Pesquisa

Sem insultar, com certeza

20 de Março de 2010 por Tiago Mota Saraiva

João Galamba responde ao meu post de ontem sobre o PS, pedindo que não o insulte. Diz Galamba, a propósito dos seus textos a que me refiro, que se limita “a seguir a opinião de muita gente à esquerda” como António Chora, Pedro Adão e Silva ou Paulo Pedroso, que, no seu entender, se referem ao movimento sindical português como um dos “mais reaccionários da Europa”.
Sobre isto, e sem procurar rebater a ideia ou os filósofos citados, concluo que é um ataque ao sindicalismo português exactamente nos mesmos moldes e léxico utilizados pela direita da direita (ler “A amoralidade dos sindicatos” de Henrique Raposo).
Para João Galamba não há outra opção para Portugal que não passe pela redução do défice e por mexer no subsídio de desemprego, coisa que, lamentavelmente, há uns meses não defendia. Aliás Galamba já aprendeu todos os tiques neoliberais do bom parlamentarismo, instigando-me a avançar com propostas para logo desqualificar e adjectivar de disparates outras políticas que não as suas (PS), do PSD e do CDS.

Caro João Galamba, ser-me-ia fácil responder a propósito do seu título invocando memórias passadas de insultos desgarrados, mas essa nunca será a minha praia. Por outro lado, também poderia colocar a questão num plano mais erudito desvalorizando a sua cultura à luz de uma citação que erradamente atribui a Žižek o que até não seria uma filha da putice na medida em que já, por várias vezes, procurou dar lições sobre marxismo a todos os comunistas. Contudo, para mim o que conta, é que no essencial o João Galamba representa a direita na maioria das políticas pelas quais combate e personifica a facilidade com o ideário neoliberal (e os seus instrumentos) penetram no discurso de quem detêm o poder.

Comentários

Pingback de 20/03/2010 | Escaparate | Tráfico de Influências | blog.fractura.net
Data: 20 de Março de 2010, 17:03

[...] cinco dias – Sem insultar, com certeza [...]

Comentário de Xico
Data: 20 de Março de 2010, 17:06

Vocês falam tanto de um tal João Galamba que eu fico a pensar que deverá ser algum kapo importante do socialismo-nacional.
Se assim é … prefiro o duce lello!!!
Por favor, tenham dó dos leitores do Cinco Dias!!!

Comentário de Mr Y
Data: 20 de Março de 2010, 19:14

estou com o Xico. Tenham dó! higiene mental acima de tudo.
não tragam para aqui os galambas deste desgraçado país.

um gajo que escreve uma alarvidade destas só pode ser um dantas.

cito:

(…) eu vejo realismo: numa altura em que o desemprego é elevadíssimo, não mexer no regime do subsídio de desemprego pode pôr em causa a sustentabilidade do sistema.”

ai pode, pode…
é que o dinheiro não dá para tudo e então acho bem cortar nas prestações sociais para garantir que as assessorias, os estudos, os pareceres continuem… per secula seculorum.

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=3D7F61C0-D394-487D-B9AE-44C05EF30E30&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181

um dia que o povo acorde, fujam.

Comentário de Manuel Monteiro
Data: 20 de Março de 2010, 21:02

Citaram aqui o Chora. O representante do sindicalismo mais nojento que existe neste pais e arredores. O tipo que, antes dos plenários, se reune com o director dos recursos humanos da Auto-Europa para delinear a melhor forma de levar os trabalhadores a aceitarem as propostas da administração. O tipo que, quando há referendos e os trabalhadores votam contra as suas propostas, passa a uma campanha de chantagem sobre os trabalhadores afirmando que a empresa se vai deslocalizar. O mesmo Chora que foi ao jantar do ministro cornudo,Pinho. É este o representante do novo sindicalismo
defendido pelo BE. Tudo isto é nojento…
Quanto a esse Galamba: não perco tempo com palermas…
Manuel Monteiro

Comentário de simples
Data: 20 de Março de 2010, 21:35

O António Chora,é de chorar…Nova esquerda?Dasssseeee

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 20 de Março de 2010, 23:00

O João Galamba tem uma visão muito particular do mercado do trabalho, ditada pela sua particular experiência social. O seu emprego de assessor e deputado deram-lhe um horizonte social muito particular. Para ele, os sindicatos e sindicalistas, que são reprimidos nas empresas, e os trabalhadores que têm cada vez menos poder na sociedade e nos locais de trabalho são os grandes responsáveis da crise económica. Esta posição serve , como de costume, para absolver os sucessivos governos do PS e do PSD do falhanço total da sua política económica. A insistência num modelo de baixos salários é um suicídio. Nós nunca vamos conseguir concorrer com a India ou com a China. É necessário uma política europeia que aposta numa mão de obra qualificada e justamente remunerada. A escolha do caminho do suicídio não se deve aos sindicatos, mas aos governos.

Escreva um comentário