Inglorious nominees

É da minha vista ou a lista de candidatos ao Óscar de melhor filme era uma bela porcaria? De um “The Hurt Locker” que parece sempre quase a chegar algures até que acaba a meio, a um “Inglorious Basterds” cinéfilo ao extremo do solipsismo, passando por um telefilme escorreito como “Up in the Air” e pelo maior falhanço recente dos Cohen, nada ali se eleva acima da fasquia do entretenimento bem feitinho. Basta ver que um objecto meloso mas louvável como “Precious” até faz boa figura no meio de tal tralha. Não vale a pena carpir as ausências nem lamentar as regras da coisa – avaliar o estado do Cinema presente por esta cerimónia é como dar ouvidos ao festival da Eurovisão: uma perda de tempo ligeiramente tóxica.

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10 Responses to Inglorious nominees

  1. p. s. d. da boa fé says:

    E qual foi o ano do Glorious Nominees?

  2. Luis Rainha says:

    1939: Of Mice and Men, Mr. Smith Goes to Washington, Gone with the Wind, Mr. Chips, Dark Victory, Wuthering Heights, Ninotchka, Love Affair, Goodbye e Stagecoach. Sem esquecer, claro, The Wizard of Oz.

  3. p. s. d. da boa fé says:

    Esclarecido.

  4. João says:

    1975
    Barry Lyndon — Stanley Kubrick, Producer
    Dog Day Afternoon — Martin Bregman and Martin Elfand, Producers
    Jaws — Richard D. Zanuck and David Brown, Producers
    Nashville — Robert Altman, Producer
    One Flew over the Cuckoo’s Nest — Saul Zaentz and Michael Douglas, Producers

  5. p. s. d. da boa fé says:

    Isto agora já me cheira a obra-prima a mais…
    Um ano com fartura ainda vai, agora dois…

  6. Bruno Peixe says:

    É bem verdade que 1939 foi um ano de ouro para o cinema americano, mas a academia escolheu premiar o Gone With the Wind, muitos, mas muitos furos abaixo do Mr. Smith Goes to Washington, do Stagecoach, para não falar do Young Mr. Lincoln e do Only Angels Have Wings, que nem sequer estão na lista.

  7. ezequiel says:

    Nem mais, caro Luis.

    Nos States, só vale a pena seguir atentamente o Sundance e outros festivais independentes.

    Hollywood is (more or less) dead.

    A revolução tecnológica tem as suas virtudes. Democratizou a produção cultural, libertando-a do jugo hollywoodesco. Causa de celebração. :)

  8. Luis Rainha says:

    Bem; em 1951, juntaram-se “An American in Paris”, “A Place in the Sun” e “A Streetcar Named Desire”. Em 1980 também tivemos coisas como “The Elephant Man”, “Raging Bull” e “Tess”. Mesmo um ano mais recente como 1994 fez melhor que 2010: “Forrest Gump”, “Pulp Fiction”, “Quiz Show” e “The Shawshank Redemption”.

  9. ezequiel says:

    Luís

    Aconselho-te vivamente a ver este doc do channel 4 (Dispatches)

    http://www.atheistmedia.com/2010/03/dispatches-britains-islamic-republic.html
    —-
    Renato, estes são os teus “resistentes.”

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