
Tentando deflectir um excelente post de João Rodrigues, João Galamba remete as culpas das desgraças que nos atanazam para cima dos ombros mais convenientes: «É uma crítica à Europa que temos, não ao governo PS». Há uns tempos, íamos ser dos primeiros a sair da crise, por méritos próprios, pelo «acerto da política que temos seguido»; agora, acordamos condenados a manter o pior crescimento da zona euro mas a responsabilidade já mora lá fora. O bom tuga nunca tem a culpa de nada. Limita-se a tartamudear que as coisas até podiam estar piores: «imaginem o que seria um PEC proposto por um governo de direita». Pois; é tudo uma questão de imaginação.




Nunca me esqueço de um ridículo boxexas clamando:
«A Europa connosco!»
Luís,
Não achas que há aqui um problema de “collective action”? Não achas difícil que Portugal, unilateralmente e de sua própria iniciativa, consiga “obrigar” os países com maior folga orçamental (Alemanha, Holanda, etc..) a estimular a sua procura interna para que Portugal pudesse crescer via exportações? Depois de todos as medidas fiscais (justas e que o PS já devia ter adoptado no OE de 2010, como defende o Bloco e o PCP), achas que Portugal podia ignorar o facto dos mercados estarem a exigir medidas de consolidãção orçamental? Achas que Portugal pode, sem a cooperação dos outros países, redefinir a actual arqitectura institucional da UE?
Eu concordo com grande parte do que o João Rodrigues defende (ele sabe isso, tu não sei), mas a minha questão é a de saber se essas alterações passam por medidas de política interna ou estão a outro nível e implicam reformas estrutuais que não dependem da vontade dos políticos portgueses?
“Não achas difícil que Portugal, unilateralmente e de sua própria iniciativa, consiga “obrigar” os países com maior folga orçamental (Alemanha, Holanda, etc..) a estimular a sua procura interna para que Portugal pudesse crescer via exportações”
Não seria isto uma boa razão para estimular a procura interna em Portugal?
Jpão,
A resposta tem de ser “sim” aos dois quesitos. A política interna já deveria (há mais tempo do que o actual governo, naturalmente) ter ajudado a preparar melhor a economia e robustecido de outra forma as contas do Estado. Se agora estamos sujeitos a estas medidas (e algumas, como admites, já eram devidas há anos e anos) e, mesmo assim, ficaremos presos ao pior crescimento da zona euro, é porque muito, quase tudo foi mal feito na última década (pelo menos).
Quanto ao triunfalismo que já nos anunciava como o Speedy Gonzalez da saída da crise, aí houve pressa em assumir louros; só mais recentemente é que, face à esquálida realidade, o «acerto» das tais políticas deixou de ser crucial.