
Fui três vezes ao estádio da luz. O Benfica perdeu duas vezes (Getafe e Académica, 1-2 e 0-3 respectivamente) e empatou (ontem) com o Marselha. Das três visitas ao que os vermelhos chamam de “catedral” vim de lá sempre satisfeito com o resultado mas incomodado com outras coisas. (Desta feita vim maravilhado com a exibição do Lucho e do Júlio César… para mim os dois tinham lugar, de caras, na Briosa).
Apesar de novinho ainda sou do tempo da pevide, da bejeca e do courato, do tempo em que se levavam crianças à bola para que elas para além do jogo (para o qual não tinham a mínima paciência) brincassem umas com as outras e, entre outras coisas, jogassem à bola no peão. O “ir à bola” era uma actividade social, lúdica, gastronómica (começava com almoço ou acabava com um lanche) e evidentemente, desportiva.
Hoje “ir à bola” é algo completamente diferente. Como aliás ir ao cinema. Os espaços tornaram-se assépticos, a cerveja não pode ter álcool, não há pevides, não se vê uma criança a correr no peão atrás de outras crianças ou simplesmente de uma bola. Não se vê grupos superiores a quatro pessoas juntas e o que era uma acto de jubilo social passou a ser um acto de frustração masturbatório.
No estádio da Luz há ainda outra particularidade. Só é proibido beber e comer aos pobres. Nos camarotes, onde também estive infiltrado, come-se, bebe-se, fuma-se, e o que mais se quiser dentro da privacidade das quatro paredes das classes. Dizem ser o clube do povo? Talvez seja. O problema é que o povo anda enganado, ou pelo menos, muito distraído.




Salvé Por uma vez estou de acordo consigo. venham mais.
Oh rapaz…a base do benfica é na sua maioria trabalhadores, a sua direcção como é obvio é que não…experimente ir aos camarotes de outro estadio qualquer da primeira liga, incluindo o da sua briosa e verá as semelhanças.
Já agora um conselho, para a próxima vá ver o jogo para claque do benfica verá que ai se fuma, se bebe e muito mais…se é isso que quer ver…mas na verdade espero que não volte lá…não gosto de aves de agoiro.
Bom post sim senhor, boas verdades … e boas memórias.
Caro Renato, este post era escusado.
Em primeiro lugar constato a tua aliança estratégica com o lingrinhas.
Acho muito bem que se deixe fumar e beber nos camarotes da Catedral do Povo. Assim, quando a revolução chegar, o povo estará de perfeita consciência e saúde para enfrentar os seus inimigos de classe. Só acho mal que, no 2º anel, ainda não façam cursos de iniciação ao manuseamento de armas.
Pensei várias vezes se comentava o texto ou não. Aliás, isto já aconteceu por outras vezes. É verdade que o Renato manda umas que eu considero serem ao lado, mas depois subscrevo tanta coisa. Oh, senhores!
Espero que tenham sido de facto dos tempos passados na Central B, a subir as escadarias no intervalo para ir comprar as pevides naquelas mesinhas de costas voltadas para o Parque de Campismo. Sim, porque espero que estas proximidades sejam da nossa conterraneidade…
Vê caro lingrinhas, como distingue táctica de estratégia.
Amilcar, não se abespinhe. É de bola que isto trata… De bola! Voltarei à luz… com toda a certeza. Gosto particularmente do som dos megafones. Boa música, sim senhor. Só tenho pena de não ter lá estado naquela vez que receberam o Durão Barroso como ele bem merece. Por isso, Alilcar, tem seguramente razão sobre o carácter de classe da sua base de apoio, e eu tenho seguramente razão sobre o facto de ele (povo) andar distraído ou enganado.
Boa Fé… e o escorrega? Aquele do parque de campismo? Que maravilha a infância… que maravilha!
Tiago, não podia ser outra a tua catedral. Como poderás ter visto do debate sobre a Resistência Islâmica não tenho problemas com unidades tácticas quando o inimigo é comum. O lingrinhas mete seguramente mais medo do que o Hamas mas ainda assim…
Quanto ao deixar de fumar deixa-me pedir-te que invertas a tua luta. Que se reivindique o direito de fumar. Até podíamos lançar uma abaixo-assinado oliveiresco: Pelo regresso da pevide e da cerveja com álcool. Em metade do tempo teríamos o dobro das assinaturas pelos presos cubanos.
Quanto ao treino para o manuseamento de armas, eles já devem acontecer na guerrilha clandestina dos No Name Boys.
RML, sem dúvidas que mando umas ao lado. Gosto de futebol de ataque e para tal, como bom tuga, preciso de 40 ou 50 remates para um ou dois pares de golos. Mas como se ganha até por meio golo, não tenho razões para mudar de táctica.
Central-B forever! e contemporaneidade… Saudações.
Renato, a propósito da tua última frase gostava de saber a tua opinião sobre uma questão que discuto há alguns anos: infiltrar ou combater?
Ahah! A questão que aqui se coloca é que se a proporção fosse para 40 ou 50 remates, não seria só meio golo. Saudações, ora pois.
Tiago, sobre as claques não tenho uma opinião muito acirrada. Tendo a achar, que em determinados contextos (ascenso) uma boa infiltração pode dar bons quadros ao projecto revolucionário. Noutros casos (refluxo) a coisa vira bastante à direita. Enfim… o que te parece a ti?
Renato
Estás lixado. Com estes desvios futebolistas não vais ser eleito para o meu comité central (eh, pá, não digas a ninguém que eu sofro pelo Sporting…)
A propósito de futebol, vou-te ontar uma história que se passou comigo. Em 1979 estava eu na Albania, no 7º Congresso do PTA, onde se discutiu e aprovou a cisão com a China. Estava a ser entrevistado para a televisão albanesa quando o intérprete me disse que um dos técnicos me queria dar uma palavrinha. Eu pensei que me ia perguntar pela revolução, pelo Otelo, ou pela Reforma Agrária, mas não. O rapaz apenas me disse: – Ah, o Eusébio era o maior…
Manuel Monteiro
para a proxima vai para o topo sul
Ah grande Manuel Monteiro… um verdadeiro baú de histórias! Quando te poderemos ler sem ser como comentarista? Sei, no MV… mas digo numa tasca com um âmbito mais propício a esse tipo de histórias?
Escreve-se LUXO e não lucho