Que mais chamar a um programa televisivo que dedica a sua primeira parte à exibição do seu autor a lançar sentenças sobre tudo e mais alguma coisa, numa banal conversa de café promovida ao prime-time? Que nome dar a uma entrevista em que a mesma personagem se entretém a ignorar olimpicamente as respostas do interlocutor, interrompendo-o de 5 em 5 segundos, preferindo antes dar curso a um monólogo que ensaiou em casa, borrifando-se de alto em todas as respostas que fujam aos estereótipos que já tem instalados na cabeça? “Sinais de Fogo”, claro.




Tal e qual….
O quê? Mas então quando entrevistou o Sócrates não foi a passividade do entrevistador a responsável pela marcha triunfal do entrevistado? Organizem-se.
Mr. Juta,
Foi o primeiro que vi – e palpita-me que terá sido o último. Além de que o MST será muita coisa, mas não tonto.
Ó “juta”
Nesse caso, o seu amigo Sócrates (perdão, o “entrevistado”) estava em perfeita sintonia com o estereótipo que já tem instalado na cabeça.
Falou o ventríloco, por ele (!)
Trata-se dum jorna-à-lista, de facto, muito versátil (!)
ah,
Ah já percebi: quando entrevista os outros é mau jornalista porque não os deixa falar; quando entrevista o Sócrates é mau jornalista porque o deixa falar.
É isso que se estranha, Juta. Tanta passividade com José Sócrates e tanta agressividade com Gonçalo Amaral e com a entrevistada de ontem.
Parece-me uma boa definição de mau entrevistador: complacente para com os poderosos estimados, pesporrento para com os adversários.
Já agora o post também é uma óptima definição da falta de liberdade de expressão em Portugal: com o Sócrates o MST não fala porque não há liberdade de expressão; com os outros “lança sentenças sobre tudo e mais alguma coisa” porque…também não há liberdade de expressão.
Essa misturada só existe porque lhe dá jeito. Falo de um mau programa, não de liberdades. Com Sócrates o MST não terá falado talvez porque simplesmente concorda com ele; com os outros interrompe-os a torto e a direito porque não tem qualquer vocação para entrevistador. Só isto.