PIIGS

É particularmente semiótica a sigla que os grandes pensadores da União Europeia desenvolveram para se referirem aos países da Zona Euro com mais dificuldades em sair da crise. Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha foram assim de uma penada resumidos a PIIGS. Não tenho grandes pruridos nacionalistas nem sou muito patrioteiro pelo que não me choca ver os nomes de Sócrates, McAleese, Papandreou, Berlusconi, Zapatero, comparados com tão nobre figura. Percebo igualmente que não seria grande rasgo de imaginação chamar aos PIIGS, SMPBZ.

O que não é aceitável, e a sigla PIIGS bem como a discussão que a UE tem levado a cabo sobre a ajuda à Grécia deixa perceber, é que se invente uma sigla tão honrosa para povos tão empobrecidos. O PIIGS mais não é do que a prova de que a União Europeia é um projecto de dominação da Europa do Norte sobre a Europa do Sul, da Europa dos ricos contra a Europa dos pobres, da Europa que devia ser proibida de usar União no nome e mais devia chamar-se Império Franco-Alemão. Ao menos os romanos eram mais honestos.

Aproveito para fazer publicidade a um dos mais claros economistas da praça. Ler o José Martins é verdadeiramente ficar a perceber que esta crise, quer na sua dimensão de classe quer no que ela tem de confronto entre as potências capitalistas, não tem os dias contados.

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