Autoeuropa, sindicalismo amarelo? [actualizado]

Não conheço nenhum dos actuais membros da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, apenas sei que António Chora é o seu mais destacado dirigente e que não gostei de o ver, ainda que como cidadão, num evento de  homenagem à acção política de Manuel Pinho enquanto Ministro da Economia. Contudo, este facto, não me leva a afirmar nada sobre a sua conduta enquanto sindicalista.
Ora este estudo (via Samuel) revela factos graves que os trabalhadores da Autoeuropa não podem ignorar. Entre outras coisas, o Director de Recursos Humanos da Autoeuropa em 1994, António Damasceno Correia, explica o investimento da empresa na vitória de uma das listas:

“Esta segunda lista, inicialmente defendida pelo grupo de trabalhadores independentes de que já se falou — mas que não integravam a lista —, teve uma dupla missão: viabilizar não só uma estratégia de consenso, como anular a força veiculada pelos sindicatos. O risco que a empresa correu foi grande, mas a encenação, o planeamento e a capacidade persuasora e manipuladora de alguns gestores permitiram um enorme êxito.”

Desconheço se algum dos membros da CT da Autoeuropa de então continua a ser sindicalista e/ou se esta história já foi desmentida (conforme espero que seja).

P.S. – António Chora enviou-me um simpático esclarecimento em que nota que, à época (1994), foi um dos elementos eleito pela lista A que, de acordo com Damasceno Correia, o patronato pretendia derrotar. Acrescenta que esses três eleitos foram todos enviados para o estrangeiro para formação afastando-os da comissão de trabalhadores. Apenas invoquei o exemplo do caso “jantar-Pinho” na introdução do tema para referir que desse momento não extraio qualquer julgamento de carácter o que já não sucede com o que se segue. De qualquer forma, este estudo parece-me interessantíssimo para que se perceba a vontade e disponibilidade do patronato para construir sindicatos amarelos e “modernos” – aqueles de que o governo gosta.

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21 respostas a Autoeuropa, sindicalismo amarelo? [actualizado]

  1. paulo diz:

    enquanto a esquerda não se matar toda, BE vs PCP, ninguem descança.
    nesse dia a direita agradece

  2. Orlando Gonçalves diz:

    Existem pessoas que se prestam para este tipo de coisas. E infelizmente parece (eu tenho a certeza) ser este o caso, só assim se explica a não defesa das justas reivindicações dos trabalhadores.
    Existem muitos Choras por este país…, que um dia irão cair de amarelos

  3. Basteu diz:

    Tiago,

    que o Chota faz sindicalismo amarelo, não teno quaisquer duvidas.
    Mas pergunto-te directamente que tipo de sindicalismo faz o Mario Nogueira??
    Ele foi o principal problema para a luta dos professores não ter avançado, aliás e ve-se que nem sequer para ganhar umas migalhas serve, vendo-se na ultima semana como ficou o acordo com o ministerio da educação.
    E estou como o primeiro comentador, enquanto o Pc e o Be se “matam”, continua o socrates no poder tranquilo.
    E não será isso que as respectivas direcções do Bloco e Pc querem para capitalizar votos nas proximas eleições?
    Infelizmente parece-me que sim.
    O que me dá animo é que tanto na base do Pc como do Bloco começa a existir uma sensibilidade para que exista uma união entre estes dois partidos para que exisa uma alternativa ao Governo Socrates.

  4. Rosinha diz:

    O “estudo” aqui revelado (via Samuel) e que integralmente li, não é um estudo qualquer. É antes o Manual de “boas práticas capitalistas.” Ou “Manual de controle das massas”.
    E por aí fora…
    Sem surpresas, aliás, para quem andou nestas lides. “É dos livros”.
    O realce deve ir para a importância e a oportunidade que tem a sua divulgação , nos tempos que correm.
    A merecer reflexão .
    A matriz ideológica do capitalismo, está ali toda. A ler, a publicar. A divulgar.
    Obrigado Samuel!

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  6. Basteu diz:

    Oh Tiago cencuraste-me o comentário? Tenho que o escrever de novo noutro post de um colega de blog???

  7. pedro diz:

    O Tiago não sabe se algum do membros da actual CT lá estava há 16 anos. Mas exige-lhes que, mesmo não tendo estado, desmintam agora um artigo publicado há 10.
    O sectarismo (ainda mais quando inspirado em fontes patronais) presta-se a tudo.

  8. João Dias diz:

    Claro, Paulo. Entretanto temos mesmo que agradecer ao BE ter-se vendido aos patrões, certo? Fica aqui o meu agradecimento então.

  9. João diz:

    Não matem o mensageiro. Obviamente a CT da AutoEuropa deve colocar os pontos nos is sobre a factualidade do estudo, sob pena de se desprestigiar. Até prova em contrário quero acreditar que António Chora não foi cúmplice com nenhuma manobra do patronato para enfraquecer a luta dos trabalhadores. E também espero que alguém me prove exactamente em que aspectos é que a CT não tem defendido os trabalhadores, os seus direitos e os postos de trabalho, evidentemente. Porque sem AutoEuropa não há CT, do BE ou do PC.

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Estou-me a marimbar se a lista B era conotada com este ou aquele partido (em 1994, o BE nem existia!).
    A denúncia do alegado controlo de um dos maiores sindicatos do país por parte dos patrões, não prejudica a unidade da esquerda, prejudica a luta dos trabalhadores.

  11. João diz:

    Tiago, ao colocar um post com um link para o Samuel o que encontramos é um outro post contra o BE e contra Chora, independentemente de o BE existir ou não em 1994. Lá estão nos comentários os PC’s mais sectários (porque não são todos sectários) a verter fel sobre o Bloco a partir de um estudo de um patrão.
    Veremos se o Samuel publica o desmentido do Chora.

  12. João Manso diz:

    Fica aqui o texto do António Chora sobre este assunto no Jornal O Rio http://www.orio.pt/modules/news/article.php?storyid=6267

  13. LAM diz:

    No melhor pano cai a nódoa. Não é costume no Samuel entrar por essas vias nem alinhar nesses coros.

  14. João Dias diz:

    João:

    Chora nesse momento era membro do PCP.

    Actualmente, Chora mudou muito o seu posicionamento idiológico, situando-se muito mais perto dos interesses dos patrões. Basta para isso ler o que escreve. Curiosamente, encontra-se agora à frente da CT.

    Criticar o Bloco pelo que ele tem de pior não é um acto de sectarismo, é um ponto de vista, no meu entender, bastante acertado.

  15. Aristes diz:

    Para quem andou nas lides sindicais, nada do que o Damasceno diz é novidade.
    O que é verdadeiramente novo é a clareza e falta de vergonha com que ele o assume.
    Alguém conhece um exemplo melhor, ou similar, de “cartilha amarela”?

  16. Esse comentário acerca do M.Nogueira, além de despropositado é abusivo. Além do mais, na “corrida” para a direcção da Fenprof, a corrente maioritária da direcção do SPGL (que pouco ou nada tem a ver com o PCP) não o apoiava.
    Discordando da assinatura do “memorando”, não sou capaz de imaginar algo mais que estratégia.

  17. carlos diz:

    Pois, se juntarmos as datas com os nomes, percebe-se que a lista que enfrentou a manobra divisionista do patronato foi a dos militantes do pcp que hoje estão no bloco: chora, martins e costa. Para o pcp, eles são o alvo a abater desde que deixaram de obedecer à Soeiro e passaram a defender o interesse dos trabalhadores. Não é por acaso que a última vez que a lista do pcp ganhou foi em 1999 e durou seis meses antes dos trabalhadores a deitarem abaixo num plenário… Plenários, voto secreto em todas as decisões fundamentais, são coisas que os funcionários burocratas nunca irão aceitar…

  18. Miguel diz:

    Este é um dos milhões de episódios da luta de classes. O que há de invulgar neste caso é o facto da manipulação dos trabalhadores ser narrada pelo capital. Se a narrativa parte dos trabalhadores e das suas organizações, são disparates infundados, teorias da conspiração; se parte da burguesia é ciência e tem lugar reservado no circuito da (re)fabricação do conhecimento dominante.

  19. lingrinhas diz:

    já vi que estão chateados por a auto europa ainda existir viva a terra queimada pois se o p”c” não comanda chama-se a policia militar para dar porrada nos amarelos.

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