Se com Knorr Natura qualquer um pode ser o Sá Pessoa para que serve o Sá Pessoa?

Gosto desta nova geração de cozinheiros. Primeiro porque não são feios, porcos e maus como antigamente o que ajuda a passar a ideia de que cozinhar pode ser uma actividade muito sexy e feita por pessoas cujo palato vai além do bitoque, do rancho e do cozido à portuguesa. Segundo porque regra geral concebem a sua arte em função de quem não sabe cozinhar o que facilita a vida a quem gosta de gastronomia e a quem gosta de ver os seus programas televisivos sem recorrer ao glossário do Pantagruel.

Agora haja limites. Quem cozinha com Knorr pura e simplesmente não percebe peva de comida. Usa o dito cujo por não saber que o leite e seus derivados pedem noz-moscada, que o bife pede pimenta preta e que as únicas coisas a unificar uma caldeirada e a carne de porco é o doce do colorau e acidez do picante. O Knorr é pior que sexo com preservativo ou sexo sem tirar as peúgas porque nos segundos o orgasmo simultâneo é difícil mas é uma possibilidade.

Será que quem fez este anúncio não percebe que não é possível ter “o primeiro dia” do Sérgio Godinho a promover o crédito habitação ou o “eu vim de longe” do José Mário Branco a vender a Galp? Será que escapa aos publicitários e às figuras públicas que defender algo a partir do seu contrário é uma estratégia pouco inteligente? O que virá a seguir? O Ronaldo a defender que com Axe todos jogam como ele? O Saramago a dizer que com uma Parker todos escrevem como ele? O Obikwelu a alegar que com sapatilhas Nike todos correm como ele?

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26 respostas a Se com Knorr Natura qualquer um pode ser o Sá Pessoa para que serve o Sá Pessoa?

  1. António Figueira diz:

    O post é judicioso, mas que mal tem o sexo com preservativo?

  2. Renato Teixeira diz:

    O mesmo que a comida com caldos Knorr: previne a fome (ou a doença) mas ficam muito difíceis os orgasmos simultâneos.

  3. vitorr diz:

    já tinha percebido no escriba uma fé e uma vontade maiores. agora essa do sexo sem preservativo baralhou-me de vez: será que já o experimentou? vá lá, faça-o, a fé às vezes não move montanhas!!!

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  5. Renato Teixeira diz:

    Vitorr e ainda António Figueira, o meu falecido avô materno (um grande senhor) andava sempre com um caldo Knorr no bolso de casaco, junto ao pente, à carteira, ao palito e a meia dúzia de figos secos. Não era grande adepto dos caldos mas como os restaurantes do seu tempo (e do seu poder de compra) eram duvidosos lá ia o cubo mágico para raspar para dentro do creme de cenoura ou da calda do rancho. Já quando cozinhava em casa (sim, o tipo era um verdadeiro feminista e era ele que se agarrava aos tachos) nunca usava tal coisa. Moral da história: caldos, cubos e preservativos são para as ocasiões mas não para o banquete da comida verdadeiramente lascívia.

  6. RML diz:

    Assim não dá! Não dá! Eu, que tenho um canito chamado Pessoa, ainda no outro dia (a moer o rodízio de carne da sexta-feira santa) fiz esta brincadeira: http://4.bp.blogspot.com/_7lKqYOFKICw/S7cS_1-vxvI/AAAAAAAAABs/1_dI9Mi7qoo/s1600/PessoaKnorrNatura.jpg

    São estas coisas, e a contemporaneidade, e a conterraneidade, …

    Olha que que… chiça!

  7. O Renato Teixeira deve usar preservativo no dedo e deve confundir uma mulher com uma panela. A culpa deve ser do avô materno que andava sempre agarrado aos tachos. Mas, se quem anda agarrado aos tachos é feminista, o que será quem anda sempre agarrado ao piaçaba?

  8. João diz:

    Renato, mas a publicidade comercial de sucesso é isso mesmo, convencerem-nos a comprar umas Nike para corrermos como o Obikwelu, ou um Knorr para temperar à Sá Pessoa. Qual é o espanto?
    Ainda se protestasses contra aquele desodorizante que promete 48 horas de frescura!

  9. João diz:

    «não é possível ter “o primeiro dia” do Sérgio Godinho a promover o crédito habitação ou o “eu vim de longe” do José Mário Branco a vender a Galp?»

    Não lhes dês ideias!!!

  10. Renato Teixeira diz:

    RML, rodizio de sexta-feira santa é um pecado invejável. Não admira a felicidade do seu pessoa. Belo cartaz, sim senhor.

    De Pina Moura, não é para usar no dedo? Onde é então? Na lingua? Explique-se lá homem que alguém tão bem informado deve socializar o seu conhecimento sexual aos leigos que mal sabem bater à punheta.

    João, claro que a publicidade é regra geral enganosa e exagerada, mas aqui a questão é a do absoluto antagonismo. Se se afasta em demasia da verosimillhança tenho cá para mim que perde alguma eficácia. Alguém de facto acredita nisso das 48h ou no tempero como Sá Pessoa?

    Donatien Alphonse François, é Sá Pessoa e aquele detergente Fresh (ou lá como é que se chama) que anda por todo o lado com todas as cores do arco-iris. Haja paciência.

  11. Não sei o que é que o Pina Moura pensa disso, mas pelos vistos o Renato deve usá-lo na cabeça. Até ficou com os olhos em bico.
    á de moura pina.

  12. Renato Teixeira diz:

    Moura Pina, já viu o que dá ter um nome tão heterodoxo? Na cabeça, nos olhos, nos dedos… que versátil. Estou esclarecido sobre a sua sexualidade. Um luxo. Dá workshops?

    João… acho que eles não precisam de ideias. Têm-nas todas. Ainda assim, se pegassem nessa (se é que já não pegaram) dúvido que os artistas em causa dessem numa de Jorge Palma. Abraço.

  13. Heterodoxos, ortodoxos, pintassilgos, tentilhões e pintarroxos também.

  14. vitorr diz:

    estou mais baralhado ainda. o que é que os preservativos têm a ver com banquete? e caldo knorr?!!! ó Renato há p’raí muito preconceito. usa-se o dito fora de casa para nos safar e em casa banquete. tenho p’ra mim que o seu digníssimo avô e o caldo knorr são outra história e bem interessante digo-lhe já. o preservativo e o uso que assume lhe dá, não passa duma outra forma do mesmo princípio que levou ao cartoon do antónio. acautele-se caro amigo, porque se o banquete um dia se acaba, longe vá o agoiro ! …

  15. c diz:

    ja , ja …se soubesse cozinhar a sério , saberia que a base de quase todos os cozinhados é o caldo de carne…claro que faze-lo em casa dá um bocadão de trabalho : cozer ossos e tal durante um tempão . e depois fica uma especie de gelatina que se usa em quase tudo.
    o meu pai era fã da cozinha e fazia-o ele , de facto.

  16. Renato Teixeira diz:

    Vitorr, descomplique. Se gosta mais com Knorr é simples. Compre-os e use-os. Eu prefiro ao natural e temperado a gosto.

    C, o seu pai tinha razão, mas caldo de carne é uma coisa, fundamental para uma série de receitas, o caldo Knorr, mesmo o de carne, é outra. A coisa tem tudo menos um sabor agradável. Aquilo oscila entre a sopa de pacote comida a seco e o Cheeseburger do MacDonalds. Não dá.

  17. JSM diz:

    O Sá Pessoa não está a fazer publicidade aos cubos Knorr. Está a fazer publicidade a um novo produto da Knorr que, supostamente, tem um posicionamento qualitativo diferente dos cubos. Além de estar mal informado, o Renato percebe pouco de publicidade e de culinária, já o avô, continuamos na dúvida.

  18. Renato Teixeira diz:

    JSM, parece a diferença entre os preservativos “sensitive” e os preservativos “grosso como tripa de boi”. Melhora o repasto mas não resolve a falta do tradicional caldo de carne à la pai do C.

  19. António Figueira diz:

    Renato: os orgasmos simultâneos são um mito da sexualidade moderna, e os preservativos dão muito jeito, por uma série de razões, que me parece ocioso enumerar. Já quanto ao Knorr, também não uso.
    Abraço, AF

  20. Renato Teixeira diz:

    Os caldos Knorr, ou melhor dizendo as suas sopas, também dão jeito no campismo. Quanto ao mito não estamos de acordo. Mais do que os simultâneos, os múltiplos são bem mais mitificados.

  21. António Figueira diz:

    Os múltiplos são só para atletas, e o campismo também.

  22. Renato Teixeira diz:

    Ora. Nem mais.

  23. Rivera diz:

    O Sá Pessoa com aquilo que ele percebe de cozinha até pode fazer campanha aos enlatados da heinz porque verdadeiramente é uma nódoa como cozinheiro e quem pensar que ele pode endossar seja que produto culinário for merece ser alimentado a pão com caldos knorr até ao fim dos dias. Francamente, o senhor é a prova de que nenhuma escola de hotelaria substitui o talento natural e é óbvio que os pratos que faz necessitam de aditivos, e a peso, porque uma das grandes tradições portuguesas que é o apuro do sabor passou-lhe totalmente ao lado…

  24. Renato Teixeira diz:

    Rivera, sem dúvida atrás de outros da sua geração. Demasiado cliché neste e naquele ingrediente mais pretensioso. Mas não tinha assim tão má ideia do rapaz. Nem apurar nem temperar?

  25. Claudia diz:

    Que engraçado! Todas as vezes que passo por um poster do Sá Pessoa associado a Knorr, penso até que ponto vai um profissional por dinheiro e até que ponto vai uma empresa a tentar ludibriar seus consumidores…

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