Táctica

A propósito da iniciativa conjunta do BE e do PSD não pude deixar de me lembrar de uma discussão recente sobre táctica e estratégia. Afinal, quando a questão é a mesma e ainda que os objectivos sejam diferentes, podemos entender-nos com quem pensa diferente que nós. Não é assim caríssimo Daniel Oliveira? Ainda bem que mudaram de ideias e não olham para a cor de quem quer fazer oposição a Sócrates. Bem-haja!

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10 Responses to Táctica

  1. “Posso juntar-me a pessoas de direita por coisas com objectivos muito claros. Já o fiz. No aborto (até com um ou dois dos organizadores desta manif), em algumas lutas estudantis. Em coisas com objectivos tão concretos que até o final da luta era fácil de determinar”

    A frase é minha, quando expliquei porque não participava na manifestação. Aqui o objecto é tão fácil de determinar que já está: inicar uma comissão de inquérito. As ideias não mudaram. São as mesmas. Entendimentos para inicar uma Comissão de Inquérito acho normais. Manifestações conjuntas em defesa de uma ideia abstracta de liberdade de expresão, é uma coisa um pouco diferente. Não lhe parece?

  2. Justiniano says:

    “defesa de uma ideia abstracta de liberdade de expresão…” mas, caro Daniel Oliveira, acaso haverá uma não abstracção da liberdade de expressão!? Que entendimento, sobre esse objecto, poderá ser elaborado fora da absoluta abstracção!?
    Estará Vcmcê a querer enunciar limites imanentes!?
    Que significa, verdadeiramente, isso(aquilo)!!??

  3. Renato Teixeira says:

    Não Daniel Oliveira. O argumento, para a não participação na manifestação contra Sócrates e pela liberdade de imprensa era o facto de a direita e a esquerda terem entendimentos diferentes sobre o que é a liberdade (mais ainda da expressão). De igual modo argumentou que não se unifica com a direita só para se manifestar contra o Sócrates.

    Dizia nessa polémica como poderá recordar no link: “Dei a minha opinião e nunca me misturei (nem sequer nos argumentos e muito menos nas motivações) com a direita”

    É desta falácia que o felicito de ter saído. Faz e fará coisas com a direita sempre que os objectivos sejam os mesmos. Uma comissão de inquérito sobre a TVI ou uma manifestação contra Sócrates. As motivações, espero, serão sempre diferentes, mas quanto a isso pouco há a fazer caso queira mesmo derrotar o actual governo. Quer?

  4. A citação que aqui coloquei é dessa altura. Esta a dizer que não, que eu não tinha a posição que clarifiquei na altura?

  5. Renato Teixeira says:

    Daniel Oliveira… agora sem fintas (adoro esta dica do MSP). Consegue explicar a diferença em poucas palavras?

    O que muda nas duas situações? Seguramente que as verdades que o BE quer apurar são diferentes do que as do PSD em matéria de TVI, correcto?

    A matéria da TVI insere-se no mesmo debate sobre o tique controleiro do governo ante os órgãos de comunicação social e sobre a liberdade de expressão, correcto?

    A direita que chama pela comissão de inquérito, PSD, é a mesma que segundo o Daniel usou a outra manifestação como rampa de lançamento da candidatura do Rangel, correcto?

    A esquerda que votou com o PSD a comissão de inquérito, BE, é a mesma que por sectarismo estava contra manifestações contra o Sócrates e pela Liberdade de Expressão pelo facto de também lá estarem os tipos maioritariamente adeptos do PSD, correcto?

    E diz você que faz política para as massas… Irra. É difícil percebe-lo!

  6. lingrinhas says:

    Tão iguais que voces são. E depois da comissão de vem aquilo de que voces têm medo?

  7. viana says:

    O Renato parece que continua a não compreender a posição daqueles que discordaram de si. Ninguém afirmou que nunca se deve entrar numa aliança conjuntural com alguém de quem discordamos, de modo a atingir um objectivo que pretendemos alcançar. Aquilo que foi defendido é que tal aliança só vale a pena se o resultado esperado fôr positivo não só a curto prazo (derrube de Sócrates) mas também a longo prazo (colocar a Esquerda a governar). Ou seja, que a estratégia (o longo prazo) nunca deve ser esquecida quando se avalia o interesse de certa táctica (o curto prazo). No caso em questão, houve, incluindo eu, quem concluisse que os possíveis ganhos tácticos (enfraquecer Sócrates) não compensavam as perdas estratégicas (subalternização da Esquerda no seio dum movimento criado à Direita, bem clara no conteúdo ideológico da petição). No caso da Comissão de Inquérito Parlamentar agora constituída quem andou a reboque foi a Direita, tendo o BE com a sua posição impedido a Direita de se arvorar como única defensora da verdade e da transparência. O BE ganhou em táctica e estratégia. Basta constatar o que afirmou Francisco Assis, líder parlamentar do PS: “Registamos que nessa matéria o PSD decidiu ir a reboque do BE(…)” aqui.

  8. Renato Teixeira says:

    Viana, discordar não é não compreender. De certo percebe a diferença.

    Evidentemente o BE ganhou em táctica (neste caso particular) como poderia ter ganho na outra. O post é a minha maneira sui generis de dar os parabéns. Chegou a ler o post ou limitou-se aos comentários do DO?

    O que se passou não foi, como diz: “subalternização da Esquerda no seio dum movimento criado à Direita, bem clara no conteúdo ideológico da petição”. O que se passou foi o silêncio da esquerda numa matéria onde só a direita cavalgou. É a velha, velhíssima, história do vácuo.

    Acredito que compreenda, ainda que discorde.

    Só uma pergunta. Para que a esquerda governe a prazo é preciso que este governo não caia. Percebi bem?

  9. viana says:

    “Só uma pergunta. Para que a esquerda governe a prazo é preciso que este governo não caia. Percebi bem?”

    Não, não percebeu bem. Obviamente, é preciso que este governo caia para que a Esquerda governe, já que este governo não é de Esquerda. Mas o modo como este governo cair vai influenciar que governo teremos a curto e médio prazo. Ou o Renato acha que não? Acha que as consequências serão as mesmas se este governo cair (1) porque o PR convoca eleições antecipadas, (2) porque o PM se demite devido aos “casos”, (3) porque o PM se demite sob pressão das condições sócio-económicas (incluindo grandes manifestações de rua promovidas pela Esquerda), (4) porque a oposição parlamentar aprova uma moção de desconfiança, ou (5) porque o PM se demite afirmando que a oposição não o deixa governar? Eu acho que não. É minha opinião, mas claro posso estar errado, que a situação (2) beneficiaria a Direita, a situação (3) beneficiaria a Esquerda, a situação (4) beneficiaria o PS, não sendo claro quem sairia beneficiado das situações (1) e (5). A complicar a análise há a possibilidade de JS se demitir, mas o PR não convocar eleições antecipadas, porque o PS proporia então um novo governo com outro PM, que logicamente só seria aceite se assegurasse maioria parlamentar. Cavaco só aceitaria tal cenário se a coligação do PS fosse com o PSD ou CDS, e mesmo assim só se as sondagens sugerissem que o PSD não conseguiria ultrapassar o PS em eleições. Mas Alegre, ou outro PR de Esquerda, já aceitaria uma coligação (formal ou de âmbito parlamentar) entre PS, BE e PCP, e acredito que até a preferiria a novas eleições. E é este último cenário que torna tão importante eleger um presidente que o permita.

  10. Renato Teixeira says:

    Bastante claro. Aliás, o que é simples, explica-se com simplicidade. Ainda assim não estamos de acordo. O governo que teremos depende alguma coisa do quando e do como cairá este governo. A capacidade de se criar uma alternativa fora do arco do regime pede que muitos governos caiam muitas vezes e de todas as maneiras.

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