
Sou pouco dado a efemérides. Vejo nelas sempre um lastro de preguiça de quem não quer saber dos motivos da festa durante os resto dos dias do ano. Os bons católicos passam o ano a pecar mas o natal e os outros dias todos da igreja são sempre santos; os pães sem sal passam o ano deprimidos para sambar até cair no carnaval; no nosso aniversário o telefone toca acima de tudo com quem se esquece de nós nos dias a sério da vida.
O caso do dia da mulher é extremo e a maneira como é celebrado digna muito pouco gerações e gerações de lutadoras. Hoje em dia, para além de ter sempre o condão de colocar o primeiro-ministro de turno num chá com scones numa qualquer zona bem (sempre maravilhosas representações da mulher) e de lembrar as operárias da guerra de Chicago e outras de outras guerrilhas, a única utilidade que vejo neste evento é o facto de nos recordar que ainda há movimento feminista em Portugal. Viva então o 8 de Março e umas Stouts para emborcar em nome das boas lembranças…




Pingback: cinco dias » 9 de Março
Gosto da Mulher todos os dias! Tenho outras preocupações contempladas com um dia. Deve falar-se dos problemas todos os dias e com atenção, as mulheres que se achem alvo de desigualdade devem gritá-lo todos os dias. Os trabalhadores devem estar unidos todos os dias, o Cancro e a SIDA têm de ser preocupação tds os dias, tal como a fome, a liberdade, o ambiente, etc.Tudo existe todos os dias, como tal merece a nossa atenção…
É precisamente essa a ideia dos posts Leitor Costumeiro.
Sim, percebi isso..Mas continuo sem gostar destes movimentos que insistem em compartimentos estanques..Sobre a Mulher só tenho a dizer que a sua emancipação está aí e já se sentem os beneficios e os malificios que trouxe consigo. O feminismo tem de ser na dose certa ou é tão doente como o seu oposto e distorce também a realidade.
Não vejo onde vê igualdade assim com essa clareza. Eu continuo a ver patriarcado em quase todo o lado. Mudou muita coisa com o voto e a pílula? Certamente. Mas creio que o essencial está por fazer. Na cabeça dos homens e seguramente também na cabeça das mulheres.
Não falei em igualdade, mas na emancipação que a poderá trazer… No resto concordo.