No ano de 1970, Portugal dava sinais de mudança no campo da cultura. A Fundação Gulbenkian iniciava as suas temporadas musicais, dança e teatro. Mais e mais jovens intelectuais das grandes cidades comentavam a literatura e cinema da época. Haviam decorrido as importantes lutas académicas, e no estrangeiro, persistiam as lutas contra a guerra no Vietname e pairava ainda a atmosfera do Maio de 68.
Mas em Portugal, a situação política dava poucas mostras de mudança. A esperança dos liberais em Marcelo Caetano saíam goradas. Persistiam as prisões políticas, a censura, a repressão e a guerra colonial.
No Teatro de São Carlos, a morte do anterior director, conduziu ao cargo, fruto dos seus reconhecido méritos intelectuais, um anti-fascista: João de Freitas Branco. Musicólogo do mais alto calibre, homem de esquerda, Freitas Branco conduziu uma reforma na programação e objectivos do São Carlos, envolvendo-se directamente na escolha das companhias e artistas, e cumprindo o papel pedagógico que cabe a qualquer intelectual de esquerda. O São Carlos viveu, durante a sua direcção, algumas das suas melhores temporadas.
Passados 40 anos sob a reforma do São Carlos e 20 anos da morte de João de Freitas Branco, em finais de Fevereiro foi prestada uma justa homenagem no Palácio da Foz, através das intervenção de José Casanova, do Comité Central do PCP, João Maria de Freitas Branco, o filho do musicólogo, e Ana Paula Russo, soprano que encantou a audiência com duas árias de Mozart. Alguns momentos foram preservados em vídeo:




Os programas televisivos de João de Freitas Branco fazem parte das minhas memórias de infância e da minha educação musical.
Caro André, não foram “das melhores”, foram mesmo as melhores (dos últimos 40 anos), na opinião de toda a gente de boa memória (eu começo a frequentar a casa um pouco depois, já no tempo de João Paes e outros).