A histeria legislativa e mediática sobre as alegadas violações do segredo de justiça é tardia em Portugal. Só aconteceu a partir do momento que nomes conhecidos de pessoas com poder social começaram a aparecer na comunicação social. As harpias, que normalmente berram sobre o assunto, raramente se ouvem quando o denunciado é um criminoso de delito comum. Nesses casos, é, para eles, normal e socialmente aceite que os jornais revelem tudo sobre o processo.
Entendamo-nos, os criminosos pobres não têm direito ao bom nome e são normalmente condenados; os ricos têm a sorte de ter um PGR e uma directora do DCIAP que parecem achar que a sua principal função é garantir a presunção da inocência só para cidadãos VIP. A isso, soma-se que, em Portugal, nunca, até agora, foi condenada gente poderosa.
O único caso que me lembro, Vale e Azevedo, só foi condenado quando deixou de ser presidente de uma colectividade da Segunda Circular.
Para registo, deixo duas notícias que mostram a diferença de tratamento social:
1- há umas semanas, para gaúdio arfante da socratada da blogosfera, o Público anunciou na primeira página que o processo Freeport acabava até ao fim de Março e que Sócrates não era suspeito.
Hoje, o mesmo jornal vem dizer que o processo dificilmente terminará nesse prazo assoprado por Cândida Almeida, e que Sócrates está a ser investigado. Tal como na altura escrevi, os jornalistas por muito próximos que sejam de uma fonte, devem verificar uma notícia. Era normal terem visto quantas vezes prometeu a doutora Cândida Almeida que o processo seria arrumado e quantas vezes garantiu que o primeiro-ministro não era suspeito. Na notícia de hoje, o Público redime-se e confirma que a directora do DCIAP já deu, ao longo do tempo, de preferência perto de períodos politicamente relevantes, quatro datas que não aconteceram para o encerramento do processo. Sempre que o fez, a sua maior preocupação foi inocentar José Sócrates.
2- Ontem foi morto, pela polícia, um jovem de 30 anos. O seu crime foi ter alegadamente não respeitado uma operação Stop. Era músico, era negro e vivia em Chelas.
O Correio da Manhã noticia o acontecido e no final deixa essa linda passagem:
“A polícia não sabia, mas Nuno Rodrigues, 30 anos, estava referenciado por tráfico. E terá estado envolvido num recente tiroteio junto à discoteca Kremlin”.
Esta passagem é obscena. Não tem fonte citada e é obviamente fornecida ao jornalista, para que a opinião pública minimize o assassinato de um jovem. O Nuno Rodrigues podia ser tudo isso, ainda assim não tinha que ser morto a tiro. Acresce que todos estes “factos” não são verdadeiros. O jovem de Chelas há muito que não tinha problemas com a justiça, não existia contra ele nenhum mandado, nem nenhuma acusação de ser responsável por um tiroteio. Certamente o jornal teria sido mais cuidadoso se a família do morto fosse poderosa e tivesse meios de processar os caluniadores.
Mas sobre isso, há o silêncio do costume. Um negro morto a tiro não tem normalmente direito à justiça, nem, muito menos, que respeitem a dor da sua família.




Em tempos, os jornais tinham quem escrevesse sobre estes assuntos. Foram todos corridos e substituídos pelos conservadores que aí andam. Os mesmos que adoram cortar no Estado Social mas que estão sempre dispostos a apostar no Estado Penal.
Excelente texto.
Bingo.
mas afinal é verdade ou mentira que ele desobedeceu á policia e fugiu. Claro que a morte é uma consequencia trágica mas que podia fazer a policia ? pedir desculpa por ele não ter parado e a policia sabia que era quem? para a pulhice dedosir que se fosse outro não atirava a obrigação dele era parar.
Caríssimo NRA, companho-o na indignação à obscenidade da notícia do CM, sem dúvida e sem reserva.
Quanto ao resto, caro NRA, para além da apologética (sua), parece-me ser a coisa bastante complexa… e uma vez começando a alegar, alegaremos incessante e encantadoramente, construiremos poemas e prosa bastante…
Um bem haja,
lingrinhas, um velho Y10 embalado é, de facto, inalcançável… antes de se desfazer.
lingrinhas,
na desoladora cidade em que cresci, os betinhos que à noite armavam confusao, para depois fugirem de mota, jamais paravam assim que viam a bófia; em fuga, chegavam a fazer piretes aos bófias; quando eram apanhados, iam à esquadra, diziam o nome dos seus ilustres papás e passada meia hora lá voltavam outra vez para aprontar mais umas quantas…
As balas, a bófia guarda para as classes sociais que a burguesia exclui de toda e qualquer vida social. Em Portugal, os ‘pretos’ estão simplesmente EXCLUÍDOS de TUDO. E você não vê esse jornal de variedades e de publicidades que é o Pub(lico), nem qualquer outro, nem qualquer noticiário, a dar notícias que nos permitam ganhar uma perspetiva para perceber a segregação e o apartheid em curso.
Você não vê ‘pretos’ (ou poderá contá-los pelos dedos de uma só mão) na Biblioteca da Gulbenkian, na Ópera do São Carlos, no Parlamento, na Av. 5 de Outubro, no Museu de Arte Antiga, no Centro de Arte Moderna, nos Camarotes do Estádio da Luz nem na muito popular marisqueira do Ramiro. Vê-los-á, apenas e só, se for às 7 da manhã, na hora das limpezas.
O país está muito preocupado com a paridade para as mulheres (brancas), mas vive com tranquilidade a segregação dos ‘pretos’. Há-de reparar que, se viver num bairro de classe média, não vivem ‘pretos’ na sua rua. O café que frequenta estará por isso ‘limpo’.
(E já imaginou o escândalo que seria a notícia: “agente da polícia dispara sobre o filho do Presidente da Câmara, por aquele não ter parado numa operação Stop.” Caíam o Carmo e a Trindade…)
Lingrinhas, o Nuno Rodrigues, segundo o que vem nos jornais, fugiu à polícia. Esta deveria persegui-lo e, quando o apanhasse, agir conforme a lei. Nunca o uso da arma foi justificado. A situação é demasiado inofensiva para que um polícia puxe da arma e dê dois tiros para o ar e um na direcção do carro. É simplesmente injustificável e inaceitável. Espero que este agente seja punido exemplarmente.
Pois e o mais interessante (se não fosse trágico) é que, nos termos do disposto no n.º 3 do art.º 4º do Código da Estrada, quem desobedecer ao sinal regulamentar de paragem das autoridades policiais é sancionado com a coima (trata-se de uma mera contra-ordenação) de 500 a 2500 euros.
lingrinhas,’dedosir’, é de facto uma grande imaginação.E você, é mestre!
Senhor(a) simples,
‘dedosir’ pode ser:
‘dedo’ do ‘Sir’
‘dedos’ que se deixam ‘ir’
‘ded’ (que talvez seja ‘morto’ em inglês) ‘o’ ‘Sir’
A poesia, na contemporaneidade, é isto mesmo: o sentido, esse, que lho dê o leitor. E eu fiquei indeciso…
Tiraram o piu ao lingrinhas.
Maré alta Nuno… ainda que sobre a maré baixa.
Muito bem dito!
psd da boa fé#muito ao contrario do pensa não sou racista e compreendo o seu texto mas isso não invalida que seja quem for deva obedecer ás autoridades no cumprimento das suas funções sejam eles brancos, pretos,amarelos ou vermelhos.Sendo assim, tendo desobedecido a ordem da policia!!!!!.o desdobramento da “palavra dedosir”que apesar de mal escrita percebeu perfeitamente quis foi dar numa de intelectuloide de sargeta #renato teixeira#quanto ao pio ninguem mo tira nem a policia militar como os sociais faxistas tentaram no pavilhão Carlos Lopes.se não sabes pergunta ao jeronimo.
lingrinhas, ainda bem que compreendeu o meu texto; nao era aliás muito difícil de compreender…
Pelo contrário, só um monstro poderá compreender o seu ódio por quem não pára numa operação Stop. Mas não se preocupe porque o que não faltam são monstros…
Há quem fique estupefacto ao ver com que rapidez, em certas épocas, se difundiram processos bárbaros, como a tortura, a escravatura ou o genocídio, chegando a fixar-se em costumes muito queridos ao coração das populações. Mas eis que, de súbito, emerge aos nossos olhos um ser vivo como o lingrinhas, que, na sua ânsia justiceira por atribuir o que é devido a cada um (ou seja, aquilo que ‘as autoridades’ estipularam), nos faz compreender claramente boa parte das inundações sangrentas que cicatrizaram o passado e continuam a manchar a vermelho o presente.
Para a sua forma de (não) pensar, todas as valas comuns serão poucas.
Era ver um qualquer lingrinhas ser baleado pelo Teixeira dos Santos porque se furtou ao pagamento de uma coima devido a entrega fora do prazo do IRS. É até dia 15 de Abril pela internet. Em alguns casos 15 de Maio.
psd da má fe #meta a anarquia no cu e vá bardamerda