NeoSocialismoPopular
19 de Março de 2010 por Tiago Mota SaraivaAinda não passou meio ano das eleições legislativas e o PS já mandou o discurso anti-neoliberal às malvas. Mais uma vez as linhas mestras das políticas do país assentam na costumeira ideia de diminuir a despesa do Estado à custa dos salários dos trabalhadores e dos encargos sociais a que o Estado ainda está obrigado e no aumento da receita a curto prazo vendendo os seus activos mais rentáveis. Mais uma vez se cumpre a velha máxima que o PS quer o voto da esquerda para governar à (ou com) a direita. Contudo, este texto, não é sobre a legitimidade política do governo para realizar estas políticas, mas sobre os militantes socialistas que se demarcam da agenda neoliberal deste governo.
A estória não é nova.
Sempre que o PS assume o seu posicionamento político de direita (no contexto actual, Cravinho resume a ideia dizendo que até Portas “dá lições de esquerda a Sócrates”) surgem os militantes do partido, de sempre, a “alertar”, a “criticar” a solicitar que “não se faça” – esta é a famosa ala esquerda do PS cuja importância eleitoral é inversamente proporcional à vontade de determinar as políticas do partido. Por outro lado, a linha popular-direitista, lança-se no ataque aos sindicatos ou aos “direitos adquiridos” dos desempregados promovendo um discurso de ódio, que envergonharia o CDS.
Ora, estes posicionamentos divergentes desenham a quase totalidade do espectro das políticas possíveis – da extrema direita à esquerda não-revolucionária, o que na hora do voto faz com que o PS seja o partido em que a maior parte dos portugueses se pode vir a identificar. O PS é como um supermercado de políticas onde se pode encontrar de tudo e no qual, a única certeza que temos, é que regressaremos a casa com cada vez menos.
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