Os assessores do fim da luta de classes

Já houve tempos em que os jornais tinham uma secção chamada “trabalho”. Símbolo das mudanças de correlação de forças na nossa sociedade, hoje em dia, estas secções chamam-se “empresas” ou “mercados”. Estamos num país em que os salários são considerados despesas injustificadas e os lucros dos accionistas um bem social. Os prosélitos do partido do governo, que se afirmam de esquerda, repetem a lengalenga que todos os males do mundo são devidos aos sindicatos anquilosados. Para eles, a luta de classes acabou. Devemos estar todos ao lado dos patrões, como está o governo. O facto de nas empresas as pessoas terem cada vez menos direitos, o trabalho precário aumentar, o número de desempregados bater todos os recordes e a redistribuição dos rendimentos ser cada vez menos favorável a quem trabalha não tem importância nenhuma. Mais de 30 anos de governos de PS e PSD – a darem regalias aos mesmos patrões, a fazerem quem trabalha pagar todas as crises – provaram-nos que a culpa é sempre dos sindicatos.
Agora a sério, depois de 30 anos de trabalho a servir os patrões os Sócrates e os aprendizes galambinhas devem estar cansados. Não é altura de se irem governar para o outro lado e de termos uma política diferente?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 Responses to Os assessores do fim da luta de classes

  1. LAM says:

    e eu que pensava que com o código do trabalho do CDS+PS aprovado, os números do desemprego iam cair. Que para isso é que foi feito, lembram-se? as leis laborais anteriores eram “um entrave à contratação”. Agora sim, vai de vento em popa. Lá está, os sindicatos estavam contra porque viviam amarrados ao passado. Mas o deputado Galamba explicará isto melhor do que eu.

  2. atumtenorio says:

    Sim,sim e,as greves selvagens que levaram o país à ruína como vimos nos casos do BCP,BPN e, na Wall Street também.Esta gente do PS,valem tanto como os fascistas.Melhor estes últimos têm coragem de dizer ao que vão ,os outros são todos de esquerda súcialistas.Tás a ver?:)

  3. joão viegas says:

    Apoiado. E também apoiado na parte (implicita) em que se diz que não vamos la com Galambas…

    Vamos ver se nos entendemos e se temos uma conversa de esquerda aqui neste blogue.

    Contem comigo (e com outros) de cada vez que vêm defender que se restitua ao trabalho aquilo que lhe pertence.

    Agora a verdadeira questão é : sera que faz mesmo sentido o trabalho ter direitos NO PAPEL apenas ? Não sera essa a verdadeira situação chocante em Portugal que dura ha 30 anos ou mais. Contratados a prazo, com ou sem codigo do trabalho, não serão a esmagadora maioria dos trabalhadores fabris neste pais. A prazo no papel durante os 5 primeiros anos de contrato. A prazo na realidade enquanto permanecem refens de um patrão que faz chantagem (senão fecho) e que alias muitas vezes nem sequer paga a tempo e horas ?

    Portanto a urgência não sera fazer com que o direito do trabalho ganhe, não em conteudo legal, mas em EFECTIVIDADE real ? Uma garantia de salarios obrigatoria, a possibilidade de provocar a falência da empresa em caso de fraude ao fisco ou à segunrança social, tribunais que julgam com rapidez, protecção para os trabalhadores que se defendem em juizo, etc. ?

    Os Galambas so têm saidas desatradas como aquela a que alude o poste, porque vão atras da moda. Mas sempre assim sera.

    Ou seja : que apareça uma esquerda responsavel, preocupada em assegurar direitos concretos, exequiveis, e não uma esquerda de opereta que tem como unico programa ir em grupo ver filmes sobre Che Guevara.

    Então sim, o meu amigo Nuno vai ver os Galambas mudarem de disco.

    E se calhar um Socrates ou outro…

  4. miguel tiago says:

    isso é que era!
    Mas terão mesmo de ser os portugueses que vivem dos salários a correr com esses e outros que tais!

    abraço

  5. Pingback: cinco dias » Os sindicatos matam?

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