Reforma aos 65 anos avança (com o apoio dos socialistas democráticos mas também com o apoio ou o silêncio dos outros)

O aumento da idade da reforma para os 65 anos, apoiada (ou silenciada) pelos principais partidos de esquerda e pela generalidade dos sindicatos, gera em mim profunda indignação. Tudo bem a esquerda limitar o seu discurso à defesa do trabalho (com o desemprego que aí anda pode entender-se a deriva ortodoxa), tudo bem também com o silêncio relativamente à má distribuição da labuta (com o desemprego que aí anda ninguém entenderia a deriva situacionista) e quase tudo bem também com o desaparecimento da defesa do tempo para viver que foi um lema antigo de uma esquerda que se dizia nova. Ou seja, está tudo bem andarem calados mas está tudo mal em apoiarem tamanha falta de humanidade, como esta que nos quer enterrar ao mesmo tempo que ainda cumprimos horários. Shame on you!

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24 Responses to Reforma aos 65 anos avança (com o apoio dos socialistas democráticos mas também com o apoio ou o silêncio dos outros)

  1. p. s. d. da boa fé says:

    Sr. Teixeira,
    Sabe o que penso da matéria, mas como sou xatoo aí vai:
    Num mundo tecnologicamente tão dotado (com ganhos de produtividade cada vez maiores, derivados da mecanização, da automatização, da digitalização…), virtualmente capaz de dispensar todo e qualquer esforço humano, o trabalho assalariado representa a mais surreal ocupação do tempo.
    Tão surreal quanto a esquerda que luta pela generalização do trabalho assalariado em vez da sua imediata abolição – apenas um, entre muitos, dos motivos que me fez sempre desconfiar da esquerda merdosa dos nossos dias…
    Agora é que a nossa lua-de-mel foi pró caralh…

  2. Helder says:

    Só falta começarem a anunciar que o estado vai apostar em fábricas de cola e de sabão para empregar aqueles desempregados de longa duração, mais entradotes …

  3. lica says:

    Novas Regras – Limite de idade (65 anos)

    Adequação dos Organismos ao limite de idade para aposentação:

    Tendo em vista a nova idade mínima para aposentação, sugerimos que sejam
    tomadas algumas providências para sobrevivência de toda e qualquer empresa:

    1. Transformação das escadas existentes em rampas com corrimão não
    escorregadio;

    2. Colocação de suporte para apoio nas casas de banho após a ampliação para
    possíveis cadeiras de rodas;

    3. Substituição de todo o sistema de telefones, por aparelhos mais modernos
    que possibilitem que a perda de audição provocada pela idade avançada, seja
    compensada com o aumento de volume amplificado;

    4. Aumento de tamanho de todas as fontes de impressão dos documentos
    emitidos a partir desta data, possibilitando a leitura em futuro próximo;

    5. Compra de lentes de aumento para distribuição aos funcionários;

    6. Aumento de tamanho dos monitores de computador para 27 polegadas ;

    7. Implementação dos seguintes tipos de falta não descontada:

    Ø Esquecimento do local de trabalho;

    Ø Esquecimento de como se faz o trabalho;

    Ø Falta de ar;

    Ø Incontinência urinária;

    Ø Dor nas costas;

    Ø Comparência em funeral de colegas que estavam prestes a aposentar-se.

    8. Implementação de porta bengalas em todas as mesas de trabalho;

    9. Despertador individual para casos de sono diurno;

    10. Aumento das letras de todos os computadores;

    11. Instalação de uma UTI Geriátrica de última geração;

    12. Aumento do ‘time-out’ para o encerramento das portas dos elevadores,
    tendo em vista a agilidade de locomoção dos funcionários ainda existentes;

    13. Aquisição de armários para fraldas e remédios para uso dos funcionários;

    14. Proibição de qualquer actividade ou vestuário dos funcionários mais
    novos que possa provocar ataque cardíaco ou desregulamento do marca-passo do
    colega, próximo da idade mínima em questão;

    15. Criação de exercícios físicos voltados para a terceira e quarta idade;

    16. Revisão da avaliação de desempenho do funcionário, incluindo o item
    ‘Lembrança da Senha’, sendo que o funcionário, prestes a aposentar-se nos
    termos da lei, que ainda se lembre da sua senha, tenha a nota máxima neste
    item;

    17. Alteração nas instruções de pedido de aposentação: Incluir Atestado de
    Óbito.

  4. JMJ says:

    Peço desculpa mas onde é que o Renato leu que “O aumento da idade da reforma para os 65 anos, [é] apoiada (ou silenciada) pelos principais partidos de esquerda e pela generalidade dos sindicatos”?

    e onde leu estar “esquerda limitar o seu discurso à defesa do trabalho”?

    ou “o silêncio relativamente à má distribuição da labuta”?

    ou ainda “também com o desaparecimento da defesa do tempo para viver que foi um lema antigo de uma esquerda que se dizia nova”?

    De que esquerda fala?

    Sei que alguns só ouvem o que querem e outros negam o que ouviram, mas parece-me que ou não estou a perceber bem o que quer dizer ou todo este post é uma sucessão sucessiva e incessante de disparates.

  5. Bom…chamar esquerda ao pêesse, é um exercício de estilo, na melhor das hipóteses, ou uma brincadeira de mau gosto…

  6. p. s. d. da boa fé says:

    Estima-se que os caçadores-recolectores do Paleolítico precisassem de meia dúzia de horas diárias de trabalho para poderem reproduzir as suas condiçoes materiais de existência. O resto do tempo usavam para passeios, namoricos, conversas e cantorias.
    Depois veio a civilização: primeiro os neolíticos, depois os pré-clássicos, logo seguidos dos clássicos; e por aí fora… Até aos pós-modernos ou pós-industriais ou ultra-industriais ou hiper-qualquer-coisa: enfim, nós.
    Todo este percurso, recheado de descobertas científicas e espantosos avanços tecnológicos, em vez de libertar o homem, a mulher e as criancinhas do trabalho assalariado, veio ligá-los ainda mais profundamente à esfera do trabalho! Nada mais irracional. Nada mais surreal.
    Milhares de anos a produzir tecnologia capaz de acabar com o mais pequeno esforço humano para, no fim de contas, ser hoje necessário mais esforço, mais horas de labuta…
    E porquê? Porque para produzir novas e maiores fortunas foi preciso aumentar a exploração no trabalho. A regra é muito simples; até meus filhos a conhecem: quantos menos trabalhadores muito mal pagos fizerem o Continente funcionar e dar lucros gigantescos, maior a fortuna do dono do Continente. (Inversamente, quantos mais aqueles forem e menos horas diárias trabalharem, menor a fortuna do sr. Belmiro.) O mesmo para o Ikea, a Galp, a Sony ou a Nestlé.
    Logo, a discussão das esquerdas (bem sei que as esquerdas foram enterradas há mais de 40 anos, mas na esperança de que venham a ressuscitar…) deveria ser menos sobre a idade das reformas (isso é tema para as elites da direita) e mais sobre o fim das reformas: acabar com o trabalho assalariado é acabar com as reformas; e milhares de anos de desenvolvimento tecnológico constante devem-nos hoje levar a colocar este tema na mesa de discussão e jamais o tema que o sr. Teixeira colocou.

  7. pedro bala says:

    O sr. Renato Teixeira passa a vida a cometer calinadas. Onde é que o PCP apoia o aumento da idade de reforma? E onde raio é que o PCP anda calado? Parece-me que devia comprar um produto qualquer para limpar a cera dos ouvidos…

  8. Renato Teixeira says:

    Pedro Bala, Bolota e JMJ, quando digo outros digo evidentemente BE e PCP. Antes de entrar noutras nuances da polémica, nomeadamente aquelas que o Sr. Boa Fé levantou, lembro que os sindicatos deram o seu aval a esta idade da reforma. (o incidente linkado demonstra apenas desacordo quanto a datas, não quanto a princípios).
    Num sentido mais geral, com o peso que têm no movimento sindical (aqui mais o PCP do que o BE) deveriam ter um discurso completamente diferente nesta matéria. Pelo menos omisso, como demonstra o sentido do post.
    Para lá da idade da reforma há a decadência geral deste governo ao qual ninguém sequer ainda ponderou oferecer uma já bem merecida greve geral… Enfim… Outro silencio constrangedor. Mas claro… Pensamentos esquerdistas que fazem o jogo da direita. Dirão alguns de vós mais ortodoxos. Doença infantil do comunismo, acrescentarão. Eu digo, porque não? O que falta acontecer para o tempo ser o tempo certo?

  9. JMJ says:

    Renato,

    Como já disse, que não queira ouvir é uma coisa (até nem é dificil porque não há assim tantos meios de comunicação social a informar da actividade do PCP, como seria desejável), mas que fale apenas de ouvido e bote discurso com base em suposições, já me parece mais preocupante (principalmente porque este blog se auto-referência como um blog de esquerda, pelo o que aqui é dito sobre a acção politica dos partidos de esquerda tem outra relevância do que teria, por exemplo, em blogs como os Jugulares e 31′s).

    Informe-se e depois fale (ou escreva). Vai ver que faz melhor figura. Assim parece apenas mais um dos muitos papagaios que por aí andam a repetir o que alguém lhes vai dizendo.

    No mais, de todo o artigo linkado, a unica citação atribuída à CGTP apenas refere a preocupação desta perante o facto que “Os serviços arriscam um desempenho periclitante, porque os mais experientes estão a aceitar a saída, como já acontece com os médicos”.

    Tudo o resto, sendo citações do Sr. Ministro e da UGT, tornam a sua interpretação da noticia um sucesso para quem a escreveu. Confundir os leitores, criar a ideia de que todos os sindicatos têm a mesma posição.

    Releia melhor o texto da noticia, confronte com a documentação do PCP e da CGTP (disponível nos sites destas organizações) e talvez possa informar melhor os seus leitores.

  10. p. s. d. da boa fé says:

    Os papagaios do PCP andam aí à solta… Quem é que abriu a gaiola a estes bichos reaccionários, mas muito bem sincronizados, que lutam pelo trabalho assalariado num mundo em que há muito se criaram as condições para a luta pela sua abolição?
    Estes papagaios, sempre prontos a reprimir qualquer tentativa de transformação radical das condições existentes, não se importam de lutar por uma redução mínima das horas de trabalho e da idade de reforma que, ainda assim, os fará dedicar muitíssimo mais horas ao trabalho que os caçadores-recolectores do paleolítico: em troca, fazem menos amor, cultivam menos amizades e, como se não bastasse, têm um mundo mais inóspito e poluído…
    Estes papagaios que nos anunciam sempre as mesmíssimas reformas miseráveis (aquelas que vêm nos seus programas políticos) falam-nos de tudo menos da única coisa de que deveria tratar a política: promover uma organização racional da VIDA da pólis e dos seus habitantes.
    A VIDA, onde está a vida nos vossos programas que nos querem fazer escravos do trabalho para encher o mundo de mais mercadorias absurdas?

  11. Orlando Gonçalves says:

    Muito me admira o facto do senhor estar a dizer que à esquerda não existir contestação a estas medidas, é que por acaso estive este fim de semana no comício de aniversário do PCP e essas medidas propostas pelas “rsquerda democrática” foram aplamente criticadas e por parte da direcção do PCP, fez-se o apelo à participação nas lutas que se avisinham. Mas é um facto que essas informações, assim como as propostas do PCP não estejam a ser dadas na comunicação social, daí entendo essa sua falta de informação. sugeria então uma consulta ao site http://www.pcp.pt, assim poderia ser isento, quando informa os seus leitores.
    Esta é só uma critica, mas construtiva.
    Obrigado

  12. Renato Teixeira says:

    Tenho o PCP em boa conta. Normalmente quando querem deixar um ponto bem claro, não costumam haver dúvidas. Não têm um problema de conseguir falar alto quando assim entendem que é preciso. Uma questão. Se estas medidas fossem aplicadas por um governo de direita o PCP (e o BE em menor grau) já não estariam empenhados na convocação de uma greve geral? Admitem ou não que a queda deste governo não é uma prioridade para estas forças políticas?

  13. Joao Salvador says:

    Está tudo a ir por estradas secundárias e não vão pela auto-estrada para não pagarem portagem.
    Mas onde têm andado ? Eu sei ! Quando é com os outros que se lixem!
    Desde quando é que os 65 anos são a idade de reforma dos privados?
    Pensem nisso e sejam honestos na apreciação!

  14. Renato Teixeira says:

    Agora as questões levantadas pelo Boa Fé,

    Afirma sem verdade:
    “Milhares de anos a produzir tecnologia capaz de acabar com o mais pequeno esforço humano para, no fim de contas, ser hoje necessário mais esforço, mais horas de labuta…”
    O boom tecnológico permitiu (pelo menos do ponto de vista técnico) a libertação da humanidade para afazeres mais interessantes do que a safra de sol a sol. O seu uso está mal regulado? Sem dúvidas. Mas hoje com esse potencial técnico a libertação da maioria é uma possibilidade, antes não.

    E procura responder:
    “E porquê? Porque para produzir novas e maiores fortunas foi preciso aumentar a exploração no trabalho.”
    Sem dúvida. A maneira que o sistema capitalista encontra para correr atrás do prejuízo é cobrar o débito aos salários e à vida dos trabalhadores. Por isso congelam salários, aumentam o desemprego e a idade da reforma.

    Na sua tese há um problema de super-produção. Haverá, sem dúvida, neste e naquele caso concreto. Agora quando dois terços do mundo ainda tem problemas alimentares fará sentido dar um combate contra a produção ou pela sua justa distribuição?

    Por fim conclui:
    “Logo, a discussão das esquerdas (bem sei que as esquerdas foram enterradas há mais de 40 anos, mas na esperança de que venham a ressuscitar…) deveria ser menos sobre a idade das reformas (isso é tema para as elites da direita) e mais sobre o fim das reformas: acabar com o trabalho assalariado é acabar com as reformas; e milhares de anos de desenvolvimento tecnológico constante devem-nos hoje levar a colocar este tema na mesa de discussão e jamais o tema que o sr. Teixeira colocou.”

    Há que dizer que a sua conclusão é acertadíssima na crítica que faz ao esvaziamento do discurso político à esquerda. Mas há-de reconhecer que para este campo político introduzir no seu discurso os temas que propõe serão ainda necessárias muitas discussões prévias, onde no meu ponto de vista se insere a ideia (simples) de que não é justo trabalhar até morrer. No dia em que isso for um dado adquirido talvez se torne possível passar ao debate sobre que trabalho queremos e qual a sua justa distribuição. Antes, ainda que possamos aflorar esse debate, será sempre uma conversa fiada entre vanguardas mais ou menos privilegiadas. É que tal como na exclusão ao consumo, a grande maioria das pessoas não tem sequer direito a um trabalho condigno.

  15. p. s. d. da boa fé says:

    Sr. Teixeira,
    3 pontos que convém sucintamente esclarecer, antes de passarmos à porrada (onde você leva clara vantagem):
    1- Você diz que graças ao boom tecnológico, a libertação da maioria é uma possibilidade, antes não. Pois, é uma possibilidade. Era justamente o que eu tinha procurado dizer antes. É uma possibilidade e nada mais; mas devemos lutar para que seja mais do que mera possibilidade; e, se não formos nós a lutar, quem lutará por nós? A tecnologia libertou-nos do jugo do trabalho de Sol a Sol para encarcerar-nos numa rotina de lojas e escritórios onde já ninguém sabe onde está o Sol.
    2-A super-produção é a maior evidência do mundo contemporâneo. Entre na Zara: acha que aquela gente toda, em azáfama, não tem roupa que chegue em casa? Estima-se que, em média, uma mulher ocidental (basta olhar prá minha e prá sua) gasta por ano 800 euros só em roupa. Os guarda-fatos do Ocidente davam para vestir 10 Índias e ainda sobrava para 50 Chinas e 125 Vietnames. Antes uma camisola de lã dava para 5 gerações; hoje, é comprada em Outubro e em Fevereiro está passada de moda. Também os brinquedos do seu filho dariam para entreter 500 crianças da Gâmbia; e os dos meus filhos idem”".
    As elites industriais querem-nos a trabalhar para a super-hiper-mega-produção de lixo reciclável, sempre substituível, a que se deu o nome de ‘mercadoria’. Repito: é a maior evidência deste mundo. Os motivos da tenebrosa miséria no mundo (cujos efeitos fazem lembrar o HOLOCAUSTO) não estão na baixa produtividade de um sistema que o que faz melhor é justamente ‘produzir’. Estão sim nas regras (capitalistas, hoje neo-liberais) que subjazem à distribuição do que se produz.
    3- As suas “discussões prévias”, além de já terem sido parcialmente tratadas na Idade Média e durante os motins de escravos do séc.XVIII, inscrevem-se hoje na agenda da direita; e é triste que sejam os ‘outros’ (neste caso as elites conservadoras que procuram reproduzir as condições do seu poder) a balizar os horizontes do nosso próprio pensar; a impor-lhe os seus limites. Você, em vez de os mandar para o caralho (juntamente com os papagaios estalinistas que infestam esta página), interioriza a sua visão do mundo, como este post tem a clareza de o demonstrar.

  16. p. s. d. da boa fé says:

    É curioso e ao mesmo tempo enriquecedor: encontra-se nesta página uma frase que passa pela melhor definicao que conheco para militante do pcp: “apenas mais um dos muitos papagaios que por aí andam a repetir o que alguém lhes vai dizendo”. Isto é muito profundo. É da autoria de um tal JMJ…

  17. zé do boné says:

    -Ainda gosta que me dissessem onde é esse mundo onde a força de trabalho humana foi erradicada.
    Juro que deixava de fumar e juntava o dinheirinho tudinho… só pra visitar esse lugar, e ver claramente visto tal “paraíso”.
    ———–+++—————-
    -Nesse lugar comunistas e capitalistas não existem, por simples imposição das relações de produção – logo as relações sociais também .

    -Ele há gente que confunde umas centenas de eucaliptos com a florestas luxuriantes.

    NB:
    -Não ponho em duvida que essa sociedade existirá num futuro ainda longínquo####-mas antes de ai chegar a humanidade terá de passar do capitalismo ao socialismo a caminho do comunismo e só neste tal sociedade será possível.

  18. JMJ says:

    Ignorando o fézadas (ou não, mas não interessa, porque o que diz se pode aplicar a qualquer pessoa – até militantes do PCP – pelo que é redundante e simplista e sinceramente não me apetece explicar os contextos da frase a quem não vai querer entender de outra forma)…

    … questiono o Renato:

    Então para o Renato, a sua ideia de acção de luta é só a Greve Geral? Tudo o resto é futil?

    A sua visão da acção politica é uma visão limitada, e negligencia aquilo que é o trabalho de base que os partidos (admito que não todos, até porque alguns não têm bases para tal) têm que fazer junto da população para poderem movimentar as massas.

    Outro ponto importante é que só porque as coisas não passam na TV não quer dizer que não aconteçam.

    No próximo dia 16, Terça-Feira, o PCP vai, junto da população, procurar alertar para as injustiças e mentiras do PEC. É também uma acção de luta.

    No entretanto, enquanto a revolução não chega, aconselho o seguinte exercicio: Tente procurar nos media alguma referência ao discurso de Jeronimo de Sousa, no passado sábado, no comicio na Aula Magna; tente estar atento ao que vai ser dito e difundido sobre as actividades do PCP, na próxima terça-feira.

    Mais uma vez: A realidade vai para além do que passa na TV, e a luta politica também exige trabalho de base junto da população.

    Quanto a greves, tivemos uma no dia 4 de Março com 80 % de adesão (300 mil trabalhadores), já depois de uma manifestação com mais de 50 mil trabalhadores no dia 5 de Fevereiro. Se estava desatento, acontece, temos pena. Se acha pouco, ajude, lute também, mas informe-se primeiro.

  19. Renato Teixeira says:

    JMC, a minha ideia de luta não é evidentemente apenas a greve geral, mas é seguramente uma sequência lógica. Para o PCP também o é, quando assim entende que deve intensificar a luta ao ponto de tentar fazer cair este ou aquele governo. Lembrou bem, houve 80% de adesão à greve. Porque não houve manifestação? Porque se mantêm as lutas sectoriais separadas ao invés de unificar os protestos (professores primeiro, depois enfermeiros, depois função pública mas só com greve, depois talvez qualquer coisinha no 25 de Abril…)?

    Admite ou não que se o governo fosse do PSD a greve geral já estaria agendada?

    Sobre o que não quis discutir com o Boa Fé deixe-me que faça coro com ele. Usar da expressão papagaio numa troca de argumentos pode como diz em sua defesa: “porque o que diz se pode aplicar a qualquer pessoa – até militantes do PCP”. Fica-lhe bem aceitar que não é uma boa ferramenta de debate.

  20. Renato Teixeira says:

    Boa Fé,

    Antes de mais um ponto prévio: Não lhe cai bem cair no argumento fácil do “papagaio estalinista”. Não fica longe da acusação emitida pelo autor da dita cuja. Eu também gosto de pagar amor com amor na mesma moeda, como costumo dizer, mas podemos (devemos) tentar elevar o nível do insulto. Além do mais é estimulante. Insultar com argumentos dá substancialmente mais gozo e eu sei que sabe disso.

    Sobre o tema,

    1- Temos acordo na questão da possibilidade e arrisco dizer que também o temos na má utilização do potencial produtivo. Subscrevo inteiramente o que diz aqui: “A tecnologia libertou-nos do jugo do trabalho de Sol a Sol para encarcerar-nos numa rotina de lojas e escritórios onde já ninguém sabe onde está o Sol”. A questão é portanto como passar a ver o sol. Mas para pelo menos haver uma resposta ela emerge direitinha do progresso cuja ausência decretaria à partida a escravidão. Sei que vai argumentar, mas a escravidão está ai como nunca esteve. Tem razão. Mas a culpa não será seguramente do arado, nem tão pouco do boi. Quem sobra? O Chefe. Como muito bem a Morgada de V. lhe disse à uns posts atrás a propósito de outro assunto.

    2- Diz “A super-produção é a maior evidência do mundo contemporâneo”. Correcto e errado. Se concordamos que o problema está na distribuição como podemos organizar a luta atacando a produção? Sabemos que há uma miríade de produtos supérfluos que eram perfeitamente dispensáveis. Mas não será o caso de comprar a briga com esses produtos, para evitar que combater o pão simultaneamente que se combate a Zara?
    Certamente que “as elites industriais querem-nos a trabalhar para a super-hiper-mega-produção” nem tanto “de lixo reciclável” mas de consumo privado (isso sim lhes dá prazer) mas uma vez mais, porque nao distinguir o que entende por “mercadoria”? Será um conceito assim tão uniforme?
    Na conclusão voltamos a estar de acordo: “Os motivos da tenebrosa miséria do mundo … Estão nas regras (capitalistas, hoje neo-liberais) que subjazem à distribuição do que se produz”. Por exclusão de partes é a origem do problema que deve ser combatida.

    3- Por fim as minhas “discussões prévias” não são a interiorização de mundos que não são os meus, mas demonstra seguramente a minha vontade de colocar o meu mundo e as minhas convicções à prova das “deles”, tentando que com isso “eles” façam o mesmo. É um desafio aliciante. Devia experimentar um dia. Há por ai “estalinistas” muito pouco papagaios e muitos papagaios disfarçados de “situacionistas” (lembra-se da história do bicho da madeira?). Não será por isso boa ideia deixar os clubes fora da troca de ideias pelo menos nesta esfera?

    PS: Por falar em clubes, viu aquele jogão do Lucho Gonzales? Um dia os benfiquistas ainda me pagam para eu não ir ao estádio. Comigo lá não há maneira de ganharem um jogo…”
    :)

  21. JMJ says:

    Respondendo directamente à sua questão, Renato:

    Se o Governo fosse do PSD seria muito mais facil de convencer alguns dos sindicatos de maior influência PS a embarcar numa Greve Geral.

    Como uma qualquer mentira, muitas vezes repetida, vive-se neste país a ideia de que todos os sindicatos são desprovidos de agenda própria e que são meros joguetes na mão de um partido. Este argumento tem sido usado por muita gente, há muito tempo, para denegrir o trabalho da CGTP (principalmente) acusando-a de ser uma ferramenta de trabalho do PCP. Esquecem-se no entanto que a muitos dos sindicatos neste país falta sentido de classe.

    (o Renato acha que é igual uma greve de professores ou uma greve dos trabalhadores da administração pública? não é, porque a área politica de ambos os sindicatos é diferente.)

    Uma greve geral, como defende também teria que ter a concordância destes sindicatos.

    Concordo consigo, neste sentido. Seria bem mais facil fazer convocar uma Greve Geral contra um governo PSD, não por via de uma (inexistente e impensável com estas politicas) coligação de esquerda, e consequente conivência do PCP, mas apenas porque o PS assumiria outra posição perante as mesmas politicas.

  22. p. s. d. da boa fé says:

    Messieur Teixeirrá,
    Parrabens pelo seu Olympique: belíssimo jogo, belíssimo meio-campo! (Davam 8 à sua/nossa Briosa)
    Alors:

    Un – “Papagaio estalinista” nao é um argumento, é mesmo um insulto e é “fácil” como qualquer insulto; você conhece outro melhor para qualificar com propriedade aquele que, incapaz de “deixar o seu clube fora da troca de ideias”, defende ao milímetro aquilo que vem estipulado num programa político estalinista e que é incapaz de emitir qualquer opiniao divergente? Tenho a certeza que nao! “Papagaio estalinista” tem o mérito de ser “fácil” e rigoroso.

    Deux – Concordamos com a Morgado de V. que o chefe é que dá cabo da coisa. Por isso, há que pensar de maneira oposta à dele: ou seja, lutar pela reforma aos 60 anos fazia sentido na Idade Média; hoje, deixou simplesmente de fazer sentido lutar por qualquer reforma, pois a única luta lógica, legítima, racional, que tem em conta as circunstâncias MATERIAIS do nosso tempo (é isto ser materialista) deverá ser contra a abolição do trabalho assalariado (merda! agora sou eu que já pareço um papagaio… sempre a repetir a mesma coisa; espera aí que vou ali à gaveta mudar a cassete…);

    Trrrois – Faça um favorr à malta e não volte a irr à Luz. O povão agrradece!

    pêéssedêdaboafé (mais conhecido, nos seus próprios sonhos, pelo ‘mata-comunas’ – enquanto estes comem as suas criancinhas)

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