O 5dias feito pelos seus leitores

Que seria de nós sem vós? Até o vinho se passava! Exemplo: há poucos dias, querendo eu escrever que em Fernão Pó, concelho de Palmela, distrito de Setúbal, terras de Baco, pontificava a Casa Ermelinda Freitas, cuja influência virtuosa se estende até um qualquer Pingo Doce perto de si, escrevi em vez disso que, naquela (que imagino simpática e é, em qualquer caso, uma notavelmente produtiva) povoação, existia antes uma tal de Casa Ermelinda Pereira – o que, salta ao ouvido, constitui uma horrível infiltração lambertista no domínio vitivinícola, decorrente da perigosíssima parecença que existe entre o nome de Dona Ermelinda, a legítima, e o da sua menos recomendável parente, Carmelinda; felizmente, o leitor Miguel Duarte repôs a verdade dos factos e os portugueses puderam continuar a beber em paz. Outro exemplo: armado em esperto, e em vivido, escrevi eu há ainda menos dias que, naqueles tempos funestos em que Simone de Oliveira disputava o Festival da Canção com António Calvário (e ganhava, felizmente), uma amiga da minha irmã mais velha – perigosa assinante do Salut les Copains! nessa idade das trevas – foi arrastada uma vez até à gauleiter do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, que ambas frequentavam, por ter ousado declarar o seu “amor” por Jacques Dutronc; pois eu errei, conforme a leitora is a bel muito bem intuiu, até porque – acrescenta a mesma leitora, demonstrando um conhecimento da história da família Costa Figueira notoriamente superior ao dos próprios Costa Figueira ainda em vida – a jovem em questão terá antes proclamado a sua “adoração” pelo pai da filha de Françoise Hardy – e quem ousará disputar a verdade teologal de que “adorar” e “amar” são duas coisas completamente diferentes?

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SEXTA | António Figueira
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10 Responses to O 5dias feito pelos seus leitores

  1. Carlos Vidal says:

    António, e mais uma pequena nota: às vezes vou lá buscar vinho. Tudo o que dizes é verdadeiro. Aquilo é outro mundo. (Mas julgo que o nome do lugar é Fernando Pó: estarei certo?)

  2. António Figueira says:

    Ó Carlos, eu temo que sim, mas acho que isso é uma modernice: Fernão Ferro, Fernão Pó é que é – não será o nome do gajo que descobriu a ilha do mesmo nome, junto a São Tomé?

  3. Carlos Vidal says:

    É verdade, esquecia-me dessa referência à descoberta.
    Foi uma adulteração/simplificação recente, de certeza.
    Mas a visita é obrigatória.

  4. António Figueira says:

    Pois lá irei, logo que possa; faço parte do fan clube da Dona Ermelinda (até lhe compro os bag in a box de 5 litros, numa mercearia aqui do bairro).

  5. Renato Teixeira says:

    Bom, bom é que o Pó pare de ganhar prémios que o preço da reserva já custa uma nota vermelha e o corrente é uma porra para o encontrar mesmo com a preciosa ajuda do Jerónimo Martins.

  6. Renato Teixeira says:

    Só tem um problema, o Pó claro. É que nos dias que correm é uma verdadeira propaganda ao governo. Há tempos, um amigo italiano de visita aqui ao Burgo, depois de provar a pomada e saber o preço, não se conteve: “protesta perché il portoghese? Tu vivi nel socialismo”.

  7. Camarro says:

    Só mais uma pequena ajuda: o concelho de Vendas Novas faz parte do Distrito de Évora e não de Setúbal…

  8. i.tavares says:

    Sou apreciador do néctar da região de Setúbal,assim como,de todas as boas “pomadas”.Mas a bem da verdade geográfica,quero fazer uma pequena correcção:Fernando Pó,é um lugar do concelho de Palmela,distrito de Setúbal,onde se situa a casa da D. Ermelinda e,outras menos conhecidas, mas,com um tinto de se lhes tirar o chapéu.
    Amigo Figueira desculpe-me este desabafo e,Viva o TINTO.

  9. António Figueira says:

    Camarro, i.tavares,
    É o que eu digo: que seria de nós sem vós?

  10. CRF says:

    No “Cinzas” ( ali nas faldas de Monchique), o presunto. Em Pó, o vinho.

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