Se com Knorr Natura qualquer um pode ser o Sá Pessoa para que serve o Sá Pessoa?

Gosto desta nova geração de cozinheiros. Primeiro porque não são feios, porcos e maus como antigamente o que ajuda a passar a ideia de que cozinhar pode ser uma actividade muito sexy e feita por pessoas cujo palato vai além do bitoque, do rancho e do cozido à portuguesa. Segundo porque regra geral concebem a sua arte em função de quem não sabe cozinhar o que facilita a vida a quem gosta de gastronomia e a quem gosta de ver os seus programas televisivos sem recorrer ao glossário do Pantagruel.

Agora haja limites. Quem cozinha com Knorr pura e simplesmente não percebe peva de comida. Usa o dito cujo por não saber que o leite e seus derivados pedem noz-moscada, que o bife pede pimenta preta e que as únicas coisas a unificar uma caldeirada e a carne de porco é o doce do colorau e acidez do picante. O Knorr é pior que sexo com preservativo ou sexo sem tirar as peúgas porque nos segundos o orgasmo simultâneo é difícil mas é uma possibilidade.

Será que quem fez este anúncio não percebe que não é possível ter “o primeiro dia” do Sérgio Godinho a promover o crédito habitação ou o “eu vim de longe” do José Mário Branco a vender a Galp? Será que escapa aos publicitários e às figuras públicas que defender algo a partir do seu contrário é uma estratégia pouco inteligente? O que virá a seguir? O Ronaldo a defender que com Axe todos jogam como ele? O Saramago a dizer que com uma Parker todos escrevem como ele? O Obikwelu a alegar que com sapatilhas Nike todos correm como ele?

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