Os “Steamer’s”: para a história do rock político português (I)

Não se deve deixar esquecer nem deixar de sublinhar que o rock feito em Portugal anteriormente ao 25 de Abril de 1974 também teve uma dimensão de crítica social e intervenção política.

Hoje lembrei-me dos “Steamer’s”, amanhã ou depois ainda de outras bandas, não assim tão poucas como se julga. Os “Steamer’s” existiram e gravaram entre 1968 e 1971, gravaram concretamente o EP de que reproduzo a capa no início de 1970, na editora Riso e Ritmos. Obviamente, este disco não passava nas rádios do tempo, em nenhuma ou quase nenhuma, e consta mesmo (sim, sucedeu) que, numa delas, e Emissora Nacional ou a Renascença, assinalaram mesmo em directo o momento de destruição deste EP da banda do Franjas, Carocha, Dário e do Beto (que têm muitas curiosidades para contar, nomeadamente que acham estas letras, às vezes codificadas e algo ingénuas, actuais – estórias que pacientemente o meu amigo Luís Futre vai recolhendo, reeditando estes discos e preparando para breve um livro sobre a história do rock português pré-25 de Abril).

Ouçamos pois, primeiro “I am a Chancho”, letra explícita sobre um indivíduo falhado e miserável, ainda sobre pobreza e bairros de lata. Depois, “Mr. Pum Pum!”, uma referência à PIDE e “Será assim até morrer”, alusão à emigração. Os “Steamers” costumavam actuar com um pano de veludo vermelho sobre o amplificador com a frase de Fidel, “Liberdade ou Morte”. (Um post à memória de MC Snake.)

1 – Os Steamers – I’m a Chancho

2 – Os Steamers -Será Assim Até Morrer

3 – Os Steamers -Mr. Pum Pum
(clickar sobre o título)

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