É claro que quem trai uma revolução, não propriamente por se tratar “apenas” de uma revolução, mas sobretudo por se tratar de uma traição às expectativas, esperanças, confiança e alegria de viver de milhares ou milhões de pessoas, não pode ser lembrado com efusivas simpatias: Mário Soares foi o coveiro (bem acompanhado, entre muitos outros, pelo sinistro Frank Carlucci) das expectativas e esperanças do 25 de Abril, alimentou fantasmas e suscitou medos e pânicos no PREC, depois capitalizou, ganhou algumas eleições (sempre à boleia de uma ideia de “esquerda” a que nunca se ligou). Hoje não é de modo algum uma personalidade nem consensual nem saudada, facto claramente provado pelas últimas eleições presidenciais, onde obteve uns justíssimos 14% à custa do trabalho de campo do seu partido. Se não fosse o referido aparelho, meditem leitores, quanto valeria eleitoralmente M. Soares?
Serve esta introdução apressada (mas correcta, na minha modestíssima opinião) para sublinhar a estranheza (ou talvez não) pela escolha de M. Soares para inaugurar um ciclo de entrevistas “sobre o futuro” que assinalam os 20 anos do “Público” (jornal de que fui o crítico de arte – com João Pinharanda – no seu primeiro ano de existência). Porquê Soares? E logo numa entrevista conduzida por Teresa de Sousa, membro da Fundação Soares e, se não me engano (e corrijam-me se estiver errado), jornalista que teve um cargo qualquer na primeira presidência do antigo secretário-geral, quando Soares recebeu em Belém Berlusconi, Murdoch, Maxwell ou Stanley Ho, não sei muito bem para quê (quer dizer, com Teresa de Sousa ou sem, estes senhores passaram por Belém e, segundo Joaquim Vieira, não terá sido para investir em Portugal).
A entrevista é um chorrilho de banalidades sobre a Europa, Obama, a justiça social, a democracia, a civilização, etc., etc. Mas há um ponto muito curioso, no entanto não surpreendente: é quando Soares, bem coadjuvado por Sousa, decide atacar a Justiça e os juízes – que se banalizaram, que querem é ir à televisão, que se sindicalizaram, que vão ao barbeiro e ao café, em suma, que são juízes e, por vezes, investigam matérias relacionadas com o sacro PS. A senhora Sousa vai mesmo ao ponto de explicar a operação italiana “Mãos Limpas” como uma decapitação dos partidos pelos juízes. Note-se que “Mãos Limpas” foi um processo que, na Itália nos anos 90, revelou profundas redes de corrupção envolvendo a máfia (corajosamente investigada desde os anos 80 pelo juiz Falcone), o mundo político e empresarial (que começou por afectar o PSI, diga-se de passagem, e quase tudo fica explicado), um processo que implicou cerca de 3000 mandados de captura, 800 empresários investigados, ainda 4 primeiros-ministros, um processo como este é definido por Sousa como uma “decapitação dos partidos pelos juízes”, assim, sem mais nem menos… Isto na mesma semana em que o bastonário da Ordem dos Advogados vem dizer que há um plano do poder judicial para derrubar J. Sócrates. Que gente é esta, de facto? Pensando bem, tudo pesado, há que concluir que não são os juízes que vêm em nosso auxílio em face deste clima, somos nós que temos a obrigação de ajudar os juízes, que assim fica demonstrado estarem no caminho certo. Logicamente.





Também fiquei terrívelmente chocado com a escolha..O Público desceu na minha consideração, mas continua longe desse senhor que só não ignoro porque, ele fez questão de deixar a sua mancha…
C. Vidal: Ao bom estilo ” situ” estava à espera que fizesse grandes cut-ups com o dossier da Marianne sobre o Alain Badiou. Preferiu sujar as mãos- como é bom recordar Sartre, logo pela manhã- com mais uns relatos das memórias inacreditáveis do dr. Soares & Cia na semana dos 20 anos da fundação do Jornal Público. Recordo-lhe que as visitas de Maxwell, Berluscolini e Murdoch a Belém estavam referenciadas- em antagonismo- com a expansão da Emaudio e da TD de Macau, conforme sublinha bem o Rui Mateus no seu livro ” Contos Imorais do PS “. A Teresa de Sousa é( ou era) casada com um dirigente do PCPML, da banda inacreditável de Eduíno Vilar, e morou por baixo da Lurdes Pintasilgo no Campo de Santana, não muito longe do Carneiro Jacinto, o inefável comentador desportivo algarvio que foi seduzido por Sá Carneiro para a política na sua fase ascensional de jornalista…muito anos antes do súbito encantamento pelo Mário Soares na Marinha Grande. Para sermos concretos, o Rui Mateus não fala de nomes de amanuenses de Belém.
Mas sabe-se que o cunhado do José Manuel dos Santos, assessor de Cultura de M.Soares durante os dois mandatos, era o homem-a-subir da Imprensa nesse tempo. De qualquer forma, o chefe da Casa Civil, Alfredo Barroso, o ” melhor e mais puro” dos soaristas, que tinha feito uma perninha em ” A Capital “, antes e depois do 25/4, era o mestre da manobra em Belém, por esse tempo. E, por falar em amanuenses, o Carlos Vidal, certamente por ter ido a Cuba passar o fim de semana, deixou escapar o apoio descarado/colisionista/afectivo/total de Daniel Oliveira à legião dos escribas do Simplex que denunciaram na praça pública as delacções do Carlos Santos ao matutino ” i”, p.-passado. A larga manobra de persuasão dialéctico-crítica de Daniel Oliveira permite encarar, ola-ri-lo-lé, uma perspectiva de acordo político de incidência parlamentar do BE com o PS. Nem mais, nem menos. O gesto de analista é profundo, post estruturalista, ruminante( no sentido marxista)e de um encantamento libidinoso insofismável para a colaboração de classes. Vamos ter mais Estado, mais Luz e mais arrojadas ambições na concentração-síntese neo-bolchevique entre o BE e o PS, com a benção e a finura política argumentativa de Daniel Oliveira. Cresce um clamor e uma super-actividade política resultante da leitura aplicada, esmerada e dialéctica das crónicas escritas e orais do colaborador da Impresa em fase tão categórica,exaltante e escatológica.Tal irradiação ultrapassa fronteiras e, Nicolas Sarkozy,o PR francês à beira da implosão eleitoral inescapável, encara mesmo a hipótese de convidar D.Oliveira para explicar a Minc, Guèno e outros conselheiros do Elisée como se constrói um projecto de colaboração de classes no séc.XXI. É mesmo obra! Niet
Apesar de não gostar de Soares, este não traíu o 25 de Abril. Aliás, até o defendeu, ao ser o grande impedidor da ascensão de uma nova ditadura. O 25 de Abril prometeu a liberdade aos portugueses, não prometeu uma ditadura comunista. E cumpriu. Os portugueses hoje são livres.
É evidente que a malta comunista culpa Soares por este ter impedido a ditadura comunista em 1975.
Que nunca mais os portugueses vivam em ditadura, sem liberdades. Já chegaram 48 anos. Nunca mais.
E o que foi afinal o 25 Abril, caros Niet e C. Vidal?
Pensam que foi feito em prol do bem do povo e pela democracia?
Deixa-me rir, como cantava e bem, o Jorge Palma…
Caro C. Fernandes: Como dizia Bakounine, um Estado verdadeiramente popular é aquele que o deixa de ser!
Li o ” Alvorada de Abril ” há pouco e gostei muito! Niet
Teresa de Sousa era militante do PC de P (m-l); o marido não sei.
O que sei é que, do PC de P (m-l), a senhora passou para o PSD e agora “está” no PS do Soares (e também no do Sócrates, claro…). Amanhã, estará onde?
Mr.E esta hein!?- Eu conheci o marido na sede do PC P(ML). Ela não sei. Nem interessa, nem é relevante, do meu ponto de vista. O que eu reparei nos últimos tempos foi o seguinte: O Jorge Almeida Fernandes- um puro e antigo mao-althussseriano da Avenida dos EUA -faz aquelas brilhantes peças de análise de política internacional cheias de citações do NY Times, do Guardian, da Vanity Fair., da New Left, olalá. A D. Teresa- cronista internacional- acabou com as suas jeremiadas e toca a citar o The Economist, o Monde, eu sei lá que mais. Assim se faz Portugal…Niet
Niet
uma metodologia do séc.XXI que se apoia num pensamento primitivo, ignóbil. A lógica da “conciliação de classes” é a mesma das sociedades dependentes dos saques que chegavam de longe das guerras imperiais que carregavam às costas os proventos e dependências que permitiam sustentar a maioria; que por sua vez distribuia as costumeiras migalhas pela populaça pobre para que esta parasse de bramar.
Chama-lhe parvo, ao amanuense do Oliveira. Ainda por cima se permite ir “amandando” umas bocas contra o sistema. É um disfarce, na mais pura lógica da obra ao Bobo mediático. (mas coisa séria na capitalização de resultados). O presidente Barack Obama já felicitou os “eleitores iraquianos” – agora venha de lá essas torneiras petroliferas a funcionar em pleno… para obviar à “decadência do ocidente” que segundo reclamava Oswald Spengler não poderia funcionar sem que fosse redimida pelo sangue
MR. Xatoo: Eu estava a brincar, a ironizar. Acho que se percebia bem. E a esse respeito, eu estava a ” convidar ” o Carlos Vidal a entrar na cena. De forma indirecta, claro. E cheia de camuflados. A cena mais inacreditável é que ele, D. Oliveira, deve sofrer imenso ao assumir-se como uma espécie de vigilante, de conciliador, de apaziguador ao serviço dos senhores fraquérrimos da Hora…Eu denunciei a ” traição ” dos intelectuais perante Sócrates. Intelectuais de blogue e de suplementos literários( conhece o poema do Jorge de Sena sobre os Suplementos Literários!?). O nosso ” vigilante ” percebeu e toca de congelar o comentário durante horas. Eu agarro e contacto o Rui Bebiano por e-mail, e peço-he para ele tirar o comentário, o que ele executa de imediato. Tudo isto prque a ” tribo ” estava a ser desmascarada e os conluios de sacristia e de lavandaria política podiam ficar abalados…Niet
O Comentário que salvei das garras censórias de Daniel Oliveira- Isto vale o que vale. Só que para um importante aparatchik de uma formação de extrema esquerda, a gravidade do acto é imensa.Na escala da ética e da moral política. Ora, aí vai o comentário que eu consegui recuperar das garras ” censórias ” de Daniel Oliveira pelas 18 horas do passado dia 3/3, via intervenção solicitada a Rui Bebiano.
” A cena dos ” epígonos e amanuenses ” de Sócrates manchou qualquer um que dela se abeirou. Frontal ou furtivamente. Não existem jantares grátis. O duplo mal, na expressão de M. Bakounine, que garante e justifica o funcionamento da devoradora máquina do Estado e dos seus Aparelhos Ideológicos, só gera cumplicidades e vicissitudes mais ou menos sangrentas. E a prazo sem remissão possível, claro. Os fenómenos de vírus e de contaminação, a nova ameaça viral supra-política, analisada fria e perversamente por Baudrillard, principalmente, tornam ridiculas quaisquer posturas hipocritamente neutras ou de aura universitária. Há uma espécie de equivalência no desastre que se anuncia. E a traição dos intelectuais jogou a fundo na deriva fatal e inexorável da actual conjuntura política gravíssima que nos atormenta. Jorge de Sena teve razão desde sempre:” Uma literatura que se não ultrapassa é ridícula e miseravelmente menos que literatura- é sinal certo de menos que humanos, de escravos, portanto “. Com pequenas e irrelevantes alterações foi este o comentário enviado. E que salvei por ” golpe de honra” das garras censórias do sr. Daniel Oliveira. Niet
Breaking News: Quem joga com e pela Verdade é Assim: Rui
Bebiano acaba de se demitir do Arrastão. Niet
ainda lês a entediante pasquinzada em papel? 29 mil exemplares apenas para as elites mais esclarecidas, sem problemas e calhandreiras. E a mais virtuosa das personagens combatentes? Um luxurioso a fingir de casto, audacioso atrevido, enquanto o vício manhoso coça a barriga.