado, apesar de ter nascido em Múrcia), onde integrei alguns movimentos de verdadeiro (e não oportunista) apelo à luta pela defesa intransigente do ensino público, gratuito e universal (é um chavão, mas cada vez mais posto em causa). Tirei a licenciatura pré-Bolonha em Matemática Aplicada e o mestrado em Ensino, seguindo, por agora, a carreira de professor numa Escola Básica de Lisboa. Isto, para já, porque ser professor hoje em dia não é das coisas mais apelativas, para não dizer que é revoltante (como poderão ver em alguns textos que escrevi sobre o assunto, nomeadamente este, publicado num blog onde escrevo há alguns anos e já anteriormente aqui referenciado no 5dias).

Religiosamente ateu ou agnóstico (ainda tenho dúvidas sobre as minhas dúvidas), sou no, plano político, um independente de esquerda (cada vez mais independente, diga-se de passagem), tendo já votado, fruto das minhas convicções pessoais, no PCP, Bloco de Esquerda ou até no PS (calma, não foi em Sócrates, mas em Ferro Rodrigues, contra Durão Barroso, nas Legislativas de 2002). Fui votante e apoiante de Alegre e integrei, de modo não activo, o MIC, mas estou particularmente desapontado com esta sua segunda candidatura presidencial.

Embora com interesses em outras áreas culturais , sou particularmente apreciador de música, sendo locutor da Rádio Universidade de Coimbra (uma verdadeira rádio de autor, com conteúdos muito diversos e abrangentes e uma das poucas rádios escola do país), em particular do “Artesanato Sonoro” , programa de World Music. Assim sendo, a música será uma área onde incidirão frequentemente os meus textos.

Posto isto, aqui vai a sugestão gastronómica…

 

Sediado em plena Serra da Lousã, na zona do Castelo e das piscinas naturais, “O Burgo” é seguramente dos meus restaurantes preferidos. A localização, o espaço (com uma decoração maioritariamente rústica e tradicional) e o atendimento são pontos a favor, mas as principais virtudes são seguramente as iguarias que por lá se comem:

                  – entradas óptimas (pataniscas de bacalhau, enchidos serranos, favas,…)

                  – pratos típicos e regionais de excelente qualidade, como o cabrito assado à serrana, os sarriscos da matança (carne de porco cortada aos pedaços, com azeite, alho e vinagre, se não estou em erro), o coelho e o javali com castanhas, o veado com tortulhos (cogumelos selvagens), o bacalhau com migas beirãs, o peculiar cozido, envolvido dentro de um pão, …

                  – um leque interessante de sobremesas, com destaque para a tigelada beirã e para as farófias

E o mais agradável de tudo é que, comendo de forma bem abastada e bebendo bom vinho (o da casa é agradável, mas mesmo que se opte por outras escolhas, os preços são interessantes), o preço médio ronda os 15 euros, o que o torna num restaurante de eleição, em termos do binómio qualidade / preço. Altamente recomendável, portanto.

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15 Responses to Uma apresentação e uma estreia… gastronómica

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  2. pedro gama diz:

    Desculpem, mas o que é isto? Uma ementa de 15 euros para engordar os independentes de esquerda? Em tempos de crise, apelar ao consumismo de esquerda? E poupar umas moedinhas? Ou a esquerda independente já se esqueceu desses valores?

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Bem-vindo, João.

    Pedro,
    Não percebi a oposição de um post sobre gastronomia e os valores da esquerda?
    Quer-me dizer que a esquerda exige prato único de papa. E, sobretudo, não me lembro que este blogue só possa ter textos sobre ideologia.

  4. psd da boa-fé diz:

    Jovem Torgal,
    Estará por acaso a cogitar elevar esta tasca (em torno da qual gravitam a irreverência e a tao necessária irresponsabilidade) a ‘restaurante’ (por onde parasitam as almas decentes e responsáveis enquanto celebram o pensamento único)?

    Andam por aí a fechar todas as tascas. Espero que a ASAE nao o tenha contratado para vir fechar mais esta, senao um dia destes fico sem onde ir tomar o meu tintol e recitar umas coisinhas poéticas.

  5. Morgada de V. diz:

    Os sarriscos da matança parecem-me bastante ortodoxos, ideologicamente falando, embora eu alinhasse mais no bacalhau com migas.
    Bem-vindo, João.
    m.

  6. psd da boa-fé diz:

    Sr. Ramos de Almeida,
    Claro que a esquerda nao come papa: já o meu avô que era fascista dizia que ‘o esquerdista’ tem espírito de proletário em corpo de aristocrata.
    E a prática tem-me confirmado que sao raros os ‘esquerdistas’ que fogem a esta regra.

    (ps: com a notável diferença que o aristocrata sabe sempre distinguir ao paladar o que é autêntico daquilo que nao é, enquanto que o esquerdista come gato por lebre a toda a hora)

  7. PSD de boa fé:

    Bem pelo contrário, não há nada como uma verdadeira tasca. Ou isso ou sou realmente um espião da ASAE e do “Câmara Corporativa” que pretende minar este espaço por dentro 🙂

    Pedro:
    A demagogia, a demagogia…

  8. Renato Teixeira diz:

    É verdadeiramente indecente cativares a leitura de uma belíssima prosa sobre o Manuel Alegre, e depois deixares a malta a salivar com o Burgo da Lousã. Com a chegada do calor bem podes sublinhar que para além de luxurias no prato, ainda há uma piscina natural e trilhos campestres para a digesta.

    Boas postas e bem-vindo.

  9. Pedro diz:

    psd da Boa Fé, de onde é que concluiste que o Burgo é uma tasca? Foi do “decoração rústica e tradicional”? ;)… hhmmm… acho que, ao contrário do que dás a entender, não tens lá muita experiência nem de tascas, nem de qualquer outra coisa. Vai lá e diz alguma coisa. Chegar lá não é fácil para os forasteiros, e em dias de grande afluência, o estacionamento não é muito fácil. Mas vale muito a pena. Para a sobremesa, sugiro também o doce de abóbora e requeijão.

  10. Pedro diz:

    Tenho de pedir desculpa ao psd da boa fé, interpretei mal o seu comentário na parte da “tasca” ;).

  11. Pedro M Lourenço diz:

    O meu nome é Pedro, ando nestas coisas da luta e da diginificação do ser humano há alguns anos e gostava de recomendar a tasca das francesinhas em Matosinhos.

  12. Leitor Costumeiro diz:

    Olá Torgal.

    É bom ler-te por aqui. Se o Burgo baixar os preços vou lá mais vezes e desculpa mas aquilo de Tasca não tem nada…Se quisesses umas Tascas porreiras, pá, não precisas de sair de Coimbra. E olha que por menores preços já comi melhor que nesse restaurante ao pé da piscina, mas vá lá toda a gente merece os seus pequenos requintes..

    Abraço

  13. João Torgal diz:

    Eu não disse que “O Burgo” era uma tasca, mas sim um restaurante óptimo. Tascas são, por exemplo, o “Zé Manel” ou o “Quim dos Ossos” e, principalmente o primeiro, mas também o segundo, são espaços francamente recomendáveis…

  14. Bruno Julião diz:

    Em suma, o meu amigo entra aqui para falar mal do candidato de esquerda, porque ele ainda é militante do PS e culpado pelo seu SG ser Sócrates. 🙂

    Ou seja, “Longa Vida Para Cavaco Silva!” 🙂

    Abraço

  15. João Torgal diz:

    Caro Bruno Julião (há quanto tempo…):

    Limitei-me a expressar uma franca e total desilusão por alguém que era para mim uma grande referência e pelo único candidato pelo qual me bati activamente numa campanha eleitoral (quantas vezes defendi o seu percurso, não só nas Presidenciais de 2006, mas desde aí, e quanto me arrependo de o ter feito)

    Repito mais uma vez: o problema não é Alegre continuar a ser militante do PS, tendo Sócrates como Secretário-Geral. O problema é tudo fazer para que o gang socratino o apoie. E isso, desculpa, mas não é próprio de um “candidato de esquerda”.

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