
Dêem-lhe bifes, sff.
1.
Uau!
Nunca comecei um post assim, com esta expressão. Mas, agora, depois de “oliveira arrastão” me ter apagado um comentário (não, não foi censura, foi uma opção clara e legítima), devo dizer – “uau” fiquei a conhecer a coerência de “oliveira-arrastão” ou, como eu também gosto de dizer, e a zazie muito admira e muito se diverte, o sr. “dêem-lhe bifes”. Acontece que o sr. oliveira mais uma vez se voltou para a tirania cubana, cruel e sanguinária, e entretém-se com isto há semanas. Eu explico. Foi o blogger “arrastão arrastado” picar um post/clip ao “Vias de Facto” (claro!) e, no meio do picanço, pedia este sr. oliveira, uma outra vez, “assinem e minha petição sobre a liberdade em Cuba”. Ora, de tanto o ver implorar, arranhar-se e chorar para descolar os números da sua magnífica petição, eu lá comentei no “arrastão”, a casa do sr. e seus ajudantes: “Assinem lá a merda da prosa do oliveira. Deixem-se de cantiguetas. Assinem”. [cortado.] Era uma ajuda, não muito bem-vinda pelos vistos. Mas tudo fiz por bem. Esqueci-me entretanto que o sr. oliveira é uma figura ética que apenas admite debates desenhados com elevada elevação. Argumentos dignos e construtivos. O que não é o caso dos que eu produzo. (Concordo.)
2.
Vejamos agora este grevista cubano, Guillermo Fariñas, vejamos este senhor que eu vejo, como todos vós, todos os dias nas televisões, em imagens captadas em… Cuba.
Ou seja, todos os dias televisões captam imagens do senhor, televisões de Cuba e do mundo inteiro que a Cuba vão filmar estes momentos em que Fariñas, não o nego, expressa por meio de uma greve de fome (acho que é a 23ª), a sua posição sobre a sua sociedade. Não nego nem questiono que o sr. Fariñas deva expressar-se, deste modo ou como entender, mas a quantidade de imagens e filmagens que são obtidas desde Cuba (sem constrangimentos), inclusivamente da própria televisão cubana, levam-me a duvidar da elevada e ignominiosa taxa de repressão do “regime” cubano. Não vejo nenhuma tirania na possibilidade de tanto se publicitar este caso, e obviamente que o “brutal” e “assassino regime” de Castro nada, mas mesmo nada, aqui censura. Como é óbvio e todos o testemunhamos. Diariamente.

3
Para terminar, porque é que os blogues edificantes do costume e defensores da política do costume (“Vias de Facto”, “Causa Nossa”, “arrastão” e “Jugular”), tanto admiram o confesso mártir Guillermo Fariñas e repudiam as formas que, por exemplo, a resistência palestiniana entende serem as mais adequadas para colocar Israel dentro do que deveria ser a lei e a humanidade? São muito selectivos quanto aos mártires que amam, estes tipos. Porque será?




Carlos Vidal, não há respeito! Na tasca dele quer elevada elevação e argumentos dignos e construtivos, mas depois vem dar “traques” para as tascas dos outros. Numa educação marxista-leninista como deve ser não se permitia a tais faltas de educação! Ai não, não.
Quanto a ser censurado, o Carlos Vidal terá que fazer uma ou duas auto-críticas e aceitar que não cumpre com os critérios anunciados quando se lê a caixa de comentários:
“Os autores do Arrastão reservam-se o direito a não publicar comentários que ofendam os seus valores éticos ou que estejam abaixo do nível de qualidade de debate que este blogue procura promover”
Convenhamos.
Calma Renato, a coisa há-de ir.
Com uns pais-nossos, avé-marias e penitências várias.
Democráticas, claro. Sempre.
Qualquer dia já dá pra fazer um grupo no Facebook, “Já fui censurado no Arrastão.”…Quanto ao resto, já deixei de ler o que se escreve nesses sítios mal frequentados e cada vez mais alinhados…Se muitos lhe dão crédito, é mais uma prova da iliteracia dominante no rectângulo…
Pois olhe, a mim já me foram censurados numerosos comentários no Arrastão. E posso garantir nunca fui mal educado ou usei calão. Acho que é altura de fazermos uma petição pela liberdade no Arrastão.
Sim, porque o Daniel está preocupado com a liberdade de expressão é em Cuba. No Arrastão e no BE bem que pode vigorar a lei da rolha.
Meu caro CV: Abandone essas guerras de títeres e de forças de bloqueio metafísicas, inócuas e meteóricas. ” Tragédia e festa: as duas coisas são inseparáveis. Sentido do trágico e sentido do jogo. Falta-nos sempre muito o jogo “, Sollers sobre Mai-68, num livro com Maurice Clavel, ” Libertação- Face a face “. Niet
Ah, o Sollers, que lambeu o chão que o Debord pisou em busca de um autógrafo que nunca conseguiu.
Quanto ao resto, correcto, amigo Niet: o arrastão é uma m…..
Estas coisitas pequenas estão, com efeito, a ocupar-nos (-me) tempo de mais.
CV.: O Sollers é o ” papa” das Letras Francesas, actualmente. E criou a vangaurda estéctica e literária dos anos 60, a dobrar muito à esquerda o Novo Romance e o Surrealismo moribundo. Essa” estória” deve ser falsa.O Barthes e de certa forma o Derrida, com quem fez as pazes poucos meses antes da sua morte, gostavam muito do Sollers. Que já foi um impenitente leninista- tem um livro sobre isso- e, depois, em 76/79 ?, descobriu o Castoriadis! Bom vento. Niet
Tentando ser o mais lógico possível: o que lucram os tipos que se metem em greve de fome? Este vai morrer, como o Orlandino do outro dia. Será que estão a soldo da CIA e que o Império lhes promete uma vida melhor no outro mundo? Eu, ao contrário dos democratas e do Carlos Vidal, que pensam que sabem perfeitamente o que se passa em Cuba, prefiro nem me pronunciar sobre esse assunto.
Mas tenho uma perguntinha para o Carlos Vidal, que me motivou este comentário: o que pensa do regime de partido único?
Por fim, deixe-me fazer um pequeno apelo: não fale da Palestina, ou terá de engolir o facto de estar, pelo menos nesta matéria, do mesmo lado que o DO.
(A provocação ao Vias de Facto é injusta, já agora.)
Caro Niet, a história de “amor” para com o Debord é verdadeira. Não era bem um autógrafo, era antes um reconhecimento da veracidade da sua veneração pelo Debord, que, sim, considerou o maior prosador francês do século (não errou muito, aí). Queria ser reconhecido como “debordiano” pelo próprio Debord, ou tentou entrevistá-lo ou uma espécie disso. O absurdo de Sollers começa nesta impossibilidade: queria uma entrevista (??????) ou um simples encontro, não me lembro bem.
Caro VA,
O que eu penso do regime de partido único….
Bom, não acho que o chamado multipartidarismo (e o capital-parlamentarismo) tenha alguma coisa a ver com democracia, não o tem automaticamente, nem tem o seu monopólio.
O monstro do “partido único” é uma invenção de pessoas tipo “soaristas”. Não, não creio que impeça a democracia.
E não creio que o termo “partido único” seja correcto.
Cheira, tresanda a demagogia e chantagem.
O facto de se afirmar que existe um sistema de partido único em Cuba é…chantagem e demagogia???
O sr prof nunca deixa de me espantar.
Deve ser por isso que leio sempre o que escreve.
Ora, meu caro Vidal, porque Cuba sabe produzir bons mártires. Enquanto os conseguir produzir, em qualidade, é sinal que a Revolução vive…parece-me evidente!! Não será!?
Amor por Debord? Autógrafos?
Ainda guardo o autógrafo que Debord me dedicou, antes de morrer, na sua casa de campo em Champot:
“Vá-se foder, seu seguidista sem ideias, ‘petite tête’ sem fantasia nem imaginação,
(assinado) o seu Debord”
Tenho-o emoldurado ao lado de um autógrafo do Prof. Cavaco de 1986, na minha sala dedicada à memória dos grandes revolucionários do séc. XX.
“Este vai morrer” ???? Olhe que não, olhe que não. Este até já fez 23 greves de fome, e uma delas alegadamente de 7 meses, segundo os nossos queridos media ocidentais nos relataram, Público inclusive. E este até já fala em “retomar” a greve, tipo greve pisca-pisca. Este arruaceiro já está noutra, já nem em greve está.
Quem nunca foi censurado pelo amigo Oliveira que atire a primeira pedra!
Mas vá lá, com um raio, temos que condescender com os fracos (de princípios Morais e éticos) é isso que faz de nós melhores do que eles
Cuba não aceita pressões nem chantagens
Por Alberto Nuñez Betancourt, no Granma
Importantes veículos de comunicação ocidentais voltam a chamar a atenção com uma mentira pré-fabricada. Assim, respondem aos interesses imperialistas contra nosso país.
Enquanto em Cuba ocorre, por exemplo, a campanha de vacinação contra a poliomielite, que preserva a saúde de mais de meio milhão de crianças e, no Haiti devastado, centenas de médicos cubanos reafirmam o seu espírito humanista de luta pela vida, manchetes maliciosas se esmeiram em orquestrar uma campanha a favor do contrarrevolucionário Guillermo Fariñas Hernández.
Em greve de fome, em sua casa, em Santa Clara, há 13 dias, ele declarou que procura impor a liberação de mais de 20 presos contrarrevolucionários, sancionados com todas as garantias processuais em nossos tribunais, para atuarem a serviço de interesses estrangeiros, contra a independência e a ordem constitucional de nosso país.
A manipulação é tal que as notícias chegam a argumentar que o Governo cubano teria indicado que se deixe morrer este assalariado da Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, sem apontar nenhuma palavra sobre os múltiplos esforços de muitos dos nossos profissionais da saúde para assistir esta pessoa.
Guillermo Fariñas Hernández, conhecido no ambiente dos ‘vende-pátrias’ (traiçoeiros) como “Coco”, transita de uma posição simpática à Revolução ao comportamento anti-social.
O primeiro ato público que revelou o grande desajuste de sua personalidade, e que não teve nenhuma matiz política, ocorreu no final de 1995, quando ele agrediu fisicamente uma mulher, funcionária da instituição de saúde onde trabalhava como psicólogo, lhe causando ferimentos múltiplos no rosto e nos braços. O crime provocou uma pena de três anos de prisão sem internamento, além de uma multa de 600 pesos.
Para escapar à justiça inventou sua primeira greve de fome e logo depois passou ao limiar das atividades contrarrevolucionárias. Com a ajuda desses pequenos grupos, divulgava seu caso, fazendo uma série de tergiversações por emissoras de rádios subversivas, além de expressar a disposição de morrer se não lhes dessem respostas às demandas que desejava.
Um segundo evento, em 2002, confirma a característica violenta deste sujeito e o desprezo evidente por sua pátria e os cidadãos que a defendem. Em plena cidade de Santa Clara, Fariñas espancou fortemente com um bastão um ancião que havia evitado um ato terrorista de um enviado especial do terrorista Luis Posada Carriles. Os danos causados no lesionado provocaram uma urgene intervenção cirúrgica para retirar-lhe o baço.
Uma vez condenado a 5 anos e 10 meses de prisão, na Causa 569 de 2002 do Tribunal Popular Provincial de Villa Clara, usou de novo seu método de fazer show: a greve de fome.
Naquela ocasião, a posição adotada por Fariñas Hernández levou a uma desidratação leve, para a qual foi indicado tratamento com soro. Interrompeu a greve e, em 4 de novembro de 2002, decidiu reiniciá-la exigindo que colocassem uma TV na sala de Enfermagem da prisão onde ela estava se recuperando.
Em 5 de dezembro de 2003, em atenção aos seus problemas de saúde, foi concedida a ele uma licença extra-penal (no artigo 31, parágrafos 3.b e 4, do Código Penal, se estabelece a faculdade de conceder a suspensão da detenção ao condenado à privação de liberdade por causas justificadas, com base no bom comportamento), em conformidade com nossas leis e com base na concepção humanitária da nossa justiça e do sistema prisional.
Três anos depois, este agente a serviço dos Estados Unidos protagoniza um prolongado jejum para exigir a funcionários do ETECSA o acesso à Internet a partir de casa. Fariñas é um assíduo repórter da infame emissora chamada Rádio Martí e de outras estações anti-cubanas.
Sua folha de servilos é ampla também na assistência a atividades da todo tipo dfa SINA e de algumas embaixadas europeias que dirigem a subversão em Cuba, das quais recebe instruções, dinheiro e suprimentos.
Existem princípios bioéticos que obrigam o médico a respeitar a decisão de uma pessoa que decidiu iniciar uma greve de fome. Portanto, de forma nenhuma se pode forçá-lo a ingerir alimentos, como fazem cotidianamente as autoridades norte-americanas nas prisões e centros de tortura de Guantánamo, Abu Ghraib e Bagram, em violação aos direitos dos detidos.
A medicina só pode atuar quando o paciente entra em choque, fase em que, via de regra, é tarde, pois o ser humano está já no limite da sobrevivência, o que se chama ponto de não retorno. Como resultado de sucessivos episódios de greves de fome, o corpo Fariñas está em um processo de deterioração notável.
Se hoje está vivo, é preciso dizer, é graças ao atendimento médico qualificado que ele tem recebido, independentemente de sua condição de mercenário.
Nesse caso, não é a medicina que deve resolver o problema intencionalmente criado com o propósito de desacreditar nosso sistema político, mas o próprio paciente e os apátridas, diplomatas estrangeiros e veículos de imprensa que o manipulam. As consequências serão de sua inteira e única responsabilidade.
Cuba, que tem demonstrado em excesso que tem como principal divisa a vida e a dignidade humana, não vai aceitar pressões ou chantagens.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=125441&id_secao=7
o carlos vidal devia ir para cuba ou mesmo para o irão sistemas de partido unico e onde nunca NINGUEM FOI PRESO POR PENSAR DE FORMA DIFERENTE
por mero gozo diga lá que na urss nunca houve opressão sobre dissidentes…
quanto Às guerras com o arrastão cresçlam todos
Podes mostrar os directos que quiseres “desde” Cuba que não convences ninguém de que aquilo não é uma ditadura que de quando em vez recorre à repressão brutal. Pode ser uma ditadura que te é simpática; mas isso não a torna mais potável.
E olha que já lá passei bastante tempo, longe das rotas turísticas. Conheci lá gente que apoia o regime, outros que nem tanto. Mesmo estes últimos reconhecem que o regime atravessa tempos de acalmia; mas dias já houve em que se podia ir parar à cadeia por contar uma anedota aos ouvidos errados.
E claro que o partido único é por ali uma realidade. As eleições só permitem escolhas dentro do quadro das orientações do mesmo. Não poder votar em modelos de sociedade diversos não é definição famosa de democracia.
PS: Por azar, o Daniel até já escreveu mais sobre a Palestina do que, se calhar, todos nós aqui juntos. Talvez seja melhor não irmos por aí…
Os outros direitos humanos menos mediáticos: http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/03/12/olga-y-adriana-denuncian-en-ginebra-violacion-de-derechos-humanos-de-los-cinco/
A imposição democrática da democracia: http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/03/04/no-tengan-hijos-recomiendan-medicos-en-faluya/
A demarcação das verdadeiras damas de blanco, da Argentina, em relação às cubanas: http://www.vermelho.org.br/blogs/outroladodanoticia/?p=25317
O comentário do Luís Rainha diz tudo o que é preciso dizer, depressa e bem. Ainda hoje o Arrastão publica um texto do Daniel Oliveira sobre os dois pesos e duas medidas dos governos e numerosos opinadores ocidentais quando se trata de Israel.
Aproveito para recomendar um site cheio de informações úteis sobre o Médio Oriente e a opressão imposta por Israel em Gaza: jewish voice for peace [ http://www.jewishvoiceforpeace.org/publish/mission.shtml ]
Saudações democráticas
msp
Luis, o Daniel O. nunca escreveu nada de substantivo sobre a Palestina. Banalidades atrás de banalidades, não discuto a quantidade.
Discuto a qualidade.
A última vez que com ele falei sobre o assunto (muito apressadamente) defendia 2 estados, o que Said mostrou ser inviável e moralmente inaceitável. De resto, foge do Hamas (diz-se, o DO, um “moderado”) como o diabo da cruz. E foge de mártires na Palestina, mas abraça-os como “heróis da liberdade” em Cuba, esse regime “brutal”.
Disseste “brutal”?
Não confere com a realidade. Não defendo Cuba em si mesma como um cristal no qual não se pode tocar. Mas não alinho com a demagogia fashion de DO e quejandos. Como diz o Reanato Teixeira noutro post, há que ser crítico com Cuba, sim, mas não gratuito, fashion, estilo “bica do sapato” (um péssimo restaurante).
Caríssimos MSP e Rainha, sem querer com isto defender o Vidal (desnecessário)ou desmerecer o Oliveira, creio que o que o Vidal nos quer dizer é que aquele outro aceita destemperadamente o martírio de uns e desdenha o martírio de outros.
Um bem haja,
Não é verdade; não devemos menosprezar tanto o homem: http://arrastao.org/topico/palestina/
Eu pelo menos tenho visto que num país de partido único as imagens de manifs dos reaccionários de branco(Ah!as ‘revoluções’ coloridas-aliás,gosto muito da laranja-a ladroagem sem vergonha chegou em força à gestão do erário público ucraniano, para o foder todo,coisa de alto ideal moral e civico ,como os criados do PS/PSD/CDS sabem defender com o inusitado orgulho de quem está a fazer um alto serviço à Humanidade-ficam-lhes bem esse ideal…).De Guantanamo ainda não vi manifs dos correligionários e amigos dos presos,apesar de ser tutelada pela:MAIOR,MAIS BELA,MAIS JUSTA,MAIS AMIGA DOS FRACOS, eua!,terra de ricos mas,também de milhões de miseráveis .
Eu também já fui censurado pelo libertário e empregado do pinto balsemão(que ainda não lhe mordeu a mão)DO.
Obrigado,DO.Fiquei a saber que o BE é social democrata (coisa mal vista,pq como se sabe degeneram em terroristas sociais) e mandou o Trotsky para o galheiro.Também perderam mais um voto e,para a próxima perdem mais,pq para socialdemocrata na sua mais avançada etapa(o Social Terrorismo)já existe o PS/PSD/CDS!
Mas neste blog não têm mesmo mais nada que criticar senão o Daniel Oliveira? É ele o vosso principal opositor político? Sinceramente, não sei como é que pessoas lúcidas como o Luís Raínha sobrevivem neste blog, que já foi bom.
JPTelo
Cv: Corram a inspirar-se num texto sobre o Afecto Revolucionário, publicado no Libé pelo Alain Badiou, e que hoje já é gratuito. Eu fiz já uma pequena tradução no Post sobre o Porfírio Silva , escrito pelo MS Pereira no VdF. Sem avanço na teoria revolucionária…Salut! Niet
“As eleições só permitem escolhas dentro do quadro das orientações do mesmo. Não poder votar em modelos de sociedade diversos não é definição famosa de democracia.” Refere-se também aos USA, certo, Luís Rainha? Por lá mamam isso há cerca de um quarto de século, nisso os cubanos são umas crianças ainda.
En passant, diria apenas agora duas coisas (mas volto mais logo):
acho infeliz a ideia ou frase do Luis Rainha de que em Cuba apenas se pode escoher – ideias, candidatos, linhas de pensamento – dentro de um quadro reduzido de hipóteses, monopartidário, etc.
O Luis não vive na Europa, certamente.
(Em que mundo/continente viverá?)
De resto, fique o sr. Telo a saber que insisto com o nome Daniel O., por uma razão: pretendo provar que ele é, analítica, ideológica e politicamente, desqualificado. E, pior do que isso, hipócrita.
Não chega a vaidade mediacrata para fazer de alguém um pertinente ou razoável comentador, analista ou colunista, ou ainda blogger.
Da série “coisas que gostava de ter escrito”:
“De resto, fique o sr. Telo a saber que insisto com o nome Daniel O., por uma razão: pretendo provar que ele é, analítica, ideológica e politicamente, desqualificado. E, pior do que isso, hipócrita.
Não chega a vaidade mediacrata para fazer de alguém um pertinente ou razoável comentador, analista ou colunista, ou ainda blogger.”
Ora foda-se, vai buscá-la.
Caro rms,
E, com tempo, posso prová-lo por a+b o que afirmei.
Luis Rainha, o dossier Palestina do “arrastão” é incomensuravelmente mais pobre que o nosso, de todo o 5dias.
(Quanto a Said, nas minhas aulas de “Temas da Arte Contemporânea”-mestrado de Pintura, dedico todos os anos três sessões a Said; publiquei recentemente na “Prelo” [IN-CN] um longo ensaio sobre o senhor; confesso que abordo o Said crítico e teórico da literatura, mais do que o político; mas também é evidente que não se pode fazer uma coisa sem a outra; a tese do estado binacional é de Said – nunca vi o Daniel O. escrever sobre o tema. E farto de banalidades e generalidades sobre o assunto estou eu.)
Carlos,
Podes explicar aos teus alunos o que quiseres do Said, mas nunca convencerás ninguém de que “a tese do estado binacional é de Said”. Já o preâmbulo do Mandato Inglês reza “in favour of the establishment in Palestine of a national home for the Jewish people, it being clearly understood that nothing should be done which might prejudice the civil and religious rights of existing non-Jewish communities in Palestine”.
Nos anos 20 (!) o Brit Shalom já advogava explicitamente um “estado binacional”, no que foi acompanhado por outras organizações sionistas.
Quanto à excelência do nosso “dossiê” sobre o assunto, desculpa mas discordo.
Vem a propósito, caro Vidal. O E. Said pode ajudar a explicar o porquê de algum desdém e aversão pelo martírio praticado a Oriente (instantaneo, irreversível e premente), e, pelo contrário, alguma empatia pelo martírio que se assinala com a compreensão Ocidental. (como no caso da greve de fome, aqui assinalado.)
Quanto ao tal Estado binacional…sinceramente, caro Vidal, em que momento da história da humanidade ocorreu tal abstracção pelo território!?
Aqui está um estado (amoral!) e uma comunidade de toscos (CE),concerteza herdeiros de Weimar.
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=18162
Ainda dizem por aí q Staline matou 200 milhões!É preciso ter uma lata,ser mentiroso e,ter uma queda para servir os amos…
Se assim fosse ,na Letónia não haveria gente(?) desta!
Boa pergunta, caro Justiniano, boa pergunta essa do estado binacional, onde judeus e palestinianos contam “um homem um voto”, ou “um homem uma singularidade” no colectivo (desejavelmente) emancipado. Sabe-se que os judeus não o aceitariam, não o aceitarão, sabe-se também que sem esta solução nunca (nunca!) haverá paz no médio oriente. Por isso, escolha-se.
Mas, pergunta-me onde, eu e eu respondo: binacional, multiétnico, confederal, etc. Existe na África do Sul, obviamente, onde Mandela não aceitou estados para negros (bantustões) à parte dos estados para brancos. E nasceu uma só África do Sul, que vai fazendo o seu caminho. A solução 2 povos 2 estados é a bantustanização da Palestina. Não tenha dúvidas, Justiniano, que nada resolverá.
Luis Rainha
Nas últimas décadas a tese do estado binacional por comparação ou paralelo à situação e solução optada na África do Sul, é naturalmente de Edward Said (até porque nos anos 20, concederás, não se estabeleceram paralelos entre a situação na Palestina e na África do Sul – podes não concordar com o paralelo, mas esse é outro assunto: quiçá para um post futuro).
Considerares que o nosso dossier Palestina não é grande coisa, paciência, é opinião tua (há textos sobre urbanismo, destruição do território, geografia, colonatos e política e guerra, massacres e outros aspectos militares, e até escrevi sobre a videoarte actual em Israel – sinceramente, nada mas mesmo nada disto há no “arrastão”, nem esta diversidade nem esta qualidade de abordagens). Nada a contra-argumentar em relação à tua opinião (até porque uma opinião não é mais do que uma opinião – aí, desculpe-se-me a enfatização, sou sempre platonista contra a sofística e sua mestria da opinião).
O mal do sr Carlos Vidal e de todos os militantes mais sectarios do PCP, é que recusam ver que Cuba é uma DITADURA, em que um irmão sucede a outro irmão, numa atitude de claro neopotismo, em que todos aqueles que não aceitam a ditadura dos irmãos Castro são logo apelidados de bandidos, foras da lei etc.
Guevera foi despachado a tempo, muitos que lutaram com a ditadura de Baptista já morreram, foram eleminados ou sairam de Cuba desiludidos com a pseudo revolução que Fidel levou a cabo.
O mal disto , é que a alternativa aos Castros e restante pandilha que governa Cuba, são os mafiosos de Miami, e quem vai pagar tudo isto vai ser o povo cubano, pois qualquer alternativa democratica de esquerda, é tão reprimida como os mafiosos de Miami…
Triste Cuba a caminho do abismo, e os Vidais doPCP era esta alternativa que queriam para Portugal…CHICHA…
Binacional não significa multiétnico. Aliás, não imagino onde é que a África do Sul é um estado multinacional; excepto por alguns radicais amalucados, os brancos sempre ali se declararam sul-africanos. A etnia não correspondia a nacionalidade.
Por outro lado, se os israelitas têm alergia a essa solução, é em grande parte por causa da violência que eclodiu durante a vigência de algo parecido, o Mandato Britânico.
fds ha aqui mt doido,
estes “martires” em cuba não têm como objectivo a matança indiscriminada de civis do outro lado
ha uma diferença de galáxias
vidal, bates mal
Luis Rainha
Estás a querer reduzir o espectro da discussão a minudências terminológicas, ainda por cima de definição flutuante.
Dois exemplos (curtos): estado multinacional é Espanha; estado multiétnico é a África do Sul.
O essencial da tese de Said é o estado multinacional, forçosamente multiétnico, pois a proveniência dos povos naquele território é multiétnica. Há na zona uma multietnicidade. Said comparava uma coisa e outra – Palestina e África do Sul (e, olha, o senhor não era nenhum tonto, OK?) – por causa de múltiplas formas de apartheid que o médio oriente e o estado judaico (artificial, continuo a crer) em particular fomentava e impunha pela força, até hoje. E, como solução, defendia um estado de cidadãos, multiétnico e binacional (considerando a maioritária binacionalidade – árabe e judaica – da zona, depois da colonização e emigração absurda e brutal de judeus para um território habitado e com uma sociedade própria e organizada, que foi destruída).
Acho que esta é a discussão. Se, em vez de uma discussão política, pretenderes uma disputa de dicionário, não lhe vejo adequação, pelo menos por agora, tanto mais que este post até nem é sobre o médio oriente.
Mas, quanto ao médio oriente, a performance analítica de Daniel O., repito, é assaz medíocre.
Mas, atenção Luis, o essencial está expresso: a solução “2 povos 2 estados” é inviável e imoral.
alexim logas,
Não estou de acordo.
O Hamas, hoje o mais activo movimento de resistência palestina, não tem como objectivo a matança indiscriminada.
Os seus alvos são concretos.
Se se considerasse que um movimento de guerrilha anticolonial matava indiscriminadamente, e portanto isso deveria ser sempre condenável e interditado na luta pela liberdade, então, hoje, nenhuma (nem uma) colónia estaria autónoma e/ou independente. Nenhuma.
Quanto ao caso do médio oriente, a ocupação israelita é muito mais brutal que os antigos poderes coloniais.
Noutro ponto, uma crítica ao “martírio” para ser coerente (isto na óptica oliveiresca) deveria incluir tanto o Hamas quanto a autoflagelação do sr. Fariñas.
Não percebo como não percebe: isto não é apenas uma questão quantitativa, está bem?
E era esta a intelectualidade anunciada pelos blogueiros. O nosso país está mesmo mal. Isto é, aqui.
Caro Vidal, compreendo a tendencial analogia de Said mas repare que, como bem refere o Rainha, a nacionalidade Sul Africana sempre foi conceito pacífico (unidade Republicana e pertença comum a um determinado território) (à parte da mudança de símbolos da República…), o reconhecimento das “Nações” da África do Sul já havia sido feito pelo Apartheid (Rainha, as “nações” sul africanas são várias, nenhuma delas branca(não obstante o reconhecimento do Afrikans como língua própria), pode ler na Constituição da República da Africa do Sul) permitindo língua e instituições próprias. No caso de Israel e Palestina, a coisa é muitíssimo diferente, uma vez que cada um dos lados tem uma concepção muito própria de República e de Nacionalidade, leis e instituições.
Estou em crer que será mais fácil gatafunhar por terra e discutir a matéria fundiária que abstrair desta sem qualquer ideia agregadora.
Vidal, fosse a demografia inversa e teria a oposição do lado Palestino. A coisa, simplesmente, não funcionará!! Se não funciona não poderá ser solução e muito menos poderá ter concordancia moral, isto por mais que a desejemos como a única solução moralmente aceitável.
Mas, no meio disto tudo, também noto, em si, meu caro, alguma cedencia à legitimação liberal.
“O Hamas, hoje o mais activo movimento de resistência palestina, não tem como objectivo a matança indiscriminada.”
é evidente que a “matança indiscriminada” pretendida pelos ditos não é explicitada como tal. mas se ler a “charter” do hamas é isto que lá está: os judeus tem que ser erradicados da Palestina. é isto que eles proclamam, publicamente. e é precisamente isto que eles tentam fazer através das suas brigadas de mártires.
http://www.memritv.org/clip/en/2415.htm
Não haja dúvida. É um movimento de “resistência.”
http://avalon.law.yale.edu/20th_century/hamas.asp
Carlos Vidal
“pois a proveniência dos povos naquele território é multiétnica.”
quem é que nega esta evidência? quem é que sempre negou isto?
seja um bom marxista. “historize” a coisa, s.f.f
Já ouvi muita coisa, de um lado e outro acerca de Cuba. Permitam-me uma correcção:Embora o PC Cubano seja o único partido estabelecido, existem vários partidos em Cuba, e ainda devemos ter em conta que os dissidentes por si se dividem entre eles. E embora o PCCubano seja o partido estabelecido, é absolutamente proibído a qualquer partido, apresentar ou apoiar candidaturas de deputados. Ou seja: Cuba não tem um regime político unipartidário, mas apartidário.
Com isto dito, se querem culpar alguém, culpem a assembleia inteira que é totalmente composta por deputados independentes, lá colocados pelo povo, que ainda neste passado dia 25 de Abril se dirigiram às urnas na bela soma de 93,7% dos eleitores. (isto num país onde o voto não é obrigatório). Destes93,7%, podemos descontar 8, qualquer coisa que é a soma dos votos nulos e os votos em branco. Mesmo assim, se 80 e tal % da população vai às urnas dizer de sua justiça, num voto secreto, isto a mim cheira-me a democracia.