Como ser mais ou menos solidário com os protestos gregos e ainda assim defender o seu colonialismo económico

O João Tunes e o Daniel Oliveira explicam tudo. Esforcem-se. Verão que são capazes. Depois tentem explicar o que aprenderam a um qualquer grego de ocasião (não vale escolherem entre a clique de burocratas que vai ficar com a ajuda). Se ele vos entender, e mais difícil, se ficar convencido, também votarei de cruz. Até lá, não se vislumbra onde é que fazer de Dona Branca à Grécia lhes pode valer de alguma coisa. Como diria o poeta: “é o internacionalismo monetário”, claro… mas à nouvelle gauche. Antes saudavam-se os insurrectos e denunciavam-se os opressores. Agora financia-se o governo e deixa-se o povo a pagar os juros.

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22 Responses to Como ser mais ou menos solidário com os protestos gregos e ainda assim defender o seu colonialismo económico

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  2. AMCD diz:

    Fala-se muito da “ajuda” à Grécia. Qual “ajuda”? Qual Grécia?

  3. miguel diz:

    O Partido Comunista da Grécia (KKE) votou contra o plano de austeridade imposto pela burguesia com a chantagem da aprovação ou a banca-rota. Os comunistas gregos rejeitam o plano que prevê a aplicação da entrega de 110 mil milhões de euros à burguesia financeira e parasitária e o aperto do cinto para os trabalhadores gregos.

    O que espanta não é a coerência do voto do PCP (solidário com o povo grego vota contra o empréstimo), é o voto favorável do Bloco de Esquerda ao endividamento e dependência da Grécia para “salvamento” da oligarquia financeira mundial.

    Como sugere o Renato Teixeira, o Bloco de Esquerda é que devia explicar ao povo grego porque aprovou a ajuda aos especuladores, porque é que se colocou ao lado da grande burguesia (grega, alemã, portuguesa, francesa, …) contra os trabalhadores e o povo grego.

  4. Renato Teixeira diz:

    Nem mais, Miguel. Nem mais. Sendo absolutamente insuspeito (devo ter concordado com meia dúzia de medidas do PCP nos últimos anos) esta posição é de grande coragem e clareza política e não cede à chantagem barata do politicamente correcto.

    Defender o povo grego é derrotar o PEC (e fazer dele um PREC) e não deixar vingar o plano de escravatura económica.

  5. Augusto diz:

    Se a Grécia falir, Portugal sofrerá as consequências, e vai pagar muito caro .

    Isso não invalida que se pergunte, porque estoiraram os sucessivos governos gregos, fortunas em material de guerra ….

    Porque demorou tanto o BCE e os restantes paises da Europa a responder á crise das finanças gregas, e á especulação do sistema financeiro, aliado ás agências de notação….

    Porque deixou o BCE a Grécia entregue aos ditames do FMI , controlado pelos EUA, tendo assim enfraquecido a posição do euro perante o dolar.

    O empréstimo que os governos da Europa vão fazer á Grecia, é um sinal de solidariedade, o povo grego já está a pagar e caro as asneiras dos sucessivos governos gregos, mas sem esse empréstimo a Grécia entra na bancarota.

    O que pensa o PCP que sucederá então aos trabalhadores gregos…

    Na administração publica, não vai haver dinheiro para salários.

    As empresas privadas parte delas entra em colapso, e o desemprego será generalizado.

    Na falta de alternativas, entraremos numa espiral de violência, que muitos poderão pensar que daí virá uma nova revolução que conduzirá os explorados ao poder.

    Ilusões, se conhecessem a Grécia, o resultado numa situação de crise generalizada, será um golpe miltar e uma ditadura, a que a burguesia europeia fechará os olhos , a bem da sua estabilidade.

    A luta por uma nova Europa mais solidária, e por um combate firme ao sistema financeiro, e contra as medidas que só penalizam os mesmos de sempre, é uma obrigação de TODA a ESQUERDA.

    Mas empurrar os trabalhadores gregos para o abismo, não me parece que seja um sinal de solidariedade…..

  6. Renato Teixeira diz:

    Augusto, o leitor Mário Antunes deu um bom exemplo da demagogia da ajuda neste post. Uma das sugestões (e sabemos que quem empresta digamos que quando fala é mais do que uma simples sugestão) é que o dinheiro sirva para comprar submarinos.
    Acha mesmo que é por aqui? É que os gregos estão na rua a derrotar o PEC e a recusar o endividamento infinito do seu país. Não que parece que estejam a clamar por juros.

  7. Augusto diz:

    Qual a saida da Grécia sem este empréstimo, diga-me ……

  8. Renato Teixeira diz:

    Qual a saída com o empréstimo, poderia eu perguntar-lhe? Sem ele fica mais claro que precisam de renacionalizar os sectores estratégicos da economia; recuperar o seu tecido produtivo; assumir o controlo da produção em variadíssimos sectores; etc.

    O empréstimo e com tudo o que ele significa, está a derrotar a luta do gregos e a estender um tapete vermelho aos que têm boa parte da culpa da “falência”.

  9. Augusto diz:

    Conclusão lógica da sua saida.

    Abandonar o Euro….

    Sair da União Europeia

    E Depois….

    A justa luta dos trabalhadores gregos pelos direitos que lhe estão a ser roubados, e a solidariedade com essa luta , deve tambem levar a esquerda toda ela a repensar a sua posição….

    Se quer , ou não, continuar na Europa.

    Se quer, ou não continuar no Euro.

  10. miguel diz:

    Augusto: “A justa luta dos trabalhadores gregos pelos direitos que lhe estão a ser roubados, e a solidariedade com essa luta , deve tambem levar a esquerda toda ela a repensar a sua posição….”

    Num post anterior o Augusto faz um discurso em tudo igual ao do Papandreou, subscrito pela extrema direita grega, e agora vem falar na “justa luta dos trabalhadores gregos pelos direitos que lhe estão a ser roubados”?

    Se está do lado dos trabalhadores e da sua “justa luta” não pode estar do lado da grande burguesia que explora e oprime esses mesmos trabalhadores; se toma partido por quem reivindica nas ruas não pode adoptar o discurso de quem manobra nos bastidores do Poder. O que é preciso “repensar”, como sugere, é a sua própria posição na luta de classes: de que lado está o Augusto? Do lado dos exploradores ou dos explorados? Dos dominantes ou dos dominados? Da conservação da Ordem ou da sua subversão?

  11. simples diz:

    Os países falem,os banqueiros que provocaram tal desiderato nem presos vão.Deviam levar um tiro nos cornos!A Dª Branca esteve presa,estes doutores e engenheiros,fazem emprestimos depois de os chuparem, aos paises e dão classificações 3A.
    Eles andam a precisar de ‘chuva’.Talvez desta se vão foder para o paredão

  12. simples diz:

    Porque é que a IRlanda e a Itália que têm déficits maiores q a Grécia,não são encostados à parede?…….A maioria dos especialistas e opinadores aneutrais(!)nõ sabem nem querem saber,para continuar com a ficção,é necessário ‘determinadas’ premissas…

  13. José Jardim diz:

    A esquerda caviar do BE,não é “peixe” nem é “carne”.A sua politica está expressa nestes comentários do tal de Augusto que comenta aqui mais acima.
    À espera do BE para defesa dos seus direitos bem podem esperar os trabalhadores gregos e os portugueses,

  14. Renato Teixeira diz:

    Augusto, nem esta Europa nem este Euro, seguramente. São duas das principais ferramentas de dominação e um dos melhores negócios de sempre do eixo fraco-alemão.

  15. O que se votou no parlamento não foi nem o Plano de austeridade grego nem as condições do empréstimo. Foi apenas a contribuição financeira de Portugal para o empréstimo. Ou seja, o PCP votou contra essa contribuição. Se outros lhe seguissem o exemplo qualquer debate sobre as condições seria irrelevante, já que o empréstimo nem sequer existiria. A questão é esta: quando se vota contra uma coisa têm-se alternativas. Qual é?

  16. Renato Teixeira diz:

    Daniel Oliveira, qualquer que sejam as condições do empréstimo, não consta que a ausência de juros seja uma possibilidade. Nesse caso, qualquer empréstimo trata-se de um contrato de promessa do governo grego com os interesses do eixo franco-alemão.

    Aqui se aplica bem a máxima: Os patrões que paguem a crise. Não foram eles que a produziram? O que ganha o povo grego com mais um negócio feito em seu nome e às suas custas?

    Ao menos haja a decência de não vender o festim como se de solidariedade se tratasse.

  17. Leo diz:

    Ou seja o BE votou a favor da contribuição financeira de Portugal para o empréstimo cujas condições foram ditadas pelo FMI e que são estas:

    http://www.humanite.fr/IMG/pdf/FMI3.pdf

  18. Renato Teixeira diz:

    Clarificador, Leo.

  19. Leo diz:

    Presumo que este artigo também é bastante esclarecedor:

    Os homens influentes do Goldman Sachs

    Acusado de ter ajudado a Grécia a camuflar o estado real das suas finanças públicas e de especular sobre a dívida daquele país, o grande banco comercial americano dispõe de uma rede sólida de conselheiros aos quais os responsáveis europeus dão ouvidos.

    Petros Christodoulou finge que não liga aos cumprimentos. Desde a adolescência que este primeiro aluno da turma está habituado a ouvir dizer o melhor possível da sua pessoa. Nomeado, em 19 de Fevereiro, director do organismo de Gestão da Dívida Pública grega, está hoje na primeira fila. Acontece que este antigo director de activos do National Bank of Greece (NBG) está no centro do inquérito, anunciado em 25 de Fevereiro pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), sobre os contratos relativos à dívida grega que ligam o banco comercial americano Goldman Sachs e outras empresas ao Governo de Atenas.

    Leia o resto aqui:

    http://www.presseurop.eu/pt/content/article/202601-os-homens-influentes-do-goldman-sachs

  20. Renato Teixeira diz:

    Bastante. Leiam… leiam.

  21. marcosomag diz:

    Aqui no Brasil as medidas de salvamento aos banqueiros impostas à Grécia são vistas com apreensão pela esquerda. O candidato presidencial da direita às eleições de outubro próximo, José Serra, certamente levaria o Brasil a bancarrota devido ao deficit de conta-corrente, repetindo a política do período de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República. Eles são do mesmo partido, o PSDB. O Brasil foi a falência em 1998 e o FMI emprestou US$40 bilhões ao país impondo duras medidas, como aceleração de privatizações. Lula tornou o Brasil credor do FMI apostando no aumento do PIB por intermédio da melhoria dos salários das classes populares. Teme-se que este progresso seja perdido em caso de vitória da oposição de direita e que os trabalhadores e aposentados sejam as principais vítimas do retrocesso que viria.

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