Estou eu já no 12.º capítulo da excelente biografia de D.José assinada por Nuno Gonçalo Monteiro quando o monstro surge, a páginas 203: a propósito da célebre “Dedução Cronológica e Analítica” encomendada por Pombal para difamar os Jesuítas, escreve o autor: “Apesar da sua ampla fundamentação, era um texto indiscutivelmente maniqueísta, que inaugurava um registo de escrita que não deixaria de ter alguns sucedâneos futuros”. NGM faz um uso extravagante dos pontos de exclamação, mas no geral tem uma escrita bastante aceitável, diminuída só por alguns barbarismos dispensáveis, como o ocasional “detalhe”; nada fazia pois prever este horrível e modernaço “registo”, que me eriçou de indignação; pior que “registo” nesta acepção, só mesmo a arquilamentável “postura”, que valha a verdade NGM nunca usa, sem dúvida por saber que “postura” têm-na só as galinhas e serve-lhes para cagar ovos.




O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados,
e a postura
Medonha e má
Certo, JSM, as galinhas e os gigantes – as galinhas gigantescas e os gigantes galináceos; o uso hodierno de “postura” é outro, e é uma tormenta (como as do cabo das ditas).
Não li o livro, mas discordo frontalmente da observação. A utilização da palavra “registo” no excerto citado não tem nada a ver com uma “modernice”, apenas apela ao sentido que a palavra tem em harmonia. A imagem pode ser parola, esbatida, comum, mas não me parece que seja uma “modernice”.
E quanto à palavra “postura” também não me parece valida a critica. Permito-me apontar ao egrégio autor do post que sem “postura” não teriamos nem “impostura” nem “compostura”, etc.
Modernice seria, talvez, criticar o “snobismo” do post.
O que mostra que – e esta sera mais uma critica – a “modernice” nem sempre é incompativel com a pertinência.
You know better than that…
Ó Viegas,
Devia haver uma postura municipal que o impedisse de dizer disparates.
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Durante um pouco, fiquei a pensar que a citação de Camões era dirigida ao auto-retrato mais abaixo .”Cheios de terra e crespos os cabelos”. “Registo de escrita” é bem atroz; e também, já agora, “ter uma escrita” no sentido de ter um estilo (e “vertente” e “perspectiva”).
“Vertente” e “perspectiva” são de facto atrozes, assinalam normalmente a presença de engenheiros.
M. Ribeiro,
Não se trata de um auto-retrato mas de um espelho. Se representa atrocidades ou não é uma questão de percepção.
Caro J.Viegas
Eu estava a falar do auto-retrato de Carlos Vidal – mais abaixo no blogue.
M.R
Caro M. Ribeiro,
OK, não tinha visto. Bom, e agora para a sair desta encrenca, não sei bem que registo poderia usar, nem que postura adoptar…
Embirro com embirrações, essa é que é essa…
Detalhe (datação 1391)
Postura (datação sec XIII)
Ó Aristes,
V. dá trabalho: não sei onde é que V. datou detalhe, mas a palavra portuguesa de sempre é pormenor, detalhe vem de détail (there where the devil is) e eu, se gosto imenso de estrangeirismos que enriqueçam a língua, dispenso importações inúteis; quanto à postura, ninguém duvida que ela exista desde há muito, homem, o que é foleiro e modernaço é… olhe, essa postura!