
Santiago, 1973
Ora bem, economicamente o socratismo é uma espécie de pinochetismo, como aqui escrevi há um tempo (e com memorável polémica, interminável), como o pinochetismo foi uma espécie de thatcherismo e vice-versa, e assim sucessivamente (e eu, como diria o João César Monteiro, “quero que o público português se foda, e assim sucessivamente”, precisamente). Vejamos então:
A tributação das mais-valias mobiliárias só vai avançar quando a conjuntura económica melhorar. Depois de uma reunião extraordinária de Conselho de Ministros, ontem, que durou três horas, Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, adiantou que a medida será posta em prática mas depende do cenário financeiro do país.
Nunca será posta em prática. Alguém duvida?? Ler também:
Nas medidas de austeridade que se apontam no PEC surgem as de aumento de impostos aos mais ricos, tributando-os em IRS à taxa de 45% acima do rendimento tributável de 150.000. Esta tributação irá atingir pessoas que declaram tais rendimentos, mas importa assinalar que nem todos os ricos os declaram. Muitos ricos, a maioria talvez, não os declara. E porquê? Pode-se ter fortuna, mas não auferir rendimentos ou estes não serem declaráveis, ou não serem declarados.
Ler o resto do artigo, que também desmistifica as privatizações como “fonte de receitas compensadoras” (sendo antes de despudorado desbarato, pois).
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Imaginar que tributar as mais-valias dos ricos resolve alguma coisa é fantasia. Achar que se o Jorge Coelho e chulos do género não existissem ou levassem um tiro na cabeça, Portugal seria um país próspero, é insultar a inteligência de quem lê um blog de esquerda. Importa é trazer para a rua a luta que está a começar na Grécia, estendê-la ao nosso rectângulo e mover a Europa pelo Trabalho contra o Capital. É isso que espero ler de um revolucionário como o Carlos Vidal. Dissertar sobre pintelhices em que o Governo tem ou não margem de manobra para actuar e corrigir coisas com vida própria como “défices”, faz parecer os teus posts tão vazios como os do Rui Tavares sempre que usa a palavra “neoliberalismo”.
Pois…pagam os do costume.
Caro AAAA,
A comparação com Rui Tavares, como o meu amigo sabe, é-me muito desagradável e insultuosa.
Mas, a razão que você tem, e tem-na, não impede que as recentes tomadas de posição de Teixeira dos Santos sejam dele e da sua gente um verdadeiro e cristalino auto-retrato. É que também é preciso saber-se quem se está a combater. E quando isso acontece porque aquele ou aqueles que se combatem se auto-retratam, isso deve ser sublinhado. Santa paciência, por muita razão que eu tenha de lhe dar, isto é uma evidência.
Depois, confirmar esta ligação ou genealogia não é dispiciendo:
Friedmanismo – pinochetismo – thatcherismo – socratismo…
Isto é importante, tenha lá calma, meu caro amigo.
A revolução vem ao mesmo tempo que isto. Tem de vir, deve vir.
Entretanto , de quem é que esta súcia se lembrou para fazer um “esforço” ?
Dos desempregados . Esses nababos vão ter o subsídio de desemprego diminuido.
O argumento de que é um incentivo para os calões irem procurar trabalho está ao nivel de uma suinicultura na sala, entre um sofá e a tv.
“sucialistas”, chuchialistas, que esterco
para quando uma patada nesta gente?
Olha que o Pinochet, em termos económicos, não foi aquilo que pensas; estás a engolir a propaganda dos blasfemos e afins – ele manteve o controlo sobre a lucrativa indústria do cobre e chegou, quando a coisa apertou, a intervir em bancos… um verdadeiro Vasco Gonçalves.
E olha que não sei se isso dos “Muitos ricos, a maioria talvez, não os declara” ainda corresponde à realidade. Tens alguns dados sobre o tema?
Atenção, não os declara ou não são declaráveis.
Ahhhh, o Allende! Era bom rapaz. Uma pena, o que lhe aconteceu. Estes capitalistas, decididamente, são uns imorais: recusam-se sempre a entregar a sua propriedade ao estado, euhh, perdão, ao povo, mesmo quando lha pedem amigavelmente, democraticamente, até.
Nenhum sentido de justiça, nenhuma solidariedade.
E depois ainda vêm com justificações manhosas, autêntica propaganda de classe, em que dizem que é perfeitamente natural e compreensível quererem utilizar a violência para se defenderem da violência da esquerda! Vejam só isto, este fascistóide:
“Contrary to the attitude of so many of today’s intellectuals, Communists do not have a right to murder tens of millions of innocent people and then to complain when their intended victims prevent their takeover and in the process kill some of them.”
http://blog.mises.org/?p=006032#ixzz0iHDcMnxO
Que falta de vergonha! Só pensam nos seus interesses.
Pois é, caro Pedro Bandeira, é por isso que não me sensibiliza a palavra ou a realidade da chamada “democracia”. Nem simpatizo ou defendo ou creio (como quiser) na racionalidade ou justiça da não violência. Na construção daquilo que eu chamo liberdade (diferente do que você ou o sr. Soares chamam) deve haver sempre um poucochinho de violência. E essa é sempre justificável e/ou inevitável sobre os seus e aquilo que o meu caro defende. Conflito é conflito. E nunca me passou pela cabeça transformar a sociedade em paz e eleitoralmente. Para não ouvir as suas ironias e as dos seus nunca me passou pela cabeça esperar por resultados eleitorais. E, para não ter de ouvir ironias como a que transcreve, sempre achei que, exactamente, os comunistas deveriam agir preventivamente.
A não ser assim, vai o meu caro (e os seus) continuar a sorrir.
Assim seja, até ver.
Atenção Luis Rainha (retomemos):
Between 1975 and 1989, these “Chicago Boys” [activos no Chile] sold government stakes in more than 160 corporations, 16 banks and over 3,600 agro-industrial plants, mines and real estate, not including the return of property expropriated during the previous government of Salvador Allende.
http://www.multinationalmonitor.org/hyper/issues/1991/05/collins.html
Chega??
(Houve pequenos ajustes posteriores, mas o essencial anda por aqui… Já agora, conceberá Teixeira dos Santos hipóteses de ajustes posteriores? Está economicamente mais à direita que Pinochet?? Assim parece? Veremos.)
não posso nem ouvir falar em pinochet, fico tão ou mais violento. este ministro veio da bolsa do porto, não há nada a esperar de tal luminária.