
O bando que nos governa até podia andar permanentemente atolado em suspeitas, casos, histórias mal contadas e golpadas várias. Desde que, ao menos, tratasse do essencial, ajudando o país a gerar mais riqueza, igualdade e bem-estar.
Falhando isto, como está clamorosamente a falhar, resta o mínimo exigível: já que suportamos um governo incapaz de melhorar a nossa vida e de manter sequer uma aparência de seriedade, que aqueles fulanos ao menos sejam guarda-livros aceitáveis. Que se mostrem capazes de reduzir défices, equilibrar balanços, etc. Ao menos isto.
Mas não. A cumular à vergonha dos casos manhosos, estamos cada vez mais pobres, mais deprimidos, mais sujeitos a injustiças. E nem bons técnicos eles conseguem fingir ser: quando alguém se nos refere lá por fora, é para nos reservar lugar na vara dos PIIGS, os incapazes, os inimputáveis, as bestas que pior lidaram com a crise.
Depois de tudo falhar, claro que estes medíocres – quando têm tempo livre para ponderar noutras coisas que não o próximo estratagema para desviar suspeitas – já só podem recorrer às receitas óbvias e duras: mais impostos, menos segurança social, mais sacrifícios para a função pública. Desdizendo agora o que garantiam ontem, sem rebuço.
Mas afinal como é que se pode defender este governo?




Desaparecer por desaparecer… mais vale vender… do que ser comido por parvo-à-Servia e desaparecer à borla!
—> Bye, bye Portugal, Espanha, França, etc…
—> É uma ‘situação natural’ – a História sempre foi assim: em virtude de migrações… a nova população não se revê na Identidade Nativa… e então… depois surgem novas identidades…
—> No Kosovo aconteceu uma ‘situação natural’: aqueles que estão numa corrida demográfica (pelo controlo de novos territórios) comeram os sérvios por parvos… e a antiga identidade ‘DESAPARECEU’ À BORLA! Analogamente, afectadas por uma nova população – que não se revê na Identidade Nativa – será uma ‘situação natural’ o desmantelamento de muitas Identidades que, por enquanto, ainda andam por aí…
—> A população nativa portuguesa está a definhar… e (só os parvos-à-Sérvia é que não vêem isso)… o país está condenado a desaparecer.
—> MAIS VALE VENDER O PAÍS, por exemplo, à China… do que, como parvos-à- Sérvia, entregar o país à borla aos futuros novos dominadores da demografia desta região do planeta.
[nota: os Russos venderam o Alasca aos Norte-Americanos, e agora fala-se da Grécia...]
ANEXO:
Todos Diferentes! Todos Iguais!
TODOS os povos – quer os de maior, quer os de menor, rendimento demográfico – devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta!
Concluindo: antes que seja tarde demais, há que mobilizar, para um separatismo, aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para abraçar um projecto de Luta pela Sobrevivência…
Muito bom: “… – quando têm tempo livre para ponderar noutras coisas que não o próximo estratagema para desviar suspeitas – …”
-Eu sinceramente penso que o problema não está no governo!
-Eles até são bons a governar-se …
-O problema está no sistema onde assenta este e outros governos.
Meu deus, que não existes! Como criaste tu gente tão confundida!
Daí, de resto, se prova que não existes…
Então, amigo, aceita esse incrível chavão racista dos PIGS?
Não percebe que é uma arma cínica e xenófoba da City para atribuir à incompetência dos pobres o que é da culpa da ganância dos ricos? Não está a ver a imprensa alemã a chamar aos gregos «burlões» para justificar que não se ajude um povo em dificuldades e preparar eventualmente a fase seguinte que é «eles que se arranjem, eles é que têm culpa, o nosso dinheirinho é que não levam»?
Por amor de Deus que não existe, não entre nessa…
Não sou eu quem acredita ou não. Por isso escrevi “quando alguém se nos refere lá por fora, é para nos reservar lugar”, com ênfase nos autores dessa classificação. De qualquer forma, a Irlanda também faz parte do grupo de vítimas desse racismo, seja o grupo chamado PIIG ou STUPID…
-Cá para mim os PIIG são aqueles que durante anos andaram a vender gato por lebre.
Os povos,em especial aqueles que acreditaram no neoliberalismo só podem ser os STUPID…
-Já que desde os meados do séc XIX, alguém se fartou de avisar para o desastre .
Luís, ora veja bem: “quando alguém lá fora se nos refere, é para nos reservar…” Isto é, para todo o x, se x se nos refere, x chama-nos pig. Isto não é verdade: só é verdade para o Economist, o Financial Times e que tais.
E a nossa situação é o que é, não predominantemente pela incompetência do sócrates, mas pela própria característica do capitalismo contemporâneo. Quero eu dizer com isto também que a situação é mesmo grave, que a crise ao contrário do que diz o Sócrates não está a passar, mas apenas à espera de vibrar novos golpes, e terríveis, e que não há competência que nos salve. A competência é um pormenor de somenos.
Bem, teria muito mais a dizer, mas por aqui me fico.
Não se pode defender este desgoverno. É tão simples quanto isso.
Manuel,
O uso do acrónimo PIIGS estava tão generalizado que até foi oficialmente banido do Barclays…
Sim, e o Barclays é o mundo? O Barclays fica nos arredores do Economist (terceira rua à esquerda, por detrás do quiosque). Acha que no Peloponeso e em Roma, em Almeria e Bordéus, em Vielsalm e Antuérpia usam essa terminologia? E nas cantinas das fábricas da Renault ou na Islândia?
Acho mesmo é que em tais paragens nem saberão o que é Portugal. E daí; deixamos de existir?
PEC – Programa Enganar Cidadão
Caro Luís:
Eu ia para me calar, mas não posso, porque não posso acreditar no que os meus olhos lêem: «Acho mesmo é que em tais paragens nem saberão o que é Portugal.»
Não pode ser! Nessas paragens não se sabe o que é Portugal, pelo que passa a ser verdade que
para todo o x, se x lá fora, e x sabe de Portugal, e x fala de Portugal, x diz que Portugal faz parte dos pigs.
Isto é, alguém é quem conhece Portugal e quem conhece Portugal chama-lhe pig. Ora isto é manifestamente errado, porque há muita gente que conhece Portugal e não lhe pode chamar pig, v.g. um grego do Peloponeso ou de alhures. Como sei eu que o grego conhece Portugal? Porque quando ia à Grécia e dizia que era português logo me perguntavam pelo Carvalho, isto é, o Otelo Saraiva de Carvalho. Isto, gente simples, que ia de motorizada para o emprego, note-se, aliás.
Também não creio que um francês não conheça Portugal, se até lhe inventaram o nome de Portos. Nem um belga, se até aqui há uma estátua do Fernando Pessoa em Bruxelas e uma festa dos santos populares em plena rua na devida altura.
E aqui para nós, nem um Islandês o desconhecerá, porque devem estar a ver quem é a próxima vítima e como reage (ou se ficam isolados).
Numa palavra, parece-me que está a fugir para um perigoso declive: riscar a grande maioria dos europeus da categoria de gente que conta, só para salvar a sua frase. Desculpe, mas é o que me parece.
Ai jasus. Não é nada disso. Apenas chamei a sua atenção para o facto de se em Vielsalm não usarem a tal terminologia, isso não implica que o seu uso não se tenha generalizado em círculos muito importantes para nós. E claro que isto não equivale a dizer que «alguém é quem conhece Portugal e quem conhece Portugal chama-lhe pig». Que bizantinice. Quando escrevi “quando alguém se nos refere lá por fora”, não tinha os seus conhecidos em mente.
E que é isso do “nome de Portos”?