Buracos na cabeça

A Insurgente Maria João Marques não gosta de arriscar o popó nas esburacadas ruas de Lisboa. Parece-me bem; o pior é a lista de soluções que a senhora nos oferece para que a CML possa financiar as reparações:
1) «Um quarto do dinheiro para a obra viria das verbas destinadas às obras (a suportar pela CML) da Casa dos Bicos para futura instalação da Fundação Saramago». Pronto: MJM sabe que tapar todos os buracos de Lisboa vai custar 8,8 milhões de euros. Tudo bem, até pode ser que tenha acertado; e até pode ser que a CML esteja mesmo sem orçamento para tal empreitada. Mas e onde vêm essas certezas, não sei.
2) «A cedência da Casa dos Bicos por vinte/trinta anos a uma qualquer instituição privada que suporte os custos das obras necessárias e ainda desembolse agora algum dinheiro». Mas a quem, já agora? E quem diz esse imóvel poderia dizer muitos outros – desde que os mecenas crescessem nas árvores, o que não parece ser o caso actualmente.
3) «Canalizar para as ruas de Lisboa o dinheiro destinado a campanhas estúpidas de pedagogia socialista.» Aqui, a senhora linkou um texto meu onde afirmo que… a CML não gastou dinheiro na tal campanha da Ilga, apenas cedendo espaço na sua rede (não comercial) de MUPIs. É boa ideia ler as coisas antes de se lhes referir.
4) «Vender vários prédios propriedade da CML (daqueles que mesmo com habitantes – que poderiam ser realojados nas casas de habitação social cujos arrendatários não paguem as rendas – estão pré-devolutos por incapacidade da CML manter aquilo que teima em não alienar).» Ou seja, corremos com os velhotes que ocupam precioso espaço camarário e enfiamo-los num qualquer bairro social – expulsando os ocupantes anteriores para baixo da ponte 25 de Abril. Mas imaginar MJM a conduzir formosa, e já segura, pelas vielas lisboetas já compensa o sacrifício.
5) «Cortar os subsídios aos artistas que insistem em viver do dinheiro dos contribuintes.» A maior parvoíce ficou guardada para o gran finale. A que chupistas se refere a indignada automobilista? Aos reformados da Casa do Artista? A quem trabalha no São Luiz? Onde pararão esses parasitas habituados à mama da CML? A bem da verdade, sejam eles quem forem, acho que prefiro ir ver “Os mortos viajam de metro” (nem de propósito) a ver passar a senhora insurgente no seu reluzente bólide. Mas pode ser que ela entre numa permuta: começa, depois de exterminada a artistaria dependente, a dar espectáculos cómicos, declamando textos burlescos como este para gáudio da cidade.

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11 Responses to Buracos na cabeça

  1. Pingback: A esquerda não gosta de ser elogiada nas poucas vezes em que tem razão « O Insurgente

  2. p. s. d. da boa fé says:

    Mas porque é que o pessoal nao anda a pé? Assim, até poupava o dinheiro que gasta no ginásio e, nos buracos das estradas, podíamos com os nossos filhos plantas canteiros de flores. Já imaginaram Lisboa sem pópós e onde, em vez destes, estivessem flores, plantas e ervas para se fazerem uns bons picnics, encontros amorosos e jogatanas infantis?

  3. Luis Rainha says:

    Eu ando de transportes e a pé. Mas há muita gente que não o consegue fazer.

  4. Manuel Monteiro says:

    O pensamento pró-fascista no seu máximo esplendor…
    Manuel Monteiro

  5. yussuf alaghuiar says:

    (Os transportes circulam nas ditas ruas, onde estão os buracos…). Os argumentos da senhora são assim para o primário, é certo, e tudo o que é dinheiro para a cultura e para as minorias sexuais, já sabemos – é a direita, estúpido – é dinheiro atirado ao lixo. Mas concordará que 3 milhões em arranjo de ruas é dinheiro mais bem gasto do que 3 milhões para as avionetes do Red Bull Air Race… ou não?

  6. Ricardo Guerra says:

    E aqui está mais uma insurgente exibindo a sua “postura”. Quando senhoras prendadas cagam postas de pescada, dá nisto.

  7. CF says:

    Quanto à cedência da Casa dos Bicos a uma fundação do escritor Sarmago: péssima ideia. A Casa dos Bicos tem significado nacional, foi/é um erro dispor dela a favor de uma causa/pessoa etc que divide os portugueses. Camões tem museu? Era um bom lugar. Ou Sá de Miranda, que se temia da canela que lhe despoava Lisoba. Acho que percebem.
    Quanto ao velhotes: não se corra com eles. A lei da habitação social permite aumentos muito superiores ao do arrendamenteo comum – mesmo o comercial. Ali, se o prédio não ruir, estão melhor e a beautiful people da esquerda gosta de os mostrar aos amigos estrangeiros, ou ser vizinhos deles nos prédios recuperados pela CML para os amigos, relatando em crónicas e blogs comportamentos pitorescos deles e que eles chamam “saberes” (a bem dizer podiam observar os avozinhos deles, se não se tivessem já desfeito deles num lar na Baixa da Banheira). A lei do arrendamento já correu connosco todos do centro de Lisboa e continua a arruinar literalmente a baixa. A CML, dona de muitos imóveis degradados é um exemplo de que a propriedade pública não é o remédio para evitar o terramoto permamente a que sucubem as nossas cidades.
    Ah e o resto é que a vida vai ser difícil e que o dinheiro acabou mesmo. E que podemos ser corridos do euro (Vd. Finantial times, via Cachimbo de Magritte). E que a esquerda se dá mal com as albânias se calha ter de lá viver.

  8. Francisco Crispim says:

    Caro Rainha, tenha lá paciência, mas parece-me que está equivocado quanto aos “velhotes” que ocupam as “casinhas da Câmara”. Actualmente, em grande parte dos casos, os moradores dos prédios municipais de Lisboa são:
    - filhos ou netos dos locatários primitivos, que nada justifica fruirem de tal privilégio;
    - gente contemplada pelos sucessivos executivos camarários (predominantemente os socialistas).
    A propósito, já reparou que não deram em nada as notícias de há tempos sobre ocupações ilegítimas (e, na maioria, imorais) de casas da Câmara?

  9. lingrinhas says:

    Voces não sabem quem é a senhora mas eu sei é aquela do ambrósio.

  10. Luis Rainha says:

    Francisco,
    Também não sei se será um grande “privilégio” ali morar… E quanto a isso das casas camarárias distribuídas a amigalhaços, olhe que também por aqui me indignei com o tema.

  11. Francisco Crispim says:

    Caro Luís Rainha,
    Não quero ser maçador, mas tenho de replicar.
    Conhece, por exemplo, aquelas casas da Rua de S. Bento em frente do Parlamento, a seguir à fundação particular do dr. Soares? São da Câmara e foram restauradas há quatro ou cinco anos; continuam, é claro, a ser dos filhos, netos e bisnetos dos antigos ocupantes… Acha que não é um privilégio morar ali?
    Quanto ao caso dos amigalhaços, não era, evidentemente, a sua posição que estava em causa (e eu conhecia) mas o facto de a celeuma ter dado em nada: o dr. Costa fez-se desentendido e foi reeleito. Isso diz tudo, acho eu.
    Um abraço.

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