“Português, escritor, 45 anos de idade”


Logo depois da revolução, tinha eu 10 anos, o meu avô paterno levou-me a ver essa peça de Bernardo Santareno. O dramaturgo falava de uma geração destruida pela ditadura, a guerra e a falta de liberdade. Se Bernardo Santareno ressuscitasse, descobriria que há várias gerações dilaceradas pela falta de emprego, pela precariedade e que apenas são livres de se calarem. Uma sociedade mede-se pela capacidade de dar liberdade, dignidade e condições de vida às pessoas. A nossa é uma merda. Alimenta os do costume. Torna cada vez mais ricos os grandes empresários e os banqueiros. Tem políticos que medram alegremente com a corrupção.
A maioria dos portugueses vive mal e tem plena consciência que vai sobreviver muito pior.
A ditadura caiu graças à resistência de muitos que não se vergaram apesar da repressão. O trabalho precário, o desemprego e as desigualdades gritantes só vão acabar se fizermos alguma coisa. Participar no May Day de 2010 é um dos muitos passos que podemos dar. São ainda poucas as pessoas, os sindicatos, as organizações, os partidos, as acções e as ideias para mandar esta sociedade para o lugar histórico dela: o lixo.

Nuno Ramos de Almeida, jornalista e trabalhador precário

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