Excelente post d@ Dallas sobre as mais valias da conflitualidade laboral. Por sua vez, João Galamba, interpreta o que escrevi aqui (e aqui), como sendo uma visão moralista, bizarra e nacionalista. Voltarei ao tema.
Excelente post d@ Dallas sobre as mais valias da conflitualidade laboral. Por sua vez, João Galamba, interpreta o que escrevi aqui (e aqui), como sendo uma visão moralista, bizarra e nacionalista. Voltarei ao tema.
O João Galamba acha que o desemprego (preocupante) causado por esta crise se combate com negociações dentro do quadro político-jurídico vigente, isto é, acha que o nível actual de desemprego em Portugal é culpa dos trabalhadores portugueses, esses malvados. E assim se reduz a luta de classes a uma categoria moral (e ao regatear com maneiras).
tiago, o link para o artigo do dallas vai parar a um artigo do saboteur…
muda antes que o vidal repare…
abç
Caro nf,
eu não digo que o desemprego é culpa destes ou daqueles porque, em relação a estes temas, prefiro não em barcar em análises redutoramente moralistas que atribuem intencionalidades perversas a determinados agentes. Aliás, se há coisa que a esquerda de inspiração marxista sempre rejeitou (ou melhor, pelo menos marx rejeitava) foi a transformação de uma “ciência” numa leitura moral da sociedade. É o Tiago Mota Saraiva – e o pcp – que está a trair o património intelectual a que diz pertencer.
Cumprimentos,
Joao Galamba
Isso do possível julgamento moral que Marx terá ou não feito ao capitalismo é coisa complexa. Se ele teve sempre o cuidado de evitar sentenças explícitas, o uso de palavras como “roubo” ou “exploração” tem conotações moralizantes claras.
Caro João Galamba,
«O Tiago Mota Saraiva acha que o desemprego (preocupante) causado por esta crise se combate com greves em portugal, isto é, acha que o nível actual de desemprego em Portugal é culpa dos patrões portugueses, esses malvados. E assim se reduz a luta de classes a uma categoria moral.»
Você faz uma indução ilegitima, que não está no post inicial, entre o desemprego crescente, uma greve e a putativa moralização de patrões e assalariados em, respectivamente, malvados e bonzinhos. É possível, para um marxista, que a causa (socioeconómica) do crescimento do desemprego esteja na mercantilização capitalista do trabalho e na exploração do trabalhador e que, por isso, a culpa (ideológica) do desemprego seja atribuída aos capitalistas visto que a luta de classes interliga de forma fundamental o capitalismo e a constituição de classes socioeconómicas antagónicas: uma pelo capital, outra pelo trabalho. Para estes, aquilo que você designa por «agentes» estão, quer queiram quer não, de um lado de uma barricada que imana dum determinado sistema socioeconómico. Como se tem vindo a assistir, o combate ideológico pela atribuição da culpa da crise económica não é, de todo, um exclusivo do pcp ou do ‘marxismo’. Aliás, quem reduziu esta crise a um desvio comportamental e ético de uns quantos agentes do mundo financeiro alienando-a do próprio sistema capitalista está bem longe deste espectro político.
ps- quanto à moralização do capitalismo por Marx, a coisa é mais complicada, mas a ambição científica não erradica, por si, a semântica moralista presente.
Luís,
Mas não assentam em qualquer tipo de juízo moral sobre “intencionalidades” individuais nem diabolizam o empresariado. Aliás, se há coisa que Marx faz é atribur um papel, isto é, um significado positivo a esses seres diabólicos e ao papel que necessariamente desempenham para a consciencialização da classe operária. Se há coisa que Marx sempre condenou/rejeitou foi o moralismo. Se foi bem sucedido, é outra história.
É mesmo isso, João; por um lado ele fugiu de tais posturas como Maomé do entrecosto, mas elas continuavam a puxar por ele…
Tiago, o que engraçado é que é o joão galamba começar por colocar-se do lado de uma alegada heterodoxia contra a tua ortodoxia. Mas logo faz apelo a uma figura de autoridade, convocando o velho barbudo. Diz que o velho barbudo não faz uso de autoridade moral, mas de autoridade científica. De qualquer dos modos, pergunto-me se a bota é melhor do que a perdigota. E a questão de fundo é por que raio é que alguém que se coloca numa posição heterodoxa recorre a uma figura de autoridade? O problema da ortodoxia, às vezes, é que a crítica que suscita é tão ou mais ortodoxa do que a própria ortodoxia que procura caricaturar…
abç
Marx enquanto uma figura de autoridade. Fá-lo dando conta da autoridade científica de Marx e rejeitando a autoridade moral. Eu gostava de saber, já agora, em que medida
(cuja superioridade em relação à autoridade moral de Marx reforçando essa figura com a questão da cientificidade de “O Capital”, que daria pano para mangas, não só comparando com o Marx da alienação, como também comparando com o Marx dos “Grudrisse”), a partir daí esgrimindo em nome da heterodoxia contra a ortodoxia. Que a sua esgrima se desenvolva de modo ortodoxo, isso não parece preocupá-lo de todo. O pior da ortodoxia é que as críticas à mesma sentem-se à vontade para serem ortodoxas, nem se preocupando com isso, tudo porque, na realidade, ao falarem contra a ortodoxia, sentem-se moralmente superiores. Sai pela janela, mas entra-lhes pela porta.
carreguei antes de tempo…
a segunda parte do comentário anterior não está “revista”.
o que se queria dizer era: entre um marx moralista (admitamos que a questão da alienação possa remeter para aí) e um marx científico (admitamos que O Capital possa ser assim resumido), há um marx crítico (no sentido: um marx do movimento operário).
Caro João Galamba, a sua argumentação poderá ser eficaz no debate mediático, mas não o é, no plano intelectual.
Se não vejamos.
O João Galamba lançou, no seu primeiro post, um ataque de carácter a Carvalho da Silva e à CGTP, tomando esta central sindical como “os sindicatos” (o que não faço) e declarando que é por culpa da CGTP, Carvalho da Silva e PCP que, em Portugal, o número de sindicalizados tem vindo a diminuir.
No meu primeiro post sobre o assunto constato, e a propósito de uma questão antiga, que o João Galamba está a assumir uma postura de classe absolutamente enquadrável na doutrina marxista na luta de classes. A sua intervenção neste debate é clara e inequívoca. Enquanto deputado do partido do governo, nas teses de Marx ao serviço do grande capital, deve por todos os meios tentar relativizar, denegrir e combater as diferentes formas de organização dos trabalhadores no sentido de obstaculizar a sua luta.
@ Dallas argumenta de outra forma que também me parece interessante fazendo um paralelo entre os países com mais greves e as conquistas sociais dos respectivos trabalhadores.
Entretanto, o João Galamba, faz um post sobre o que eu teria dito, a desconversar. Terei, certamente, mais uns aninhos de Marx e menos anos de dogmatização anti-comunista. O seu post é impossível de rebater pois não se alicerça no que escrevi, mas sim, no que João Galamba está habituado a escrever sobre os comunistas.
Em cada alusão a Marx mais um disparate com que nos presenteia o jovem deputado da esquerda moderna.
Não apenas se vê forçado a transformar o que escreveu o Tiago noutra coisa completamente diferente, como o demonstra nf nos comentários acima, como revela a fragilidade de fundo dos seus argumentos, baseados em preconceitos óbvios, que o post do spectrum desmonta em termos muito simples.
Mas o pior é mesmo esta permanente alusão a Marx, como se dali pudesse vir alguma caução para o miserabilismo a que nos convida. Já agora, não se regeria o sr. Karl Marx «por um esquema mental típico do século XIX»?
Para não ir muito longe e maçar os leitores, aqui fica uma passagem em que Marx tece um «juízo moral sobre “intencionalidades” individuais» e «diaboliza o empresariado»:
“Enquanto a aristocracia financeira legislava, dirigia a administração do Estado, dispunha de todos os poderes públicos organizados e dominava a opinião pública pelos factos e pela imprensa, repetia-se em todas as esferas, desde a corte ao Café Borgne, a mesma prostituição, as mesmas despudoradas fraudes, o mesmo desejo ávido de enriquecer não através da produção mas sim através da sonegação de riqueza alheia já existente; nomeadamente no topo da sociedade burguesa manifestava-se a afirmação desenfreada — e que a cada momento colidia com as próprias leis burguesas — dos apetites doentios e dissolutos em que a riqueza derivada do jogo naturalmente procura a sua satisfação, em que o prazer se torna crapuleux, em que o dinheiro, a imundície e o sangue confluem. No seu modo de fazer fortuna como nos seus prazeres a aristocracia financeira não é mais do que o renascimento do lumpenproletariado nos cumes da sociedade burguesa.”
As lutas de classes em França (1850), Ed. Avante, Lisboa, 1982, p.40
http://www.marxists.org/portugues/marx/1850/11/lutas_class/index.htm
O melhor é mesmo ficar-se pelos idealistas alemães e deixar os comunistas para outra altura.
Tiago Mota Saraiva,
Ataque de carácter? tenha juízo. é o tiago que faz juízos de carácter, não eu
O Sr. João Galamba é um exemplo acabado de um elemento ao serviço do capital, na luta de classes.
Desconhece o que é a precariedade laboral(http://jugular.blogs.sapo.pt/1427280.html);
Não sabe que o Estado tem (ou devia ter) interveniencia nas decisões politicas que definem a economia (http://jugular.blogs.sapo.pt/1608718.html);
Está sempre do lado do patronato nos ataques aos direitos dos trabalhadores – neste caso, horário laboral(http://jugular.blogs.sapo.pt/1522527.html#comentarios);
Um verdadeiro case-study, este senhor deputado.
Marx não individualizou as culpas, é certo, mas invocou, ad nauseum, os conceitos de “roubo” e “exploração.” Estes são conceitos morais, evidentemente.
Ora, ora, Tiago Mota Saraiva, o João Galamba desta vez até foi bastante contido na forma como se referiu ao Carvalho da Silva: imagine só o esforço que o rapaz fez para não largar por lá um “filho da puta” (adjectivo de enorme alcance argumentativo), como ele tanto gosta de designar quem o contraria…
Eu acho que nesta da crítica desprovida de conteúdo moral, o João Galamba está a confundir Marx com Saint-Simon. Este tipo ainda não parou de me surpreender.
Toda a ideologia assenta numa visão moral das relações humanas, em particular numa avaliação apriorística sobre quem merece o quê. Como o ezequiel tão bem exemplificou.
Espanta-me que algo tão simples escape ao João Galamba…
Sem citar nenhum morto, só me ocorre dizer que:
Em Portugal temos dos salários mais baixos da Europa.
Ao contrário do que se afirma, em poucos locais é tão facil despedir como aqui (acrescentar ao código laboral, o real funcionamento dos tribunais e da inspecção de trabalho).
Alguns iluminados insistem que este é o caminho, mas pergunto, baseados em quê??