O João Miranda convenceu-se de que Zeinal Bava, português nascido em Moçambique, é afinal indiano. E resolveu comemorar tão inspirada descoberta com a declamação em público de um cliché racista. Para compor o ramalhete de ignorância espampanante, só faltou uma menção a vacas sagradas.




LR: comenta aqui um leitor Português, nascido em Portugal, mas de “sangue” indiano. E bem de esquerda. Muito me separa, portanto, como calculará, de JM e dos restantes escribas do referido blogue. Agora defesas como as suas eu, como indiano, dispenso por completo. O post pode ter como intenção ofender, ignoro o que ia na cabeça do autor ao postar, mas se o consegue ou não depende de nos deixarmos ou não ofender. Eu pela minha parte, como monhé, soltei uma bela de uma gargalhada. Olhe, do mesmo género que não consigo deixar de soltar ao ver isto:
http://www.youtube.com/watch?v=z6h0lkq-Sno
Para que fique sabendo, trata-se de um sketch de um brilhante programa humorístico britânico, escrito e representado por indianos. Espero que não o choque… ou que não o faça ficar com “guilty conscience”, como o seu post parece traduzir. Ria-se à vontade, não tem mal, antes pelo contrário faz muito bem à saúde:
“A positive link has been found between laughter and a healthy function of blood vessels with laughter causing such tissues that form using the inner lining of blood vessels, the endothelium, to dilate or expand such to increase blood flow.” (“Laughter”, wikipedia)
Percebeu tudo ao contrário. Não escrevi que o post do JM é em si racista; apenas que ele reproduziu um estereótipo racista: a perene associação indianos-flores impingidas. Logo, não estava a defendê-lo a si (mas que ideia!) e muito menos ao Bava, que não precisa disso para nada.
O que me desagradou ali foi a forma despudorada como a ignorância se eleva a ponto de vista apressado e boçal: Zeinal Bava não é “indiano”, mas sim português; provavelmente tão português como eu ou o JM.
Para a próxima, será alguém de ascendência africana que se vê rotulado como “caboverdiano das obras”? A si, talvez estas coisas não lhe façam confusão; a mim sim.
E adorei o “Goodness Gracious Me”. So what?
Considerar o post do Miranda racista é pura estupidez. Temos a mania que somos evoluidos, mas não nos conseguimos livrar desta mentalidadezinha de aldeia.
JP,
Ler primeiro antes de comentar costuma dar jeito. Olhe para o meu último comentário, sff.
Já agora, seá “pura stupidez” porquê? A “mentalidadezinha de aldeia” é não gostarmos de ver ninguém reduzido a clichés, ainda por cima deslocados? Belo “argumento”…