

Lamentavelmente, quando se discute a semiótica da publicidade, em particular no que diz respeito à mulher, esquecemos o essencial e sobrevalorizamos o acessório. Mais do que as mamas à mostra importa lembrar que a maior das opressões vem acima de tudo dos calos das mãos. É que das mamas há aquel@s que também tiram prazer, e dos calos nunca se soube de ninguém que ficasse com tesão. Razão tem o outro. O que são precisas são fodas emancipatórias.

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Pingback: cinco dias » 8 de Março 365 dias por ano
Não fosse o ligeiro vício marxista da posta – função da mulher como repositora pura e dura da força de trabalho – e estaríamos efectivamente de acordo. Está quase, Renato, está quase
Tiago, quanto ao vício nada feito. Sou um adicto inveterado.
Agora quanto à “defesa da função da mulher como repositora pura e dura da força de trabalho” é que só podes mesmo estar a brincar.
Eu falei de mamas! MAMAS! e de prazer! PRAZER! E igualdade, claro, igualdade. Independentemente do paradigma. Se encontrares quem defenda a reposição da função, pergunta-lhe se lhes dá pica os calos. Boa?
Renato, percebeste mal: não é defesa – é a crítica. A leitura marxista clássica da desigualdade sexual tende olhar para a diferenciação de papeis em função das necessidades do capitalismo: ao homem cabe a produção (operário) e à mulher a reprodução (doméstica). Tu retratas esse problema e documenta-lo muito bem com essa publicidade. Eu diria que o patriarcado também chega às mamas, mas no limite não há nada a fazer porque a vida não se reduz ao patriarcado e a relação vítima-agressor é demasiado complexa. Só isso. Não me forces agora a discordar de ti pá!
A mulher destes anúncios é a mesma do anúncio da stout. A que trabalha todo o dia, faz as tarefas domésticas, cuida da família, serve a cerveja ao marido e abre as pernas mesmo sabendo que não vai ter prazer. Finge o orgasmo para o gajo não se melindrar, se ele for dos que reparam nessas coisas. É uma mulher portuguesa com certeza. Ela gosta assim.
Tiago, Acordo, Acordo! Unidade, Unidade! Abraço fraterno e continuação de postas deste calibre. Very suitable.
Elas gostam, não estou de acordo. A da Stout não me parece que seja daquelas que deixem o marido adormecer sem pelo menos uma troca orgasmica.
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Sr. Teixeira,
as mamas na publicidade sao tudo menos acessório; também a mim me dão tesão (pelo menos as que ainda não passaram pelo photoshop da cirurgia estética), mas é justamente isso que as torna objecto de dominação masculina: representam a mulher como objecto sexual ao dispor do homem; ainda não se inventou representação mais machista da mulher que esta; por isso, são tudo menos acessório; aliás, como os calos.
taliban junior
Boa Fé, finalmente um desacordo. Isto estava a parecer um verdadeiro namoro.
Acho que os calos representam a dominação masculina (e capitalista) do homem sobre a mulher. As mamas podem ou não ser. E acima de tudo podem também ser uma ferramenta de dominação da mulher sobre o homem. O contrário não acontece com os calos. Tal qual a tesão.
Lá se foi a nossa lua-de-mel pró caneco…
Só podia ter sido por causa de umas… boas mamas!