Não, nunca vimos nada assim, só mesmo com estes dois senhores…


de PETER WATKINS, La Commune.

Na conferência de imprensa há pouco concluída, por ocasião do Conselho de Ministros que hoje debateu medidas de “reforço” do PEC (Programa de Empobrecimento Colectivo) e de combate ao défice, J. Sócrates, em pose de estadista (imagine-se…), deixou uma última palavra (e foi mesmo a última palavra da comunicação) de louvor para o líder da “oposição”, um tal dr. Passos Coelho.

Veja-se bem o que temos aqui à nossa frente: um primeiro-ministro anuncia das medidas mais penalizantes e gravosas para todos nós (exceptuando os malabaristas de sempre) e agradece a possibilidade da sua implementação ao líder da “oposição”! Nunca em nenhum momento histórico, e suponho que em nenhum outro país, isto faria sentido: uma conferência de imprensa a dois, com um primeiro-ministro e um fantasma que não sabemos ao que vem, nem se veio (ai veio, veio – e para ficar, como alma gémea).

Duas coisas rápidas a considerar: 1) em primeiro lugar, está enterrada a democracia, seja parlamentar, pluralista, participativa, seja o que for (mas há alternativas e respostas – veremos); 2) estes dois senhores julgam mesmo que o todo é a soma das partes, ou seja, julgam que a  soma dos seus votos, dos votos dos seus dois (por assim dizer) partidos, não apenas os legitimam, como os deixam tranquilos neste lance de dados perante a comunidade.

Aqui, desenham-se então duas respostas: enterrada a “democracia” parlamentar pelos seus chefes, resta a democracia directa, claro; como aqui venho dizendo, a rua como lugar de posição e expressão. Nada mais. Em segundo lugar, naturalmente (e por interligação), toda e qualquer acção de rua, tenha as proporções que tiver, apenas pode ter um programa e um norte: a completa rejeição de tudo o que o primeiro-ministro disse na sua conferência. Esta é a análise que se me afigura neste momento. O futuro está em aberto. Ou seja, a conferência de J. Sócrates ainda não terminou.

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