Eu também não quero saber se sou governado por um bando de corruptos

O Bloco de Esquerda entende que as escutas telefónicas, feitas no marco do caso Face Oculta, não são relevantes para o objecto da comissão de inquérito, pelo que não vai consultar os seus resumos. À primeira vista poderíamos relevar a notícia pois não tem faltado libido à relação entre o BE e o PS. Um dia a coisa há-de deixar de ser notícia seja pelo desgaste seja porque saem do armário. À segunda vista, e já depois de ler a fundamentação para tal posição de princípio, conclui-se que a recusa é profundamente reveladora dos pilares sobre os quais o BE já se consolidou: o Estado de Direito. Que há muito tinham metido o socialismo na gaveta não era novidade, que estavam rendidos ao keynesianismo e que o tinham como etapa no processo revolucionário já era conversa de Jeová a vender o sacrifício e a dízima como a via para o divino, agora darem primazia ao regime em detrimento da verdade é algo que nenhuma declaração de boas vontades e melhores valores consegue explicar. Dizer que é uma espécie de postura ética, justificada com a retórica da separação de poderes (como se eles não continuassem enteados), não pode ser considerado um simples acto de ternura. Entregar “à justiça o que é da justiça” (esta justiça senhores!) apenas legitima que continue a pertencer à política e ao mercado o que é da política e do mercado. Fazer isto de forma consciente é ser cúmplice de que cada um de nós continue sem uma palavra a dizer (e neste caso a ouvir) nos mais importantes capítulos da coisa pública.

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