Podias ter escrito sobre os números do Euromilhões de sexta. A gerência agradecia.

“Nós estamos num estado de pobreza comparável somente à Grécia: mesma pobeza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa- citam-se, a par, a Grécia e Portugal. Nós porém, não possuímos como a Grécia, para além de uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da Arte. Apenas nos ufamos do Sr. Lisboa, barítono, e do Sr. Vidal, lírico”.
Eça de Queiroz, in “Uma Campanha Alegre”, citado a partir do Jornal de Negócios.

O facto do Eça ter analisado isto em 1872 não me faz confusão. Portugal foi sempre dirigido pelas mesmas elites. É natural que não tenha saído da cepa torta. O que me assusta é ter nomeado uma das glórias da pátria: o nosso Vidal.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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