PIIGS

É particularmente semiótica a sigla que os grandes pensadores da União Europeia desenvolveram para se referirem aos países da Zona Euro com mais dificuldades em sair da crise. Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha foram assim de uma penada resumidos a PIIGS. Não tenho grandes pruridos nacionalistas nem sou muito patrioteiro pelo que não me choca ver os nomes de Sócrates, McAleese, Papandreou, Berlusconi, Zapatero, comparados com tão nobre figura. Percebo igualmente que não seria grande rasgo de imaginação chamar aos PIIGS, SMPBZ.

O que não é aceitável, e a sigla PIIGS bem como a discussão que a UE tem levado a cabo sobre a ajuda à Grécia deixa perceber, é que se invente uma sigla tão honrosa para povos tão empobrecidos. O PIIGS mais não é do que a prova de que a União Europeia é um projecto de dominação da Europa do Norte sobre a Europa do Sul, da Europa dos ricos contra a Europa dos pobres, da Europa que devia ser proibida de usar União no nome e mais devia chamar-se Império Franco-Alemão. Ao menos os romanos eram mais honestos.

Aproveito para fazer publicidade a um dos mais claros economistas da praça. Ler o José Martins é verdadeiramente ficar a perceber que esta crise, quer na sua dimensão de classe quer no que ela tem de confronto entre as potências capitalistas, não tem os dias contados.

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14 respostas a PIIGS

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  2. xatoo diz:

    esta clivagem entre os povos católicos e atrasados do Sul e o empreendorismo protestante dos povos de Norte é secular.
    Estamos de novo (sempre estivemos) perante as mesmas condições que opuseram a alienação pela religião de Inácio de Loyola de saque em nome de jesus – à ética do trabalho e dos negócios livres da “sponsorização” da Igreja preconizada por Lutero.

    Entretanto estás de parabéns por nos teres facultado um exemplo raro de economista marxista. Mais uma vez fica demonstrada pelo legado do método de análise de Marx a superioridade do modo de produção cientifica do Norte europeu. Do sul jamais poderia sair qualquer coisa de parecido em racionalidade, uma vez que aqui se fazem as contas à economia pelo número de almas prostadas perante o determinismo celeste de Deus. O que haveria de ser trabalho e redistribuição social do produzido enfia-se em grande parte directamente nas panças dos gestores clericais do sistema. Amén, ou como dizem os apócrifos: juro que assim é em nome da puta da Virgem

  3. Verdade verdadinha é que PIIGS é uma clara melhoria de PIGS que era a denominação do ano passado. Este ano, como se vê, incluíram a Irlanda. No big deal. Nada a que não estejamos habituados.

  4. ezequiel diz:

    a sigla é insultuosa, de facto.

    e os estratagemas orçamentais de Atenas tb, assim como a crescente corrupção que debilita a republica Helénica.

    o que ninguém diz é que o governo alemão sabia dos estratagemas de Atenas. foi coisa amplamente difundida (as “suspeitas”) fecharam os olhos. logo, a responsabilidade é de todos.

  5. Renato Teixeira diz:

    Xatoo, fico contente de saber que gostou de saber (se é que já não sabia) do blog de crítica económica do José Martins. De facto o que sublinha é valido. É raro encontrar marxistas que se mantenham fieis à análise marxista (sem merdas) e mais ainda vindos do hemisfério sul. É de facto a minha melhor fonte para me ajudar a ruminar a patranha dominante.

    Já quanto ao domínio do Norte sobre o Sul temo que isso tenha mais que ver com o poderio industrial e com a exploração capitalista do que com o velho antagonismo entre reformistas e contra-reformistas clericais.

    Blondewithaphd, a inclusão da Irlanda deixa obviamente tudo na mesma. Agora se fosse (como já foi e nenhuma sigla se inventou) a Alemanha a deixar o défice fora do controle duvido que mantivessem a formulação. Nesse caso seria mais os ANGELS.

    Ezequiel, claro que é insultuoso como insultuoso é também o facto que sublinha. O programa governamental de Papandreou não só emerge da UE como é a receita recomendada por todas as organizações financeiras internacionais, do BM e do BCE ao FMI.

  6. ezequiel diz:

    A austero prog do Papandreou é uma resposta à crise que foi criada fundamentalmente plas “políticas económicas” implementadas por diversos governos corruptos Gregos. OK? n tente transformar isto num drama de faca e alguidar, envolvendo todas as instituições capitalistas do planeta, o Papa, a opus dei, os masons e sabe-se lá mais quem. O estado Grego É mega corrupto. o resto são notas de roda pé. A Alemanha n é imune à corrupção, de forma alguma. Mas esta é outra história.

    Xatoo,

    As zonas mais ricas da Alemanha e da Suíça são católicas. A tese de Weber nunca me pareceu convincente. O determinismo cultural é coisa de gente pouco inteligente. O Weber que me perdoe.

    Do determinismo à religiosidade..um passo apenas. Eu sempre acreditei que os comunismo é uma religião, com a revolução a substituir o Messias, o proletariado o “povo eleito”…

    a tese n é minha, asseguro-te. é de uma bela senhora.

  7. Renato Teixeira diz:

    Ezequiel, não era a partilha de uma culpa era a partilha de uma receita.

    Quanto à religiosidade dos sistemas poucos ficam à frente do actual: O mercado é o Messias e o mercadores o “povo eleito”.

  8. ezequiel diz:

    isto é para o Luís Rainha. por onde andas, pá? tou com saudades de ler o que escreves (o António tb poderia produzir mais…eheheh )

    recomendo vivamente este livrinho de uma das mais perspicazes mentes gauloises.

    muito bom.

    http://www.amazon.fr/Conséquences-stratégiques-crise-François-Heisbourg/dp/2738124674/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1270125024&sr=1-1

  9. Renato Teixeira diz:

    Bons chamados, Ezequiel, tudo bons chamados.

  10. Justiniano diz:

    Ezequiel, podes também acrescentar a Austria e não esquecer os Francos que sempre prosperaram.
    Quanto ao Rainha, acompanho-te, exceptuando as ultimíssimas tiradas, repetidas já à laia de pasquim lambido.

  11. Justiniano diz:

    Ezequiel, a senhora não é lá muito bela, isto não obstante toda a sua beleza!

  12. ezequiel diz:

    Justiniano,

    a tautologia é uma ciência exacta.

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