Buracos na cabeça
12 de Março de 2010 por Luis RainhaA Insurgente Maria João Marques não gosta de arriscar o popó nas esburacadas ruas de Lisboa. Parece-me bem; o pior é a lista de soluções que a senhora nos oferece para que a CML possa financiar as reparações:
1) «Um quarto do dinheiro para a obra viria das verbas destinadas às obras (a suportar pela CML) da Casa dos Bicos para futura instalação da Fundação Saramago». Pronto: MJM sabe que tapar todos os buracos de Lisboa vai custar 8,8 milhões de euros. Tudo bem, até pode ser que tenha acertado; e até pode ser que a CML esteja mesmo sem orçamento para tal empreitada. Mas e onde vêm essas certezas, não sei.
2) «A cedência da Casa dos Bicos por vinte/trinta anos a uma qualquer instituição privada que suporte os custos das obras necessárias e ainda desembolse agora algum dinheiro». Mas a quem, já agora? E quem diz esse imóvel poderia dizer muitos outros – desde que os mecenas crescessem nas árvores, o que não parece ser o caso actualmente.
3) «Canalizar para as ruas de Lisboa o dinheiro destinado a campanhas estúpidas de pedagogia socialista.» Aqui, a senhora linkou um texto meu onde afirmo que… a CML não gastou dinheiro na tal campanha da Ilga, apenas cedendo espaço na sua rede (não comercial) de MUPIs. É boa ideia ler as coisas antes de se lhes referir.
4) «Vender vários prédios propriedade da CML (daqueles que mesmo com habitantes – que poderiam ser realojados nas casas de habitação social cujos arrendatários não paguem as rendas – estão pré-devolutos por incapacidade da CML manter aquilo que teima em não alienar).» Ou seja, corremos com os velhotes que ocupam precioso espaço camarário e enfiamo-los num qualquer bairro social – expulsando os ocupantes anteriores para baixo da ponte 25 de Abril. Mas imaginar MJM a conduzir formosa, e já segura, pelas vielas lisboetas já compensa o sacrifício.
5) «Cortar os subsídios aos artistas que insistem em viver do dinheiro dos contribuintes.» A maior parvoíce ficou guardada para o gran finale. A que chupistas se refere a indignada automobilista? Aos reformados da Casa do Artista? A quem trabalha no São Luiz? Onde pararão esses parasitas habituados à mama da CML? A bem da verdade, sejam eles quem forem, acho que prefiro ir ver “Os mortos viajam de metro” (nem de propósito) a ver passar a senhora insurgente no seu reluzente bólide. Mas pode ser que ela entre numa permuta: começa, depois de exterminada a artistaria dependente, a dar espectáculos cómicos, declamando textos burlescos como este para gáudio da cidade.

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