Histórias sem fim


O mundo não tem sentido. Não é preciso ler os jornais para perceber isso. Às vezes é simplesmente irónico. Deus, a existir com a devida autorização da professora Palmira, gosta das coincidências negras. Matar os habitantes dos países mais pobres, como o Haiti, e coisas do género. Às vezes, levanta a cabeça dos miseráveis e resolve atormentar os poderosos. Só assim se percebe que 70 anos depois da liquidação de mais de 20 mil oficiais do exército polaco às mãos do NKVD, vingando velhas contas da guerra civil russa, parte da elite de Varsóvia tenham morrido num desastre de avião, a bordo de um Tupolev, a caminho de Katyn. Marx dizia que a história acontecia em tragédia e tendia a repetir-se em comédia. Desta vez, não há risos. Apenas morte.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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17 Responses to Histórias sem fim

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  2. simples diz:

    Nem o KGB teria feito melhor com a fina nata do entulho polaco…foram ter com deus nosso senhor.No Iraque /Afeganistão todos santos dias são mortas pessoas pela mesma corja q morreram no desastre

  3. Almeida Faria diz:

    A versão da liquidação de mais de 4.000 oficiais do exército polaco às mãos dos soviéticos foi defendida pelo ministro de propaganda názi, Goebbels. Este caso foi divulgado após o avanço das tropas alemãs na Rússia. Não percebo como é que alguém que se diz de esquerda, defende a mesma teoria de um názi alemão.

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Almeida Faria,
    O chamado massacre de Katyn foi apenas reconhecido nos anos 90, por autoridades Russas. É um facto do domínio público.

  5. Almeida Faria diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida,

    Não querendo roubar muito do seu tempo, gostaria que lesse este artigo em inglês:

    “Nazis responsible for Katyn massacre, says Russian daily

    04.02.2008 19:20

    The Russian Niezawisimaja Gazieta daily claims that the Soviet NKVD secret police could not possibly have been responsible for the mass murder of over 20,000 Polish officers in 1940.

    The author of the article Aleksandr Szirokorad claims that the massacre could not have possibly been the doing of the NKVD since the ropes used for tying the victims’ wrists and bullets were not those used by the NKVD.

    He also claims that the shooting technique used was apparently alien to the NKVD.

    Contrary to most historians opinions, the murders, claims Szirokorad, must have been the work of the Nazis.

    There has already been a series of four articles in the Russian press questioning the truth about Katyn events recently, the last one being inspired by the Oscar nomination for Andrzej Wajda’s film Katyn.

    Moscow has refused to define the murders in Russia and Ukraine as ‘genocide’ or regard them as war crimes. (mn)”

    Não se esqueça que as autoridades russas que reconheceram o massacre como sendo soviético foram aquelas que estavam sendo dominadas por Ieltsin. De maneira a conquistar a simpatia do ocidente, as autoridades russas estiveram dispostas a este tipo de infâmia, como muitas outras.

    Os polacos também defendem esta versão, pois aqueles que dominam actualmente o meio político são anti-comunistas.

    Cada um pensa por si, como é óbvio, mas a minha dúvida permanece no sentido de terem sido os názis, os autores da versão do massacre soviético.

    Como sabe, esta estranha forma de actuação názi era de modo a ganhar a simpatia do ocidente – do seu ministro de propaganda – para o ataque contra a Rússia e a eliminação do sistema comunista.

    Não se esqueça que os názis eram profissionais neste tipo de golpes de contra-informação.

    Saudações

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Almeida Faria,
    Obrigado pelo o artigo. Vou lê-lo com atenção. Tenho, no entanto, muitas duvidas da veracidade das conclusões que apresenta.
    A Procuradoria da República Russa confirmou, com recurso a documentos da época, o chamado massacre de Katyn, recusando-se, no entanto, a chamar-lhe “crime de guerra”. Alguns historiadores soviéticos, como Roy Medvedev que historiaram o estalinismo e não acabaram a defender o capitalismo, também confirmaram a culpabilidade do NKVD no acontecido.
    É preciso não esquecer que os exércitos brancos polacos participaram em inúmeros fuzilamentos de simpatizantes bolchevistas polacos e de outras nacionalidades durante a guerra civil russa. A liquidação dos oficiais polacos surge neste contexto. Acresce que Estaline mandou matar muitos militares sovièticos, os polacos não gozavam de protecção especial, nesses tempos difíceis, em que a luta política de fazia muitas vezes na ponta de uma baioneta, na Rússia e em todo o mundo.

  7. António Figueira diz:

    Acabei de ver na RTP2 um grande momento de televisão.
    A propósito da morte do PR polaco, e para ilustrar a homenagem sentida que a Rússia lhe prestou, o Jornal da 2 (Márcia Rodrigues) informou que ontem à noite a TV russa mostrou finalmente “as primeiras imagens de Katyn” (e mostrou algumas, a cores e tudo).
    Obviamente, tratava-se de imagens retiradas da obra (ficcional, ainda que com uma base verídica) do Andrzej Wajda; mas vista e ouvida a RTP 2, pareceu inequívoco que a Lubyanka tinha finalmente libertado as velhas filmagens que estavam na sua posse.
    Haja Deus! (se o Christopher Hitchens não o prendeu entretanto).

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Devíamos escrever sobre o imbecil do Hichens que fez mais uma palmirada: quer mandar prender o Papa quando chegar a inglaterra. O gajo que apoiou as guerras e os massacres do Iraque e do Afeganistão, preocupa-se com Deus, cá na terra é a favor dos poderosos do costume.

  9. António Figueira diz:

    Saravá.
    Eu, contra o Hitchens, é sempre marchar, marchar, mas receio não ter tempo: acabo de chegar de Itália e o que vi compele-me a escrever três posts: um já está (os mirambolantes cartazes sobre o euro, que apanhei nos aeroportos de Roma e de Lisboa) e dois, que vão consumir o meu by-time, mas têm de ser escritos, sobre futebol (what else?) e sobre as retretes italianas; o Hitchens, temo bem, terá de ficar para depois das retretes (sotto retrette, if so I may say).
    Abraço, ligo-te amanhã.

  10. Carlos Vidal diz:

    Hitchens, palmiramente, um dos maiores pensadores do nosso tempo.
    Um perigo, escrever sobre essa coisa:
    É dizer que ele existe fora do cérebro palmiriano. É obra.

  11. Almeida Faria diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida,

    Obrigado pela sua resposta.

    De acordo com alguns historiadores oficiais, a resolução, autorizando a execução de 20.000 prisioneiros polacos, foi passada no dia 5 de Março de 1940.

    O anúncio da descoberta das valas comuns em Kátine, pelos alemães, está cronologicamente situado no dia 13 de Abril de 1943, após a derrota de Estalinegrado e a reconquista de Rostov.

    No dia 26 de Abril, a União Soviética corta as relações diplomáticas com o governo polaco exilado em Londres.

    As minhas dúvidas estão no documento publicado pelas autoridades de Moscovo, logo a seguir ao desmembramento da União Soviética. Muitos documentos apareceram para dar razão a certos factos que hoje são dados como verdades históricas.

    Depois, a acusação názi-alemã de 13 de Abril de 1943, parece vir de algum desespero. Nessa altura, os russos foram acusados de matar cerca de 4.000 oficiais polacos. O documento encontrado, após desmembramento da União Soviética, dá o número de 20.000, como número de vítimas polacas. Este pode ter sido um desses vários documentos que transitou para o arquivo do presidente Iéltsine.

    O ministro da propaganda alemã, Goebbels, insistiu na ideia do crime ter sido de origem soviética. A história já sabe daquilo que os alemães, da mesma natureza de Goebbels, eram capazes. Recorde-se o incêndio do Reichtag alemão…

    Existe uma comissão russa interessada em aceder aos documentos históricos, mas tem encontrado uma enorme resistência das autoridades russas. Apesar da parte polaca ter tido acesso aos documentos, a parte russa (independente) está a ter muitas dificuldades em apurar as verdades.

    Enquanto uns reclamam a morte de 20.000 prisioneiros polacos em Kátine, a mesma comissão russa interessada em apurar verdades, reclama a realização de uma investigação parlamentar sobre a morte de 80 a 120 mil oficiais do Exército Vermelho feitos prisioneiros pelos polacos em 1920.

    Peço desculpa se me excedi no texto. Este apenas serve para avivar mais um pouco do debate.

    Saudações

  12. “Não se esqueça que as autoridades russas que reconheceram o massacre como sendo soviético foram aquelas que estavam sendo dominadas por Ieltsin. De maneira a conquistar a simpatia do ocidente, as autoridades russas estiveram dispostas a este tipo de infâmia, como muitas outras.”

    O “massacre” foi reconhecido em 1990. Portanto, ainda havia União Soviética 😉

  13. Almeida Faria diz:

    Luís Marvão,

    De qualquer modo, a classe representada por Gorbachov, em 1990, à frente do poder, também prestou muitos favores ao Ocidente, como também aos Estados Unidos da América.

    Com simpatia

  14. antonio diz:

    Enquanto se tentam (des)entender sobre se foi o “camarada” Adolfo, ou o “camarada” Iossif, (foi ele…) ou mesmo o pacto (pato ?) entre eles os dois, podem sempre tentar espreitar o fime do Wajda sobre o asunto, se o conseguirem encontrar…

    É este aqui:

    http://www.imdb.com/title/tt0879843

    Creio bem que estreou por aqui no dia de São Nunca, à tarde, é só conferir:

    http://www.imdb.com/title/tt0879843/releaseinfo

    🙁

  15. João Luís diz:

    Uma das testemunhas que visitou o local das mortes, foi Kathleen Harriman. Esta testemunhou alguns factos. Os alemães culparam os soviéticos e o NKVD das mortes em 1940. Os russos argumentavam que os polacos tinham sido mortos no Outono de 1941. No entanto, os alemães deixaram algumas provas do seu crime em Kátine. Num dos cadáveres dos soldados polacos, encontraram uma carta datada do Verão de 1941.
    Estou de acordo com a reabertura deste processo pela comissão independente russa. Tal como o Almeida Faria, acho estranho como algumas pessoas que se dizem de esquerda, em vez de usarem a cabeça e manterem reserva sobre o assunto, colaboram com as teses názis-fascistas, em certos casos, mostrando serem mais anti-comunistas do que os próprios názis.

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    João Luís,
    Não tenho muita paciência para começar uma discussão, com quem afirma que eu sou igual aos nazis e que sou, até, mais anti-comunista do que eles. Sempre lhe digo que eu não seria a favor do pacto germano-soviético nem da entrega de militantes comunistas aos nazis. Você faz-me lembrar os historiadores revisonistas que dizem que não houve holocausto pq os fornos de gás não tinham capacidade para tantos mortos. O Estalinismo foi um desastre. Especializou-se em liquidar comunistas, para manutenção de um poder pessoal e de um culto que não tinha nada que ver com a concepção política do que é a história para os comunistas.
    Ao contrário dos novos estalinistas que repetem o que diziam tipos tão argutos como o Durão Barroso sobre o pai dos povos, eu mantenho-me fiel a análise que fez Lenine aos perigos de um excessivo poder nas mãos de Estaline.

  17. antonio diz:

    [b][i]Nuno[/i][/b], não é p’ra te [ i]chatear[/i], mas [i]hoydia[/i] dá um pouco a ideia de que já [i]antes[/i] havia ligeiramente [i]um “excessivo poder”[/i] nas [i]mãos[/i] (??) de Lenine, embora no fim da vida ele provávelmente já não soubesse o que fazer às [i]mãos[/i], quanto mais ao [i]poder[/i]…

    😉

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